Clube Cético
Compro por 15% a mais que o vizinho e vendo por 800% a mais que ele. Lucro bem?
Autor: Donatello | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 13872 Comentários: 146
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Corrupção corporativa

A corrupção corporativa é uma parte integrante da construção do império, construção esta que se materializa através do investimento externo, das aquisições e da penetração no mercado. Não é um fator acidental ou isolado a constatação das discrepâncias entre o comportamento das corporações e os seus códigos de ética. Trata-se de um fator sistêmico, incorporado nas condições severamente competitivas da atual construção de impérios. À medida em que os mercados vão sendo absorvidos, verifica-se a redução da reserva de mão-de-obra e o declínio da capacidade de produção de recursos energéticos, surgindo como resultado disso, a intensificação da competitividade imperial e o aprofundamento da corrupção.



As reformas parciais não funcionam nem funcionarão nunca. O convênio anti-corrupção da OCDE entrou em vigor em 1999, mas não teve qualquer impacto. Mais da metade das multinacionais asseguram "desconhecer totalmente a legislação anti-corrupção nacional sobre a sua atividade no estrangeiro", (Financial Times, 9 de Outubro, 2006, página 15). A outra metade simplesmente "dá a volta às leis utilizando agentes e intermediários" (ibid.). Desta forma, apenas impedindo a construção dos estados imperiais, e terminando com a competição imperial e com a nova divisão do mundo, se poderão criar as fundações de um Mundo sem corrupção, sem pilhagem e sem exploração.


É o que considero como guerra econômica e que não se realiza apenas entre os estados e sim entre as nações que estes representam.
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Citação de: Mabumbo em 07 de Novembro de 2010, 10:31:34

Citação de: Agnóstico em 07 de Novembro de 2010, 09:34:19

E acredite, para quem trabalha com governos e empresas privadas, as empresas públicas desperdiçam MUITO MUITO mais do que as empresas privadas, sem contar os escândalos de corrupção que todos conhecemos.


Numa conversa dia desses, concluí que o principal problema do Estado não é a corrupção, mas a incompetência no trato com o dinheiro em suas mãos.


Exatamente o que penso, assim como já postei no tópico: ../forum/topic=23848.0.html
Acho que tratar o problema como corrupção distorce a realidade.
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Citação de: Adriano em 07 de Novembro de 2010, 13:47:57

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Corrupção corporativa

A corrupção corporativa é uma parte integrante da construção do império, construção esta que se materializa através do investimento externo, das aquisições e da penetração no mercado. Não é um fator acidental ou isolado a constatação das discrepâncias entre o comportamento das corporações e os seus códigos de ética. Trata-se de um fator sistêmico, incorporado nas condições severamente competitivas da atual construção de impérios. À medida em que os mercados vão sendo absorvidos, verifica-se a redução da reserva de mão-de-obra e o declínio da capacidade de produção de recursos energéticos, surgindo como resultado disso, a intensificação da competitividade imperial e o aprofundamento da corrupção.



As reformas parciais não funcionam nem funcionarão nunca. O convênio anti-corrupção da OCDE entrou em vigor em 1999, mas não teve qualquer impacto. Mais da metade das multinacionais asseguram "desconhecer totalmente a legislação anti-corrupção nacional sobre a sua atividade no estrangeiro", (Financial Times, 9 de Outubro, 2006, página 15). A outra metade simplesmente "dá a volta às leis utilizando agentes e intermediários" (ibid.). Desta forma, apenas impedindo a construção dos estados imperiais, e terminando com a competição imperial e com a nova divisão do mundo, se poderão criar as fundações de um Mundo sem corrupção, sem pilhagem e sem exploração.


É o que considero como guerra econômica e que não se realiza apenas entre os estados e sim entre as nações que estes representam.


Visão limitada do fenômeno levam à soluções limitadas.
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O preço do carro daqui é um absurdo, no MX e Chile se compra uma BMW pelo preço de um vectra. Porque?? Impostos.
ELetrônicos é um absurdo. Porque?? Impostos. Roupas, tudo.
Contratar uma pessoa CLT é super caro¹, porque?? Impostos.


Mas é isso, é esse simplismo, perdoe-me a palavra, religioso que me deixa fulo Agnóstico, veja:
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O PlayStation 3 chegou ao Brasil por R$ 2 mil, depois de um espera de quatro anos. Nos EUA, o mesmo equipamento sai a US$ 300, ou cerca de R$ 510. Neste caso, os tributos não chegam a quatro vezes o valor do produto. São de cerca de 70%.

Pesquisa do Movimento Brasil Eficiente indica que, enquanto um Toyota Corolla XEI 2.0 custa R$ 75 mil no Brasil, sai a R$ 58.740 na África do Sul, R$ 33.782 no Japão e R$ 32.797 nos EUA. O grupo garante que a chave do problema está na alta carga tributária. Mas ela sozinha não explica diferenças.


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Seguindo esse critério, que não leva em conta promoções, é que o estudo chegou à média de US$ 45 mensais. Em Honduras, na vice-liderança, o valor chega a US$ 25,70. Em relação ao México e à Argentina, o Brasil tem custo 55% maior, onde o preço é de US$ 19,90 e US$ 19,40, respectivamente. No Paraguai, o mesmo pacote sai por US$ 6,40.


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o fato aqui do lado na Argentina os pacotes de TV por assinatura custarem menos da metade que os nossos


Eu já disse que matemática não é meu forte, talvez também não seja o da jornalista cujas ressalvas foram negritadas, então faça os cálculos pra mim, please, Agnóstico e me explique donde sai este "Por quê?? Impostos." (que não é só seu, que é de quase todo mundo por aquí e por aí) tão enfático para explicar diferenças de 100, 200, 800% no preço de produtos cujos tributos incidentes são 10, 15, 30% mais altos?

Na Noruega (eu sei, na Noruega é outra estória, é tudo de bom, os impostos são bem aplicados, a socialdemocracia está no poder há décadas e conseguiu implantar um estado cheio de impostos que funciona tão bem que é o melhor do mundo e não pode ser comparada com o Brasil mas estamos falando do impacto que a alta carga tributária produz nos preços então a comparação é válida), na Noruega, cuja carga tributária é uns 10% superior à nossa o Nintendo Wii também custa meros 459 reais* (aqui custa 700 se for contrabandeado ou 1000 em grandes lojas).

Na Dinamarca (sei que a Dinamarca também é outra história mas o assunto aqui continua sendo a relação carga tributária X preços) cuja carga tributária é ainda maior que a norueguesa (48% em média) e cujo salário mínimo é apenas 6 vezes maior que o nosso² (todo mundo lembra das diferenças de impostos mas ninguém lembra de diferença de remuneração, parece-me que o salário pago aos funcionários não tem qualquer impacto nos preços) os preços quase empatam: a LED de 42 (um modelo Panasonic) mais barata que encontrei num shopping online danês tava 2.500*, a mais barata no Ponto Frio online (um modelo LG): 2.900; Já o PS3 120GB custa 700 reais lá* (1300 por aqui). É óbvio que os impostos não são a primeira explicação, é óbvio que não é tão Por quê?? Impostos, Agnóstico.

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A TIM e a OI saíram de prejuízos monstruosos recentes. A OI só se livrou por causa do bom e velho BNDS.


Não pesquei qual é o ponto: que conseguem ter prejuízo mesmo cobrando tarifas absurdas em relação às suas irmãs subsidiárias de outros países e suas matrizes? Talvez seja hora das matrizes mudarem os executivos das filiais daqui.
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Falar que o problema é que o Brasil arrecada pouco e tenta dar serviço de primeira dando como exemplo a UERJ é bizarro. Não que não seja tudo o que você disse, de fato não a conheço, mas se for tudo o que você disse é uma ilha frente a um mar de ineficiência, roubo e desperdício.


Você que é tão viajado e que mora mais fora do Brasil que aqui nessa pocilga talvez tenha informações diferentes pra me dar... Nos EUA aspirina, bromoprida, atenolol, camisinha, magnesia bisurada e outros medicamentos básicos são distribuidos farta e gratuitamente em farmácias públicas Agnóstico? Nos EUA você consegue remédios de 4.000 reais gratuitamente do estado seja qual for a gravidade da sua doença? Nos EUA alguma universidade é gratuita? É simples encontrar ensino básico gratuito? Nos EUA quantas clínicas integralmente gratuitas bancadas pelo estado existem em média por cada 1.000.000 de habitantes?

Eu não estou dizendo que nada disso que o nosso Estado oferece tem a qualidade dos meus sonhos, é exatamente o que eu disse que não tem. Mas estes tipos de serviço custam verbas, muita verba. Sim, custam mais do que deviam por causa dos desvios dos políticos, custam mais do que deviam por causa dos superfaturamentos, custam mais do que deviam por causa dos esquemas de horário dos funcionários públicos, custam mais do que deviam pelo fato de que tanta gente não contribui mas que recebe os tais benefícios (não estou falando das que são isentas, como os pobres diabos do bolsa-família mas do pessoal que sonega e que ainda assim tem seus filhos estudando em universidades públicas ou ainda assim recebe empréstimos facilitados dos bancos estatais), tudo ok, foi exatamente o que eu disse. Mas ainda aissim são serviços que o Brasil presta e que dependem de uma carga tributária elevada porque por ruins que sejam ainda são custosos e universais. Ainda assim é tentar prestar serviços de Noruega sem eficácia..

O problema então não está na carga tributária: está na corrupção dos políticos, dos empresários que lidam com o governo, de nós funcionários públicos, está na alta taxa de sonegação, etc.

Se a carga tributária fosse reduzida ainda assim o Estado brasileiro continuaria tentando dar escola gratuita, coquetel anti aids gratuito, universidade gratuita, quimioterapia gratuita, posto de saúde gratuito, bandejão gratuito... a popçulação continuaria achando que estas coisas são dever mínimo do estado... e se os outros aspectos, estes sim relevantes, não fosse modificados a eficácia do serviço seria apenas cada vez pior. Você pode dizer que querer um Brasil em que empresários não inchem seus preços (ainda mais) ao venderem pro Estado, em que políticos não façam acordos à luzes apagadas com estes empresários, em que os funcionários públicos contratados para trabalhar 40 horas semanais estejam em seus postos de trabalho 40 horas por semana, em que pequenos empresários assinem a carteira de seus funcionários é utópico.

Esperar um Brail com menos impostos também é. Mas atirar na carga tributária é errar a mira.

¹Ohhhh!
Realy?

² Pra quem reclama do custo de um celetista brasileiro, quanto será que custa um "celetista" dinamarquês, Agnóstico? Tá me dando até pena do empresariado escandinavo agora. Vida difícil, ó dó

* Preços pesquisados pela internet em sites de grandes lojas de eletrônicos norueguesas e dinamaquesas como http://www.gamestop.dk/ps3.asp e http://www.expert.dk/da/TvVideo/LED%20TV.aspx
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Realmente, esse negócio de que tudo no Brasil é mais caro por causa de impostos não cheira bem... até parece que todas as empresas pagam todos os impostos em dia e não sonegam nada. A carga tributária é alta, mas a sonegação é maior ainda, então jogar as culpas nos altos impostos para tudo é bem furado.

Além disso, há outros fatores a considerar. Afinal, se em países desenvolvidos a carga tributária é menor (e nem sempre é, aliás, quase nunca é), o custo de um empregado é muito maior. Ou será que um funcionário europeu ou americano ganha o mesmo que um brasileiro, mesmo com todos os encargos?

No final eu tendo a achar que o problema do Brasil está mesmo na corrupção e na ganância pura e simples, margens de lucro exorbitantes (Ok, não em todas as áreas, mas em muitas delas).

Os exemplos citados pelo Donatello são bons, não vejo justificativa para telefonia e TV a cabo serem tão caras no Brasil. Idem para os carros. Idem para juros bancários e de cartão de crédito. Justificar isso só pela carga tributária não fecha de jeito nenhum.
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Está havendo confusão quando se compara com outros países, em particular os europeus nórdicos. Lá a tributação é muito alta sobre a renda e pouca sobre o consumo e quase nada sobre a produção. E a base de contribuintes é muito larga, quase não havendo exceções.

No Brasil a tributação é pesada sobre a renda, sobre o consumo e sobre a produção, mas com forte assimetria na base de contribuintes, pois há muitas exceções ("isentos" e "casos especiais").

Nos casos da energia elétrica e da telefonia os impostos e as taxas representam mais de 45,00% do valor final dos serviços. Só de ICMS são cerca de 29,00%.

No caso do cigarro a tributação chega a mais de 70,00%.

No caso dos automóveis os impostos beiram os 48,00%.

Então há casos e casos, incluindo aqueles em que há um lucro "estratosférico".
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Citação de: Geotecton em 07 de Novembro de 2010, 17:53:32

Está havendo confusão quando se compara com outros países, em particular os europeus nórdicos. Lá a tributação é muito alta sobre a renda e pouca sobre o consumo e quase nada sobre a produção. E a base de contribuintes é muito larga, quase não havendo exceções.

No Brasil a tributação é pesada sobre a renda, sobre o consumo e sobre a produção, mas com forte assimetria na base de contribuintes, pois há muitas exceções ("isentos" e "casos especiais").

Nos casos da energia elétrica e da telefonia os impostos e as taxas representam mais de 45,00% do valor final dos serviços. Só de ICMS são cerca de 29,00%.

No caso do cigarro a tributação chega a mais de 70,00%.

No caso dos automóveis os impostos beiram os 48,00%.

Então há casos e casos, incluindo aqueles em que há um lucro "estratosférico".


Sim, ok, real, falha minha (inclusive me ocorreu tal falha quando já tinha escrito o post): mas mesmo com a diferença de foco na tributação (isso não significa que não haja tributação sobre o empresariado até porque os empresários lá também têm sua renda tributada -mais tributada que o cidadão comum, por serem em geral mais ricos - então a diferença de foco nem faz tanta diferença. A diferença é que ao invés de ser tributado no ato da negociação vai ser tributado no final do ano em função do volume de negociações que executou, o que é meio como trocar 6 por 12/2 )

Mas de fato existe e de fato pode interferir em alguns preços, de qualquer modo a diferença de 10%, 20%, 30% nas tributações diretas sobre o consumo a mais não justifica nem de perto o grosso da diferença de 100%, 200%, 300% a mais nos preços.

Imposto de 70% sobre cigarro é exceção e não citei cigarro em qualquer comparação; os impostos sobre o Play são maiores por se tratar de produto importado (não sei o quanto os impostos de alfêndega daqui são maiores que os escandinavos [que por serem países de doutrina econômica de esquerda também não devem cobrar lá uma pechincha por este tipo de negociação] mas certo que não chegam a justificar preços 2 vezes maiores) .

Aliás, quando se diz que se está havendo confusão por conta da assimetria é bom lembrar que esta assimetria também acontece em relação ao empresariado com os Simples e Supersimples da vida, o que não foi citado até agora e que revela mais um hábito de quem critica o nosso volume de impostos que é nivelar por alto: digo, cita-se todos os impostos da planilha tributaria mas são muito poucos mesmo dentre os legalizados e honestos que são obrigados a pagar todos os impostos da planilha tributária.
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Citação de: Donatello van Dijck em 07 de Novembro de 2010, 18:13:52

[...]
Aliás, quando se diz que se está havendo confusão por conta da assimetria é bom lembrar que esta assimetria também acontece em relação ao empresariado com os Simples e Supersimples da vida, o que não foi citado até agora e que revela mais um hábito de quem critica o nosso volume de impostos que é nivelar por alto: digo, cita-se todos os impostos da planilha tributaria mas são muito poucos mesmo dentre os legalizados e honestos que são obrigados a pagar todos os impostos da planilha tributária.


Estou de saída e por isto eu respondo melhor depois. Mas quero fazer um rápido comentário em três pontos.

Primeiro. O atual Simples Nacional é um dos "casos especiais" e ele é o ápice de uma política de incentivo que começou com o governo de FHC. Com esta política é que houve um tremendo aumento no número de empreendimentos formais e quem ganhou com isto foi o Estado brasileiro e a sociedade.

Segundo. A tributação para a maioria das empresas é baseada no faturamento e não no resultado operacional, o que é um absurdo.

Terceiro. As empresas pagam os impostos em função da natureza de suas atividades e de seu valor de faturamento. Por exemplo: Empresas de serviços não pagam ICMS porque não atuam no comércio e empresas de comércio não pagam ISS, pois não prestam serviço. Então, eu acho um equívoco fazer um juízo moral baseado em uma generalização que é incorreta ("honestos = aqueles que pagam todos os impostos da planilha").
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Também estou de saída, mas eu não falei isso: Citar

("honestos = aqueles que pagam todos os impostos da planilha")




Com certeza fui mal compreendido neste ponto me explico e comento os outros pontos.
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