
Clube Cético
Ciência e Fé
Autor: Jetro | Categoria: Religiões, Crenças e Mitos | Exibições: 31465 Comentários: 342

E digo que há ainda um ranço desse ponto de vista prévio às ciências cognitivas atuais, que podemos observar em alegações de existência de interpretações ônticas e epistêmicas da mecânica quântica. Como você mesmo bem já destacou, a apreensão de padrões informacionais forma a base do processo consciente e cognitivo. Eu entendo que, nesse processo, os padrões são linearizados (processo que, talvez, possa ser demosntrado como pelo menos parte do fenômeno ilusório da consciência) e é daí que surge o problema da incomensurabilidade aritmético-geométrica (e todas as incomensurabilidades interteóricas, como a mais popular entre quântica e relatividade -- embora eu mesmo considere que nem chega realmente a existir uma teoria quântica), por exemplo, e pode ser a explicação do paradoxismo quântico que nos afeta quando nossas 'pinças' nos permitem vasculhar até esse nível da realidade. O panorama científico é lento para mudar. Muito do que se aprende ainda é rigidamente fundamentado nas visões daqueles pioneiros que não tinham a perspectiva atual do processo cognitivo.
O Schrodinger foi estupendo mesmo. Não sei o que ele teria dito de extraordinário sobre entropia, mas lembro que ele definiu o ADN como um cristal aperiódico, o que é uma grande síntese, embora, para nós, hoje, possa chegar a parecer simplório.
Turing foi outro. Reza a lenda que muito do trabalho teórico dele é desconhecido porque era propriedade do serviço secreto britânico (o trabalho e ele mesmo, rsrsrs) e nunca foi divulgado. Algo mais ou menos assim. É tentador pensar nisso porque só a 'máquina' dele já é um equipamento teórico admirabilíssimo. Mas acho que não foi o primeiro pensador a associar pensamento a algo mais... pragmático de um modo geral. Se não me engano, Leibnitz (e isso é impressionante e contraditório -- duplipensaria ele também?...) teria dito que "todo o pensamento pode ser reduzido a uma espécie de cálculo e até escrito num papel", algo assim. Vi isso em algum lugar há muito tempo e nunca mais achei a fonte. Talvez não tenha sido Leibnitz, mas foi o nome dele que ficou associado na minha memória.
Concordo sobre o von Neumann mas não tenho certeza. Ele também era de um gênio que, provavelmente, não deixaria escapar qualquer possibilidade investigativa. É que todos somos tolhidos pelas circunstâncias.
O Schrodinger foi estupendo mesmo. Não sei o que ele teria dito de extraordinário sobre entropia, mas lembro que ele definiu o ADN como um cristal aperiódico, o que é uma grande síntese, embora, para nós, hoje, possa chegar a parecer simplório.
Turing foi outro. Reza a lenda que muito do trabalho teórico dele é desconhecido porque era propriedade do serviço secreto britânico (o trabalho e ele mesmo, rsrsrs) e nunca foi divulgado. Algo mais ou menos assim. É tentador pensar nisso porque só a 'máquina' dele já é um equipamento teórico admirabilíssimo. Mas acho que não foi o primeiro pensador a associar pensamento a algo mais... pragmático de um modo geral. Se não me engano, Leibnitz (e isso é impressionante e contraditório -- duplipensaria ele também?...) teria dito que "todo o pensamento pode ser reduzido a uma espécie de cálculo e até escrito num papel", algo assim. Vi isso em algum lugar há muito tempo e nunca mais achei a fonte. Talvez não tenha sido Leibnitz, mas foi o nome dele que ficou associado na minha memória.
Concordo sobre o von Neumann mas não tenho certeza. Ele também era de um gênio que, provavelmente, não deixaria escapar qualquer possibilidade investigativa. É que todos somos tolhidos pelas circunstâncias.
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Data da postagem: 13/12/2011, 00:20

Citação de: Cientista em 13 de Dezembro de 2011, 03:20:16
Se você lembrar quem já tinha proposto a idéia da frase, me mande.
Acho que quem trabalhou com lógica formal e a própria filosofia geralmente estava tentando modelar o pensamento, mas antes não se tinha idéia dos sistemas físicos que pudessem realizar operações lógicas complexas.
Teve o começo da computação mecânica, como caixas registradoras, se não me engano Leibnitz ou Pascal foram um dos primeiros a tentar fazer uma, ou fizeram. Mas acho que a capacidade de imaginação deles era de que tais mecanismos serviriam somente para cálculos matemáticos, não sei se eles visualizavam ou especulavam em propor algo semelhante para a cognição em geral.
Agora se sairmos da ciência e formos para a ficção científica, é claro que cérebros mecânicos, elétricos, hidráulicos, etc, já foram imaginados. Mas mesmo para os grandes escritores de ficção a ciência cognitiva foi surpreendente. Assimov ficou admirado com o rápido avanço da IA, acho que nem a imaginação fértil dele supunha que aquilo era possível. Hoje nos parece banal, mas foi uma revolução e tanto.
Se não me engano, Leibnitz (e isso é impressionante e contraditório -- duplipensaria ele também?...) teria dito que "todo o pensamento pode ser reduzido a uma espécie de cálculo e até escrito num papel", algo assim. Vi isso em algum lugar há muito tempo e nunca mais achei a fonte. Talvez não tenha sido Leibnitz, mas foi o nome dele que ficou associado na minha memória.
Se você lembrar quem já tinha proposto a idéia da frase, me mande.
Acho que quem trabalhou com lógica formal e a própria filosofia geralmente estava tentando modelar o pensamento, mas antes não se tinha idéia dos sistemas físicos que pudessem realizar operações lógicas complexas.
Teve o começo da computação mecânica, como caixas registradoras, se não me engano Leibnitz ou Pascal foram um dos primeiros a tentar fazer uma, ou fizeram. Mas acho que a capacidade de imaginação deles era de que tais mecanismos serviriam somente para cálculos matemáticos, não sei se eles visualizavam ou especulavam em propor algo semelhante para a cognição em geral.
Agora se sairmos da ciência e formos para a ficção científica, é claro que cérebros mecânicos, elétricos, hidráulicos, etc, já foram imaginados. Mas mesmo para os grandes escritores de ficção a ciência cognitiva foi surpreendente. Assimov ficou admirado com o rápido avanço da IA, acho que nem a imaginação fértil dele supunha que aquilo era possível. Hoje nos parece banal, mas foi uma revolução e tanto.
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Data da postagem: 13/12/2011, 06:43

Jetro, mesmo que Albert Einsten fosse teísta, qual a diferença?
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Data da postagem: 13/12/2011, 08:00

Citação de: _Juca_ em 13 de Dezembro de 2011, 11:00:22
Acho que já sabemos a resposta, né Juca? Não digo que seja o caso do Jetro, mas a maioria das pessoas que levam a sério sua religião possuem uma mentalidade que as torna predispostas a acatar argumentos de autoridade. Para essas pessoas, "Rabino Fulano disse", ou "de acordo com Santo Beltrano" são argumentos fortes e dignos de consideração. O corolário disso é que se você encontrar uma contradição nas opiniões dessa autoridade, ou uma mudança de ideia, isso tende, na mente dessas pessoas, a enfraquecer toda a estrutura da sua argumentação. Essas pessoas tendem a imaginar erroneamente que o mesmo acontece na ciência. O fato é que pouco importa para a Natureza se Newton era cristão ou Einstein era agnóstico, da mesma forma que é irrelevante para a química o fato de Lavoisier ter sido coletor de impostos, para a computação o fato Turing ter sido gay, ou para a engenharia espacial o fato de Hermann Oberth ter sido nazista.
Jetro, mesmo que Albert Einsten fosse teísta, qual a diferença?
Acho que já sabemos a resposta, né Juca? Não digo que seja o caso do Jetro, mas a maioria das pessoas que levam a sério sua religião possuem uma mentalidade que as torna predispostas a acatar argumentos de autoridade. Para essas pessoas, "Rabino Fulano disse", ou "de acordo com Santo Beltrano" são argumentos fortes e dignos de consideração. O corolário disso é que se você encontrar uma contradição nas opiniões dessa autoridade, ou uma mudança de ideia, isso tende, na mente dessas pessoas, a enfraquecer toda a estrutura da sua argumentação. Essas pessoas tendem a imaginar erroneamente que o mesmo acontece na ciência. O fato é que pouco importa para a Natureza se Newton era cristão ou Einstein era agnóstico, da mesma forma que é irrelevante para a química o fato de Lavoisier ter sido coletor de impostos, para a computação o fato Turing ter sido gay, ou para a engenharia espacial o fato de Hermann Oberth ter sido nazista.
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Data da postagem: 13/12/2011, 08:23

Tanto isso que o Manhattan comenta é verdade que um "argumento" bastante utilizado em sites teístas é o do Ateu arrependido na hora da morte.
O coitado do Darwin é um que volta e meia dizem que no leito da morte renegou a TE e o ateismo.
PS_ que eu saiba no fim da vida o Adrwin era agnóstico
O coitado do Darwin é um que volta e meia dizem que no leito da morte renegou a TE e o ateismo.
PS_ que eu saiba no fim da vida o Adrwin era agnóstico
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Data da postagem: 13/12/2011, 08:40

Mas Hitler era ateu, não era? Um cristão de verdade nunca faria as coisas horríveis que ele fez... 

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Data da postagem: 13/12/2011, 08:46

Citação de: Franciscodog em 13 de Dezembro de 2011, 11:40:55
O Darwin era cristão até a publicação da TE. Ele virou ateu depois?
Se for, realmente a TE é tentação do demo.
O coitado do Darwin é um que volta e meia dizem que no leito da morte renegou a TE e o ateismo.
O Darwin era cristão até a publicação da TE. Ele virou ateu depois?
Se for, realmente a TE é tentação do demo.
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Data da postagem: 13/12/2011, 08:56

Citação de: gilberto em 13 de Dezembro de 2011, 11:56:41
Que eu saiba, virou agnóstico.
Citação de: Franciscodog em 13 de Dezembro de 2011, 11:40:55O coitado do Darwin é um que volta e meia dizem que no leito da morte renegou a TE e o ateismo.
O Darwin era cristão até a publicação da TE. Ele virou ateu depois?
Se for, realmente a TE é tentação do demo.
Que eu saiba, virou agnóstico.
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Data da postagem: 13/12/2011, 08:58
Citação de: Dr. Manhattan em 13 de Dezembro de 2011, 11:58:10
Que eu saiba, virou agnóstico.
Ele virou agnóstico após a morte da filha.
Citação de: gilberto em 13 de Dezembro de 2011, 11:56:41Citação de: Franciscodog em 13 de Dezembro de 2011, 11:40:55
O coitado do Darwin é um que volta e meia dizem que no leito da morte renegou a TE e o ateismo.
O Darwin era cristão até a publicação da TE. Ele virou ateu depois?
Se for, realmente a TE é tentação do demo.
Que eu saiba, virou agnóstico.
Ele virou agnóstico após a morte da filha.
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Data da postagem: 13/12/2011, 09:09

Citação de: Dr. Manhattan em 13 de Dezembro de 2011, 11:23:18
Mas é isso, ele traveste as falácias mais comuns dos teístas em tópicos sobre esses mesmo temas. Esse é sobre o apelo da autoridade, bem comum.
Citação de: _Juca_ em 13 de Dezembro de 2011, 11:00:22Jetro, mesmo que Albert Einsten fosse teísta, qual a diferença?
Acho que já sabemos a resposta, né Juca? Não digo que seja o caso do Jetro, mas a maioria das pessoas que levam a sério sua religião possuem uma mentalidade que as torna predispostas a acatar argumentos de autoridade. Para essas pessoas, "Rabino Fulano disse", ou "de acordo com Santo Beltrano" são argumentos fortes e dignos de consideração. O corolário disso é que se você encontrar uma contradição nas opiniões dessa autoridade, ou uma mudança de ideia, isso tende, na mente dessas pessoas, a enfraquecer toda a estrutura da sua argumentação. Essas pessoas tendem a imaginar erroneamente que o mesmo acontece na ciência. O fato é que pouco importa para a Natureza se Newton era cristão ou Einstein era agnóstico, da mesma forma que é irrelevante para a química o fato de Lavoisier ter sido coletor de impostos, para a computação o fato Turing ter sido gay, ou para a engenharia espacial o fato de Hermann Oberth ter sido nazista.
Mas é isso, ele traveste as falácias mais comuns dos teístas em tópicos sobre esses mesmo temas. Esse é sobre o apelo da autoridade, bem comum.
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Data da postagem: 13/12/2011, 09:11