
Clube Cético
Uma visão cética (sem bullshits filosóficos) da consciência
Autor: Gigaview | Categoria: Ceticismo | Exibições: 133348 Comentários: 1340

Excelente!!!! Sintetiza pontos de diversas discussões daqui do CC (daquele tempo quando tinhamos discussões sérias e interessantes
).
http://www.youtube.com/v/fbItRBc4Cp8
Por favor comentem.
http://www.youtube.com/v/fbItRBc4Cp8
Por favor comentem.
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Data da postagem: 10/01/2011, 23:23

Queria muito poder assistir o vídeo , mas infelizmente minha internet é a manivela :\
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Data da postagem: 25/01/2011, 16:49

Tem alguma versão legendada?
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Data da postagem: 26/01/2011, 13:33

Vou assistir, mas primeiramente, o que seria um "bullshit filosófico" sobre a consciência? A consciência, em alguns dos seus significados (qualia/experiência subjetiva), não é algo que pode ser diretamente estudado pela ciência, e qualquer perspectiva "cética" é tão somente filosofia quanto qualquer "bullshit" sobre o qual se esteja sendo cético.
Citação de: Freud em 25 de Janeiro de 2011, 19:49:18
baixe a versão de menor resolução em algum "download manager", de pouco a pouco, sempre que estiver sem usar tanto, e assista depois...
Citação de: Freud em 25 de Janeiro de 2011, 19:49:18
Queria muito poder assistir o vídeo , mas infelizmente minha internet é a manivela :\
baixe a versão de menor resolução em algum "download manager", de pouco a pouco, sempre que estiver sem usar tanto, e assista depois...
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Data da postagem: 26/01/2011, 16:05

Citação de: Buckaroo Banzai em 26 de Janeiro de 2011, 19:05:25
Não vejo sentido falar em perspectiva cética sem o amparo de uma metodologia científica, portanto não é possível ser cético em pontos que não podem ser estudados diretamente pela Ciência. Considerando a possibilidade de um ceticismo filosófico, ele seria especulativo e você estaria certo quando afirma que qualquer perspectiva "cética" é tão somente filosofia quanto qualquer "bullshit" sobre o qual se esteja sendo cético.
A visão cética da consciência aparece com esse fundamento empírico mostrado no vídeo, em contraste com os bullshits filosóficos, ou seja, todas as explicações alternativas que perderam lugar a partir do alcance da Ciência em áreas que até então não se acreditava que pudessem ser estudadas diretamente pela ciência. São bullshits "a posteriori" mas são bullshits.
Assistiu? Gostaria de ler seus comentários.
Vou assistir, mas primeiramente, o que seria um "bullshit filosófico" sobre a consciência? A consciência, em alguns dos seus significados (qualia/experiência subjetiva), não é algo que pode ser diretamente estudado pela ciência, e qualquer perspectiva "cética" é tão somente filosofia quanto qualquer "bullshit" sobre o qual se esteja sendo cético.
Não vejo sentido falar em perspectiva cética sem o amparo de uma metodologia científica, portanto não é possível ser cético em pontos que não podem ser estudados diretamente pela Ciência. Considerando a possibilidade de um ceticismo filosófico, ele seria especulativo e você estaria certo quando afirma que qualquer perspectiva "cética" é tão somente filosofia quanto qualquer "bullshit" sobre o qual se esteja sendo cético.
A visão cética da consciência aparece com esse fundamento empírico mostrado no vídeo, em contraste com os bullshits filosóficos, ou seja, todas as explicações alternativas que perderam lugar a partir do alcance da Ciência em áreas que até então não se acreditava que pudessem ser estudadas diretamente pela ciência. São bullshits "a posteriori" mas são bullshits.
Assistiu? Gostaria de ler seus comentários.
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Data da postagem: 29/01/2011, 21:38

Video excelente. Apenas não concordo com que seja uma visão cética da consciência. diria antes que é uma visão fisicalista da consciência. A conciência terá uma natureza física (um estado ou mudança de matéria e energia), derivando de acontecimentos cerebrais e neuro-fisiológicos. Não haverá, pois, um dualismo corpo/mente.
Sobre esta questão recomendo a obra O Livro da Consciência - a Construção do Cérebro Consciente, de António Damásio. Escrita em inglês foi traduzida para português em Setembro de 2010 (não sei se já publicado no Brasil).
António Damásio é um dos maiores cientistas nestas matéria. Professor da cátedra de David Dornsife de Neurociência, Neurologia e Psicologia na University of Southern California, onde dirige o Brain and Creativity Institute.
Autor doutros livros de grande sucesso: O Erro de Descartes: Emoção,Razão e Cérebro Humano, 1995; O Sentimento de Si: o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia, 2000; a Ao encontro de Espinosa: As Emoções Sociais e a Neurologia do Sentir, 2003.
Sobre esta questão recomendo a obra O Livro da Consciência - a Construção do Cérebro Consciente, de António Damásio. Escrita em inglês foi traduzida para português em Setembro de 2010 (não sei se já publicado no Brasil).
António Damásio é um dos maiores cientistas nestas matéria. Professor da cátedra de David Dornsife de Neurociência, Neurologia e Psicologia na University of Southern California, onde dirige o Brain and Creativity Institute.
Autor doutros livros de grande sucesso: O Erro de Descartes: Emoção,Razão e Cérebro Humano, 1995; O Sentimento de Si: o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia, 2000; a Ao encontro de Espinosa: As Emoções Sociais e a Neurologia do Sentir, 2003.
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Data da postagem: 30/01/2011, 10:12

Citar
Visão fisicalista é mais apropriado. Concordo.
Apenas não concordo com que seja uma visão cética da consciência. diria antes que é uma visão fisicalista da consciência.
Visão fisicalista é mais apropriado. Concordo.
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Data da postagem: 30/01/2011, 13:14

Citação de: Sérgio Sodré em 30 de Janeiro de 2011, 13:12:54
Existe em português O Mistério da Consciência - do corpo e das emoções ao conhecimento de si , editado pela Companhia das Letras. O título original em inglês é The feeling of what happens. , não sei se é o mesmo que vocẽ se refere.
Video excelente. Apenas não concordo com que seja uma visão cética da consciência. diria antes que é uma visão fisicalista da consciência. A conciência terá uma natureza física (um estado ou mudança de matéria e energia), derivando de acontecimentos cerebrais e neuro-fisiológicos. Não haverá, pois, um dualismo corpo/mente.
Sobre esta questão recomendo a obra O Livro da Consciência - a Construção do Cérebro Consciente, de António Damásio. Escrita em inglês foi traduzida para português em Setembro de 2010 (não sei se já publicado no Brasil).
António Damásio é um dos maiores cientistas nestas matéria. Professor da cátedra de David Dornsife de Neurociência, Neurologia e Psicologia na University of Southern California, onde dirige o Brain and Creativity Institute.
Autor doutros livros de grande sucesso: O Erro de Descartes: Emoção,Razão e Cérebro Humano, 1995; O Sentimento de Si: o Corpo, a Emoção e a Neurobiologia, 2000; a Ao encontro de Espinosa: As Emoções Sociais e a Neurologia do Sentir, 2003.
Existe em português O Mistério da Consciência - do corpo e das emoções ao conhecimento de si , editado pela Companhia das Letras. O título original em inglês é The feeling of what happens. , não sei se é o mesmo que vocẽ se refere.
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Data da postagem: 30/01/2011, 14:49

Citação de: Luiz Souto em 30 de Janeiro de 2011, 17:49:30
Segundo uma nota do autor, o título original em inglês de O Mistério da Consciência é Self Comes to Mind.
O livro que você refere, The feeling of what happens, é o que foi traduzido em Portugal por O Sentimento de Si.
Existe em português O Mistério da Consciência - do corpo e das emoções ao conhecimento de si , editado pela Companhia das Letras. O título original em inglês é The feeling of what happens. , não sei se é o mesmo que vocẽ se refere.
Segundo uma nota do autor, o título original em inglês de O Mistério da Consciência é Self Comes to Mind.
O livro que você refere, The feeling of what happens, é o que foi traduzido em Portugal por O Sentimento de Si.
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Data da postagem: 30/01/2011, 15:21

Citação de: Gigaview em 30 de Janeiro de 2011, 00:38:42
É uma visão "cética" apenas quanto a "alternativas" bem toscas e primitivas, tirar uma alma da cartola e assim "explicar" tudo. Mas isso não é filosofia, e não quer dizer que a filosofia não tenha nada a dizer sobre isso que não seja "bullshit". Mais do que uma visão cética, é o que a ciência sabe sobre consciência.
Citar
É um apanhado interessante de coisas, mas um tanto desconexas. O problema é que "consciência" pode pelo menos uns dois ou três significados um pouco distintos. Pode ser como o cérebro processa as informações do mundo ao redor, guarda informações, faz decisões, e nisso há a ramificação do problema do livre-arbítrio, mas praticamente independentemente desses, há o "problema difícil" da consciência, a experiência subjetiva em si. Mesmo que se bolasse todo um aparato e se pudesse de alguma forma ter absoluta certeza de que quando uma dada área do cérebro está ativa (ou um padrão de atividade mais global), há a experiência subjetiva/qualia, isso não responde nada sobre "o que é" isso. Sabemos que o "vermelho" é uma representação mental de uma freqüência de luz, mas essa freqüência de luz e a capacidade de distingui-la processualmente não é nada que necessariamente implica na experiência subjetiva de "vermelho". Ou ao menos não é o que se costuma imaginar. Geralmente supomos que uma câmera de vídeo, não tem essa "vida interior" baseada apenas em visão e em outros inputs "sensoriais" dos seus controles, que isso é uma espécie de animismo meio infantil. Que podemos fazer um robozinho que reconheça coisas do ambiente, inclusive cores, consistências, sabores, mas que ele não "sente" subjetivamente com esse tipo de consciência que temos, apenas recebe informações, as processa, e reage de acordo. Seria um "zumbi filosófico". E é complicado explicar por que nós temos/teríamos e uma câmera ou robozinho não, e a partir de que nível de organização física uma coisa qualquer teria isso. Apenas intuindo pela lógica do que fazemos, nada "prevê" que teríamos essa percepção do mundo dessa forma, em vez de não termos essa "vida interior", como supomos ser o caso com robôs, câmeras, ou termômetros.
Esse assunto te deixa pirado se for pensar muito, ou no mínimo provavelmente faz parecer que você pirou, se falar muito...
Uma entrevista/conversa do David Chalmers, filósofo que lida com a área de filosofia da mente, sobre esse assunto:
http://bloggingheads.tv/diavlogs/254
Segmentos:
Science Saturday: Consciousness Explained, kind of
Why consciousness captivates David (05:23)
The Woodstock of consciousness studies (08:29)
Why can’t a thermostat be conscious? (07:57)
Can we study consciousness without a consciousness meter? (09:33)
John’s enthusiasm for The Matrix nosedives (16:32)
Pure, contentless consciousness (09:54)
“Physical theory” won’t do the job (05:37)
Citação de: Buckaroo Banzai em 26 de Janeiro de 2011, 19:05:25Vou assistir, mas primeiramente, o que seria um "bullshit filosófico" sobre a consciência? A consciência, em alguns dos seus significados (qualia/experiência subjetiva), não é algo que pode ser diretamente estudado pela ciência, e qualquer perspectiva "cética" é tão somente filosofia quanto qualquer "bullshit" sobre o qual se esteja sendo cético.
Não vejo sentido falar em perspectiva cética sem o amparo de uma metodologia científica, portanto não é possível ser cético em pontos que não podem ser estudados diretamente pela Ciência. Considerando a possibilidade de um ceticismo filosófico, ele seria especulativo e você estaria certo quando afirma que qualquer perspectiva "cética" é tão somente filosofia quanto qualquer "bullshit" sobre o qual se esteja sendo cético.
A visão cética da consciência aparece com esse fundamento empírico mostrado no vídeo, em contraste com os bullshits filosóficos, ou seja, todas as explicações alternativas que perderam lugar a partir do alcance da Ciência em áreas que até então não se acreditava que pudessem ser estudadas diretamente pela ciência. São bullshits "a posteriori" mas são bullshits.
É uma visão "cética" apenas quanto a "alternativas" bem toscas e primitivas, tirar uma alma da cartola e assim "explicar" tudo. Mas isso não é filosofia, e não quer dizer que a filosofia não tenha nada a dizer sobre isso que não seja "bullshit". Mais do que uma visão cética, é o que a ciência sabe sobre consciência.
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Assistiu? Gostaria de ler seus comentários.
É um apanhado interessante de coisas, mas um tanto desconexas. O problema é que "consciência" pode pelo menos uns dois ou três significados um pouco distintos. Pode ser como o cérebro processa as informações do mundo ao redor, guarda informações, faz decisões, e nisso há a ramificação do problema do livre-arbítrio, mas praticamente independentemente desses, há o "problema difícil" da consciência, a experiência subjetiva em si. Mesmo que se bolasse todo um aparato e se pudesse de alguma forma ter absoluta certeza de que quando uma dada área do cérebro está ativa (ou um padrão de atividade mais global), há a experiência subjetiva/qualia, isso não responde nada sobre "o que é" isso. Sabemos que o "vermelho" é uma representação mental de uma freqüência de luz, mas essa freqüência de luz e a capacidade de distingui-la processualmente não é nada que necessariamente implica na experiência subjetiva de "vermelho". Ou ao menos não é o que se costuma imaginar. Geralmente supomos que uma câmera de vídeo, não tem essa "vida interior" baseada apenas em visão e em outros inputs "sensoriais" dos seus controles, que isso é uma espécie de animismo meio infantil. Que podemos fazer um robozinho que reconheça coisas do ambiente, inclusive cores, consistências, sabores, mas que ele não "sente" subjetivamente com esse tipo de consciência que temos, apenas recebe informações, as processa, e reage de acordo. Seria um "zumbi filosófico". E é complicado explicar por que nós temos/teríamos e uma câmera ou robozinho não, e a partir de que nível de organização física uma coisa qualquer teria isso. Apenas intuindo pela lógica do que fazemos, nada "prevê" que teríamos essa percepção do mundo dessa forma, em vez de não termos essa "vida interior", como supomos ser o caso com robôs, câmeras, ou termômetros.
Esse assunto te deixa pirado se for pensar muito, ou no mínimo provavelmente faz parecer que você pirou, se falar muito...
Uma entrevista/conversa do David Chalmers, filósofo que lida com a área de filosofia da mente, sobre esse assunto:
http://bloggingheads.tv/diavlogs/254
Segmentos:
Science Saturday: Consciousness Explained, kind of
Why consciousness captivates David (05:23)
The Woodstock of consciousness studies (08:29)
Why can’t a thermostat be conscious? (07:57)
Can we study consciousness without a consciousness meter? (09:33)
John’s enthusiasm for The Matrix nosedives (16:32)
Pure, contentless consciousness (09:54)
“Physical theory” won’t do the job (05:37)
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Data da postagem: 30/01/2011, 15:47

(Aviso: ainda não terminei de ver o vídeo. A BBC bem que poderia ter feito a gentileza de quebrá-lo em partes)
Por falar em quebrar em partes:
Citação de: Buckaroo Banzai em 30 de Janeiro de 2011, 18:47:07
Não sei porque, mas pessoalmente não sei que problema do livre-arbítrio é esse. Não vejo problema algum em sermos
guiados por cadeias de causas e efeitos. O que muitos não parecem perceber é que o fato de essas cadeias existirem
não implica de forma alguma que as respostas do cérebro humano sejam previsíveis. Elas podem muito bem ser caóticas
(no sentido de sensibilidade a condições iniciais) e extremamente complexas. Porque é tão fácil aceitar que o clima da Terra seja
regido por relações de causa e efeito, mas não a mente humana?
Citação de: Buckaroo Banzai em 30 de Janeiro de 2011, 18:47:07
Recentemente li o livro "Counsciousness explained" do Daniel Dennet. Nele ele propõe uma teoria provisória da consciência e descarta
completamente a possibilidade dos qualia. Na minha opinião (e acho que na do Dennet também), esses argumentos como o da sala
chinesa do Searle são espantalhos.
Por exemplo (note que sou leigo no assunto, daí que se eu estiver falando bobagem a culpa é apenas minha):
eu procuro visualizar o processo de identificação de um objeto da seguinte forma: um observador vê uma maça - isso gera, nesse
exemplo, um padrão de atividade no córtex visual ligado à imagem da maçã. Em seguida essa imagem mental gera suas próprias associações: cheiros, cores ("um vermelho igual ao da cortina da casa de sua avó", "cheiro do quintal da sua tia", "forma de um
balão/lua/laranja/pedra/...", "o mito de adão", "Branca de Neve e os sete anões", etc.) que
por sua vez geram suas próprias associações visuais e emocionais. Essa árvore de associações, esse gestalt recebe um
rótulo mental MAÇÃ, que pode ser posteriormente manipulado - isso nos daria a sensação de uma qualidade fenomenal a experiência
da observação da maçã, que nada mais seria o padrão de atividade neural decorrente de MAÇÃ. Nada misterioso nisso.
O espantalho surge quando tentamos igualar esse mecanismo de identificação com sua árvore de associações com a detecção
mecânica da forma e da cor de uma maçã por uma máquina primitiva.
Acho que muito do suposto mistério da consciência vem de um hábito de as pessoas de pensar no chamado "Teatro Cartesiano":
o suposto lugar onde a experiência subjetiva "acontece". Se você descartar esse Teatro, fica mais fácil encarar a experiência
subjetiva como uma simples "opinião de sua mente acerca do mundo". Para entender isso, lembro uma pergunta que um aluno
me fez: "mas professor, como é que nós vemos o mundo de cabeça pra cima se a imagem na nossa retina é de cabeça para baixo?"
O fato é que a nossa experiência subjetiva equivale ao nosso cérebro afirmar: "na nossa opinião, os dados transmitidos pelo nervo
ótico indicam que o mundo é ASSIM e é com essa hipótese que vamos trabalhar." Essa ideia é corroborada por experimentos.
Citação de: Buckaroo Banzai em 30 de Janeiro de 2011, 18:47:07
Parece interessante. Vou dar uma olhada.
Por falar em quebrar em partes:
Citação de: Buckaroo Banzai em 30 de Janeiro de 2011, 18:47:07
É um apanhado interessante de coisas, mas um tanto desconexas. O problema é que "consciência" pode pelo menos uns dois ou três significados um pouco distintos. Pode ser como o cérebro processa as informações do mundo ao redor, guarda informações, faz decisões, e nisso há a ramificação do problema do livre-arbítrio...
Não sei porque, mas pessoalmente não sei que problema do livre-arbítrio é esse. Não vejo problema algum em sermos
guiados por cadeias de causas e efeitos. O que muitos não parecem perceber é que o fato de essas cadeias existirem
não implica de forma alguma que as respostas do cérebro humano sejam previsíveis. Elas podem muito bem ser caóticas
(no sentido de sensibilidade a condições iniciais) e extremamente complexas. Porque é tão fácil aceitar que o clima da Terra seja
regido por relações de causa e efeito, mas não a mente humana?
Citação de: Buckaroo Banzai em 30 de Janeiro de 2011, 18:47:07
... mas praticamente independentemente desses, há o "problema difícil" da consciência, a experiência subjetiva em si. Mesmo que se bolasse todo um aparato e se pudesse de alguma forma ter absoluta certeza de que quando uma dada área do cérebro está ativa (ou um padrão de atividade mais global), há a experiência subjetiva/qualia, isso não responde nada sobre "o que é" isso. Sabemos que o "vermelho" é uma representação mental de uma freqüência de luz, mas essa freqüência de luz e a capacidade de distingui-la processualmente não é nada que necessariamente implica na experiência subjetiva de "vermelho". Ou ao menos não é o que se costuma imaginar. Geralmente supomos que uma câmera de vídeo, não tem essa "vida interior" baseada apenas em visão e em outros inputs "sensoriais" dos seus controles, que isso é uma espécie de animismo meio infantil. Que podemos fazer um robozinho que reconheça coisas do ambiente, inclusive cores, consistências, sabores, mas que ele não "sente" subjetivamente com esse tipo
de consciência que temos, apenas recebe informações, as processa, e reage de acordo. Seria um "zumbi filosófico". E é complicado explicar por que nós temos/teríamos e uma câmera ou robozinho não, e a partir de que nível de organização física uma coisa qualquer teria isso. Apenas intuindo pela lógica do que fazemos, nada "prevê" que teríamos essa percepção do mundo dessa forma, em vez de não termos essa "vida interior", como supomos ser o caso com robôs, câmeras, ou termômetros.
Recentemente li o livro "Counsciousness explained" do Daniel Dennet. Nele ele propõe uma teoria provisória da consciência e descarta
completamente a possibilidade dos qualia. Na minha opinião (e acho que na do Dennet também), esses argumentos como o da sala
chinesa do Searle são espantalhos.
Por exemplo (note que sou leigo no assunto, daí que se eu estiver falando bobagem a culpa é apenas minha):
eu procuro visualizar o processo de identificação de um objeto da seguinte forma: um observador vê uma maça - isso gera, nesse
exemplo, um padrão de atividade no córtex visual ligado à imagem da maçã. Em seguida essa imagem mental gera suas próprias associações: cheiros, cores ("um vermelho igual ao da cortina da casa de sua avó", "cheiro do quintal da sua tia", "forma de um
balão/lua/laranja/pedra/...", "o mito de adão", "Branca de Neve e os sete anões", etc.) que
por sua vez geram suas próprias associações visuais e emocionais. Essa árvore de associações, esse gestalt recebe um
rótulo mental MAÇÃ, que pode ser posteriormente manipulado - isso nos daria a sensação de uma qualidade fenomenal a experiência
da observação da maçã, que nada mais seria o padrão de atividade neural decorrente de MAÇÃ. Nada misterioso nisso.
O espantalho surge quando tentamos igualar esse mecanismo de identificação com sua árvore de associações com a detecção
mecânica da forma e da cor de uma maçã por uma máquina primitiva.
Acho que muito do suposto mistério da consciência vem de um hábito de as pessoas de pensar no chamado "Teatro Cartesiano":
o suposto lugar onde a experiência subjetiva "acontece". Se você descartar esse Teatro, fica mais fácil encarar a experiência
subjetiva como uma simples "opinião de sua mente acerca do mundo". Para entender isso, lembro uma pergunta que um aluno
me fez: "mas professor, como é que nós vemos o mundo de cabeça pra cima se a imagem na nossa retina é de cabeça para baixo?"
O fato é que a nossa experiência subjetiva equivale ao nosso cérebro afirmar: "na nossa opinião, os dados transmitidos pelo nervo
ótico indicam que o mundo é ASSIM e é com essa hipótese que vamos trabalhar." Essa ideia é corroborada por experimentos.
Citação de: Buckaroo Banzai em 30 de Janeiro de 2011, 18:47:07
Esse assunto te deixa pirado se for pensar muito, ou no mínimo provavelmente faz parecer que você pirou, se falar muito...
Uma entrevista/conversa do David Chalmers, filósofo que lida com a área de filosofia da mente, sobre esse assunto:
http://bloggingheads.tv/diavlogs/254
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Science Saturday: Consciousness Explained, kind of
Why consciousness captivates David (05:23)
The Woodstock of consciousness studies (08:29)
Why can’t a thermostat be conscious? (07:57)
Can we study consciousness without a consciousness meter? (09:33)
John’s enthusiasm for The Matrix nosedives (16:32)
Pure, contentless consciousness (09:54)
“Physical theory” won’t do the job (05:37)
Parece interessante. Vou dar uma olhada.
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