
Clube Cético
Avaliando a habilidade científica de pensar
Autor: Cientista | Categoria: Ciência, Tecnologia e Saúde | Exibições: 96353 Comentários: 278

Uma pessoa participando do ramo epistemológico questionando se a verdade é mesmo desejável é como um executivo em uma empresa questionando se o lucro é mesmo desejável, ou um médico questionando se a cura do paciente é desejável, ou um general questionando se a vitória do seu exército é mesmo desejável.
Coisa de louco mesmo.
Coisa de louco mesmo.
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Data da postagem: 01/06/2010, 13:47

Este tema, sobre Galileu, pode ser tudo, menos simples e auto-evidente. Para evitar transcrever maiores e melhores argumentações que as minhas, indico o artigo do grande professor Arden: "Galileu - um cientista e várias versões".
http://www.periodicos.ufsc.br//fisica/article/viewFile/10073/9298
DDV, já lestes o "Matando o Tempo"?
http://www.periodicos.ufsc.br//fisica/article/viewFile/10073/9298
DDV, já lestes o "Matando o Tempo"?
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Data da postagem: 01/06/2010, 16:58

Citação de: DDV
Para House, só o puzzle importa.
ou um médico questionando se a cura do paciente é desejável
Para House, só o puzzle importa.

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Data da postagem: 01/06/2010, 17:01

Citação de: Feynman em 01 de Junho de 2010, 20:58:46
Não li.
O artigo que você linkou apenas repete o que já foi dito. Feyerabend escolheu Galileu como alvo porque Galileu foi o primeiro dos cientistas, e enfrentava metafísicos porra-loucas e religiosos, ao invés de outros cientistas, e isso numa época onde não existia nenhum esboço de "método científico" e muito menos uma "comunidade científica".
Percebe-se nas frases de Feyerabend o uso intenso da expressão "errada conforme as crenças da época". Ora, as crenças da época não tinham apoio empírico maior do que as teorias de Galileu, e Feyerabend estranhamente joga total ônus em Galileu e nenhum nas "crenças da época" (Ex: a crença de que o céu era governado por leis diferentes da terra).
No mais, os poucos exemplos citados já mostram como os argumentos de Feyerabend contra Galileu são pueris, para dizer o mínimo.
Refutações a Feyerabend => Gunnar Anderson.
Este tema, sobre Galileu, pode ser tudo, menos simples e auto-evidente. Para evitar transcrever maiores e melhores argumentações que as minhas, indico o artigo do grande professor Arden: "Galileu - um cientista e várias versões".
http://www.periodicos.ufsc.br//fisica/article/viewFile/10073/9298
DDV, já lestes o "Matando o Tempo"?
Não li.
O artigo que você linkou apenas repete o que já foi dito. Feyerabend escolheu Galileu como alvo porque Galileu foi o primeiro dos cientistas, e enfrentava metafísicos porra-loucas e religiosos, ao invés de outros cientistas, e isso numa época onde não existia nenhum esboço de "método científico" e muito menos uma "comunidade científica".
Percebe-se nas frases de Feyerabend o uso intenso da expressão "errada conforme as crenças da época". Ora, as crenças da época não tinham apoio empírico maior do que as teorias de Galileu, e Feyerabend estranhamente joga total ônus em Galileu e nenhum nas "crenças da época" (Ex: a crença de que o céu era governado por leis diferentes da terra).
No mais, os poucos exemplos citados já mostram como os argumentos de Feyerabend contra Galileu são pueris, para dizer o mínimo.
Refutações a Feyerabend => Gunnar Anderson.
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Data da postagem: 01/06/2010, 17:15

Considerando que praticamente NADA das idéias físicas anteriores a Galileu foi preservada (ao contrário do que ocorreria posteriormente nos avanços teóricos da Física), conclui-se que Galileu teve que começar praticamente do zero. Não havia uma teoria física antes da dele que poderia ser chamada de "científica" no sentido moderno do termo.
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Data da postagem: 01/06/2010, 17:18

Citação de: DDV em 01 de Junho de 2010, 21:15:31
DDV
Voce pode me passar a referência (livro) do Anderson?
Citação de: Feynman em 01 de Junho de 2010, 20:58:46Este tema, sobre Galileu, pode ser tudo, menos simples e auto-evidente. Para evitar transcrever maiores e melhores argumentações que as minhas, indico o artigo do grande professor Arden: "Galileu - um cientista e várias versões".
http://www.periodicos.ufsc.br//fisica/article/viewFile/10073/9298
DDV, já lestes o "Matando o Tempo"?
Não li.
O artigo que você linkou apenas repete o que já foi dito. Feyerabend escolheu Galileu como alvo porque Galileu foi o primeiro dos cientistas, e enfrentava metafísicos porra-loucas e religiosos, ao invés de outros cientistas, e isso numa época onde não existia nenhum esboço de "método científico" e muito menos uma "comunidade científica".
Percebe-se nas frases de Feyerabend o uso intenso da expressão "errada conforme as crenças da época". Ora, as crenças da época não tinham apoio empírico maior do que as teorias de Galileu, e Feyerabend estranhamente joga total ônus em Galileu e nenhum nas "crenças da época" (Ex: a crença de que o céu era governado por leis diferentes da terra).
No mais, os poucos exemplos citados já mostram como os argumentos de Feyerabend contra Galileu são pueris, para dizer o mínimo.
Refutações a Feyerabend => Gunnar Anderson.
DDV
Voce pode me passar a referência (livro) do Anderson?
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Data da postagem: 01/06/2010, 17:19

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Data da postagem: 01/06/2010, 17:37

Citação de: DDV em 01 de Junho de 2010, 21:37:55
Obrigado DDV!
Geotecton
Aqui: http://books.google.com.br/books?id=zfTTG8hpgc8C&printsec=frontcover&dq=%22Gunnar+Andersson%22+feyerabend&source=bl&ots=hDjdxgD6DV&sig=72YefjwG7oIeHwmdjRh9b8Z1BOU&hl=pt-BR&ei=OqQFTLOdKc2KuAey-7D4DQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=3&ved=0CCAQ6AEwAg#v=onepage&q=%22Gunnar%20Andersson%22%20feyerabend&f=false
Obrigado DDV!
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Data da postagem: 01/06/2010, 17:39

Citação de: DDV em 01 de Junho de 2010, 21:15:31
DDV, Matando o Tempo mostra as intenções e idiossincrasias do autor. Acredite (ou, melhor, confira!): Feyerabend posuia um gênio singular e uma clareza de raciocínio impecáveis (além de doutor em física, era doutor honoris causa em literatura e humanidades), e a análise de Galileu (não tem nada de "contra" aqui, DDV... é uma análise!) NÃO resume sua contribuição à epistemologia. Feyerabend estava em um meio cultural que enaltecia a ciência de modo inadivertido, e suas análises deram origem a outras mais bem fundamentadas que as positivistas do iníco do séc. XX. A propósito, e ainda sobre Galileu, é bom lembrar que as afirmações fantásticas, à época, necessitavam de evidências fantásticas que ele não deu. Isso deve soar muito estranho para ti, DDV, mas isso é comum quando se está com uma visão privilegiada de quem observa do presente, com os conhecimentos atuais. É claro que Galileu estava (mais) certo em relação aos seus detratores. É claro que seu sistema era melhor que o ptolomaico. É claro que seu telescópio funcionava suficientemente bem para afirmar as novas características até então desconhecidas do orbes celestes. E é claro que sua metodologia se mostrou superior, ao conseguir tudo isso. E não muda o fato de que, ao desconhecer ótica, Galileu não tinha como convencer seus céticos de que as imagens produzidas por seu artefato demoníaco eram reais (ou representações de coisas reais). E é claro que isso era esperado (aos olhos de hoje), para uma ciência incipiente. Feyerabend mostrou como a suposta metodologia galileana não era tão metódica assim, e abriu caminho para a fundamentação de uma filosofia da ciência mais compromissada com o fazer científico, e menos com a prescrição do quê a ciência deveria ser. Parece-me que estás com uma visão unilateral e acrítica das críticas à Feyerabend, e com falta de vontade de conhecer um pouco mais de perto uma pessoa altamente respeitada por Lakatos e Kuhn. Repito: existe flagrantes rompantes de irracionalidade na obra de Feyerabend, e não sou feyerabendiano neste sentido. Mas por tudo o que li dele, parece-me, no mínimo, injusto chamá-lo de louco. Porque será que Lakatos já não tinha feito isso? Porque Popper não o desmascarou? Simples... não há o que ser desmascarado.
A propósito: sabe porque não tenho receio de um ataque à ciência? Simples: porque ciência funciona!!!!!!!! E o que gerar resultados permanecerá (era o que dizia Feyerabend!!!).
Edit: Em tempo: DDV, como você vê o fato de que Feyerabend é analisado, por Gunnar Andersson, junto a nomes como Popper, Kuhn e Lakatos? Para você, Feyerabend é apenas um contra-exemplo? Não é, de modo algum, o tom usado por Andersson. Reitero, se já não deixei claro: apenas estou tentando mostrar que Feyerabend não era louco. Percebe-se isto facilmente lendo sua autobiografia e seu artigo "Consolando o Especialista" (In: Lakatos, I & Musgrave, A. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Editora Cultrix/Editora da Universidade de São Paulo, 1979). É evidente que muitos aspectos são discutíveis... mas Kuhn, que era amigo próximo de Feyerabend, certamente torceria o nariz para sua acusação de loucura. Se as teses feyerabendianas caem muito mal no estômago, é porque conseguiram boa parte de suas intenções. Ataques pueris à ciência existem vários, e temos aí os crentes para mostrar isso. O "ataque" de Feyerabend é de uma natureza muito mais sutil. Ou você acha que Andersson perderia seu tempo com um mentecapto?
No mais, os poucos exemplos citados já mostram como os argumentos de Feyerabend contra Galileu são pueris, para dizer o mínimo.
DDV, Matando o Tempo mostra as intenções e idiossincrasias do autor. Acredite (ou, melhor, confira!): Feyerabend posuia um gênio singular e uma clareza de raciocínio impecáveis (além de doutor em física, era doutor honoris causa em literatura e humanidades), e a análise de Galileu (não tem nada de "contra" aqui, DDV... é uma análise!) NÃO resume sua contribuição à epistemologia. Feyerabend estava em um meio cultural que enaltecia a ciência de modo inadivertido, e suas análises deram origem a outras mais bem fundamentadas que as positivistas do iníco do séc. XX. A propósito, e ainda sobre Galileu, é bom lembrar que as afirmações fantásticas, à época, necessitavam de evidências fantásticas que ele não deu. Isso deve soar muito estranho para ti, DDV, mas isso é comum quando se está com uma visão privilegiada de quem observa do presente, com os conhecimentos atuais. É claro que Galileu estava (mais) certo em relação aos seus detratores. É claro que seu sistema era melhor que o ptolomaico. É claro que seu telescópio funcionava suficientemente bem para afirmar as novas características até então desconhecidas do orbes celestes. E é claro que sua metodologia se mostrou superior, ao conseguir tudo isso. E não muda o fato de que, ao desconhecer ótica, Galileu não tinha como convencer seus céticos de que as imagens produzidas por seu artefato demoníaco eram reais (ou representações de coisas reais). E é claro que isso era esperado (aos olhos de hoje), para uma ciência incipiente. Feyerabend mostrou como a suposta metodologia galileana não era tão metódica assim, e abriu caminho para a fundamentação de uma filosofia da ciência mais compromissada com o fazer científico, e menos com a prescrição do quê a ciência deveria ser. Parece-me que estás com uma visão unilateral e acrítica das críticas à Feyerabend, e com falta de vontade de conhecer um pouco mais de perto uma pessoa altamente respeitada por Lakatos e Kuhn. Repito: existe flagrantes rompantes de irracionalidade na obra de Feyerabend, e não sou feyerabendiano neste sentido. Mas por tudo o que li dele, parece-me, no mínimo, injusto chamá-lo de louco. Porque será que Lakatos já não tinha feito isso? Porque Popper não o desmascarou? Simples... não há o que ser desmascarado.
A propósito: sabe porque não tenho receio de um ataque à ciência? Simples: porque ciência funciona!!!!!!!! E o que gerar resultados permanecerá (era o que dizia Feyerabend!!!).
Edit: Em tempo: DDV, como você vê o fato de que Feyerabend é analisado, por Gunnar Andersson, junto a nomes como Popper, Kuhn e Lakatos? Para você, Feyerabend é apenas um contra-exemplo? Não é, de modo algum, o tom usado por Andersson. Reitero, se já não deixei claro: apenas estou tentando mostrar que Feyerabend não era louco. Percebe-se isto facilmente lendo sua autobiografia e seu artigo "Consolando o Especialista" (In: Lakatos, I & Musgrave, A. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Editora Cultrix/Editora da Universidade de São Paulo, 1979). É evidente que muitos aspectos são discutíveis... mas Kuhn, que era amigo próximo de Feyerabend, certamente torceria o nariz para sua acusação de loucura. Se as teses feyerabendianas caem muito mal no estômago, é porque conseguiram boa parte de suas intenções. Ataques pueris à ciência existem vários, e temos aí os crentes para mostrar isso. O "ataque" de Feyerabend é de uma natureza muito mais sutil. Ou você acha que Andersson perderia seu tempo com um mentecapto?
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Data da postagem: 01/06/2010, 20:33

Citação de: Feynman em 02 de Junho de 2010, 00:33:30
Se ainda acha que Feyerabend tinha alguma intenção "construtiva" com relação à ciência, leia o último capítulo de Contra o Método e veja ele soltando a franga de vez, confessando seu horror/ódio à ciência (na falta de termos melhores).
Formação superior não impede ninguém de falar loucuras (isso todos já sabem).
Literatura é uma das últimas coisas que eu imaginaria contribuindo para a filosofia da ciência (você consegue imaginar?!)
Citação de: Feymann
Não lembro de Popper respondendo a Feyerabend. Feyerabend foi refutado por outros filósofos. Talvez Popper não achou que valesse o seu tempo (
). Thommas Kuhn, por outro lado, foi respondido por Popper e demais filósofos da linha racionalista. Embora as teses mais radicais de Kuhn fossem demonstradas erradas (como a incomensurabilidade) e embora suas descrições históricas não contradizessem o falsificacionismo (a não ser uma versão ingênua do falsificacionismo que o próprio Kuhn carregava), as análises de Kuhn foram úteis, valiosas, esclarecedoras em alguns pontos e deram o que pensar.
Feyerabend, por outro lado, não mostra a mesma "utilidade" e contribuição dada por Kuhn. A maioria de suas teses é bem Pueril. Foram facilmente refutadas por filósofos menos famosos (como Andersson).
E mesmo se fôssemos considerar as análises de Galileu feitas por Feyerabend (o livro inteiro dele fala de Galileu apenas) como corretas (o que não é o caso, para deixar claro), Feyerabend não estaria refutando o método científico, mas apenas a cientificidade de Galileu. Seu livro seria mais adequadamente chamado de "Contra a cientificidade de Galileu", e não "Contra o Método".
Galileu, como já vimos, NÃO se debatia com cientistas, mas com metafísicos e religiosos. E mesmo assim as alegações de Feyerabend não se sustentam segundo Andersson e outros filósofos da linha racionalista. É algo que eu acho particularmente curioso o fato de Feyerabend ter escolhido logo Galileu, o primeiro dos cientistas, ao invés de escolher para analisar algum outro que estivesse inserido dentro de uma comunidade científica e debatesse com cientistas dentro de um método científico já estabelecido.
Citação de: Feymann
E o interessante é que Feyerabend não consegue explicar o PORQUÊ da ciência funcionar sem nenhum método ou regra, enquanto as demais áreas ligadas ao conhecimento humano (metafísica, religião, magia negra, etc) não funcionem. Por que os deuses resolveram abençoar apenas a ciência pós-Galileu com essa boa sorte e nenhuma outra área?! Feyerabend não explica, ainda mais quando o próprio Feyerabend fala que a ciência não é em nada melhor do que a magia negra e a astrologia, e defende completa falta de regras no processo de estabelecimento de teorias.
Utilizando o proprio critério dele (o de "funcionar"), já podemos concluir que sua alegação de que a ciência não é em nada melhor do que a magia negra é falsa.
Coisa de louco.
Citação de: Feymann
Mentecaptos existem muito piores. Vide os pós-modernos.
Obviamente, Feyerabend é superior aos chamados "pós-modernos". Esses pós-modernos, que chegam a ser bem piores e a falarem coisas ainda mais sem nexo do que o Feyerabend, são exaltados em várias áreas de humanidades!
Ou seja, fama e consideração não quer dizer absolutamemente nada em termos de pertinência e racionalidade de idéias. Motivos outros (inclusive políticos) movem essas áreas, conforme demonstrado por Sokal em seu "imposturas intelectuais".
Citação de: DDV em 01 de Junho de 2010, 21:15:31No mais, os poucos exemplos citados já mostram como os argumentos de Feyerabend contra Galileu são pueris, para dizer o mínimo.
DDV, Matando o Tempo mostra as intenções e idiossincrasias do autor. Acredite (ou, melhor, confira!): Feyerabend posuia um gênio singular e uma clareza de raciocínio impecáveis (além de doutor em física, era doutor honoris causa em literatura e humanidades), e a análise de Galileu (não tem nada de "contra" aqui, DDV... é uma análise!) NÃO resume sua contribuição à epistemologia.
Se ainda acha que Feyerabend tinha alguma intenção "construtiva" com relação à ciência, leia o último capítulo de Contra o Método e veja ele soltando a franga de vez, confessando seu horror/ódio à ciência (na falta de termos melhores).
Formação superior não impede ninguém de falar loucuras (isso todos já sabem).
Literatura é uma das últimas coisas que eu imaginaria contribuindo para a filosofia da ciência (você consegue imaginar?!)
Citação de: Feymann
Feyerabend estava em um meio cultural que enaltecia a ciência de modo inadivertido, e suas análises deram origem a outras mais bem fundamentadas que as positivistas do iníco do séc. XX. A propósito, e ainda sobre Galileu, é bom lembrar que as afirmações fantásticas, à época, necessitavam de evidências fantásticas que ele não deu. Isso deve soar muito estranho para ti, DDV, mas isso é comum quando se está com uma visão privilegiada de quem observa do presente, com os conhecimentos atuais. É claro que Galileu estava (mais) certo em relação aos seus detratores. É claro que seu sistema era melhor que o ptolomaico. É claro que seu telescópio funcionava suficientemente bem para afirmar as novas características até então desconhecidas do orbes celestes. E é claro que sua metodologia se mostrou superior, ao conseguir tudo isso. E não muda o fato de que, ao desconhecer ótica, Galileu não tinha como convencer seus céticos de que as imagens produzidas por seu artefato demoníaco eram reais (ou representações de coisas reais). E é claro que isso era esperado (aos olhos de hoje), para uma ciência incipiente. Feyerabend mostrou como a suposta metodologia galileana não era tão metódica assim, e abriu caminho para a fundamentação de uma filosofia da ciência mais compromissada com o fazer científico, e menos com a prescrição do quê a ciência deveria ser. Parece-me que estás com uma visão unilateral e acrítica das críticas à Feyerabend, e com falta de vontade de conhecer um pouco mais de perto uma pessoa altamente respeitada por Lakatos e Kuhn. Repito: existe flagrantes rompantes de irracionalidade na obra de Feyerabend, e não sou feyerabendiano neste sentido. Mas por tudo o que li dele, parece-me, no mínimo, injusto chamá-lo de louco. Porque será que Lakatos já não tinha feito isso? Porque Popper não o desmascarou? Simples... não há o que ser desmascarado.
Não lembro de Popper respondendo a Feyerabend. Feyerabend foi refutado por outros filósofos. Talvez Popper não achou que valesse o seu tempo (
Feyerabend, por outro lado, não mostra a mesma "utilidade" e contribuição dada por Kuhn. A maioria de suas teses é bem Pueril. Foram facilmente refutadas por filósofos menos famosos (como Andersson).
E mesmo se fôssemos considerar as análises de Galileu feitas por Feyerabend (o livro inteiro dele fala de Galileu apenas) como corretas (o que não é o caso, para deixar claro), Feyerabend não estaria refutando o método científico, mas apenas a cientificidade de Galileu. Seu livro seria mais adequadamente chamado de "Contra a cientificidade de Galileu", e não "Contra o Método".
Galileu, como já vimos, NÃO se debatia com cientistas, mas com metafísicos e religiosos. E mesmo assim as alegações de Feyerabend não se sustentam segundo Andersson e outros filósofos da linha racionalista. É algo que eu acho particularmente curioso o fato de Feyerabend ter escolhido logo Galileu, o primeiro dos cientistas, ao invés de escolher para analisar algum outro que estivesse inserido dentro de uma comunidade científica e debatesse com cientistas dentro de um método científico já estabelecido.
Citação de: Feymann
A propósito: sabe porque não tenho receio de um ataque à ciência? Simples: porque ciência funciona!!!!!!!! E o que gerar resultados permanecerá (era o que dizia Feyerabend!!!).
E o interessante é que Feyerabend não consegue explicar o PORQUÊ da ciência funcionar sem nenhum método ou regra, enquanto as demais áreas ligadas ao conhecimento humano (metafísica, religião, magia negra, etc) não funcionem. Por que os deuses resolveram abençoar apenas a ciência pós-Galileu com essa boa sorte e nenhuma outra área?! Feyerabend não explica, ainda mais quando o próprio Feyerabend fala que a ciência não é em nada melhor do que a magia negra e a astrologia, e defende completa falta de regras no processo de estabelecimento de teorias.
Utilizando o proprio critério dele (o de "funcionar"), já podemos concluir que sua alegação de que a ciência não é em nada melhor do que a magia negra é falsa.
Coisa de louco.
Citação de: Feymann
Edit: Em tempo: DDV, como você vê o fato de que Feyerabend é analisado, por Gunnar Andersson, junto a nomes como Popper, Kuhn e Lakatos? Para você, Feyerabend é apenas um contra-exemplo? Não é, de modo algum, o tom usado por Andersson. Reitero, se já não deixei claro: apenas estou tentando mostrar que Feyerabend não era louco. Percebe-se isto facilmente lendo sua autobiografia e seu artigo "Consolando o Especialista" (In: Lakatos, I & Musgrave, A. A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. São Paulo: Editora Cultrix/Editora da Universidade de São Paulo, 1979). É evidente que muitos aspectos são discutíveis... mas Kuhn, que era amigo próximo de Feyerabend, certamente torceria o nariz para sua acusação de loucura. Se as teses feyerabendianas caem muito mal no estômago, é porque conseguiram boa parte de suas intenções. Ataques pueris à ciência existem vários, e temos aí os crentes para mostrar isso. O "ataque" de Feyerabend é de uma natureza muito mais sutil. Ou você acha que Andersson perderia seu tempo com um mentecapto?
Mentecaptos existem muito piores. Vide os pós-modernos.
Obviamente, Feyerabend é superior aos chamados "pós-modernos". Esses pós-modernos, que chegam a ser bem piores e a falarem coisas ainda mais sem nexo do que o Feyerabend, são exaltados em várias áreas de humanidades!
Ou seja, fama e consideração não quer dizer absolutamemente nada em termos de pertinência e racionalidade de idéias. Motivos outros (inclusive políticos) movem essas áreas, conforme demonstrado por Sokal em seu "imposturas intelectuais".
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Data da postagem: 02/06/2010, 14:37