
Clube Cético
Compro por 15% a mais que o vizinho e vendo por 800% a mais que ele. Lucro bem?
Autor: Donatello | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 13872 Comentários: 146

Citação de: Celular de cartão no Brasil é o mais caro do mundo
Engraçado que a própria matéria (na continuação do texto) e também uma pá de leitores justificam a absurda diferença (8 vezes maior que Paraguai!!) no já mais que espancado bode espiatório da alta carga tributária (o que também me deixa puto é que ninguém lembra da absurda taxa de sonegação tributária do país quando lembra das altas taxas, todo mundo fala indignado dos altos impostos como se pagássemos de fato os altos impostos que nos são cobrados, o que não vem ao caso agora) mas será mesmo que 5, 12, 15, 20 por cento a mais de impostos em comparação a outros países justifica 1600, 800, 700, 100 por cento a mais nos preços cobrados pelas empresas de telefonia? Que cálculo mágico é esse porque eu sempre soube que matemática não é o meu forte mas não acredito que possa ser tanto o meu fraco.
Outros comentaristas ainda lembraram, em defesa das empresas, que a disseminação e a popularização dos serviços telefônicos só veio após a privatização. Falsa relação de causa e efeito: antes da metade da década de 90 os serviços telefônicos eram caros e escassos em quase todo o planeta. Foi nesta época que novas tecnologias de telefonia fixa e móvel começaram a pipocar e fazer a popularização do serviço no mundo todo então a correlação "por pior que esteja é melhor do que quando estava nas mãos do Estado" não faz o menor sentido.
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Citação de: Post-scriptum
RIO - Com mais de 151 milhões de linhas em uso, os celulares pré-pagos ostentam os preços mais altos do mundo. Gasta-se no Brasil US$ 45 por mês, em média, valor 75% maior que o de Honduras, nação que ocupa a segunda posição no ranking das tarifas mais elevadas, e oito vezes superior ao do Paraguai (18º lugar, de um total de 20 países). Os dados fazem parte de um estudo do Diálogo Regional sobre Sociedade da Informação (DIRSI), uma rede de pesquisas sobre o setor de telecomunicações na América Latina, que foi desenvolvido pelo economista Hernan Galperin, da Universidade de San Andrés, em Buenos Aires.
Para chegar aos valores, o economista se baseou na cesta de baixa renda de telefonia criada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nessa cesta, estão incluídas 30 ligações variadas (local e de longa distância) de dois minutos e o envio de 33 mensagens de texto por mês. Seguindo esse critério, que não leva em conta promoções, é que o estudo chegou à média de US$ 45 mensais. Em Honduras, na vice-liderança, o valor chega a US$ 25,70. Em relação ao México e à Argentina, o Brasil tem custo 55% maior, onde o preço é de US$ 19,90 e US$ 19,40, respectivamente. No Paraguai, o mesmo pacote sai por US$ 6,40.
O levantamento aponta ainda que na América Latina o custo médio da cesta de ligações chega a US$ 24, o dobro do verificado nos países membros da OCDE, como as nações da Europa e os Estados Unidos. O valor é ainda o triplo quando se compara com os preços praticados na Ásia.
Continua em O Globo
Engraçado que a própria matéria (na continuação do texto) e também uma pá de leitores justificam a absurda diferença (8 vezes maior que Paraguai!!) no já mais que espancado bode espiatório da alta carga tributária (o que também me deixa puto é que ninguém lembra da absurda taxa de sonegação tributária do país quando lembra das altas taxas, todo mundo fala indignado dos altos impostos como se pagássemos de fato os altos impostos que nos são cobrados, o que não vem ao caso agora) mas será mesmo que 5, 12, 15, 20 por cento a mais de impostos em comparação a outros países justifica 1600, 800, 700, 100 por cento a mais nos preços cobrados pelas empresas de telefonia? Que cálculo mágico é esse porque eu sempre soube que matemática não é o meu forte mas não acredito que possa ser tanto o meu fraco.
Outros comentaristas ainda lembraram, em defesa das empresas, que a disseminação e a popularização dos serviços telefônicos só veio após a privatização. Falsa relação de causa e efeito: antes da metade da década de 90 os serviços telefônicos eram caros e escassos em quase todo o planeta. Foi nesta época que novas tecnologias de telefonia fixa e móvel começaram a pipocar e fazer a popularização do serviço no mundo todo então a correlação "por pior que esteja é melhor do que quando estava nas mãos do Estado" não faz o menor sentido.
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Citação de: Post-scriptum
Pesquisando melhor sobre o assunto encontrei que a diferença entra as cargas tributárias de outros países latinoamericanos e a nossa não são tão pequenas quanto eu pensava. Em alguns deles chega a 300 por cento a mais. O que não altera substancialmente meu ponto já quer a diferença no preço permanece de qualquer modo muito maior do que a alegada diferença nos tributos.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090519_cepal_mc_ac.shtml
http://opiniaoenoticia.com.br/internacional/suecia-e-dinamarca-tem-a-carga-tributaria-mais-alta-entre-ricos/
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Data da postagem: 04/07/2010, 05:46

Bom, eu reclamo dos impostos altos basicamente por duas razões:
1 - Sou consumidor final, e não empresário. Uma parte substancial do que gasto vai para o governo; sem falar no Imposto de Renda e nos descontos de INSS mensais que vêm no contracheque;
2 - O gasto administrativo em todos os níveis dos 3 Poderes é absurdo, e sangra boa parte desses impostos, para não falar dos desvios ilegais e obras públicas faraônicas que nunca terminam. Eu me importaria muito menos com a carga tributária se os serviços prestados fossem bons.
Aparte disso, eu concordo que as empresas privadas são bem espertinhas, preferindo chorar por causa do governo malvadão em vez de oferecer serviço de qualidade. Para não dizer que o próprio conceito de capitalismo aqui no Brasil é uma piada: não há concorrência de verdade e os Serviços de Atendimento ao Cliente são ridículos.
1 - Sou consumidor final, e não empresário. Uma parte substancial do que gasto vai para o governo; sem falar no Imposto de Renda e nos descontos de INSS mensais que vêm no contracheque;
2 - O gasto administrativo em todos os níveis dos 3 Poderes é absurdo, e sangra boa parte desses impostos, para não falar dos desvios ilegais e obras públicas faraônicas que nunca terminam. Eu me importaria muito menos com a carga tributária se os serviços prestados fossem bons.
Aparte disso, eu concordo que as empresas privadas são bem espertinhas, preferindo chorar por causa do governo malvadão em vez de oferecer serviço de qualidade. Para não dizer que o próprio conceito de capitalismo aqui no Brasil é uma piada: não há concorrência de verdade e os Serviços de Atendimento ao Cliente são ridículos.
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Data da postagem: 04/07/2010, 06:18

Caros Donatello van dijck e Dbohr
O serviço de telefonia no Brasil é caro pelos motivos que voces apontaram:
1) Impostos elevadíssimos. Só o ICMS, por exemplo, equivale a 29,00% do valor final pago pelo consumidor.
2) Lucro abusivo dos empresários. O setor tem ganhos excepcionais usando de artifícios sob total conivência do Estado. Cobram, por exemplo, a absurda taxa de "assinatura básica" na telefonia fixa e sua equivalente travestida de "pacote X ou Y" na telefonia móvel pós-paga. Sem contar o valor obsceno dos "créditos" na telefonia móvel pré-paga.
Em 2.008 havia mais de 40 milhões de telefones fixos no país que multiplicados pelo valor da "assinatura básica" de R$ 42,00 resulta em uma receita fixa mínima de R$ 1,68 bilhões de reais. Ou seja, se ninguém usasse nenhum aparelho neste país, ainda assim as companhias teriam uma receita de quase R$ 1,7 bilhões por mês (US$ 1 bilhão). É muito bom ser grande empresário, amigo do Estado, não?
Mas há um outro responsável por estes preços, que é o consumidor final pessoa física, na medida que este não utiliza o serviço de maneira responsável, parcimoniosa. Fico estarrecido em ver pessoas com orçamentos muito limitados trocando de aparelhos a cada 4 a 6 meses, equipamentos estes que são dotados de recursos que jamais serão utilizados, ou pelo menos não o serão de forma produtiva. Assim gasta-se tempo e dinheiro com bobagens como mensagens, jogos, acessos desnecessários à Internet, etc.
O serviço de telefonia no Brasil é caro pelos motivos que voces apontaram:
1) Impostos elevadíssimos. Só o ICMS, por exemplo, equivale a 29,00% do valor final pago pelo consumidor.
2) Lucro abusivo dos empresários. O setor tem ganhos excepcionais usando de artifícios sob total conivência do Estado. Cobram, por exemplo, a absurda taxa de "assinatura básica" na telefonia fixa e sua equivalente travestida de "pacote X ou Y" na telefonia móvel pós-paga. Sem contar o valor obsceno dos "créditos" na telefonia móvel pré-paga.
Em 2.008 havia mais de 40 milhões de telefones fixos no país que multiplicados pelo valor da "assinatura básica" de R$ 42,00 resulta em uma receita fixa mínima de R$ 1,68 bilhões de reais. Ou seja, se ninguém usasse nenhum aparelho neste país, ainda assim as companhias teriam uma receita de quase R$ 1,7 bilhões por mês (US$ 1 bilhão). É muito bom ser grande empresário, amigo do Estado, não?
Mas há um outro responsável por estes preços, que é o consumidor final pessoa física, na medida que este não utiliza o serviço de maneira responsável, parcimoniosa. Fico estarrecido em ver pessoas com orçamentos muito limitados trocando de aparelhos a cada 4 a 6 meses, equipamentos estes que são dotados de recursos que jamais serão utilizados, ou pelo menos não o serão de forma produtiva. Assim gasta-se tempo e dinheiro com bobagens como mensagens, jogos, acessos desnecessários à Internet, etc.
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Data da postagem: 04/07/2010, 07:09

Pagar por ringtone é uma das coisas mais ridículas que a pessoa pode fazer....
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Data da postagem: 04/07/2010, 17:30

Citação de: Dbohr em 04 de Julho de 2010, 10:18:03
Uma parte substancial (em torno de 100%) do que recebemos também vem dos impostos, né DBohr (somos funcionários públicos, não é?)?
Eu não sei se o Brasil oferece tão pouco em relação ao arrecadado. Diz a frase feita que aquí cobra-se imposto de primeiro mundo e se oferece serviço de terceiro. Não me parece tão simples, posso estar sendo míope ou talvez minha óbvia ignorância sobre as peculiaridades da relação tributoXserviços de outros países (tudo que sei sobre as políticas tributárias/sociais de outros países é de muito ler e de às vezes ouvir falar) me traia, mas me parece que o real problema é que o Estado Brasileiro não arrecada como primeiro mundo mas tenta oferecer serviços como se arrecadasse.
A universidade em que você trabalha (você trabalha na UERJ, não é?) e em que eu perdi alguns anos da minha vida é uma das melhores rankeadas da América Latina e oferece ensino gratuito para cerca de 5000 indivíduos além de bolsas para os mais pobres e et cetera e tals. Iguais a ela são algumas centenas espalhadas pelo país inclusive 7 das 10 melhores da América Latina. São todas integralmente gratuitas e o que não falta é estudante achando que é pouco e que até a alimentação tem que ser doada (ou financiada quase integralmente) pelo Estado por conta dos impostos pagos (nesta hora todo mundo lembra que impostos existem) pelos pais, para todos os estudantes, independente da condição socioeconômica deles (por mais "de esquerda" que eu tente ser nunca entendi como se sustenta o "direito" universal ao bandejão universitário alegado pelos CAs da vida).
O nosso sistema de saúde, por mais deficiente que seja é gratuíto até o fundo da alma, até medicamentos de última geração para doenças crônicas custando milhares de reais o frasco são distribuídos gratuitamente pelo SUS.
É claro que há muito desvio, é claro que há muita corrupção no setor público (em todos os níveis), é claro que há muita utilização incorreta de verbas (mesmo que não fraudulenta). Mas o cenário que vejo é mais ou menos esse:
Noruega: impostos cobrados são altíssimos, impostos recolhidos são equivalentes aos cobrados, serviços públicos prestados são universais e de excelente qualidade.
Estados Unidos: impostos cobrados são baixíssimos, impostos recolhidos são equivalentes aos cobrados, serviços públicos (no sentido brasileiro de público=gratuito) prestados são o básico do básico do extremamente básico.
Brasil: cobra impostos de Noruega, recolhe impostos de EUA (sonegação epidêmica mais economia informal montruosa que anula o fator "carga tributária") e tenta oferecer serviços de Suécia (educação gratuita em todos os estágios e universal, saúde gratuita e universal inclusive medicação, etc). Não sai perfeito, é claro.
Bom, eu reclamo dos impostos altos basicamente por duas razões:
1 - Sou consumidor final, e não empresário. Uma parte substancial do que gasto vai para o governo; sem falar no Imposto de Renda e nos descontos de INSS mensais que vêm no contracheque;
2 - O gasto administrativo em todos os níveis dos 3 Poderes é absurdo, e sangra boa parte desses impostos, para não falar dos desvios ilegais e obras públicas faraônicas que nunca terminam. Eu me importaria muito menos com a carga tributária se os serviços prestados fossem bons.
A parte disso, eu concordo que as empresas privadas são bem espertinhas, preferindo chorar por causa do governo malvadão em vez de oferecer serviço de qualidade. Para não dizer que o próprio conceito de capitalismo aqui no Brasil é uma piada: não há concorrência de verdade e os Serviços de Atendimento ao Cliente são ridículos.
Uma parte substancial (em torno de 100%) do que recebemos também vem dos impostos, né DBohr (somos funcionários públicos, não é?)?
Eu não sei se o Brasil oferece tão pouco em relação ao arrecadado. Diz a frase feita que aquí cobra-se imposto de primeiro mundo e se oferece serviço de terceiro. Não me parece tão simples, posso estar sendo míope ou talvez minha óbvia ignorância sobre as peculiaridades da relação tributoXserviços de outros países (tudo que sei sobre as políticas tributárias/sociais de outros países é de muito ler e de às vezes ouvir falar) me traia, mas me parece que o real problema é que o Estado Brasileiro não arrecada como primeiro mundo mas tenta oferecer serviços como se arrecadasse.
A universidade em que você trabalha (você trabalha na UERJ, não é?) e em que eu perdi alguns anos da minha vida é uma das melhores rankeadas da América Latina e oferece ensino gratuito para cerca de 5000 indivíduos além de bolsas para os mais pobres e et cetera e tals. Iguais a ela são algumas centenas espalhadas pelo país inclusive 7 das 10 melhores da América Latina. São todas integralmente gratuitas e o que não falta é estudante achando que é pouco e que até a alimentação tem que ser doada (ou financiada quase integralmente) pelo Estado por conta dos impostos pagos (nesta hora todo mundo lembra que impostos existem) pelos pais, para todos os estudantes, independente da condição socioeconômica deles (por mais "de esquerda" que eu tente ser nunca entendi como se sustenta o "direito" universal ao bandejão universitário alegado pelos CAs da vida).
O nosso sistema de saúde, por mais deficiente que seja é gratuíto até o fundo da alma, até medicamentos de última geração para doenças crônicas custando milhares de reais o frasco são distribuídos gratuitamente pelo SUS.
É claro que há muito desvio, é claro que há muita corrupção no setor público (em todos os níveis), é claro que há muita utilização incorreta de verbas (mesmo que não fraudulenta). Mas o cenário que vejo é mais ou menos esse:
Noruega: impostos cobrados são altíssimos, impostos recolhidos são equivalentes aos cobrados, serviços públicos prestados são universais e de excelente qualidade.
Estados Unidos: impostos cobrados são baixíssimos, impostos recolhidos são equivalentes aos cobrados, serviços públicos (no sentido brasileiro de público=gratuito) prestados são o básico do básico do extremamente básico.
Brasil: cobra impostos de Noruega, recolhe impostos de EUA (sonegação epidêmica mais economia informal montruosa que anula o fator "carga tributária") e tenta oferecer serviços de Suécia (educação gratuita em todos os estágios e universal, saúde gratuita e universal inclusive medicação, etc). Não sai perfeito, é claro.
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Data da postagem: 06/07/2010, 12:14

Eu estudei na UERJ, mas trabalho em outro lugar como funcionário público 
De resto, eu concordo mais ou menos com sua análise; mas não tenho números para fundamentar a minha opinião. Suspeito que seja algo como o que você apontou, pelo volume de impostos recolhidos (que pode nem ser tanto quanto deveria arrecadar, mas ainda é um grande bocado) e pela qualidade de serviços oferecidos.
Quanto ao funcionarismo público, eu me referia muito mais aos servidores do Congresso e do Judiciário do que a pobres-diabos como nós
De resto, eu concordo mais ou menos com sua análise; mas não tenho números para fundamentar a minha opinião. Suspeito que seja algo como o que você apontou, pelo volume de impostos recolhidos (que pode nem ser tanto quanto deveria arrecadar, mas ainda é um grande bocado) e pela qualidade de serviços oferecidos.
Quanto ao funcionarismo público, eu me referia muito mais aos servidores do Congresso e do Judiciário do que a pobres-diabos como nós
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Data da postagem: 06/07/2010, 12:35

Citar
Achei esta matéria (também de O Globo Online, como a que abriu o tópico) muito interessante pela novidade de a jornalista não cair na cartilha decorada que culpa apenas os impostos (ainda que dê a eles um valor maior do que eu enxergo) pela diferença apresentada no título. Me enche o saco ler matérias sobre a diferença do valor do iPod ou do iMac ou do BigMac ou ziltcera apresentando como única e suficiente causa a carga tributária do país. Me torra ler tópicos aqui mesmo sobre o assunto e ver que esta explicação simplista e obviamente furada para diferenças tão brutais nos preços seduz até aos mais céticos.
Exemplo: esta semana agora resolvi ligar para a Embratel para pela primeira vez renegociar o valor do meu pacote da Via, faltava ainda 2 meses para completar 1 ano (quando terminava o contrato de fidelidade) mas eu não aguentei esperar depois de ver que a OI estava cobrando 75 reais por um pacote com mais que o dobro de canais (inclusive todos os HBO) que o meu pelo qual eu pagava 80 (e só tinha os MAX). Resultado: liguei blefando um pedido de cancelamento e recebi um desconto de 30 reais, passei a pagar 70 reais por um pacote pelo qual eles cobram 100, foi tão fácil a negociação que tenho certeza de que se endurecesse o tom ganhava 50% de desconto mole e eles ainda iam sair com um sorrizão.
Óóóóóbvio que se a margem de lucro não fosse absurda tais "descontos" não seriam possíveis (e igualmente óbvio que se os hipotéticos 30 e poucos por cento de impostos tivessem um impacto tão grande na formação dos preços como alguns gostamos de acreditar o desconto que recebi seria menos possível ainda).
Mas amanhã sai uma matéria sobre o fato aqui do lado na Argentina os pacotes de TV por assinatura custarem menos da metade que os nossos, e me aparece um monte apontando a carga tributária elevada como grande vilã com direito a algum excelente artigo do Rodrigo Constantino para ilustrar.
Aposto um beijo.
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/11/06/produtos-no-brasil-custam-ate-seis-vezes-mais-do-que-no-exterior-922964292.asp
Produtos no Brasil custam até seis vezes mais do que no exterior
RIO - O Brasil é um país cada vez mais caro. Produtos simples podem custar nas lojas brasileiras mais de seis vezes o que saem seus similares no exterior, caso de uma bomba para retirar leite materno, mostra reportagem de Vivian Oswald e Martha Beck, publicada neste domingo pelo jornal O GLOBO.
O PlayStation 3 chegou ao Brasil por R$ 2 mil, depois de um espera de quatro anos. Nos EUA, o mesmo equipamento sai a US$ 300, ou cerca de R$ 510. Neste caso, os tributos não chegam a quatro vezes o valor do produto. São de cerca de 70%.
Pesquisa do Movimento Brasil Eficiente indica que, enquanto um Toyota Corolla XEI 2.0 custa R$ 75 mil no Brasil, sai a R$ 58.740 na África do Sul, R$ 33.782 no Japão e R$ 32.797 nos EUA. O grupo garante que a chave do problema está na alta carga tributária. Mas ela sozinha não explica diferenças.
Especialistas afirmam que uma conjunção perversa de fatores contribui para essa distorção, da carga tributária elevada às margens de lucro exorbitantes, mas também têm forte caráter cultural. Para baixar custos, a saída de muitos brasileiros tem sido ir comprar lá fora.
Pesam também o mercado consumidor ainda em desenvolvimento, a abertura recente da economia, a falta de referência de preços e a crença de que importados são produtos de luxo e de melhor qualidade e, por isso, naturalmente mais caros
A brasiliense Cristina Madeira é apenas uma das dezenas de mães recentes que optaram por montar os enxovais de seus filhos fora do Brasil:
- Comprei no exterior, porque a qualidade dos produtos é melhor e os preços, muito menores. Comprei carrinho, roupas, cadeirinha para o carro e bebê conforto. Tudo o que trouxe para o Rafael, que vai fazer um ano agora, vai dar nele até os dois anos.
Cristina gastou R$ 5 mil com as compras. No Brasil, só o carrinho de bebê sairia a R$ 2.500.
- Há alguma coisa muito errada quando vale a pena a pessoa tomar um voo de nove horas para fazer compras no país mais rico do mundo para economizar. Para ter uma moeda forte, o país precisa passar por profundas reformas e investir em infraestrutura - avalia o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, cujo setor sofreu com a competição dos importados, mas vem se ajustando.
Os brasileiros estão sujeitos à cota de US$ 500 para passar com suas compras na aduana. Mas muitos consideram que vale a pena pagar o imposto de 50% sobre o que extrapolar.
As operadoras de turismo já identificaram o novo nicho e planejam criar roteiros de compras dedicados às jovens mães em seus pacotes aos Estados Unidos. O consumo já está em alguns roteiros. A CVC, por exemplo, lançou há um ano o pacote "Compras em Buenos Aires" e acaba de incluir na rota de Las Vegas um périplo por outlets com os quais fez acordos para garantir bons descontos aos clientes.
Para agradar os consumidores as empresas vão ter de diminuir as suas margens de lucro. Especialistas afirmam que está começando a mudar a cultura no Brasil de que as empresas podem ter margem de 100%, enquanto em países como os Estados Unidos, as empresas aplicam margens de 5% a 10%.
Leia a íntegra desta reportagem na edição deste domingo do Globo Digital (apenas para assinantes)
Achei esta matéria (também de O Globo Online, como a que abriu o tópico) muito interessante pela novidade de a jornalista não cair na cartilha decorada que culpa apenas os impostos (ainda que dê a eles um valor maior do que eu enxergo) pela diferença apresentada no título. Me enche o saco ler matérias sobre a diferença do valor do iPod ou do iMac ou do BigMac ou ziltcera apresentando como única e suficiente causa a carga tributária do país. Me torra ler tópicos aqui mesmo sobre o assunto e ver que esta explicação simplista e obviamente furada para diferenças tão brutais nos preços seduz até aos mais céticos.
Exemplo: esta semana agora resolvi ligar para a Embratel para pela primeira vez renegociar o valor do meu pacote da Via, faltava ainda 2 meses para completar 1 ano (quando terminava o contrato de fidelidade) mas eu não aguentei esperar depois de ver que a OI estava cobrando 75 reais por um pacote com mais que o dobro de canais (inclusive todos os HBO) que o meu pelo qual eu pagava 80 (e só tinha os MAX). Resultado: liguei blefando um pedido de cancelamento e recebi um desconto de 30 reais, passei a pagar 70 reais por um pacote pelo qual eles cobram 100, foi tão fácil a negociação que tenho certeza de que se endurecesse o tom ganhava 50% de desconto mole e eles ainda iam sair com um sorrizão.
Óóóóóbvio que se a margem de lucro não fosse absurda tais "descontos" não seriam possíveis (e igualmente óbvio que se os hipotéticos 30 e poucos por cento de impostos tivessem um impacto tão grande na formação dos preços como alguns gostamos de acreditar o desconto que recebi seria menos possível ainda).
Mas amanhã sai uma matéria sobre o fato aqui do lado na Argentina os pacotes de TV por assinatura custarem menos da metade que os nossos, e me aparece um monte apontando a carga tributária elevada como grande vilã com direito a algum excelente artigo do Rodrigo Constantino para ilustrar.
Aposto um beijo.
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Data da postagem: 06/11/2010, 22:43

Citação de: Donatello van Dijck em 07 de Novembro de 2010, 01:43:44
A vilania não é apenas dos impostos, embora estes sejam obscenos. Devem constar também: a estrutura tributária, os custos de produção e distribuição, os lucros dos participantes (muitas vezes 'fantásticos') e a ignorância sobre economia familiar do brasileiro comum. Tudo sob o olhar complacente (ou não seria melhor dizer... cúmplice) do Estado.
[...]
Achei esta matéria (também de O Globo Online, como a que abriu o tópico) muito interessante pela novidade de a jornalista não cair na cartilha decorada que culpa apenas os impostos (ainda que dê a eles um valor maior do que eu enxergo) pela diferença apresentada no título. Me enche o saco ler matérias sobre a diferença do valor do iPod ou do iMac ou do BigMac ou ziltcera apresentando como única e suficiente causa a carga tributária do país. Me torra ler tópicos aqui mesmo sobre o assunto e ver que esta explicação simplista e obviamente furada para diferenças tão brutais nos preços seduz até aos mais céticos.
[...]
A vilania não é apenas dos impostos, embora estes sejam obscenos. Devem constar também: a estrutura tributária, os custos de produção e distribuição, os lucros dos participantes (muitas vezes 'fantásticos') e a ignorância sobre economia familiar do brasileiro comum. Tudo sob o olhar complacente (ou não seria melhor dizer... cúmplice) do Estado.
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Data da postagem: 06/11/2010, 23:12

Donatello,
A TIM e a OI saíram de prejuízos monstruosos recentes. A OI só se livrou por causa do bom e velho BNDS.
Falar que o problema é que o Brasil arrecada pouco e tenta dar serviço de primeira dando como exemplo a UERJ é bizarro. Não que não seja tudo o que você disse, de fato não a conheço, mas se for tudo o que você disse é uma ilha frente a um mar de ineficiência, roubo e desperdício.
O preço do carro daqui é um absurdo, no MX e Chile se compra uma BMW pelo preço de um vectra. Porque?? Impostos.
ELetrônicos é um absurdo. Porque?? Impostos. Roupas, tudo.
Contratar uma pessoa CLT é super caro, porque?? Impostos.
A questão da sonegação que você citou é verdade, mas isso não quer dizer que quem pague impostos pague poucos impostos, a questão é que muita gente deixa de pagar impostos deixando para que cada vez menos gente pague mais impostos.
As grandes empresas, em sua maioria, paga impostos. Muito difícil sonegar, não se consegue sequer comprar ou não há processo para comprar sem uma nota fiscal.
Existe uma enorme economia informal e existe uma quantidade enorme de empresas pequenas e médias que sonegam impostos de maneira contumaz.
Como falam por aí, eu pago 5 meses de salários para o governo, sem contar os impostos que a empresa ainda pagar por mim, e tenho que pagar escolas para os meus filhos pequenos, a empresa tem que me pagar plano de saúde, plano dentário, etc.. Até segurança, papel mínimo do estado, as empresas tem que pagar de maneira privada para proteger o entorno da região que tem uma série de empresas de tecnologia e havia virado um centro de roubos de notebook.
E acredite, para quem trabalha com governos e empresas privadas, as empresas públicas desperdiçam MUITO MUITO mais do que as empresas privadas, sem contar os escândalos de corrupção que todos conhecemos.
Eu não subiria um centavo de impostos no Brasil. Há tanto espaço para otimização na máquina pública que o custo dessa tranca poderia ser reduzido significativamente.
A TIM e a OI saíram de prejuízos monstruosos recentes. A OI só se livrou por causa do bom e velho BNDS.
Falar que o problema é que o Brasil arrecada pouco e tenta dar serviço de primeira dando como exemplo a UERJ é bizarro. Não que não seja tudo o que você disse, de fato não a conheço, mas se for tudo o que você disse é uma ilha frente a um mar de ineficiência, roubo e desperdício.
O preço do carro daqui é um absurdo, no MX e Chile se compra uma BMW pelo preço de um vectra. Porque?? Impostos.
ELetrônicos é um absurdo. Porque?? Impostos. Roupas, tudo.
Contratar uma pessoa CLT é super caro, porque?? Impostos.
A questão da sonegação que você citou é verdade, mas isso não quer dizer que quem pague impostos pague poucos impostos, a questão é que muita gente deixa de pagar impostos deixando para que cada vez menos gente pague mais impostos.
As grandes empresas, em sua maioria, paga impostos. Muito difícil sonegar, não se consegue sequer comprar ou não há processo para comprar sem uma nota fiscal.
Existe uma enorme economia informal e existe uma quantidade enorme de empresas pequenas e médias que sonegam impostos de maneira contumaz.
Como falam por aí, eu pago 5 meses de salários para o governo, sem contar os impostos que a empresa ainda pagar por mim, e tenho que pagar escolas para os meus filhos pequenos, a empresa tem que me pagar plano de saúde, plano dentário, etc.. Até segurança, papel mínimo do estado, as empresas tem que pagar de maneira privada para proteger o entorno da região que tem uma série de empresas de tecnologia e havia virado um centro de roubos de notebook.
E acredite, para quem trabalha com governos e empresas privadas, as empresas públicas desperdiçam MUITO MUITO mais do que as empresas privadas, sem contar os escândalos de corrupção que todos conhecemos.
Eu não subiria um centavo de impostos no Brasil. Há tanto espaço para otimização na máquina pública que o custo dessa tranca poderia ser reduzido significativamente.
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Data da postagem: 07/11/2010, 06:34

Citação de: Agnóstico em 07 de Novembro de 2010, 09:34:19
Numa conversa dia desses, concluí que o principal problema do Estado não é a corrupção, mas a incompetência no trato com o dinheiro em suas mãos.
E acredite, para quem trabalha com governos e empresas privadas, as empresas públicas desperdiçam MUITO MUITO mais do que as empresas privadas, sem contar os escândalos de corrupção que todos conhecemos.
Numa conversa dia desses, concluí que o principal problema do Estado não é a corrupção, mas a incompetência no trato com o dinheiro em suas mãos.
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Data da postagem: 07/11/2010, 07:31

Citação de: Mabumbo em 07 de Novembro de 2010, 10:31:34
A corrupção é um dos sintomas dessa incompetência no trato com o dinheiro.
Citação de: Agnóstico em 07 de Novembro de 2010, 09:34:19E acredite, para quem trabalha com governos e empresas privadas, as empresas públicas desperdiçam MUITO MUITO mais do que as empresas privadas, sem contar os escândalos de corrupção que todos conhecemos.
Numa conversa dia desses, concluí que o principal problema do Estado não é a corrupção, mas a incompetência no trato com o dinheiro em suas mãos.
A corrupção é um dos sintomas dessa incompetência no trato com o dinheiro.
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Data da postagem: 07/11/2010, 10:31