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A origem cultural da visão das cores
Autor: Buckaroo Banzai | Categoria: Ciência, Tecnologia e Saúde | Exibições: 4750 Comentários: 34
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Citação de: Buckaroo Banzai em 27 de Dezembro de 2012, 11:10:40

Acho que esse "daltonismo" viria de não se exercitar partes do cérebro a fazer esse reconhecimento, meio como deve ser com os sons/notas.

Outra instância possivelmente relacioanda foi mencionada em outro segmento do mesmo episódio, onde tinha uma mulher que era supostamente "anti-daltônica", teria cones e/ou bastões diferentes adicionais e poderia assim fazer mais distinções de cores, e, quando comparada a pessoas comuns, de fato tinha a capacidade de distinguir cores que pareciam iguais aos olhos dos outros. Mas essa capacidade não era diferente da de um homem (que portanto não poderia ter a mesma capacidade em nível estrutural por questões genéticas) que era pintor, presumivelmente porque ele dedicou boa parte do seu tempo a fazer distinções entre cores mais sutis. O "daltonismo cultural" seria possivelmente análogo à situação do homem comum/não-pintor, numa situação onde as cores "conhecidas" pela cultura são poucas, abaixando assim o "nível mínimo" da população.


E as crianças, que seriam o V0 de tudo.....Estranho...Se esta teoria está correta, ao qdo crianças deveríamos ver o mundo de forma diferente...isto realmente ocorre ? E o que ocorreria se ensinássemos a diferença entre verde e vemelho, usando como "pano de fundo" a cor preta?!?!

Abs
Felipe
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Data da postagem: 27/12/2012, 10:34
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Eu não sei praticamente nada do assunto, apenas ouvi o podcast e li uns abstracts e trechos de artigos científicos.

Não lembro de ter visto de nada sobre o aprendizado individual das cores na infância, exceto por essa anedota de um cientista sobre a filha ter demorado a consistentemente dizer que o céu era azul, apesar de já reconhecer o azul em outras coisas, de terem lhe ensinado as cores normalmente. Mas nem sei se isso é realmente pertinente ao suposto fenômeno ou uma confusão com a criança ter dificuldade em entender o céu como uma "coisa", havendo ainda a possibilidade de confusão com nuvens no céu (já que ela oscilava a resposta entre branco e azul).

Eu não sei como explicar/entender isso melhor do que com a analogia com sons e música, e com a possível extensão "para trás" daquilo que parece acontecer com os pintores e eventuais outras pessoas treinadas a distinguir cores que parecem à maioria das pessoas, idênticas. Me parece que tem "parte" do cérebro que é capaz de fazer essas distinções de forma mais ou menos automática, e parte que é mais significativamente influenciada pelo treino. Talvez até haja qualquer coisa como uma parte ser "dominante" até algum dado nível de desenvolvimento mental, e então a outra se tornar dominante. Acho que li algo nesse sentido, possivelmente dentro desse mesmo assunto, ao ao menso algo relacionado a linguagem. É, tem algo assim na minha primeira citação, do blog "neuroanthropology".

Não entendi o seu experimento de ensinar a diferença entre verde e vermelho com um "pano de fundo" preto.
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A história da arte mostra o emprego correto das cores através dos tempos, apesar de ser imprecisa a respeito do uso das tonalidades. Na minha opinião é uma questão lingüística mesmo. Possivelmente não havia necessidade prática para distinguir cores/tons muito próximos, isso não quer dizer que as pessoas não percebiam diferenças, só que talvez fosse irrelevante distinguí-las por nomes diferentes. A cultura criou essa necessidade. Já tive um carro com a cor verde-tobago. Mas o que é verde-tobago? Certa vez, para fazer um serviço de lanternagem, tive que recorrer à fábrica para determinar a formulação correta da cor, pois numa tabela de tintas semelhante ao Pantone havia dúvida do lanterneiro entre umas dez cores verdes que me pareciam iguais. O verde-tobago era uma cor inventada pela Renault na França. Da mesma forma que não existe necessidade prática para a maioria dos mortais de distinguir dezenas de "verdes", possivelmente no passado eram necessárias poucas palavras para descrever as cores do espectro, colocando até possivelmente numa mesma descrição em determinada época cores que hoje nos parecem totalmente diferentes.
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Data da postagem: 27/12/2012, 11:19
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Mas "a história da arte" a partir de quando? Se tem registros paralelos de arte com uso realista de cores ao mesmo tempo em que os idiomas nem tinham os termos para todas as cores?

http://en.wikipedia.org/wiki/Linguistic_relativity_and_the_color_naming_debate#Recent_scholarship
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Com os sons, acredito que seja diferente. Existe uma escala musical padronizada de notas musicais muito mais limitada que o espectro luminoso devido, talvez ao fato de a nossa sensibilidade à luz ser maior do que a sensibilidade ao som. Uma é radiação que sensibiliza diretamente o nervo óptico e o outro tem origem mecânica que depende da propagação de vibrações pelo ar e do tímpano. Essa limitação do espectro sonoro simplifica o processo de educação do ouvido.
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Citação de: Buckaroo Banzai em 27 de Dezembro de 2012, 14:28:35

Mas "a história da arte" a partir de quando? Se tem registros paralelos de arte com uso realista de cores ao mesmo tempo em que os idiomas nem tinham os termos para todas as cores?

http://en.wikipedia.org/wiki/Linguistic_relativity_and_the_color_naming_debate#Recent_scholarship



A arte mostra que não se trata de uma disfunção fisiológica, que não havia um daltonismo generalizado no passado. Seria o caso de se cruzar a representação pictórica com a linguistica ao longo do tempo para se perceber a evolução dessa exigência cultural de distinção de cores/tons. Nesse sentido, só temos o que aparece na Ilíada e Odisséia e nos demais exemplos citados no livro acima.
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Acho que mesmo os "relativistas" extremos não defendem que houvesse uma disfunção fisiológica (ao menos não ninguém depois de Gladstone e Geiger, no meio do século XIX), ainda que talvez defendam sim um tipo diferente de "daltonismo" generalizado. Pelo que acho que estou entendendo/minhas analogias não seria necessário haver disfunção fisiológica da mesma forma que uma pessoa "normal" tem maior dificuldade em distinguir cores próximas do que um pintor, sem ter qualquer coisa mais "próxima" de daltonismo verdadeiro nos olhos. E a analogia com sotaque/dislexia também. Não sei se essas diferenças satisfazem os critérios mais comuns de "disfunções", que me parece sugerir algo mais drástico.

Os himba conseguem perceber bem rapidamente a cor diferente dentre esses quadradinhos:



Mas têm dificuldade em apontar a cor diferente nesse caso:



http://boingboing.net/2011/08/12/how-language-affects-color-perception.html
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quero ver lidarem com uma escala de cores dessas:



Onde os nomes são A1, A2,A3, A3,5... B2... C4... D3... e por aí vai...
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Não sei se é realmente relevante ao fenômeno, mas acho interessante como poucas cores podem criar uma "ilusão" de mais cores:







Aí só tem ciano e vermelho, e branco e preto.

Talvez seja relevante quanto a uso realista de paletas mais limitadas não necessariamente significar que não houvesse uma diferença na percepção das cores.
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Citação de: Derfel em 27 de Dezembro de 2012, 16:05:16

quero ver lidarem com uma escala de cores dessas:



Onde os nomes são A1, A2,A3, A3,5... B2... C4... D3... e por aí vai...


Isso não é nada.... uma vez vi umas chapas de padrões cores de geladeiras, máquinas de lavar, etc... te falam que são só cores diferentes, em cores tão iguais, que te dá vontade de derrubar o cara no chão, esmurrar o cara até suas mãos sangrarem, e então agarrar a cabeça dele e bater repetidas vezes contra o chão, por até uns dois minutos depois que ele já morreu, e entã se levantar sobre o cadáver dele, e vitoriosamente bater no peito com as mãos fechadas enquanto dá um grito gutural.

Ainda talvez relacionado, um vídeo que o Gigaview postou uma vez:

http://www.youtube.com/v/RN7jVSZgFDI

Em ambos os casos seriam meras palavras tendo um efeito sobre a percepção, algo que parece totalmente absurdo*, ainda que o mecanismo ou o "histórico" não sejam necessariamente iguais...

* se me disserem que isso de hipnose é fraude eu vou dizer na hora, "eu sabia! Eu sabia!"
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