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Karl Marx, para crianças
Autor: O Comissário do Povo | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 65109 Comentários: 736
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Citação de: Cyberlizard

O ponto é que todas as ações humanas capazes de gerar riqueza se encaixam na categoria "trabalho".


Não precisam ser ações "humanas". Os animais, a carvão, as quedas d'água, o urânio, o petróleo e a conservação do momento angular estão aí para fornecerem a maior parte do trabalho em nosso lugar.

Citação de: Cyberlizard

Ser dono é um estado existente em sociedades com propriedade privada. E só, isso não é um trabalho e não gera riqueza.


Ser dono de uma máquina lhe permite ficar com a riqueza gerada por ela.

Citação de: Cyberlizard

É claro que para comprar a máquina, podemos assumir que o seu proprietário trabalhou bastante. Logo, ele seria responsável por uma parte do valor dos produtos que seria o valor agregado pela máquina.


Não é o trabalho do dono que conta. Devemos contar o trabalho DA MÁQUINA, que ficará com seu dono.

Quem seria burro de investir 100 horas de trabalho em uma máquina, para depois receber aos pouquinhos essas mesmas 100 horas de volta enquanto a produção da máquina fica com outros?

Citação de: Cyberlizard

Mas eu calculo o valor agregado pelas máquinas de forma diferente que o DDV. Eu estou levando em conta a desvalorização que a existência de uma máquina trás. É por isso que não lido com os dados levando em conta somente a riqueza em si, mas busco quantificar o seu valor segundo a metodologia que defendi. Com isso, a produção em valor de uma máquina fica menor. Para mais detalhes, veja o exemplo da Fantástica Fábrica de Video-Games do Agnóstico.


Correto, a produção dos bens por uma máquina pode até deixá-los com valor menor (devido à oferta). Mas isso não faz os bens deixarem de ser do dono da máquina.

Se os empregados tiveram perdas de renda porque o produto de seu trabalho se desvalorizou, isso não obriga o dono da máquina a dar mais bens para eles.

Citação de: Cyberlizard

Eu estou tentando evitar de falar em "justo" e "injusto". Estas coisas vão depender do julgamento das pessoas. Mas se você estivesse buscando criar fábricas onde não existisse mais-valia, as únicas formas seriam:


Basta apenas que o salário recebido pelo empregado tenha um "poder de compra" do bem em cuja produção ele trabalha que não seja inferior à sua capacidade de produzir sozinho tais coisas, tendo apenas a natureza e o know how à sua disposição.

Essa é a definição de "exploração": se o empregado receber um salário cujo poder de compra do bem em cuja produção ele trabalha seja inferior à sua capacidade própria de produção, tendo apenas a natureza e o know how à sua disposição.

Ou seja, a desvalorização do bem é uma questão de mercado, e não de relações trabalhistas. O empregado simplesmente não conseguiria produzir a mesma quantidade das máquinas, e não conseguiria vender cada unidade a preços pré-maquinas.
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Citação de: Cyberlizard

Se a empresa falir todo mundo se ferra sim, pois de qualquer forma os funcionários recebem menos do que produziram (o que aconteceria mesmo se a empresa não falisse)


Explique a parte em negrito.

Exemplo: se em uma indústria, as máquinas são responsáveis por 95% da produção e os trabalhadores por 5%, explique porque você acha que o salário deles necessariamente seria inferior a 5% dessa produção.
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Tenho duas provas na universidade amanhã. Ler, analizar e responder tudo isso requer mais tempo do que tenho. Vou fazer uma pausa temporária. Depois de amanhã provavelmente volto a postar.
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Acho que captei a raíz da dúvida do Cyberlizard sobre esse assunto. A questão estaria no chamado "valor de troca" das mercadorias: embora as máquinas amplifiquem a produção de bens, cada bem terá um "valor de troca" menor, ou seja, poderá ser trocado por menos bens (não industrializados) do que antes.

Isso aí é um simples problema de competição entre o novo e o obsoleto, que todos conhecem. Quando um novo método, máquina ou profissão leva vantagem em cima de outro mais antigo, o método antigo não conseguirá mais lucrar como antes, jogando no chão a renda de todas as pessoas que antes viviam dele. Esse é o problema por trás do surgimento das máquinas. Vou explicar melhor utilizando 2 exemplos: o exemplo dos caçadores do neolítico e o exemplo real dos artesãos ingleses:


Sim. O mérito do cálculo do "Valor de Troca" está nele ser uma medida objetiva do valor da riqueza, com uma forma clara de se calcular e que leva em conta a valorização/desvalorização dos produtos. Ele também tem o mérito de permitir o seu cálculo em sociedades que possuem os mais diversos tipos de economias, permitindo comparações no padrão de vida relativo. Desde sociedades de caçadores/coletores que não possuem dinheiro até o atual modelo econômico capitalista.

Citação de: DDV

Caçadores do Neolítico

Já sabemos o exemplo: 1 caçador, utilizando uma lança tosca, consegue caçar 1 coelho em 18 horas de trabalho. Ele resolve então fazer uma poupança: ao invés de comer 1 coelho por dia como sempre fazia, resolve comer 1 coelho em 2 dias. Com o dia extra sem caçar, ele se dedica à confecção de um arco e várias flechas. A partir daí, usando o arco, ele consegue caçar agora 4 coelhos por dia. Resolve então "contratar" um outro caçador, que irá utilizar seu arco, ficando com 1 coelho e lhe cedendo os 3 restantes.

Com isso, o caçador empregado continua tendo uma renda de 1 coelho, como tinha antes. Ele não é "explorado".

Porém, surge uma nova questão: o "valor de troca" do coelho agora será de apenas 25% do valor anterior ao arco (supondo uma relação BEM simples de determinação do valor pelo trabalho médio requerido, o que é válido em uma sociedade pequena, simples e primitiva).

Vamos incluir uma terceira pessoa no exemplo: um agricultor. Em 18 horas de trabalho, ele obtém em média 2 quilos de trigo. Antes do arco, cada coelho poderia ser trocado por 2 quilos de trigo, pois cada um destes levava 18 horas de trabalho para ser obtido.

(REPITO: estou aqui supondo uma relação ultra-simplificada de determinação do valor de troca unicamente pelo trabalho humano médio requerido, o que é plausível em uma sociedade pequena, simples e primitiva).

Após o arco, o "valor de troca" do coelho caiu para 25% do anterior, pois nas mesmas 18 horas são produzidos 4 coelhos.

(Na verdade, para que o valor caisse para 25%, seria necessário que o uso do arco fosse disseminado, para que o mercado de coelhos ficasse em um sistema concorrencial quase perfeito. Em havendo poucos arcos, como no nosso exemplo dado, o dono do arco poderia continuar trocando/vendendo os coelhos pelo mesmo valor anterior. Mas vamos supor, por questão de simplificação, que o valor de mercado do coelho seja realmente 25% do anterior.)


Perfeitamente correto. É justamente por isso que o cálculo do Valor de Troca é feita devando-se em conta o tempo MÉDIO de trabalho necessário. Isso leva em conta o fato do arco estar disseminado ou não.

Citar

Nesse caso, embora o caçador empregado continue recebendo 1 coelho, como antes, caso ele queira trocar o coelho por trigo, ao invés de obter 2 quilos como antes, obterá somente 0,5 quilo.

Podemos dizer, de certa forma, que a renda do caçador empregado medida em coelhos permaneceu inalterada, mas sua renda medida em trigos (ou qualquer outro bem sem tecnologia na sua produção) caiu para 25% da anterior.


Me parece que nós temos então um acordo de que é perfeitamente possível obter uma quantificação referente a produtos, a qual podemos chamar de "valor de troca", medida em tempo médio de trabalho socialmente necessário para produzir o determinado produto. Sendo este valor uma média de tempo, ele é representado como um número real. Estando falando de números reais, podemos subtraí-los. Definimos então a "mais-valia" como a diferença entre o valor de troca que um trabalhador produz em uma certa quantidade de tempo e o valor de troca que ele costuma obter gastando o seu salário referente à mesma quantidade de tempo. Sendo assim, temos então um acordo que a mais-valia existe e é bem-definida, certo?

A verdadeira polêmica que ainda nos resta são as questões: "O valor de troca é uma medida relevante em economias mais complexas?" (ao menos
concordamos que ela é relevante em economias primitivas) "A mais-valia é um índice relevante em algum tipo de economia?"

Citação de: DDV

Caso o agricultor (seguindo o exemplo do caçador dono do arco) poupe e produza 1 arado melhor, de forma que ele passe a produzir 8 quilos de trigo em 18 horas (ao invés de 4 como antes), então a renda do caçador empregado, medida em trigos, voltaria ao patamar anterior: ele voltaria a poder trocar 1 coelho por 2 quilos de trigo.

Extrapolando: quando um determinado ramo de atividade é mecanizado, de forma que sua produtividade aumente, cada unidade (seja de bem ou
serviço) produzida nesse ramo passará a comprar MENOS unidades dos ramos cuja produtividade se manteve inalterada. As pessoas que viviam desse ramo, e que não puderem incorporar a nova tecnologia, irão inevitavelmente falir. Elas terão que se mudar para outras atividades para que suas rendas, medidas em outros bens que não os desse ramo, não caia. É a velha questão da obsolescência.

Passemos agora ao motivo disso. Existe o motivo real, que todos conhecem, e existe o motivo imaginário, inventado por Marx e defendido aqui por Cyberlizard.


Só para comentar, naturalmente que as pessoas devem se adaptar às novas tecnologias. Ninguém defende que ramos de atividades arcaicos e desnecessários no cenário tecnológico de uma sociedade sejam mantidos.

Citação de: DDV

Motivo real

O caçador de coelhos, com a sua lança, era um "top de linha" no ramo de caça aos coelhos. Com a introdução do arco, a sua profissão de caçador de coelhos com lanças ficou obsoleta. Ele não poderá vender/trocar os coelhos caçados pela mesma quantidade de outros produtos como antes, devido à concorrência dos coelhos caçados à arco, que serão vendidos mais baratos (adotando o valor-trabalho, por questão de simplificação).

Ou seja, o caçador de coelhos PEEEERDEUUU. Sua profissão agora é obsoleta. Ele terá que procurar outra atividade onde não sofra concorrência do arco (para manter o padrão de vida anterior), ou terá que ser empregado do dono do arco, onde terá um padrão de vida menor EXCETO se as seguintes condições forem satisfeitas:

1- A incorporação de tecnologia aumente a produtividade geral, não apenas no ramos dos coelhos. Nesse caso, o empregado que produz coelhos manterá (ou melhorará) o seu "poder de compra geral" de antes, pois o barateamento será geral, e não apenas o seu produto se barateará enquanto o dos outros permanece caro.

2- Leis trabalhistas e sindicalizão: os caçadores "sem arco" se juntam em sindicatos, cartelizando a oferta de mão-de-obra exigindo maior quantidade de coelhos como salário. Ou então o chefe tribal determina um salário-mínimo em coelhos.


Mas que índice o Movimento dos Sem-Arco ou o chefe da tribo deveria utilizar para concluir ser viável ou não o aumento de salário? A diminuição do poder de compra? Se o poder de compra diminui, devemos lutar por melhores salários?

O problema é que a diminuição do índice do poder de compra pode ocorrer por dois motivos diferentes. Podemos perder poder de compra porque a produção de coelhos aumentou e isso fez o valor do coelho diminuir. Neste caso, é perfeitamente viável para o dono do arco dar um aumento. Mas podemos perder poder de compra porque os coelhos tornaram-se mais escassos, demora mais para capturá-los e eles tornam-se mais raros. Ou porque todas as coisas, exceto coelhos tiveram aumento de valor. Neste caso, apesar do poder de compra dos trabalhadores ter diminuído, isso não se traduziu em um aumento de lucros do dono do arco. Não seria uma reivindicação tão justa pedir aumento salarial neste caso.

Perceba que utilizando o método que estou defendendo, no primeiro caso, verificamos que a mais-valia aumentou. No segundo caso, ela diminuiu. Este método se mostra mais efetivo neste caso para mostrar a viabilidade ou não de um aumento. (Deu pra ver porquê? Se quizer eu mostro exemplos de cálculos para os dois casos).

Citação de: DDV

Explicação imaginária.

Marx afirmaria que o caçador sem arco terá uma queda na renda não porque sofreu a concorrência do arco, mas porque o dono do arco lhe "explora", no sentido de que ele continuaria gerando o mesmo valor anterior, mas o dono do arco lhe toma uma parte.Sabemos que isso é falso, pois o trabalho dele (1 coelho por dia) agora está valendo menos.

Resumindo: o poder de compra (medido em bens sem incorporação de tecnologia) do caçador empregado cairá 75% porque o produto do seu trabalho (coelhos) teve uma desvalorização de 75%, e não porque o dono do arco lhe toma 75% do produto do seu trabalho.

Em outras palavras: o caçador continua gerando 1 coelho por dia, mas o coelho vale agora 25% do valor anterior. Marx diria que ele produz 4
coelhos por dia (ignorando a contribuição da arco) e que o dono do arco lhe toma 75% de "sua" produção.


Não é que se ignora a contribuição do arco. É aquela questão de responsabilidade por ações. Assumindo que só pessoas tem consciência e são responsáveis pelas suas ações, somente as pessoas que realizam atos que aumentem a riqueza da sociedade deveriam receber recompensas pelos atos. Isso inclui as pessoas que coordenam a produção, contróem máquinas, usam as máquinas, ajudam a distribuir a produção, etc. Entretanto, somente isto deve ser recompensado. O dono da máquina também deveria ser recompensado segundo a sua contribuição na geração de riqueza exatamente segundo os mesmos cálculos usado para os seus funcionários. É claro, se isso for feito, perde-se todo o sentido de ter a propriedade privada dos meios de produção.

Isso é análogo à forma com que punições são administradas na sociedade. Se possuo uma empresa de aluguel de veículos e alguém que usa um de meus carros acaba atropelando e matando pessoas, o desejável é que o atropelador seja punido pelo homicídio culposo, e não eu. O fato do trabalho (em Joules) executado pela máquina ser maior na hora de provocar mortes ou prejuízos materiais é completamente irrelevante.

Isso responde uma boa parte das perguntas que você fez logo em seguida.
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(...)
[História dos Artesãos Ingleses]

Empobrecimento dos Artesãos - causa:

1- Explicação real: o produto do trabalho do artesão (tecido) sofreu uma desvalorização X, pois passou a enfrentar a concorrência das máquinas. Como os artesãos produzem bem menos do que as máquinas, mas só conseguiriam vender aos preços baixos (devido à concorrência das máquinas), eles empobreceram.

1- Explicação marxista: o produto do trabalho do artesão (tecido) sofreu desvalorização, mas os tecidos a mais que as máquinas produzem na verdade são "dos artesãos". Logo, os artesãos empobreceram porque o dono da máquina se apossa desses tecidos a mais que a máquina produz, que deveriam ficar com os artesãos, e não com ele.


Com relação aos fatos históricos que você traz, não há em quê discordar.

Na sua avaliação final, eu contra-argumento que não existe apenas uma causa possível para um aumento de pobreza. Nem sempre isso significa aumento do que podemos chamar de "exploração". Vide a minha crítica acima quanto ao uso de poder de compra para avaliar a viabilidade de aumento de salários. Como comentei, é possível que a riqueza dos operários diminua ao mesmo tempo que a mais-valia (ou seja, "exploração") também diminui.

O exemplo que você traz permite algumas observações interessantes. É perfeitamente correto que a riqueza de todas as pessoas (incluindo operários) tende a aumentar com o desenvolvimento tecnológico que aumenta a produção. Mesmo que os salários continuem exatamente a mesma coisa.

Entretanto, perceba que a possibilidade de que toda uma categoria de trabalhadores tenha o seu padrão de vida piorado continua existindo hoje, basta que uma série de fatores análogos ao que houve no passado se repita. Uma ocupação pode tornar-se arcaica e ser substituída por outra mais mecanizada com salários mais baixos. Ou então os salários de um grupo torna-se estagnado ao mesmo tempo que temos um aumento inflacionário. Pode demorar muito até que ocorra uma desvalorização das mercadorias (ou pode ser até que ela nunca chegue) e isso faz com que toda uma classe de trabalhadores tenha o seu padrão de vida piorado, tal qual os operários ingleses.

Você pode argumentar que é só os funcionários buscarem outros empregos. A escassês de funcionários faria com que os seus salários voltassem a crescer (não nego que a escassez tenha esta propriedade). Teoricamente é verdade. Mas e se as outras áreas de atuação no mercado já estiverem saturadas? Vide o problema de desemprego atual. Os funcionários não tem para onde ir e acabam sendo obrigados a ter um padrão de vida ruim. Só resta a luta sindical que pode se arrastar durante muito tempo, trazer desgastes e nem sempre ser tão efetiva assim (mas é claro que deve ser feita por não existir neste cenário qualquer alternativa melhor).

Já no modelo de distribuição de riqueza que estou defendendo, não existe este problema de um grupo de trabalhadores sofrer uma piora no padrão de vida em um cenário assim. Pode até existir cenários de piora de qualidade de vida causados por outros fatores, mas o que ocorreu com os operários ingleses não ocorreria.
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Não é o rótulo que produz a riqueza, é a máquina. A riqueza produzida pela máquina ficará com seu dono. Ponto.


Sim, é assim que É. O que estamos discordando é se é assim que DEVERIA SER. Isso é entrar em opiniões pessoais.

Citação de: DDV

Imaginem que no futuro toda a produção do setor primário e secundário da economia seja 100% automatizada, Como seriam as coisas?


Depende com o que seria este 100% automatizado. Pessoas ainda teriam que trabalhar na fabricação da máquinas que geram o produto, teriam que retirar minérios da terra, etc. Estou assumindo que a automatização de 100% seria somente na lnha de montagem. Neste caso, os produtos ainda teriam valor de troca, gerado à partir do trabalho das pessoas que fabricam as máquinas, além do trabalho de organização, administração, etc. Todos os cálculos que comentei continuam podendo ser feitos, mesmo sem funcionários nas linhas de montagem.

Se a automatização realmente fôsse de 100%, mesmo no extrativismo, fabricação de máquinas e gerenciamento de produção, então o valor de troca acumulado neles tenderia à 0 (ainda haveria um valor gerado pelas pessoas que fabricaram as primeiras máquinas auto-replicantes, mas este valor seria diluído cada vez mais. O preço dos produtos seria ditado somente por forças externas ao valor de troca (que seria praticamente inexistente). Lembrando que um cenário como este não existe e é pura especulação de ficção científica.

Perceba que este caso extremo, no qual as máquinas inteligentes cuidam até da organização e administração para que o valor de troca seja nulo, ilustra bem o problema de recompensar as pessoas pela mera existência de uma propriedade. As pessoas do setor terciário, as quais seriam as únicas que ainda trabalhariam, precisariam se esforçar para ter direito de usufruir de riquezas da sociedade. O dono das máquinas poderia só ficar curtindo a vida. Quando morresse, seu filho herdaria as máquinas e também teria uma vida boa independente de seu trabalho.
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Agiu coerente coisíssima nenhuma!

Você IGNOROU a contribuição da máquina do Agnóstico na produção. Apenas (repito) descontou o custo de depreciação (que seriam, pela teoria do valor-trabalho que você segue, as horas que Agnóstico trabalhou para adquirir a máquina) e depois ATRIBUIU todo o restante da produção aos trabalhadores que Agnóstico empregou, esquecendo-se que a máquina é a responsável por mais de 90% da produção.


Não ignorei, só não defendo o raciocínio de querer recompensar máquinas ou donos de máquinas por aumento de produtividade causado pela tecnologia. Inventores e pessoas que trabalham fabricando as máquinas mereceriam recompensas. Mas uma associação artificial entre um objeto e uma pessoa, o qual chamamos de "propriedade" e que até pode ser útil em alguns contextos, não mereceria por si só uma recompensa especial.

Citação de: DDV

Ora, pra que diabos o Agnóstico adquiriria uma máquina, se ao final ele recebesse (sendo "justo", dentro da sua definição) apenas as horas que ele trabalhou?! Afinal, pra que diabos uma pessoa investe em máquinas?!


Investe para aumentar o valor gerado por hora de trabalho. Se ele não adquirir as máquinas, todos geram uma quantidade muito baixa de valor ao trabalhar (incluindo ele). Depois que ele investe nas máquinas todos geram uma quantidade muito maior de valor por horas de trabaho. Caso a distribuição de riquezas seja feita com base no valor de troca gerado, todos os trabalhadores seriam igualmente beneficiados com a aquisição das máquinas (quando eu digo todos, isso incluiria o Agnóstico). O aumento de benefícios para todos, aliás, seria muito grande. É um erro achar que a existência de propriedade privada de meios de produção é necessária para motivas as pessoas. No meu modelo, não seria só o Agnóstico, mas todas as pessoas envolvidas teriam interesse em aumentar a produtividade.

Citação de: DDV

Se eu investisse 100 horas de trabalho em uma máquina, para depois receber apenas as 100 horas que eu investi de volta, e toda a produção extra que a máquina permite fique com outros, PRA QUÊ eu investiria em uma máquina? EU investiria essas 100 horas em bens de consumo mesmo, que daria no mesmo!


Correto. Mas eu não disse que a produção das máquinas deva ficar com os outros. Só disse que deveria ser dividida proporcionalmente de acordo com a contribuição em valor de troca. Sendo assim, ainda valeria mais à pena investir na produção para aumentar sua riqueza. A única coisa que você não teria neste modelo é benefícios sendo recebidos sem que fôssem conseqüência de trabalho. Não teria como terceirizar todas as suas tarefas da fábrica e sair curtindo férias prolongadas enqüanto todos os demais trabalham. Ao menos não sem perder um bom dinheiro.
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A teoria do valor-trabalho é uma exceção das exceções. Pode ser usada como uma aproximação em sociedades simples, sem tecnologia e pequenas. Os seus defensores fazem malabarismos gigantescos para explicar coisas bastante simples pela teoria do valor-trabalho (comotodos podem ver), e mesmo esses defensores admitem tantas exceções, "ajustes" e falhas, que não entendo como podem usá-la como base para outras teses.

Você sabe muito bem que se a teoria do valor-trabalho não for uma REGRA com um grau mínimo razoável de aplicabilidade, toda a teoria marxista desaba como cartas.


O "valor de troca" e "preço" são coisas diferentes, embora o primeiro tenha uma influência no segundo. à partir do valor de troca, surgem outras coisas que explicam o preço. O fetiche do mercado. A existência de uma escassês e limite de produção, seja ela natural ou artificial. O "valor de troca" seria um "centro de gravidade", ou um "esqueleto" à partir do qual o preço seria construído. O PDF que postei algumas páginas atrás faz uma análise entre o valor de troca e o preço, encontrando uma relação linear em vários casos. Certamente não é um método 100% livre de falhas. Eu o vejo como uma heurística útil, mas que não deve ser aplicada de modo acrítico em vários casos que pontuei.
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Citação de: CyberLizard em 29 de Abril de 2010, 12:09:03

Citação de: DDV

Agiu coerente coisíssima nenhuma!

Você IGNOROU a contribuição da máquina do Agnóstico na produção. Apenas (repito) descontou o custo de depreciação (que seriam, pela teoria do valor-trabalho que você segue, as horas que Agnóstico trabalhou para adquirir a máquina) e depois ATRIBUIU todo o restante da produção aos trabalhadores que Agnóstico empregou, esquecendo-se que a máquina é a responsável por mais de 90% da produção.




Faz assim:

1000 profissionais sem máquina produzem 10 carros por mês.
Com máquina, poderiam produzir 60.000

O capitalista que colocou a máquina fica com 59.990 e o resto fica com 10.

Pufff

sem o menor sentido por qualquer lado que se queira ir.
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Está de brincadeira, né?

A teoria do valor-trabalho é uma exceção das exceções. Pode ser usada como uma aproximação em sociedades simples, sem tecnologia e pequenas. Os seus defensores fazem malabarismos gigantescos para explicar coisas bastante simples pela teoria do valor-trabalho (comotodos podem ver), e mesmo esses defensores admitem tantas exceções, "ajustes" e falhas, que não entendo como podem usá-la como base para outras teses.

Você sabe muito bem que se a teoria do valor-trabalho não for uma REGRA com um grau mínimo razoável de aplicabilidade, toda a teoria marxista desaba como cartas.


A teoria do valor-trabalho é a forma mais básica de analizar e estabelecer relações de troca entre produtos. Já mostrei como a utilizar em casos mais complexos para se chegar nos valores de troca dos produtos. Não se trata de malabarismo, é algo que a teoria comporta muito bem. Você só ficará desapontado se quizer encontrar uma relação direta e 100% certa entre o valor de troca dos objetos e seus preços em sociedades mais complexas como a nossa. Será que isso é o suficiente para derrubá-la?

Creio que não. Acho que só seria o caso se não houvesse nada capaz de explicar as transformações que a sociedade sofreu ao longo dos séculos que justificam tais diferenças.

A primeira coisa que precisa-se entender é que o valor de troca é apenas o esqueleto mais básico que determina o preço de facto dos objetos. Existem mais coisas que vão por cima do esqueleto dando origem à sua forma final. Um exemplo é a especulação. Coelhos levam 4h para serem capturados. Um saco de trigo leva 4h para ser produzido. Todos trocavam felizes coelhos e sacos de trigo até que um dia o xamã da tribo recebe uma mensagem dos deuses depois de consumir cogumelos sagrados.Os deuses disseram que coelhos vão ficar escassos em breve e portanto, levará mais tempo para caçá-los.

Diante disso, as pessoas ficam com medo de ficar sem carne de coelho e se recusam a trocar por apenas um saco de trigo. Agora só é possível trocar 1 coelho por 2 sacos de trigo. O coelho se valorizou,não porque demora mais para ser obtido, mas por que as pessoas tem a expectativa de que EM BREVE ele demorará mais para ser obtido. Isso aumenta o valor do coelho. Mas não é um valor "real" (e este acréscimo de valor não gerou nova riqueza). Se a profecia se concretizar, aí sim o valor do coelho realmente se torna aquele. Se ela não se concretizar, o "valor fictício" acrescentado ao coelho se desfaz como pó.

Este é um exemplo de coisa que dá forma ao preço final e que atua nas relações de troca em um nível de abstração maior do que o "valor de troca". Existem muitos outros exemplos. Todos eles são causados por relações e avaliações puramente humanas. Se criássemos uma sociedade de máquinas não-conscientes elas podiam muito bem calcular o preço das coisas somente pelo valor de troca. Como não somos máquinas, algumas outras camadas de valores são acrescidas aos produtos devido à variáveis puramente humanas. É isso que faz a economia não ser uma ciência exata.

"Mas para quê sere o valor de troca então!?" - É o que você deve estar perguntando.

Já mostrei vários exemplos e análizes nos quais ele torna-se útil. Ele nos permite observar como se dá as relações de produção e distribuição de riqueza em qualquer tipo de sociedade, independente do modelo econômico. Ele permite verificar a viabilidade de aumento de salários. Ele permite quantificar a contribuição de um indivíduo na produção de riqueza de uma sociedade. E se ele é mesmo o esqueleto básico por trás do valor total das coisas, compreendê-lo é necessário para compreender a economia.

Você pode não concordar com o seu uso para avaliar a "justiça" ou "injustiça" na distribuição de riquezas. Você pode até achar que a sociedade se tornou tão complexa que a forma final dos preços já nem lembra mais o seu "esqueleto básico" e que tal metodologia deve ser abandonada. Mas acho difícil fazer isso baseando-se em julgamentos puramente objetivos, sem invocar a sua subjetividade.
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Data da postagem: 29/04/2010, 18:43