Clube Cético
Manual do cético moderno - Em que todo cético deve acreditar?
Autor: Digão | Categoria: Ceticismo | Exibições: 7477 Comentários: 81
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Quais são as verdades do cético moderno? Em que ele deve acreditar? O que deveria constar em um suposto "manual do cético moderno"?

A pergunta vale para todas as áreas: ciências, filosofia, política, economia, etc.

Alguns exemplos:
  • Não acreditar em deuses, seres ou fenômenos sobrenaturais;

  • Acreditar somente no conhecimento adquirido através do método científico (quais são os principais conhecimentos e conquistas humanas adquiridas através do mesmo?);

  • Conhecer as principais falácias lógicas;

  • Conhecer os principais vieses cognitivos;

  • Estar ciente de áreas cinzentas, como a psicologia (quais outras?);

  • O que é verdade em áreas como política e economia?

  • Quais movimentos seguir? A quais correntes de conhecimento pertencer?

  • Quais as principais bullshits nas quais o cético não deve acreditar?

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Citação de: Digão em 01 de Junho de 2016, 12:39:44

Estar ciente de áreas cinzentas, como a psicologia (quais outras?)


O Pirula uma vez falou que psicologia não é ciência e um pessoal de humanas deu chilique.
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Quais movimentos seguir? A quais correntes de conhecimento pertencer?


Nenhum, mas tem que conhecer sobre todos.
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Citação de: Digão em 01 de Junho de 2016, 12:39:44

Quais são as verdades do cético moderno? Em que ele deve acreditar? O que deveria constar em um suposto "manual do cético moderno"?

A pergunta vale para todas as áreas: ciências, filosofia, política, economia, etc.

Alguns exemplos:
  • Não acreditar em deuses, seres ou fenômenos sobrenaturais;

  • Acreditar somente no conhecimento adquirido através do método científico (quais são os principais conhecimentos e conquistas humanas adquiridas através do mesmo?);



Essas duas primeiras indicam respectivamente a postura do ateu e do cientificista, e são incompatíveis com a postura cética. Pois o cético é aquele que dúvida, e isso é diferente de negar a existência de algo (como no primeiro caso) e aceitar a veracidade de algo (como no segundo caso). Se você nega ou aceita algo como verdadeiro ou falso, você deixa de ser cético sobre este algo, mesmo que ainda seja cético em relação a outros assuntos.

O cético moderno pode se basear na metodologia científica para examinar a veracidade cientifica de alegações, mas se aceitar como verdadeiro aquilo que for corroborado por esta metodologia, ou falso, aquilo que não o for, ele deixa de ser cético pelo menos em relação a esta alegação em específico. Está é a essência do ceticismo, duvidar. Logo, se não há mais dúvida, não há mais ceticismo.
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Citação de: Lorentz em 01 de Junho de 2016, 13:45:13

Citação de: Digão em 01 de Junho de 2016, 12:39:44

Estar ciente de áreas cinzentas, como a psicologia (quais outras?)


O Pirula uma vez falou que psicologia não é ciência e um pessoal de humanas deu chilique.


Pois é, e este é um bom gancho para falar sobre a origem e a história do termo "cientificista". Inicialmente indicava simplesmente o modo de falar de homens da ciência, com vocabulário informal recheado de termos científicos. Posteriormente passou a designar aqueles com intenção de aplicar a metodologia científica das ciências naturais (na época, a única área do conhecimento considerada científica) nas áreas de humanidades, como psicologia, sociologia e etc., E a chamar estas áreas também de ciências. Esta atitude foi liderada pelos positivistas lógicos, e aqueles que discordavam disso chamavam-nos de cientificistas, por não acreditarem que isso fosse possível de fazer sem distorcer o significado do conceito "ciência". Os positivistas lógicos acreditavam que o conhecimento adquirido por áreas do conhecimento que aplicavam a metodologia científica era o único que importava e que realmente era capaz de nos garantir um conhecimento seguro sobre o mundo. Logo, eles desprezavam áreas do conhecimento que não aplicavam este método para examinar as suas alegações, como por exemplo, a religião. Por tanto, religiosos e demais críticos da ciência, passaram a chamar de cientificistas aqueles que acreditavam que a ciência era a única área do conhecimento que importava e/ou a única maneira de garantir conhecimento seguro, e que desprezavam outros campos do saber. Este é o sentido predominante do termo "cientificismo" hoje em dia: o de considerar a ciência e a metodologia científica a única forma de se obter conhecimento como importante, desprezando qualquer outra alegação não originada da ciência.
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Citação de: Lorentz em 01 de Junho de 2016, 13:45:13

Citação de: Digão em 01 de Junho de 2016, 12:39:44

Estar ciente de áreas cinzentas, como a psicologia (quais outras?)


O Pirula uma vez falou que psicologia não é ciência e um pessoal de humanas deu chilique.


Você quis dizer psicanálise, certo?
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Citação de: FZapp em 01 de Junho de 2016, 14:05:56

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Quais movimentos seguir? A quais correntes de conhecimento pertencer?


Nenhum, mas tem que conhecer sobre todos.


Não digo que ele tenha que participar de algum, mas quais seriam os mais corretos? Por exemplo sem contra o racismo, a favor dos direitos dos homossexuais, do feminismo moderado, pró-aborto até o 3o mês de gravidez, coisas assim.
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senti uma certa embolação...

Esse negócio de dizer que ciências humanas não são ciências, é um tanto ruim para quem toca no assunto, já diz que o cara tem a tendência de ver resultados com limite das variações destes tendendo a zero, parece que as tapas da exatidão como critério científico está enraizado nestes.

Cético não sai duvidando de tudo, ele é cético apenas, não é um tapado, e quando não mais dúvidas (em alguma coisa) ele continua cético por achar certeza naquilo, ateu pode ser cético ou não, e cético pode ser ateu ou não.
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Caro Skeptikós (e demais foristas), algumas perguntas:

O cientificismo é imprudente?

Qual é a contraproposta da filosofia ao cientificismo para a busca por conhecimento confiável?

Qual ou quais as correntes filosóficas dominantes hoje?

Em que é sensato acreditar, mesmo que sem rigor científico, do ponto de vista prático?
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1. O cético moderno é antes de tudo organizado. Ele pega todas as suas roupas e livros e decide o que quer e o que não quer. Doa, vende, ou muda o propósito de roupas que não usou há 1 ano (que não sejam de temporada), não caibam ou simplesmente sejam feias! O cético moderno não hesita em usar gravata borboleta em traje esporte só para ficar parecido com Richard Dawkins.

2. O cético moderno se olha no espelho e procura coisas sobre sua aparência física que o torna mais parecido com seus ídolos céticos. O que você quer esconder? O que você quer enfatizar? Qual o tipo de seu corpo? As meninas podem pintar o cabelo de azul para ficarem parecidas com Susan Blackmore.

3. O cético moderno sabe o que gosta. Incorpora itens da moda ao seu guarda-roupas ou prefere uma aparência clássica. Folheia catálogos ou olha sites sobre roupas. Incorpora a camiseta do Clube Cético ao seu estilo.

4. Onde você mora, onde você vai, e o que você faz são os fatores decisivos na hora de decorar falácias com nomes em latim. Se você acusa o uso de uma falácia incorretamente, você não está sendo um cético moderno.

5. O cético moderno sempre folheia revistas de conteúdo pseudocientífico e procura um ícone crente para atacar.
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Citação de: Skeptikós em 01 de Junho de 2016, 16:58:04

Citação de: Digão em 01 de Junho de 2016, 12:39:44

Quais são as verdades do cético moderno? Em que ele deve acreditar? O que deveria constar em um suposto "manual do cético moderno"?

A pergunta vale para todas as áreas: ciências, filosofia, política, economia, etc.

Alguns exemplos:
  • Não acreditar em deuses, seres ou fenômenos sobrenaturais;

  • Acreditar somente no conhecimento adquirido através do método científico (quais são os principais conhecimentos e conquistas humanas adquiridas através do mesmo?);



Essas duas primeiras indicam respectivamente a postura do ateu e do cientificista, e são incompatíveis com a postura cética.


A primeira não é problema; o problema por essa linha seria "acreditar na inexistência de deuses / etc". Não acreditar é a postura cética, mesmo "fundamentalista"/pirrônica/zetética/etcética.

A segunda também não acho que seja incompatível, você pode acreditar, como dar crédito a, confiar em, conhecimento que pareça ser o mais exaustivamente testado, ao mesmo tempo em que não "acredita" que necessariamente seja a descoberta de fatos indiscutíveis, que devessem ser consideratos tais mesmo ante ao acúmulo de evidências contrárias.

Isso é, ao menos dentro daquele nível de cético talvez já menos hardcore/delirante de não considerar com igual validade a possibilidade de estar sempre sonhando em vez de acordado e etc.

Ou, na pior das hipóteses, estamos entando falando do tipo de auto-rotulado "cético" que não necessariamente corresponde aos radicais gregos originais e etc. Que não duvida seriamente de estar acordado na realidade, etc; esta sendo no máximo uma dúvida, digamos, menos convicta, do que aquelas como sobre astrologia, duendes, ou mesmo homeopatia, etc.

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http://rationalwiki.org/wiki/Pyrrhonism
...

It should be noted that any attempt to follow or live by Pyrrhonism in practice will not eventually drive you batshit crazy, as it is far from conducive to bringing on an existential crisis 24/7 like the one shown below.

Sample 5 minutes as a paranoid skeptic

Below is a snarkilicious stream-of-consciousness transcript of how fun it is to think like a paranoid skeptic:

  • Wake up: Did I really just wake up, or am I just imagining it? How do I know I ever slept in the first place? How do I know sleeping and being awake aren't actually the same thing?


  • Get out of bed: How do I know this is actually a bed? How do I know I am standing? I could still be sitting or lying down for all I know. How do I know I was ever in this so-called "bed" to begin with?


  • Look around room: How do I know this is even a room? How do I know it is mine? How do I know I am actually looking? I may not even have eyes, and how do I know that eyes are even able to perform the action that is supposedly called "looking"?


  • Walk over into bathroom: Is this really a bathroom? There's no proof of that. How do I know I'm not still in the bedroom? How do I know that the bedroom ever existed in the first place? How do I know the bathroom even exists? How do I know I exist? How do I know that thing I may or may not have seen in that other room was the kind of object that is supposedly referred to as a "bed"?

  • ...and so on and so forth.

    ...



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Data da postagem: 01/06/2016, 16:53