
Clube Cético
As conseqüências absurdas do relativismo pós-moderno
Autor: Eleitor de Mário Oliveira | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 21198 Comentários: 162

Sobre as implicações das teorias físicas sobre a maneira de se enxergar o mundo: a ciência não tem o monopólio da criatividade
.
Não acho nada de errado em se partir de conceitos físicos para se criar uma analogia com um aspecto da humanidade, contanto
que se deixe bem claro que se trata de uma analogia ("Alguem falou em cura quântica?"). É sempre bom lembrar que "às vezes, um charuto
é apenas um charuto."
Acho que o problema central que encontramos aqui, vem do fato de que existe uma distinção muito importante entre as chamadas "ciências" humanas e as exatas. Essa diferença surge por não existir ainda um conhecimento de um mecanismo unificado que
explique as ações e a mente humanas[1]. O que temos são interpretações que são, quer queiram ou não, fenomenológicas, e que estão sujeitas aos preconceitos e obsessões daqueles que as elaboram ("Freud, tira o charuto da boca!") Num estado desses, fica difícil mesmo
estabelecer qual a visão mais correta do fenômeno humano. Penso que é uma situação parecida com a da medicina antes da descoberta
dos microorganismo e antes das experiências de Pasteur: os romanos achavam que a malária era causada por "emanações" das águas,
um outro povo podia acreditar que as doenças eram causadas por espíritos malignos, e o fato é que realmente não havia maneira
de se afirmar conclusivamente que uma interpretação era mais correta que a outra. Nesse caso, o relativismo se justifica. Ou seja,
o relativismo (na minha opinião) é uma postura que é válida quando ainda não se conhece os mecanismos fundamentais por trás de um
fenômeno. Esse não é o caso das ciências exatas atualmente [2].
[1] Talvez a sociobiologia, a ciência cognitiva e as pesquisas sobre o cérebro venham a resolver isso.
[2] O modelo de Copérnico na verdade não era muito melhor que o de Ptolomeu, mas pôde ser refinado por Kepler até demonstrar ser a descrição correta quando medições mais precisas do movimento dos planetas foram obtidas. Mais tarde foi justificado pela teoria da gravitação de Newton.
Não acho nada de errado em se partir de conceitos físicos para se criar uma analogia com um aspecto da humanidade, contanto
que se deixe bem claro que se trata de uma analogia ("Alguem falou em cura quântica?"). É sempre bom lembrar que "às vezes, um charuto
é apenas um charuto."
Acho que o problema central que encontramos aqui, vem do fato de que existe uma distinção muito importante entre as chamadas "ciências" humanas e as exatas. Essa diferença surge por não existir ainda um conhecimento de um mecanismo unificado que
explique as ações e a mente humanas[1]. O que temos são interpretações que são, quer queiram ou não, fenomenológicas, e que estão sujeitas aos preconceitos e obsessões daqueles que as elaboram ("Freud, tira o charuto da boca!") Num estado desses, fica difícil mesmo
estabelecer qual a visão mais correta do fenômeno humano. Penso que é uma situação parecida com a da medicina antes da descoberta
dos microorganismo e antes das experiências de Pasteur: os romanos achavam que a malária era causada por "emanações" das águas,
um outro povo podia acreditar que as doenças eram causadas por espíritos malignos, e o fato é que realmente não havia maneira
de se afirmar conclusivamente que uma interpretação era mais correta que a outra. Nesse caso, o relativismo se justifica. Ou seja,
o relativismo (na minha opinião) é uma postura que é válida quando ainda não se conhece os mecanismos fundamentais por trás de um
fenômeno. Esse não é o caso das ciências exatas atualmente [2].
[1] Talvez a sociobiologia, a ciência cognitiva e as pesquisas sobre o cérebro venham a resolver isso.
[2] O modelo de Copérnico na verdade não era muito melhor que o de Ptolomeu, mas pôde ser refinado por Kepler até demonstrar ser a descrição correta quando medições mais precisas do movimento dos planetas foram obtidas. Mais tarde foi justificado pela teoria da gravitação de Newton.
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Data da postagem: 22/03/2007, 09:23

Citação de: Luz
Mas a Filosofia não precisou esperar pela TR para isso. Ao menos eu acho que não. O paradigma das Ciências Humanas foi mudando ao longo do século XX por causa de todos os movimentos sociais no século XIX, das guerras mundiais; enfim, por causa da própria evolução das Ciências Humanas. Ao menos é isso que vejo.
A TR e a MQ contribuíram, sim, para esse panorama, mas não foi nada que as CH não pudessem fazer sozinhas. Aliás, acho que Darwin acabou tendo um impacto nas CH muito maior que Einstein, por exemplo
Citação de: Dr Manhattan
É por essas e outras que hoje em dia eu evito analogias como a Peste
Prefiro chocar o ouvinte e dar logo o tratamento qualitativo completo de um fenômeno físico. E devo dizer que não tive do que me arrepender, tem funcionado muito bem!
Citar
Nada a ver com o tópico aqui, mas uma das coisas que mais me agradou em Mecânica foi derivar as Três Leis de Kepler a partir das Três Leis de Newton mais a Gravitação Universal. É uma dedução muito elegante e engenhosa.
Sobre a Antropologia, por exemplo. Um nova mentalidade relativística, digo, influenciada pela idéia de referencial (ponto de vista), leva o antropólogo a fazer conjeturas e não mais determinar que os achados significam o que parecem a princípio, como no positivismo.
Mas a Filosofia não precisou esperar pela TR para isso. Ao menos eu acho que não. O paradigma das Ciências Humanas foi mudando ao longo do século XX por causa de todos os movimentos sociais no século XIX, das guerras mundiais; enfim, por causa da própria evolução das Ciências Humanas. Ao menos é isso que vejo.
A TR e a MQ contribuíram, sim, para esse panorama, mas não foi nada que as CH não pudessem fazer sozinhas. Aliás, acho que Darwin acabou tendo um impacto nas CH muito maior que Einstein, por exemplo
Citação de: Dr Manhattan
Não acho nada de errado em se partir de conceitos físicos para se criar uma analogia com um aspecto da humanidade, contanto
que se deixe bem claro que se trata de uma analogia ("Alguem falou em cura quântica?"). É sempre bom lembrar que "às vezes, um charuto
é apenas um charuto."
É por essas e outras que hoje em dia eu evito analogias como a Peste
Prefiro chocar o ouvinte e dar logo o tratamento qualitativo completo de um fenômeno físico. E devo dizer que não tive do que me arrepender, tem funcionado muito bem!
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O modelo de Copérnico na verdade não era muito melhor que o de Ptolomeu, mas pôde ser refinado por Kepler até demonstrar ser a descrição correta quando medições mais precisas do movimento dos planetas foram obtidas. Mais tarde foi justificado pela teoria da gravitação de Newton.
Nada a ver com o tópico aqui, mas uma das coisas que mais me agradou em Mecânica foi derivar as Três Leis de Kepler a partir das Três Leis de Newton mais a Gravitação Universal. É uma dedução muito elegante e engenhosa.
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Data da postagem: 22/03/2007, 09:40
Citação de: Dr. Manhattan em 22 de Março de 2007, 13:23:03
Claro que não tem o monopólio, mas não podemos negar sua influência, principalmente, no último século.
Agora, eu queria perguntar: é possível que o Princípio da Falsicabilidade fosse proposto dentro do Positivismo?
E outra: havia espaço para a proposição desse Princípio antes que MQ e RG fossem propostas?
E mais: O que teria levado Popper a propor esse Princípio?
Sobre as implicações das teorias físicas sobre a maneira de se enxergar o mundo: a ciência não tem o monopólio da criatividade.
Claro que não tem o monopólio, mas não podemos negar sua influência, principalmente, no último século.
Agora, eu queria perguntar: é possível que o Princípio da Falsicabilidade fosse proposto dentro do Positivismo?
E outra: havia espaço para a proposição desse Princípio antes que MQ e RG fossem propostas?
E mais: O que teria levado Popper a propor esse Princípio?
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Data da postagem: 22/03/2007, 09:49

Citação de: Luz em 22 de Março de 2007, 11:48:18
Que eu saiba Newton não chegou a teorizar sobre o tempo, por isso estou entendendo esse exemplo como sendo de ampliação e não de contradição. Você teria um exemplo de contradição?
a RG contradiz, sim, em alguns pontos a Física Newtoniana, ampliando outros. O tempo, por exemplo, deixa de ser uma medida absoluta.
Que eu saiba Newton não chegou a teorizar sobre o tempo, por isso estou entendendo esse exemplo como sendo de ampliação e não de contradição. Você teria um exemplo de contradição?
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Data da postagem: 22/03/2007, 10:13

Citação de: Luz em 22 de Março de 2007, 13:49:46
Sim, é possível.
Mas só como último ato, já que ele destrói a premissa filosófica do Positivismo
Citar
A Mecânica Quântica é posterior ao Princípio de Falseabilidade de Popper.
Já a Relatividade Geral, se não me engano, é anterior e pode realmente ter contribuído para a formação de um Zeistgeist de questionamento das certezas científicas, principalmente entre a população leiga.
Por outro lado, pode-se também argumentar que só foi possível a Einstein ser ouvido porque esse Zeistgeist já estava se formando, ou que caminhava-se inevitavelmente para ele; afinal de contas, o que derrubou o Positivismo em última instância não foi o brilhantismo de seus adversários, mas a sua própria inadequação.
Na minha opinião a circunstância de que a RG foi proposta antes do critério de falseabilidade de Popper é exatamente isso, uma circunstância acidental. A descoberta desse modelo para a Física (ou de algum outro mais satisfatório do que o Newtoniano) poderia perfeitamente ter acontecido só depois das propostas de Popper para a Epistemologia e para o rigor científico.
Citar
Cá entre nós, acho que ele estava de saco cheio da pseudociência que grassava por aquela época...
Citação de: Dr. Manhattan em 22 de Março de 2007, 13:23:03Sobre as implicações das teorias físicas sobre a maneira de se enxergar o mundo: a ciência não tem o monopólio da criatividade.
Claro que não tem o monopólio, mas não podemos negar sua influência, principalmente, no último século.
Agora, eu queria perguntar: é possível que o Princípio da Falsicabilidade fosse proposto dentro do Positivismo?
Sim, é possível.
Mas só como último ato, já que ele destrói a premissa filosófica do Positivismo
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E outra: havia espaço para a proposição desse Princípio antes que MQ e RG fossem propostas?
A Mecânica Quântica é posterior ao Princípio de Falseabilidade de Popper.
Já a Relatividade Geral, se não me engano, é anterior e pode realmente ter contribuído para a formação de um Zeistgeist de questionamento das certezas científicas, principalmente entre a população leiga.
Por outro lado, pode-se também argumentar que só foi possível a Einstein ser ouvido porque esse Zeistgeist já estava se formando, ou que caminhava-se inevitavelmente para ele; afinal de contas, o que derrubou o Positivismo em última instância não foi o brilhantismo de seus adversários, mas a sua própria inadequação.
Na minha opinião a circunstância de que a RG foi proposta antes do critério de falseabilidade de Popper é exatamente isso, uma circunstância acidental. A descoberta desse modelo para a Física (ou de algum outro mais satisfatório do que o Newtoniano) poderia perfeitamente ter acontecido só depois das propostas de Popper para a Epistemologia e para o rigor científico.
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E mais: O que teria levado Popper a propor esse Princípio?
Cá entre nós, acho que ele estava de saco cheio da pseudociência que grassava por aquela época...
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Data da postagem: 22/03/2007, 10:22

Newton chegou a afirmar sim que o tempo era absoluto (ou algo nesse sentido), lá nos Principia Mathematica. Eu tinha o livro emprestado, mas já devolvi, senão colocava o trecho relevante aqui...
Seja como for, o caráter absoluto do tempo e do espaço na Mecânica Newtoniana é inferido diretamente das leis de Newton.
Seja como for, o caráter absoluto do tempo e do espaço na Mecânica Newtoniana é inferido diretamente das leis de Newton.
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Data da postagem: 22/03/2007, 10:23

I stand corrected.
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Data da postagem: 22/03/2007, 10:24

Aliás, de quando é Popper? A Relatividade Geral começa em 1915, porque Einstein teve que aprender álgebra tensorial e geometria de Riemann. A Relatividade Restrita data de 1905. A MQ começa bem antes, em 1900, mas só ganha seus contornos mais conhecidos com Bohr e cia. um pouco mais tarde.
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Data da postagem: 22/03/2007, 10:27
Citação de: Dbohr em 22 de Março de 2007, 14:27:05
De quando ele é, não sei, mas vou procurar. O Princípio da Falsicabilidade foi proposto por volta de 1930, se não me engano!
Editando para colar fonte sobre Karl Poper - http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper
Tá que o que eu chamo de relativismo pode ter diversos nomes (e parece que menos relativismo
), mas vejam:
"(…) O seu trabalho científico foi influenciado pelo seu estudo da teoria da relatividade de Albert Einstein.
Diferenças entre Popper e Francis Bacon
Comparando o método científico de Karl Popper com a visão baconiana da ciência, Ernest Gellner afirma em "Relativism and the social sciences" ("Relativismo e as ciências sociais"):
"a definição do método científico de Popper difere da versão baconiana de empirismo por sua ênfase na eliminação em vez da ênfase na verificação. No entanto eles têm em comum um determinado ponto: quer nós verifiquêmos ou refutemos, de qualquer forma fazêmo-lo com a ajuda de duas ferramentas e apenas duas: a lógica e a confrontação com os factos. As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os factos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se os factos condenam os pecadores ou canonizam os santos. Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados".
Aliás, de quando é Popper? A Relatividade Geral começa em 1915, porque Einstein teve que aprender álgebra tensorial e geometria de Riemann. A Relatividade Restrita data de 1905. A MQ começa bem antes, em 1900, mas só ganha seus contornos mais conhecidos com Bohr e cia. um pouco mais tarde.
De quando ele é, não sei, mas vou procurar. O Princípio da Falsicabilidade foi proposto por volta de 1930, se não me engano!

Editando para colar fonte sobre Karl Poper - http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper
Tá que o que eu chamo de relativismo pode ter diversos nomes (e parece que menos relativismo
"(…) O seu trabalho científico foi influenciado pelo seu estudo da teoria da relatividade de Albert Einstein.
Diferenças entre Popper e Francis Bacon
Comparando o método científico de Karl Popper com a visão baconiana da ciência, Ernest Gellner afirma em "Relativism and the social sciences" ("Relativismo e as ciências sociais"):
"a definição do método científico de Popper difere da versão baconiana de empirismo por sua ênfase na eliminação em vez da ênfase na verificação. No entanto eles têm em comum um determinado ponto: quer nós verifiquêmos ou refutemos, de qualquer forma fazêmo-lo com a ajuda de duas ferramentas e apenas duas: a lógica e a confrontação com os factos. As teorias são julgadas por dois juízes: consistência lógica e conformidade com os factos. A diferença entre os dois modelos situa-se apenas em saber se os factos condenam os pecadores ou canonizam os santos. Para o jovem Popper havia alguns pecadores apropriadamente certificados, mas nunca santos definitivamente canonizados".
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Data da postagem: 22/03/2007, 11:04

E entretanto, Karl Popper se opunha vigorosamente à Interpretação de Copenhague. Ele abraçava a interpretação Realista da MQ, assim como Einstein. O mundo é realmente estranho... 
(Em tempo: por que você escreve "falsicabilidade", Luz? Pensei que fosse "falseabilidade" -- de "falseável")
Seja como for, a maior crítica aqui é a que deve ser feita contra o Relativismo soft, aquela coisa mal-ajambrada que conclui rapidamente (e com muitas expressões em par(a)ênteses, assim como essa
) que um cão é um gato (mas também pode ser uma vaca). Essa gente geralmente não entende de cão, gato ou vaca, muito menos de Mecânica Quântica e gosta de dar uma de intelectual. Sokal neles!!
(Em tempo: por que você escreve "falsicabilidade", Luz? Pensei que fosse "falseabilidade" -- de "falseável")
Seja como for, a maior crítica aqui é a que deve ser feita contra o Relativismo soft, aquela coisa mal-ajambrada que conclui rapidamente (e com muitas expressões em par(a)ênteses, assim como essa
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Data da postagem: 23/03/2007, 05:38