
Clube Cético
Internet pode diminuir a inteligência e a empatia, diz pesquisadora
Autor: 4 Ton Mantis | Categoria: Ciência, Tecnologia e Saúde | Exibições: 1654 Comentários: 21

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1155058-internet-pode-diminuir-a-inteligencia-e-a-empatia-diz-pesquisadora.shtml
A neurocientista e baronesa britânica Susan Greenfield, 61, faz questão de ser uma voz dissonante em meio à empolgação de muita gente com o potencial das redes sociais e da internet.
Para ela, há razões para acreditar que a vida virtual está criando uma geração de pessoas menos inteligentes e menos capazes de empatia --um ponto de vista que já lhe rendeu desafetos dentro e fora da comunidade científica.
A baronesa Greenfield, que leciona na Universidade de Oxford (Reino Unido), está no Brasil para o ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento. Sua conferência na Sala São Paulo, na capital paulista, acontece hoje. Confira abaixo trechos da entrevista que ela concedeu à Folha.
Folha - Como a sra. começou a se interessar pelo impacto das novas tecnologias sobre o cérebro humano?
Susan Greenfield - Comecei a discutir esse assunto em 2009, na Câmara dos Lordes [órgão do Parlamento britânico do qual ela faz parte], quando houve um debate sobre a regulação do uso da internet e possíveis efeitos nocivos de seu uso sobre crianças.
Como neurocientista, o que eu levei em consideração nesse debate é o fato de que o cérebro humano evoluiu para responder a estímulos muito diferentes dos que estão afetando o desenvolvimento das crianças de hoje. Isso não é um julgamento de valor, é apenas um fato.
E, quando você olha a literatura científica recente, há sinais consideráveis de mudanças, embora obviamente precisemos de mais estudos para entender exatamente o que está acontecendo.
Sabemos, por exemplo, que o uso de redes sociais e de videogames pode ter efeitos bioquímicos muito parecidos com os do vício em drogas no cérebro. No ano passado, um trabalho com tomografias mostrou anormalidades estruturais ligadas a esse tipo de comportamento.
Também há testes mostrando um aumento de problemas de compreensão verbal e um declínio na capacidade de empatia.
É claro que as pessoas podem dizer que se trata de uma correlação, que não necessariamente uma coisa causa a outra. É um argumento válido, mas também é o mesmo argumento que as pessoas usavam nos anos 1950 a respeito da relação entre fumo e câncer de pulmão --até os epidemiologistas mostrarem que a relação realmente envolvia uma causa e um efeito.
A sra. foi muito criticada por levantar essa hipótese. Esperava reações tão violentas?
Sim e não. Por um lado, é assim que a ciência funciona, as críticas são esperadas e necessárias. O problema é quando elas se tornam pessoais. Como se diz na Austrália, você tem de chutar a bola, e não o jogador.
E, claro, muita gente está ganhando muito dinheiro com isso e não vai gostar se alguém como eu tenta estragar a festa (risos).
Também temos visto uma melhora constante nos níveis de QI no mundo todo nas últimas décadas. Isso não significaria que as mudanças tecnológicas também têm efeitos positivos sobre o cérebro?
De fato, há indícios de que o uso de videogames pode melhorar a memória de curto prazo e a agilidade mental, por exemplo. Isso é verdade, mas não acho que seja a história toda. Velocidade mental, capacidade de processar informações com rapidez, não é a mesma coisa que entendimento ou sabedoria.
O que nós não estamos vendo, apesar dos avanços mensuráveis no QI, é um aumento dos insights sobre a condição humana ou da imaginação, por exemplo.
A neurocientista e baronesa britânica Susan Greenfield, 61, faz questão de ser uma voz dissonante em meio à empolgação de muita gente com o potencial das redes sociais e da internet.
Para ela, há razões para acreditar que a vida virtual está criando uma geração de pessoas menos inteligentes e menos capazes de empatia --um ponto de vista que já lhe rendeu desafetos dentro e fora da comunidade científica.
A baronesa Greenfield, que leciona na Universidade de Oxford (Reino Unido), está no Brasil para o ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento. Sua conferência na Sala São Paulo, na capital paulista, acontece hoje. Confira abaixo trechos da entrevista que ela concedeu à Folha.
Folha - Como a sra. começou a se interessar pelo impacto das novas tecnologias sobre o cérebro humano?
Susan Greenfield - Comecei a discutir esse assunto em 2009, na Câmara dos Lordes [órgão do Parlamento britânico do qual ela faz parte], quando houve um debate sobre a regulação do uso da internet e possíveis efeitos nocivos de seu uso sobre crianças.
Como neurocientista, o que eu levei em consideração nesse debate é o fato de que o cérebro humano evoluiu para responder a estímulos muito diferentes dos que estão afetando o desenvolvimento das crianças de hoje. Isso não é um julgamento de valor, é apenas um fato.
E, quando você olha a literatura científica recente, há sinais consideráveis de mudanças, embora obviamente precisemos de mais estudos para entender exatamente o que está acontecendo.
Sabemos, por exemplo, que o uso de redes sociais e de videogames pode ter efeitos bioquímicos muito parecidos com os do vício em drogas no cérebro. No ano passado, um trabalho com tomografias mostrou anormalidades estruturais ligadas a esse tipo de comportamento.
Também há testes mostrando um aumento de problemas de compreensão verbal e um declínio na capacidade de empatia.
É claro que as pessoas podem dizer que se trata de uma correlação, que não necessariamente uma coisa causa a outra. É um argumento válido, mas também é o mesmo argumento que as pessoas usavam nos anos 1950 a respeito da relação entre fumo e câncer de pulmão --até os epidemiologistas mostrarem que a relação realmente envolvia uma causa e um efeito.
A sra. foi muito criticada por levantar essa hipótese. Esperava reações tão violentas?
Sim e não. Por um lado, é assim que a ciência funciona, as críticas são esperadas e necessárias. O problema é quando elas se tornam pessoais. Como se diz na Austrália, você tem de chutar a bola, e não o jogador.
E, claro, muita gente está ganhando muito dinheiro com isso e não vai gostar se alguém como eu tenta estragar a festa (risos).
Também temos visto uma melhora constante nos níveis de QI no mundo todo nas últimas décadas. Isso não significaria que as mudanças tecnológicas também têm efeitos positivos sobre o cérebro?
De fato, há indícios de que o uso de videogames pode melhorar a memória de curto prazo e a agilidade mental, por exemplo. Isso é verdade, mas não acho que seja a história toda. Velocidade mental, capacidade de processar informações com rapidez, não é a mesma coisa que entendimento ou sabedoria.
O que nós não estamos vendo, apesar dos avanços mensuráveis no QI, é um aumento dos insights sobre a condição humana ou da imaginação, por exemplo.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 18/09/2012, 16:23

A internet é uma ferramente moderna de aprendizagem se bem usada, agora quem usa redes sociais e fica só compartilhando bullshits não ficara mais burro do que é. quem quando tem uma duvida hoje em dia não corre pro Google pra procurar artigos sobre o tema que tem duvidas, se não fosse a internet as respostas para muitas coisas seriam mais difícieis de ser alcançadas e por tanto as pessoas seriam ainda mais ignorantes, então a internet em si é uma ferramenta que agrega mais conhecimento ao individuo, agora quanto ao QI ai é outra estória.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 18/09/2012, 17:53

Citação de: italobarbiot em 18 de Setembro de 2012, 21:53:28
A questão não é o conteúdo disponível na internet e nem exatamente o uso que fazem dele, mas o que a super exposição a internet, em detrimento de outras atividades (seguindo a lógica "quem faz muito uma coisa, faz pouco outra"), causa no funcionamento cerebral. Um ambiente rico e diversificado é essencial para o desenvolvimento do cérebro e o excesso de tecnologia, em especial da internet, está tornando as mentes menos capazes de desenvolver certas habilidades, como empatia, fundamental para a construção das relações interpessoais e a memória de longo prazo, fundamental para a fixação do aprendizado.
Como você disse, hoje qualquer um pode pesquisar qualquer assunto no google. Só que se por um lado poderá encontrar muitas fontes, ler diversos artigos e ficar sabendo sobre o assunto em questão dentro de meia hora, por outro, depois de duas horas, poderá ter esquecido completamente a maior parte do que leu.
O contato com as novas tecnologias, a internet, os videogames, contribuem positivamente e estão relacionados ao aumento do QI. Mas já sabe-se que o índice de QI não pode ser considerado como único fator para medir o desenvolvimento da capacidade cognitiva.
Além de empatia e memória, outro setor prejudicado é o da linguagem, oral e escrita. Isso porque o conteúdo muitas vezes é de qualidade duvidosa e é usado em substituição aos livros tradicionais. A internet é uma ferramenta que pode agregar mais conhecimento, sem dúvida. Mas o excesso de exposição gera uma diminuição da capacidade plena de desenvolvimento cerebral, independente do conteúdo buscado ou compartilhado.
___________________________________________________________ __________________________________
Estive ontem na palestra da Susan Greenfield, aqui em São Paulo (no Fronteiras do Pensamento, evento que recomendo a quem tiver oportunidade de ir). Foi bastante superficial, especialmente porque eu já li a maioria dos livros escritos por ela. Não a culpo, o tema é amplo e complexo para ser abordado com profundidade em uma palestra. De qualquer forma, foi bom ter ido.
A internet é uma ferramente moderna de aprendizagem se bem usada, agora quem usa redes sociais e fica só compartilhando bullshits não ficara mais burro do que é. quem quando tem uma duvida hoje em dia não corre pro Google pra procurar artigos sobre o tema que tem duvidas, se não fosse a internet as respostas para muitas coisas seriam mais difícieis de ser alcançadas e por tanto as pessoas seriam ainda mais ignorantes, então a internet em si é uma ferramenta que agrega mais conhecimento ao individuo, agora quanto ao QI ai é outra estória.
A questão não é o conteúdo disponível na internet e nem exatamente o uso que fazem dele, mas o que a super exposição a internet, em detrimento de outras atividades (seguindo a lógica "quem faz muito uma coisa, faz pouco outra"), causa no funcionamento cerebral. Um ambiente rico e diversificado é essencial para o desenvolvimento do cérebro e o excesso de tecnologia, em especial da internet, está tornando as mentes menos capazes de desenvolver certas habilidades, como empatia, fundamental para a construção das relações interpessoais e a memória de longo prazo, fundamental para a fixação do aprendizado.
Como você disse, hoje qualquer um pode pesquisar qualquer assunto no google. Só que se por um lado poderá encontrar muitas fontes, ler diversos artigos e ficar sabendo sobre o assunto em questão dentro de meia hora, por outro, depois de duas horas, poderá ter esquecido completamente a maior parte do que leu.
O contato com as novas tecnologias, a internet, os videogames, contribuem positivamente e estão relacionados ao aumento do QI. Mas já sabe-se que o índice de QI não pode ser considerado como único fator para medir o desenvolvimento da capacidade cognitiva.
Além de empatia e memória, outro setor prejudicado é o da linguagem, oral e escrita. Isso porque o conteúdo muitas vezes é de qualidade duvidosa e é usado em substituição aos livros tradicionais. A internet é uma ferramenta que pode agregar mais conhecimento, sem dúvida. Mas o excesso de exposição gera uma diminuição da capacidade plena de desenvolvimento cerebral, independente do conteúdo buscado ou compartilhado.
___________________________________________________________ __________________________________
Estive ontem na palestra da Susan Greenfield, aqui em São Paulo (no Fronteiras do Pensamento, evento que recomendo a quem tiver oportunidade de ir). Foi bastante superficial, especialmente porque eu já li a maioria dos livros escritos por ela. Não a culpo, o tema é amplo e complexo para ser abordado com profundidade em uma palestra. De qualquer forma, foi bom ter ido.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 08:18

Tudo em excesso faz mau (menos sexo eu acho
)
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 11:44
Citação de: italobarbiot em 19 de Setembro de 2012, 15:44:49
Mal?
Tudo em excesso faz mau (menos sexo eu acho)
Mal?
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 11:46

Citação de: Skorpios em 19 de Setembro de 2012, 15:46:41
Mal. Definitivamente mal.
Citação de: italobarbiot em 19 de Setembro de 2012, 15:44:49Tudo em excesso faz mau (menos sexo eu acho)
Mal?
Mal. Definitivamente mal.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 11:51

Citação de: italobarbiot em 19 de Setembro de 2012, 15:44:49
Acho que até sexo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Adic%C3%A7%C3%A3o_sexual
Citação de: SnowRaptor em 19 de Setembro de 2012, 15:51:00
Mal. Definitivamente mal.
Exato.
Tudo em excesso faz mau (menos sexo eu acho)
Acho que até sexo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Adic%C3%A7%C3%A3o_sexual
Citação de: SnowRaptor em 19 de Setembro de 2012, 15:51:00
Citação de: Skorpios em 19 de Setembro de 2012, 15:46:41Citação de: italobarbiot em 19 de Setembro de 2012, 15:44:49
Tudo em excesso faz mau (menos sexo eu acho)
Mal?
Mal. Definitivamente mal.
Exato.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 11:53
Citação de: Laura em 19 de Setembro de 2012, 15:53:52
Puxa vida Laura, acabou coma a alegria do rapaz....
Citação de: italobarbiot em 19 de Setembro de 2012, 15:44:49Tudo em excesso faz mau (menos sexo eu acho)
Acho que até sexo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Adic%C3%A7%C3%A3o_sexual
Puxa vida Laura, acabou coma a alegria do rapaz....
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 12:01

Citação de: Skorpios em 19 de Setembro de 2012, 16:01:50
Não foi a intenção. Sexo faz parte da vida e é natural que adultos saudáveis apreciem a atividade, mas algumas pessoas, especialmente homens, fazem questão de explicitar o seu apreço por sexo sempre que possível, mesmo que isso não tenha nada a ver com o assunto tratado.
Nesses casos, sempre fico na dúvida se é apenas um comportamento deselegante, pura e simplesmente, ou se a pessoa pode estar precisando de auxílio. Sendo assim, ajudo como posso: informando.
Puxa vida Laura, acabou coma a alegria do rapaz....
Não foi a intenção. Sexo faz parte da vida e é natural que adultos saudáveis apreciem a atividade, mas algumas pessoas, especialmente homens, fazem questão de explicitar o seu apreço por sexo sempre que possível, mesmo que isso não tenha nada a ver com o assunto tratado.

Nesses casos, sempre fico na dúvida se é apenas um comportamento deselegante, pura e simplesmente, ou se a pessoa pode estar precisando de auxílio. Sendo assim, ajudo como posso: informando.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 12:38

Eu acho é que as pessoas superestimam a internet, para o bem e/ou para o mal.
Aliás, como se mede empatia? Existem séries históricas com esses dados para que se possa dizer que a empatia está aumentando ou diminuindo? Que tipo de metodologia foi usada para determinar que a internet é realmente a culpada?
Aliás, como se mede empatia? Existem séries históricas com esses dados para que se possa dizer que a empatia está aumentando ou diminuindo? Que tipo de metodologia foi usada para determinar que a internet é realmente a culpada?
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 13:13

Citação de: Luiz F. em 19 de Setembro de 2012, 17:13:54
Resumindo muito: as pesquisas comparam grupos de pessoas, separadas por faixa etária e por número de horas que passam semanalmente na internet. As pessoas foram submetidas a vários testes relacionados a empatia, como falar olhando nos olhos, perceber as emoções alheias baseadas em expressões faciais e entonação de voz.
Segundo as pesquisas, a falta de contato visual e físico com outras pessoas e as experiências restritas ao que acontece em frente a uma tela, não permite que os cérebros em formação criem repertório para identificar emoções, pra citar só um exemplo. Claro que isso se aplica a crianças, mas como o cérebro é adaptável, alguns adultos que façam uso excessivo de tecnologias, chegando a substituir totalmente contatos pessoais por virtuais, podem regredir em suas habilidades sociais.
Não coloquei nenhuma fonte específica sobre as pesquisas da área porque não sei se estão online, tenho livros a respeito. Mas se quiser se aprofundar no assunto, recomendo o livro "As Pessoas de Amanhã: Como a Tecnologia do século XXI está mudando a forma como pensamos e sentimos" dessa neurocientista, no qual constam os dados mais específicos. No youtube, sei que existem algumas palestras dela.
Eu acho é que as pessoas superestimam a internet, para o bem e/ou para o mal.
Aliás, como se mede empatia? Existem séries históricas com esses dados para que se possa dizer que a empatia está aumentando ou diminuindo? Que tipo de metodologia foi usada para determinar que a internet é realmente a culpada?
Resumindo muito: as pesquisas comparam grupos de pessoas, separadas por faixa etária e por número de horas que passam semanalmente na internet. As pessoas foram submetidas a vários testes relacionados a empatia, como falar olhando nos olhos, perceber as emoções alheias baseadas em expressões faciais e entonação de voz.
Segundo as pesquisas, a falta de contato visual e físico com outras pessoas e as experiências restritas ao que acontece em frente a uma tela, não permite que os cérebros em formação criem repertório para identificar emoções, pra citar só um exemplo. Claro que isso se aplica a crianças, mas como o cérebro é adaptável, alguns adultos que façam uso excessivo de tecnologias, chegando a substituir totalmente contatos pessoais por virtuais, podem regredir em suas habilidades sociais.
Não coloquei nenhuma fonte específica sobre as pesquisas da área porque não sei se estão online, tenho livros a respeito. Mas se quiser se aprofundar no assunto, recomendo o livro "As Pessoas de Amanhã: Como a Tecnologia do século XXI está mudando a forma como pensamos e sentimos" dessa neurocientista, no qual constam os dados mais específicos. No youtube, sei que existem algumas palestras dela.
0
0
0
0
0
0
0
Data da postagem: 19/09/2012, 13:35