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O genial que existe em nós
Autor: -Huxley- | Categoria: Ciência, Tecnologia e Saúde | Exibições: 4238 Comentários: 19
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"Deveriam mostrado também a porcentagem de alunos milionários por nota na faculdade para que fosse mais fácil analisar os resultados (garanto que a porcentagem de pessoas com 7,5 é muito maior que as com 9)."- por mim.
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Data da postagem: 18/07/2011, 19:54
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Citação de: Geotecton em 18 de Julho de 2011, 22:55:18

Citação de: -Huxley- em 18 de Julho de 2011, 22:08:29

Pessoalmente, acredito que os dados apresentados bastam. Não deixa de ser curioso essa obsessão com o desempenho acadêmico dos milionários, uma vez que uma grande inteligência analítica não aparenta ser a causa principal típica da construção de um grande patrimônio. Quem ainda insiste bater nessa tecla, sugiro que veja a história de Christopher Langan - um homem de QI de 195 - no livro Fora de Série de Malcolm Gladwell. Ou se quiser ver a sua história resumida, acesse a reportagem desse link:
http://super.abril.com.br/ciencia/sucesso-584272.shtml


Eu conheço pelo menos dois casos de pessoas com QIs medianos e que hoje são milionários na faixa das dezenas.


Se for procurar pelos casos mais extremos e raros, coisas bem mais surpreendentes que isso aparecem. No livro Investimento Inteligentes, Gustavo Cerbasi, considerado o consultor de finanças pessoais mais influente do Brasil, afirma que existem milionários no nosso país que sequer sabem assinar o nome.
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Data da postagem: 19/07/2011, 06:49
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Citação de: -Huxley- em 19 de Julho de 2011, 10:49:06

Citação de: Geotecton em 18 de Julho de 2011, 22:55:18

Eu conheço pelo menos dois casos de pessoas com QIs medianos e que hoje são milionários na faixa das dezenas.


Se for procurar pelos casos mais extremos e raros, coisas bem mais surpreendentes que isso aparecem. No livro Investimento Inteligentes, Gustavo Cerbasi, considerado o consultor de finanças pessoais mais influente do Brasil, afirma que existem milionários no nosso país que sequer sabem assinar o nome.


Exatamente por isto é que eu tenho reservas quando leio clichês e afirmações sobre "genialidade" no setor das finanças, pois são frequentes os casos onde o "sucesso" foi feito às expensas do "sangue" e da vida financeira e familiar de muitas pessoas.
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Data da postagem: 22/07/2011, 18:10
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Citação de: Geotecton em 22 de Julho de 2011, 22:10:17

Citação de: -Huxley- em 19 de Julho de 2011, 10:49:06

Citação de: Geotecton em 18 de Julho de 2011, 22:55:18

Eu conheço pelo menos dois casos de pessoas com QIs medianos e que hoje são milionários na faixa das dezenas.


Se for procurar pelos casos mais extremos e raros, coisas bem mais surpreendentes que isso aparecem. No livro Investimento Inteligentes, Gustavo Cerbasi, considerado o consultor de finanças pessoais mais influente do Brasil, afirma que existem milionários no nosso país que sequer sabem assinar o nome.


Exatamente por isto é que eu tenho reservas quando leio clichês e afirmações sobre "genialidade" no setor das finanças, pois são frequentes os casos onde o "sucesso" foi feito às expensas do "sangue" e da vida financeira e familiar de muitas pessoas.

Não acredito que seja tão frequente a ponto de invalidar a ideia da renda recebida como o melhor indicador objetivo de sucesso profissional (com provável exceção para o caso dos esportes e da política). Se não é a renda, qual indicador seria o melhor?

Embora existam estelionatários que se tornaram milionários legalmente, não acredito que isso seja tão fácil. Se assim fosse, a maioria dos desonestos virariam maquiavélicos financeiramente bem-sucedidos. Dada a união das pessoas contra a desonestidade e o grau típico de viralidade de uma denúncia na era da informação, até para ser um maquiavélico bem-sucedido precisa ter um talento notável.

Vale lembrar que a estratégia “vencer o jogo, em vez de jogá-lo” também é usada em competições e pode ocorrer sem desonestidade. Para entender isso, basta conhecer a biografia de Timothy Ferriss e descobrir como ele ganhou um campeonato de kickboxing na China...Sem qualquer genialidade e violação de regras e com muito menos experiência que seus adversários.
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Data da postagem: 23/07/2011, 09:28
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Resumo : cada caso é um caso.
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Pensando em outras abordagens para o tema bordado por David Shenk, li recentemente algo que me trouxe mais luz a essa pergunta intrigante:

Na ausência de empecilhos genéticos e ambientais, a presença ou ausência do sucesso pode ser uma mera questão de mérito pessoal?

Vejam um trecho da reportagem da Veja chamada Por Obra do Acaso, onde é feita a resenha do livro O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow.

“A ilusão de que temos o conhecimento necessário para controlar as variáveis mais doidas do mundo cotidiano - como os números de uma roleta - provoca equívocos nas mais diversas atividades. Em todos os esportes profissionais, o técnico de um time costuma ser responsabilizado quando amarga várias derrotas sucessivas. É comum que ele seja demitido e substituído por outro. Economistas já fizeram análises rigorosas dos resultados obtidos por equipes que mudaram de técnico e chegaram a uma conclusão que surpreende torcedores e cartolas: a mudança não faz diferença, porque, com perdão do trocadilho, há muitas outras coisas em jogo. Hollywood também nutre uma crença insensata nos poderes divinatórios de seus executivos para produzir estouros de bilheteria. Mlodinow lembra o caso de Sherry Lansing, que presidiu o estúdio Paramount ao tempo em que este lançou sucessos gigantescos como Titanic e Coração Valente - mas acabou demitida em 2004, depois de uns poucos anos de maus resultados. Os filmes que Sherry deixou no forno ao sair, como Guerra dos Mundos, voltaram a dar lucro. A preferência do espectador por este ou aquele filme (ou livro, ou novela, ou candidato político) está sujeita a tantos fatores arbitrários que ninguém sabe de fato prevê-la, argumenta Mlodinow.

[...]

A recente crise evidenciou o que os economistas comportamentais já afirmavam: as tendências do passado no mercado não oferecem nenhuma base para fazer previsões sobre o futuro.[...] Os novos gurus são aqueles que consideram a força do acaso na economia, como o investidor Nassim Taleb, estudioso da probabilística.”

http://veja.abril.com.br/120809/obra-acaso-p-148.shtml

Outra resenha ainda melhor é feita no blog Não Posso Evitar:
http://www.naopossoevitar.com.br/2009/02/the-drunkards-walk-o-que-aconteceu-por-acaso.html

É claro que sucessivas tentativas podem diminuir a chance de fracasso. Como Mlodinow diz no seu livro: “se quiser ser bem-sucedido, duplique a sua taxa de fracassos”. Todavia, aquela história de que existe uma “fórmula garantida do sucesso” parece ser otimista demais, mesmo no melhor dos mundos possíveis.

De qualquer forma, eu fiquei interessado no livro do físico americano, uma obra cuja existência fiquei sabendo através de um tópico do CC.
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Data da postagem: 26/10/2011, 21:22
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Só discordo do "nenhuma base para fazer previsões". Claro que há uma quantidade imensurável de variáveis, mas isso não quer dizer que uma delas não possa ter uma influência notória em um determinado evento.
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Citação de: parcus em 27 de Outubro de 2011, 00:40:15

Só discordo do "nenhuma base para fazer previsões". Claro que há uma quantidade imensurável de variáveis, mas isso não quer dizer que uma delas não possa ter uma influência notória em um determinado evento.


Se na economia existem previsões, elas provavelmente não são previsões científicas, que são específicas e de risco (como a previsão que a Física faz acerca da posição futura de um planeta em órbita sem apelar a uma margem de erro enorme). Muitos economistas trabalham com o conceito de incerteza não-probabilística, não de risco (que é probabilístico). Os economistas que trabalham com o conceito rejeitam o princípio da ergodicidade que, por sua vez, está relacionado a sistemas nos quais a evolução futura pode ser prevista através de cálculos probabilísticos, desde que o evento possa ser repetido.

Concluir que “uma das variáveis pode ter uma influência notória em um determinado evento” não garante que: (1) você pode isolar influências “estranhas” à frente do tempo para agentes econômicos; (2) você pode fazer uma previsão muito além do termo curto imediato; isso incluiria, por exemplo, prever com qualquer grau razoável de acerto quais serão, nos próximos cinco anos, as receita de uma empresa, as suas margens de lucro líquida, as taxas de juros representativa da economia, etc.

Ademais, vale ressaltar que não considerei na análise acima o caso das retrodições (ou “predições para o passado”, como as que ocorrem na biologia evolutiva). Fiz isso porque estamos tratando aqui dos argumentos que tentam validar a ideia de que fracasso ou sucesso estão sujeitos a forças que nenhum sistema ou indivíduo pode controlar plenamente.
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Data da postagem: 27/10/2011, 09:50
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Citação de: -Huxley- em 31 de Maio de 2011, 22:28:33

• Um experimento muito famoso mostra a importância do autocontrole (autodisciplina e capacidade de adiar a satisfação) para o sucesso. Pegando o trecho de outro texto para resumir a informação dada por Shenk: “O teste do marshmallow, feito na Universidade Stanford na década de 1960, é o melhor exemplo que se tem sobre a ocorrência de autocontrole. Psicólogos ofereciam a crianças um grande marshmallow e davam a elas a opção de comê-lo imediatamente ou esperar um tempinho enquanto os psicólogos saíssem da sala. Se as crianças esperassem, ganhariam de recompensa um segundo marshmallow. Apenas um terço das crianças aguentava esperar, o resto comia o doce afoitamente. Depois, os pesquisadores acompanharam o desempenho dessas crianças nas décadas seguintes. Aquelas que haviam esperado pelo segundo doce tinham tirado notas mais altas no vestibular e tinham mais amigos. Depois de anos estudando esse grupo de voluntários, concluiu-se que a capacidade de manter o autocontrole previa com muito mais precisão a ocorrência de sucesso e ajustamento - era mais eficiente do que QI ou condição social, por exemplo.”: http://super.abril.com.br/ciencia/sucesso-584272.shtml


Esse experimento foi posto em questão por um mais recente, com mais de 900 sujeitos em vez de apenas 90. Segundo o texto d'The Atlantic, classe econômica é bem mais significativo do que a aparente diferença em auto-controle capturada no experimento do marshmallow.

https://www.theatlantic.com/family/archive/2018/06/marshmallow-test/56177

Citar

http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0956797618761661

Revisiting the Marshmallow Test: A Conceptual Replication Investigating Links Between Early Delay of Gratification and Later Outcomes
Tyler W. Watts, Greg J. Duncan, Haonan Quan First Published May 25, 2018

Abstract

We replicated and extended Shoda, Mischel, and Peake’s (1990) famous marshmallow study, which showed strong bivariate correlations between a child’s ability to delay gratification just before entering school and both adolescent achievement and socioemotional behaviors. Concentrating on children whose mothers had not completed college, we found that an additional minute waited at age 4 predicted a gain of approximately one tenth of a standard deviation in achievement at age 15. But this bivariate correlation was only half the size of those reported in the original studies and was reduced by two thirds in the presence of controls for family background, early cognitive ability, and the home environment. Most of the variation in adolescent achievement came from being able to wait at least 20 s. Associations between delay time and measures of behavioral outcomes at age 15 were much smaller and rarely statistically significant.

[...]

Discussion

[...]

It surprised us that for the children of nondegreed mothers, most of the achievement boost for early delay ability was gained by waiting a mere 20 s. Shoda et al. (1990) argued that the relationship between delay of gratification and academic achievement might be driven by the ability to generate useful metacognitive strategies that will influence self-regulation throughout one’s life. Such strategies are unlikely to have played much of a role in a child’s ability to wait for only 20 s. Instead, our findings suggest that impulse control may be a key mechanism, although post hoc inclusion of an explicit measure of impulse control explained some but cer-tainly not most of the delay-of-gratification effect.

These results create further questions regarding what the marshmallow test might measure and how it relates to the umbrella construct of self-control. We observed that delay of gratification was strongly correlated with concurrent measures of cognitive ability, and control-ling for a composite measure of self-control explained only about 25% of our reported effects on achievement. These results suggest that the marshmallow test may capture something rather distinct from self-control. Indeed, Duckworth and colleagues (2013) also investi-gated the relations among delay of gratification, self-control, and intelligence using the data employed here, and they found that both self-control and intelligence mediated the relation between early delay ability and later outcomes. Our results further suggest that simply viewing delay of gratification as a component of self-control may oversimplify how it operates in young children.

When considering how our results might inform intervention development, recall that models with controls for concurrent measures of cognitive skills and behavior reduced the association between delay of gratification and age-15 achievement to nearly zero. This implies that an intervention that altered a child’s ability to delay but failed to change more general cog-nitive and behavioral capacities would likely have lim-ited effects on later outcomes. If intervention developers hope to generate program impacts that replicate the long-term marshmallow test findings, targeting the broader cognitive and behavioral abilities related to delay of gratification might prove more fruitful.

[...]



http://www.wbur.org/radioboston/2018/05/31/marshmallow-test-revisited
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Data da postagem: 07/06/2018, 12:39