
Clube Cético
Ciência e Fé
Autor: Jetro | Categoria: Religiões, Crenças e Mitos | Exibições: 31465 Comentários: 342

Também concordo que não pensar, no sentido de não se fazer um esforço intelectual na busca de uma explicação racional, é muito mais cômodo do que pensar. Credulidade tem muito haver com "preguiça intelectual" e o inconformismo pela falta de explicações pode muito bem, como demonstra a prática, ser suprido por "respostas fáceis" não racionais.
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Data da postagem: 18/01/2012, 13:51
A questão é queCitar
parece um tremendo non sequitur!
" Para um cro-magnon na savana, era mais vantajoso para sua sobrevivência interpretar um vulto indistinto como um predador ou um inimigo do que adotar uma postura cética ("não sei o que é esse vulto. Vou investigar..."
parece um tremendo non sequitur!
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Data da postagem: 18/01/2012, 18:15

Citação de: Dr. Manhattan em 18 de Janeiro de 2012, 10:35:56
O ceticismo exige esforço e atitude intelectual, além de manter foco constante em fatos e evidências. Como isso não é fácil, talvez seja mais simples e natural simplesmente acreditar, como faz a maioria das pessoas. A estrutura do ceticismo científico é bastante recente, vide as contribuições de Popper, Kuhn, Lakatos e outros.
Foi essa a minha interpretação da frase do Dr Manhattan.
Exato. O fato é que evoluimos para sobreviver, não para tecer teorias acerca do funcionamento do mundo. Para um cro-magnon na savana, era mais vantajoso para sua sobrevivência interpretar um vulto indistinto como um predador ou um inimigo do que adotar uma postura cética ("não sei o que é esse vulto. Vou investigar...") Não é à toa que um cético precisa fazer um esforço mental consciente para descartar, mesmo que provisioramente, respostas aparentemente fáceis e intuitivas sem bases empíricas. É preciso que as pessoas tenham em mente que o ceticismo científico é uma conquista; um instrumento que mudou a vida da humanidade para melhor* e que deve ser cultivado.
*Claro, a ciência pode ser usada para destuir, mas eu afirmo que o no final das contas o saldo tem sido positivo.
Concordo em linhas gerais, apenas faria alguma ressalva quanto a analogia implícita/acidental entre "credulidade" e instinto.
O que penso que acontece é que tanto a "credulidade" quanto o ceticismo são na verdade apenas produtos de um mesmo instinto, a nossa tendência à transmissão cultural fiel*.
Ao mesmo tempo, o "ceticismo moderno" não é algo recente tanto pelo meio de vida dos caçadores-coletores exigir algo especialmente mais "crédulo" ou pseudo-instintivo do comportamento, mas talvez mais pelo fato de ser apenas mais um outro lento desenvolvimento cultural/"tecnológico". Meio como não é por termos estruturas mentais ditando algo particularmente avesso ao uso de eletricidade (ou arco-e-flecha, estilingue, catapulta, agricultura, sifão) que viemos a usar eletricidade apenas recentemente.
* simplificação extrema. Não estou sugerindo que crenças religiosas tenham sido originadas e mantidas por transmissão cultural pura; tem outros fatores emocionais e instintivos ligados a isso.
Citação de: Gigaview em 18 de Janeiro de 2012, 02:11:38Citação de: genjikhan em 18 de Janeiro de 2012, 01:54:07
Citação de: Dr. Manhattan em 17 de Janeiro de 2012, 23:43:58
O ceticismo tal como praticado hoje é algo bastante antinatural e recente.
Porque que o ceticismo atual é algo anti natural? Sua resposta se baseia no comportamento de outros céticos?
O ceticismo exige esforço e atitude intelectual, além de manter foco constante em fatos e evidências. Como isso não é fácil, talvez seja mais simples e natural simplesmente acreditar, como faz a maioria das pessoas. A estrutura do ceticismo científico é bastante recente, vide as contribuições de Popper, Kuhn, Lakatos e outros.
Foi essa a minha interpretação da frase do Dr Manhattan.
Exato. O fato é que evoluimos para sobreviver, não para tecer teorias acerca do funcionamento do mundo. Para um cro-magnon na savana, era mais vantajoso para sua sobrevivência interpretar um vulto indistinto como um predador ou um inimigo do que adotar uma postura cética ("não sei o que é esse vulto. Vou investigar...") Não é à toa que um cético precisa fazer um esforço mental consciente para descartar, mesmo que provisioramente, respostas aparentemente fáceis e intuitivas sem bases empíricas. É preciso que as pessoas tenham em mente que o ceticismo científico é uma conquista; um instrumento que mudou a vida da humanidade para melhor* e que deve ser cultivado.
*Claro, a ciência pode ser usada para destuir, mas eu afirmo que o no final das contas o saldo tem sido positivo.
Concordo em linhas gerais, apenas faria alguma ressalva quanto a analogia implícita/acidental entre "credulidade" e instinto.
O que penso que acontece é que tanto a "credulidade" quanto o ceticismo são na verdade apenas produtos de um mesmo instinto, a nossa tendência à transmissão cultural fiel*.
Ao mesmo tempo, o "ceticismo moderno" não é algo recente tanto pelo meio de vida dos caçadores-coletores exigir algo especialmente mais "crédulo" ou pseudo-instintivo do comportamento, mas talvez mais pelo fato de ser apenas mais um outro lento desenvolvimento cultural/"tecnológico". Meio como não é por termos estruturas mentais ditando algo particularmente avesso ao uso de eletricidade (ou arco-e-flecha, estilingue, catapulta, agricultura, sifão) que viemos a usar eletricidade apenas recentemente.
* simplificação extrema. Não estou sugerindo que crenças religiosas tenham sido originadas e mantidas por transmissão cultural pura; tem outros fatores emocionais e instintivos ligados a isso.
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Data da postagem: 18/01/2012, 23:59
Citação de: sergiomgbr em 18 de Janeiro de 2012, 21:15:27
Sério? Pra mim soa como algo muito sensato do ponto de vista evolutivo...
A questão é queCitar" Para um cro-magnon na savana, era mais vantajoso para sua sobrevivência interpretar um vulto indistinto como um predador ou um inimigo do que adotar uma postura cética ("não sei o que é esse vulto. Vou investigar..."
parece um tremendo non sequitur!
Sério? Pra mim soa como algo muito sensato do ponto de vista evolutivo...
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Data da postagem: 19/01/2012, 09:49
Citação de: bylex em 19 de Janeiro de 2012, 12:49:56
Sério? Pra mim soa como algo muito sensato do ponto de vista evolutivo...
Talvez com a condição que trocar o "era mais vantajoso" por um "talvez, possivelmente, fosse mais vantajoso". Desta forma haveria a possibilidade do inverso, onde interpretar um vulto indistinto como um colaborador ou uma presa fosse igualmente vantajoso.
Citação de: sergiomgbr em 18 de Janeiro de 2012, 21:15:27A questão é queCitar
" Para um cro-magnon na savana, era mais vantajoso para sua sobrevivência interpretar um vulto indistinto como um predador ou um inimigo do que adotar uma postura cética ("não sei o que é esse vulto. Vou investigar..."
parece um tremendo non sequitur!
Sério? Pra mim soa como algo muito sensato do ponto de vista evolutivo...
Talvez com a condição que trocar o "era mais vantajoso" por um "talvez, possivelmente, fosse mais vantajoso". Desta forma haveria a possibilidade do inverso, onde interpretar um vulto indistinto como um colaborador ou uma presa fosse igualmente vantajoso.
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Data da postagem: 19/01/2012, 23:04
Citação de: sergiomgbr em 20 de Janeiro de 2012, 02:04:10
Sério? Pra mim soa como algo muito sensato do ponto de vista evolutivo...
Talvez com a condição que trocar o "era mais vantajoso" por um "talvez, possivelmente, fosse mais vantajoso". Desta forma haveria a possibilidade do inverso, onde interpretar um vulto indistinto como um colaborador ou uma presa fosse igualmente vantajoso.
Perfeito!
Citação de: bylex em 19 de Janeiro de 2012, 12:49:56Citação de: sergiomgbr em 18 de Janeiro de 2012, 21:15:27
A questão é queCitar
" Para um cro-magnon na savana, era mais vantajoso para sua sobrevivência interpretar um vulto indistinto como um predador ou um inimigo do que adotar uma postura cética ("não sei o que é esse vulto. Vou investigar..."
parece um tremendo non sequitur!
Sério? Pra mim soa como algo muito sensato do ponto de vista evolutivo...
Talvez com a condição que trocar o "era mais vantajoso" por um "talvez, possivelmente, fosse mais vantajoso". Desta forma haveria a possibilidade do inverso, onde interpretar um vulto indistinto como um colaborador ou uma presa fosse igualmente vantajoso.
Perfeito!
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Data da postagem: 20/01/2012, 05:03

Acho que há um tanto de "non sequitur" ou "cum hoc ergo propter hoc" no que se refere a essa "resposta não cética" nesse tipo de situação não necessariamente requerer tendências não-céticas de modo geral. Quando pode bem ser que (e parece ser mais o caso) que esse tipo de resposta seja instintiva, enquanto que para crenças a base é essencialmente outra, o que permitiria aos humanos terem ao mesmo tempo respostas instintivas em determinadas situações e analisar as coisas de maneira mais cética quando a situação é relativamente mais calma e não somos tomados pelos instintos.
De qualquer forma ainda faz sentido como analogia, de crenças como "instintos meméticos", em vez de genéticos. Muito provavelmente é mais vantajosa a tendência a transmitir e copiar cultura fielmente, em vez de ficar sempre reinventando a roda, analizando tudo, em vez de fazer o que foi heuristicamente comprovado ao longo das gerações. É algo que inclusive parece diferir entre nós e os chimpanzés.
De qualquer forma ainda faz sentido como analogia, de crenças como "instintos meméticos", em vez de genéticos. Muito provavelmente é mais vantajosa a tendência a transmitir e copiar cultura fielmente, em vez de ficar sempre reinventando a roda, analizando tudo, em vez de fazer o que foi heuristicamente comprovado ao longo das gerações. É algo que inclusive parece diferir entre nós e os chimpanzés.
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Data da postagem: 20/01/2012, 11:06
Citação de: gilberto em 13 de Dezembro de 2011, 09:43:45
Ola Gilberto,
Apenas um detalhe : sistemas físicos não executam operações lógicas (eles apenas executam operações), da mesma forma que nosso universo não é um universo lógico, mas sim coerente, o que o torna acessível a lógica que é uma criação da mente humana.
Abs
Felipe
Citação de: Cientista em 13 de Dezembro de 2011, 03:20:16Se não me engano, Leibnitz (e isso é impressionante e contraditório -- duplipensaria ele também?...) teria dito que "todo o pensamento pode ser reduzido a uma espécie de cálculo e até escrito num papel", algo assim. Vi isso em algum lugar há muito tempo e nunca mais achei a fonte. Talvez não tenha sido Leibnitz, mas foi o nome dele que ficou associado na minha memória.
Se você lembrar quem já tinha proposto a idéia da frase, me mande.
Acho que quem trabalhou com lógica formal e a própria filosofia geralmente estava tentando modelar o pensamento, mas antes não se tinha idéia dos sistemas físicos que pudessem realizar operações lógicas complexas.
Teve o começo da computação mecânica, como caixas registradoras, se não me engano Leibnitz ou Pascal foram um dos primeiros a tentar fazer uma, ou fizeram. Mas acho que a capacidade de imaginação deles era de que tais mecanismos serviriam somente para cálculos matemáticos, não sei se eles visualizavam ou especulavam em propor algo semelhante para a cognição em geral.
Agora se sairmos da ciência e formos para a ficção científica, é claro que cérebros mecânicos, elétricos, hidráulicos, etc, já foram imaginados. Mas mesmo para os grandes escritores de ficção a ciência cognitiva foi surpreendente. Assimov ficou admirado com o rápido avanço da IA, acho que nem a imaginação fértil dele supunha que aquilo era possível. Hoje nos parece banal, mas foi uma revolução e tanto.
Ola Gilberto,
Apenas um detalhe : sistemas físicos não executam operações lógicas (eles apenas executam operações), da mesma forma que nosso universo não é um universo lógico, mas sim coerente, o que o torna acessível a lógica que é uma criação da mente humana.
Abs
Felipe
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Data da postagem: 26/01/2012, 20:34

Citação de: Feliperj em 26 de Janeiro de 2012, 23:34:49
O que voce entende por 'coerente' meu caro Feliperj?
[...]
Apenas um detalhe : sistemas físicos não executam operações lógicas (eles apenas executam operações), da mesma forma que nosso universo não é um universo lógico, mas sim coerente, o que o torna acessível a lógica que é uma criação da mente humana.
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O que voce entende por 'coerente' meu caro Feliperj?
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Data da postagem: 27/01/2012, 05:39
Citação de: Geotecton em 27 de Janeiro de 2012, 08:39:31
Neste caso, que os acontecimentos do universo possuam "constância" e estejam relacionados entre si, de modo que, com o uso da lógica - que é uma criação da mente humana, e bem formalçizada - possamos entendê-los, produzir teorias, leis, etc.
Abs
Felipe
Citação de: Feliperj em 26 de Janeiro de 2012, 23:34:49[...]
Apenas um detalhe : sistemas físicos não executam operações lógicas (eles apenas executam operações), da mesma forma que nosso universo não é um universo lógico, mas sim coerente, o que o torna acessível a lógica que é uma criação da mente humana.
[...]
O que voce entende por 'coerente' meu caro Feliperj?
Neste caso, que os acontecimentos do universo possuam "constância" e estejam relacionados entre si, de modo que, com o uso da lógica - que é uma criação da mente humana, e bem formalçizada - possamos entendê-los, produzir teorias, leis, etc.
Abs
Felipe
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Data da postagem: 27/01/2012, 06:54