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Para você quais foram as ideias e pensadores que mais causaram mal a humanidade?
Autor: TMAG | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 14370 Comentários: 125

Citação de: genjikhan em 07 de Dezembro de 2011, 22:08:01
Creio que não entendeu o cerne da crítica feita por Russell, ele não parte do pressuposto de que Nietzsche seria o tal Super-homem, e sim de que a forma que o mesmo adquiriu na obra de Nietzsche era uma mera projeção do pensamento pensamento do filósofo teutônico, ''impiedoso, ardiloso e cruel''. Outro ponto em que sua discordância a crítica de Russell falha é sobre o ''amor cristão''. Nietzsche não despreza o amor cristão por ser ''baseado no medo'', ele o condena porque Nietzsche é basicamente contra toda e qualquer forma de altruísmo, que na filosofia nietzscheana não passa de um sinal da decadência do ''homem superior''. Não por acaso Nietzsche atribuía a introdução do cristianismo e sua moral igualitarista e altruísta como principal fator a desencadear a queda do império romano. Lembre-se que Nietzsche foi uma das principais inspirações do fascismo, com suas ideias de domínio do forte sobre o fraco e de uma sociedade fortemente estratificada baseada em castas (quem leu O Anticristo sabe muito bem do que estou falando). Sobre o argumento ad hominem usado por Russell, devemos nos lembrar que esse vídeo é apenas um comentário geral e não uma análise acadêmica, que diga-se de passagem também foi feita pelo célebre filósofo galês em outras oportunidades. Nietzsche foi um grande escritor, um dos mestres da prosa em alemão, mas quando analisadas filosoficamente muitas de suas ideias (não todas, levando ainda em consideração fato de que em muitas passagens sua linguagem poética propicia diversas interpretações) se mostram incoerentes ou potencialmente danosas, fornecendo inspiração para movimentos totalitários.
Citação de: genjikhan em 07 de Dezembro de 2011, 22:08:01
O ''fim da metafísica'' citado por Heidegger e interpretado por você como sendo uma eliminação de explicações sobrenaturais para o universo não procede, metafísica nesse contexto não se refere simplesmente a fenômenos sobrenaturais, na tradição continental de filosofia essa palavra não tem o mesmo sentido que é comumente usado em meios céticos/ateuzinhos da atualidade. A forma como esse termo é usado popularmente hoje em dia é com o sentido que os positivistas lógicos do início do século XX atribuíam ao termo, sendo sinônimo de asserções não-empíricas, não tratáveis cientificamente. Para Nietzsche e Heidegger, metafísica significa sobretudo uma estruturação última da realidade, o estabelecimento de ideias gerais que seriam um guia para os homens em sua existência (ou seja, nesse sentido o próprio racionalismo é um conceito metafísico para eles). Essa interpretação de Heidegger sobre a obra de Nietzsche é interessante, mas desemboca no niilismo e no relativismo.
Vejo que a análise de Bertrand Russel se baseia na ideia de que Nietzsche seria o tal do "Super homem" e de que ele pensa que o "amor cristão universal" é derivado do medo . Nesse ponto eu discordo dele,porque esse "amor cristão universal" é baseado no medo de que haja um ditador sobrenatural que te condenará ao sofrimento eterno se você desrepeitar as regras que esse ser impôs atráves de um livro e uma autoridade(o mesmo vale para o Judaismo e para o Islamismo) . Tirando isso,Bertrand Russel usa de argumento "ad hominem",o que o desvia da ideia de analisar aquilo que Nietzsche queria passar.
Creio que não entendeu o cerne da crítica feita por Russell, ele não parte do pressuposto de que Nietzsche seria o tal Super-homem, e sim de que a forma que o mesmo adquiriu na obra de Nietzsche era uma mera projeção do pensamento pensamento do filósofo teutônico, ''impiedoso, ardiloso e cruel''. Outro ponto em que sua discordância a crítica de Russell falha é sobre o ''amor cristão''. Nietzsche não despreza o amor cristão por ser ''baseado no medo'', ele o condena porque Nietzsche é basicamente contra toda e qualquer forma de altruísmo, que na filosofia nietzscheana não passa de um sinal da decadência do ''homem superior''. Não por acaso Nietzsche atribuía a introdução do cristianismo e sua moral igualitarista e altruísta como principal fator a desencadear a queda do império romano. Lembre-se que Nietzsche foi uma das principais inspirações do fascismo, com suas ideias de domínio do forte sobre o fraco e de uma sociedade fortemente estratificada baseada em castas (quem leu O Anticristo sabe muito bem do que estou falando). Sobre o argumento ad hominem usado por Russell, devemos nos lembrar que esse vídeo é apenas um comentário geral e não uma análise acadêmica, que diga-se de passagem também foi feita pelo célebre filósofo galês em outras oportunidades. Nietzsche foi um grande escritor, um dos mestres da prosa em alemão, mas quando analisadas filosoficamente muitas de suas ideias (não todas, levando ainda em consideração fato de que em muitas passagens sua linguagem poética propicia diversas interpretações) se mostram incoerentes ou potencialmente danosas, fornecendo inspiração para movimentos totalitários.
Citação de: genjikhan em 07 de Dezembro de 2011, 22:08:01
A Análise de Martin Heidegger sobre Nietzsche é interessante,já que mostra que Nietzsche fez um grande avanço ao eliminar a necessidade de explicações sobrenaturais para os acontecimentos do universo . Me pergunto se os eventos que estavam acontecendo na época de Nietzsche influenciaram na elaboração da filosofia dele .
O ''fim da metafísica'' citado por Heidegger e interpretado por você como sendo uma eliminação de explicações sobrenaturais para o universo não procede, metafísica nesse contexto não se refere simplesmente a fenômenos sobrenaturais, na tradição continental de filosofia essa palavra não tem o mesmo sentido que é comumente usado em meios céticos/ateuzinhos da atualidade. A forma como esse termo é usado popularmente hoje em dia é com o sentido que os positivistas lógicos do início do século XX atribuíam ao termo, sendo sinônimo de asserções não-empíricas, não tratáveis cientificamente. Para Nietzsche e Heidegger, metafísica significa sobretudo uma estruturação última da realidade, o estabelecimento de ideias gerais que seriam um guia para os homens em sua existência (ou seja, nesse sentido o próprio racionalismo é um conceito metafísico para eles). Essa interpretação de Heidegger sobre a obra de Nietzsche é interessante, mas desemboca no niilismo e no relativismo.
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Data da postagem: 08/12/2011, 00:41

Citação de: TMAG em 08 de Dezembro de 2011, 03:41:47
Gostaria de saber em que trecho de que livro,Nietzsche diz que o altruismo é um sinal de decadência do homem superior? Tambem gostaria de saber em que trecho ele diz que os fortes devem usar da força bruta para oprimir os fracos,que deve ser a razão pela qual você o considera como um dos pensadores que mais causou mal à humanidade?
Citação de: TMAG em 08 de Dezembro de 2011, 03:41:47
Metafisica seria algo como o conjunto de ideias que a mente usa para determinar o que pertence a realidade e o que não pertencem,como a ideia de "penso,logo existo",por exemplo? Ademais,gostaria de saber qual o problema que teria da análise de Heidegger desembocar no niilismo e no relativismo e mais importante,qual seria o problema desses conceitos filosóficos?
Creio que não entendeu o cerne da crítica feita por Russell, ele não parte do pressuposto de que Nietzsche seria o tal Super-homem, e sim de que a forma que o mesmo adquiriu na obra de Nietzsche era uma mera projeção do pensamento pensamento do filósofo teutônico, ''impiedoso, ardiloso e cruel''. Outro ponto em que sua discordância a crítica de Russell falha é sobre o ''amor cristão''. Nietzsche não despreza o amor cristão por ser ''baseado no medo'', ele o condena porque Nietzsche é basicamente contra toda e qualquer forma de altruísmo, que na filosofia nietzscheana não passa de um sinal da decadência do ''homem superior''. Não por acaso Nietzsche atribuía a introdução do cristianismo e sua moral igualitarista e altruísta como principal fator a desencadear a queda do império romano. Lembre-se que Nietzsche foi uma das principais inspirações do fascismo, com suas ideias de domínio do forte sobre o fraco e de uma sociedade fortemente estratificada baseada em castas (quem leu O Anticristo sabe muito bem do que estou falando). Sobre o argumento ad hominem usado por Russell, devemos nos lembrar que esse vídeo é apenas um comentário geral e não uma análise acadêmica, que diga-se de passagem também foi feita pelo célebre filósofo galês em outras oportunidades. Nietzsche foi um grande escritor, um dos mestres da prosa em alemão, mas quando analisadas filosoficamente muitas de suas ideias (não todas, levando ainda em consideração fato de que em muitas passagens sua linguagem poética propicia diversas interpretações) se mostram incoerentes ou potencialmente danosas, fornecendo inspiração para movimentos totalitários.
Gostaria de saber em que trecho de que livro,Nietzsche diz que o altruismo é um sinal de decadência do homem superior? Tambem gostaria de saber em que trecho ele diz que os fortes devem usar da força bruta para oprimir os fracos,que deve ser a razão pela qual você o considera como um dos pensadores que mais causou mal à humanidade?
Citação de: TMAG em 08 de Dezembro de 2011, 03:41:47
O ''fim da metafísica'' citado por Heidegger e interpretado por você como sendo uma eliminação de explicações sobrenaturais para o universo não procede, metafísica nesse contexto não se refere simplesmente a fenômenos sobrenaturais, na tradição continental de filosofia essa palavra não tem o mesmo sentido que é comumente usado em meios céticos/ateuzinhos da atualidade. A forma como esse termo é usado popularmente hoje em dia é com o sentido que os positivistas lógicos do início do século XX atribuíam ao termo, sendo sinônimo de asserções não-empíricas, não tratáveis cientificamente. Para Nietzsche e Heidegger, metafísica significa sobretudo uma estruturação última da realidade, o estabelecimento de ideias gerais que seriam um guia para os homens em sua existência (ou seja, nesse sentido o próprio racionalismo é um conceito metafísico para eles). Essa interpretação de Heidegger sobre a obra de Nietzsche é interessante, mas desemboca no niilismo e no relativismo.
Metafisica seria algo como o conjunto de ideias que a mente usa para determinar o que pertence a realidade e o que não pertencem,como a ideia de "penso,logo existo",por exemplo? Ademais,gostaria de saber qual o problema que teria da análise de Heidegger desembocar no niilismo e no relativismo e mais importante,qual seria o problema desses conceitos filosóficos?
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Data da postagem: 08/12/2011, 18:23

Citação de: TMAG em 08 de Dezembro de 2011, 03:41:47
Concordo sobre as diferenças de significado entre o uso corrente em ambientes virtuais não-especializados e o meio acadêmico. No entanto, o próprio Aristóteles (no Metafísica) dá a entender que a finalidade última da metafísica é o de estabelecer 'princípios comuns a todas as coisas' no qual o sobrenatural seria a base.
A respeito do tópico. Os mais "maléficos pensadores" foram, no meu entender, os pós-modernistas, Marx e vários discípulos, Hegel, Gobineau (até aqui coincidindo com a lista do TMAG) e os primeiros escolásticos.
O ''fim da metafísica'' citado por Heidegger e interpretado por você como sendo uma eliminação de explicações sobrenaturais para o universo não procede, metafísica nesse contexto não se refere simplesmente a fenômenos sobrenaturais, na tradição continental de filosofia essa palavra não tem o mesmo sentido que é comumente usado em meios céticos/ateuzinhos da atualidade. A forma como esse termo é usado popularmente hoje em dia é com o sentido que os positivistas lógicos do início do século XX atribuíam ao termo, sendo sinônimo de asserções não-empíricas, não tratáveis cientificamente. Para Nietzsche e Heidegger, metafísica significa sobretudo uma estruturação última da realidade, o estabelecimento de ideias gerais que seriam um guia para os homens em sua existência (ou seja, nesse sentido o próprio racionalismo é um conceito metafísico para eles). Essa interpretação de Heidegger sobre a obra de Nietzsche é interessante, mas desemboca no niilismo e no relativismo.
Concordo sobre as diferenças de significado entre o uso corrente em ambientes virtuais não-especializados e o meio acadêmico. No entanto, o próprio Aristóteles (no Metafísica) dá a entender que a finalidade última da metafísica é o de estabelecer 'princípios comuns a todas as coisas' no qual o sobrenatural seria a base.
A respeito do tópico. Os mais "maléficos pensadores" foram, no meu entender, os pós-modernistas, Marx e vários discípulos, Hegel, Gobineau (até aqui coincidindo com a lista do TMAG) e os primeiros escolásticos.
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Data da postagem: 08/12/2011, 20:46

Citação de: genjikhan em 08 de Dezembro de 2011, 21:23:16
Existem muitas passagens em que Nietzsche defende valores relacionados a força, anti-igualitarismo e o espírito do ''homem superior''. Recomendo que leia o capítulo oito de Humano, demasiado humano e as partes finais de O Anticristo, principalmente a parte LVII do livro supra, parte essa em que Nietzsche faz uma defesa bizarra do sistema de castas hindu, aparentemente considerando-o um modelo ideal de sociedade. Também é relevante que eu lhe informe que essas são apenas as passagens que me recordo no momento, existindo muitas outras com conteúdo semelhante nas obras de Nietzsche que já li. Recomendo-lhe também a leitura de dois livros que abordam o tema do elitismo e aparente autoritarismo do filósofo alemão, são eles: Nietzsche, o rebelde aristocrata, do filósofo marxista Domenico Losurdo (apesar do autor ser marxista o livro é bastante interessante, é só saber filtrar as partes marxistóides mais afetadas) e Por que não somos nietzscheanos, obra conjunta de alguns filósofos franceses, entre os quais Renault e Comte-Sponville. Outra coisa que demos lembrar é que Nietzsche é muitas vezes um pensador dúbio e contraditório, escrevendo muitas vezes em um tom metafórico e aforístico, o recorrente uso de linguagem poética nas suas obras é interessante do ponto de vista estético-literário, mas do ponto de vista filosófico essa forma de linguagem contribui muito para que a obscuridade seja uma das suas principais caracteristícas, provavelmente a escolha da linguagem poética e do raciocínio fragmentado são consequencia do desprezo que Nietzsche nutria pelo racionalismo e os valores do iluminismo, que na visão nietzscheana escravizou os instintos do homem moderno e extinguiu a dimensão dionisíaca da vida.
Citação de: genjikhan em 08 de Dezembro de 2011, 21:23:16
Para compreender a interpretação da obra de Nietzsche feita por Heidegger e o sentido do termo metafísica nesse contexto, é necessário compreender a interpretação de Nietzsche de toda a história da filosofia ocidental e da existência humana. Para Nietzsche, assim como para Schopenhauer e muitos pensadores pré-socráticos, tudo está em um constante fluxo, a mudança é o elemento característico da realidade, nada é estável e duradouro, esse tipo de pensamento é muito bem explicitado pela célebre frase ''Nada é, tudo vem a ser''. Na visão nietzscheana (mais especificamente na interpretação de Heidegger), como tudo está sempre em iminência de vir a ser e não na iminência de ser, pode-se concluir daí que não existem fatos universais e a-históricos, tudo é transitório, e coisas como valores, sentimentos e a própria noção de verdade seriam apenas a manifestação de uma circunstancia específica da história. Para Nietzsche uma visão de mundo metafísica é aquela que pretende enxergar nos objetos algum sentido intrínseco aos mesmos independente das forças da história e da temporalidade, ele atribui a Sócrates e Platão a visão de que existiriam coisas verdadeiras por si mesmas, conceitos que fossem reais e universalmente válidos independentes do tempo e do vir a ser, a maiêutica e a teoria das ideias seriam as primeiras expressões desse pensamento, denominado ''Apolíneo'', que para Nietzsche foi o início da metafísica e racionalismo ocidental , que depois desembocariam no iluminismo e nos valores iluministas-racionalistas modernos, desprezados pelo filósofo teutônico, pois segundo ele esses ideais seriam responsáveis pela repressão dos instintos e do corpo, uma eliminação brutal do sentido dionisíaco primordial da vida. Na filosofia de Nietzsche a própria noção de que existam coisas como ''verdade'' e ''realidade'' é algo metafísico, pensamento expresso de forma visceral na expressão nietzscheana ''nada é verdade''.
Gostaria de saber em que trecho de que livro,Nietzsche diz que o altruismo é um sinal de decadência do homem superior? Tambem gostaria de saber em que trecho ele diz que os fortes devem usar da força bruta para oprimir os fracos,que deve ser a razão pela qual você o considera como um dos pensadores que mais causou mal à humanidade?
Existem muitas passagens em que Nietzsche defende valores relacionados a força, anti-igualitarismo e o espírito do ''homem superior''. Recomendo que leia o capítulo oito de Humano, demasiado humano e as partes finais de O Anticristo, principalmente a parte LVII do livro supra, parte essa em que Nietzsche faz uma defesa bizarra do sistema de castas hindu, aparentemente considerando-o um modelo ideal de sociedade. Também é relevante que eu lhe informe que essas são apenas as passagens que me recordo no momento, existindo muitas outras com conteúdo semelhante nas obras de Nietzsche que já li. Recomendo-lhe também a leitura de dois livros que abordam o tema do elitismo e aparente autoritarismo do filósofo alemão, são eles: Nietzsche, o rebelde aristocrata, do filósofo marxista Domenico Losurdo (apesar do autor ser marxista o livro é bastante interessante, é só saber filtrar as partes marxistóides mais afetadas) e Por que não somos nietzscheanos, obra conjunta de alguns filósofos franceses, entre os quais Renault e Comte-Sponville. Outra coisa que demos lembrar é que Nietzsche é muitas vezes um pensador dúbio e contraditório, escrevendo muitas vezes em um tom metafórico e aforístico, o recorrente uso de linguagem poética nas suas obras é interessante do ponto de vista estético-literário, mas do ponto de vista filosófico essa forma de linguagem contribui muito para que a obscuridade seja uma das suas principais caracteristícas, provavelmente a escolha da linguagem poética e do raciocínio fragmentado são consequencia do desprezo que Nietzsche nutria pelo racionalismo e os valores do iluminismo, que na visão nietzscheana escravizou os instintos do homem moderno e extinguiu a dimensão dionisíaca da vida.
Citação de: genjikhan em 08 de Dezembro de 2011, 21:23:16
Metafisica seria algo como o conjunto de ideias que a mente usa para determinar o que pertence a realidade e o que não pertencem,como a ideia de "penso,logo existo",por exemplo?
Para compreender a interpretação da obra de Nietzsche feita por Heidegger e o sentido do termo metafísica nesse contexto, é necessário compreender a interpretação de Nietzsche de toda a história da filosofia ocidental e da existência humana. Para Nietzsche, assim como para Schopenhauer e muitos pensadores pré-socráticos, tudo está em um constante fluxo, a mudança é o elemento característico da realidade, nada é estável e duradouro, esse tipo de pensamento é muito bem explicitado pela célebre frase ''Nada é, tudo vem a ser''. Na visão nietzscheana (mais especificamente na interpretação de Heidegger), como tudo está sempre em iminência de vir a ser e não na iminência de ser, pode-se concluir daí que não existem fatos universais e a-históricos, tudo é transitório, e coisas como valores, sentimentos e a própria noção de verdade seriam apenas a manifestação de uma circunstancia específica da história. Para Nietzsche uma visão de mundo metafísica é aquela que pretende enxergar nos objetos algum sentido intrínseco aos mesmos independente das forças da história e da temporalidade, ele atribui a Sócrates e Platão a visão de que existiriam coisas verdadeiras por si mesmas, conceitos que fossem reais e universalmente válidos independentes do tempo e do vir a ser, a maiêutica e a teoria das ideias seriam as primeiras expressões desse pensamento, denominado ''Apolíneo'', que para Nietzsche foi o início da metafísica e racionalismo ocidental , que depois desembocariam no iluminismo e nos valores iluministas-racionalistas modernos, desprezados pelo filósofo teutônico, pois segundo ele esses ideais seriam responsáveis pela repressão dos instintos e do corpo, uma eliminação brutal do sentido dionisíaco primordial da vida. Na filosofia de Nietzsche a própria noção de que existam coisas como ''verdade'' e ''realidade'' é algo metafísico, pensamento expresso de forma visceral na expressão nietzscheana ''nada é verdade''.
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Data da postagem: 08/12/2011, 22:42

@Tmag
Estava dando uma olhada no prólogo de Anticristo e o que me chamou a atenção foi o "pré-requisito" inicial que Nietzsche dá para quem deseja entender a obra dele . Talvez não faça muito sentido o que vou falar agora,mas parece que os livros dele foram feitos para serem entendidos apenas por aqueles que se isolaram completamente da sociedade e que não estão presos à nenhum dogma . Seria esta a razão pela qual ele tinha uma inclinação ao obscurantismo?
Estava dando uma olhada no prólogo de Anticristo e o que me chamou a atenção foi o "pré-requisito" inicial que Nietzsche dá para quem deseja entender a obra dele . Talvez não faça muito sentido o que vou falar agora,mas parece que os livros dele foram feitos para serem entendidos apenas por aqueles que se isolaram completamente da sociedade e que não estão presos à nenhum dogma . Seria esta a razão pela qual ele tinha uma inclinação ao obscurantismo?
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Data da postagem: 10/12/2011, 04:40

A pergunta refere-se a "mal à humanidade", por isso acho estranho tanta discussão em torno de Nietzsche... Afinal bem pouca humanidade é ou foi influenciada por Nietzche, quando cmparado com fundadores de religiões ou de ideologias políticas...
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Data da postagem: 11/12/2011, 10:41

Nietzsche pode não ter criado ele mesmo uma ideologia e/ou corrente política totalitária, mas suas ideias inspiraram diretamente fundadores desse tipo de ideologia, como Hitler e Mussolini. Hitler chegou ao ponto de distribuir cópias de Also sprach Zarathustra para os soldados alemães na segunda guerra mundial. Outra desgraça que podemos atribuir as ideias de Nietzsche é o surgimento do pós-modernismo.
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Data da postagem: 11/12/2011, 11:20

Citação de: TMAG em 11 de Dezembro de 2011, 14:20:51
Pelo pouco que conheço de Nietzsche,vejo que a ideia do Ubermensh acabou gerando acidentalmente o conceito de "Superioridade Ariana"(acidentalmente,porque Nietzsche nunca disse que existia uma raça superior à outra) . Lembro de ter lido em algum lugar na internet,que Nietzsche tinha prevido que seu nome seria usado para justificar as catastrofes que viriam após a vida dele . Eu entendo a influência de Nietzsche no surgimento do pós-modernismo,mas vejo que é um erro considerar-lo como o único fundador da filosofia pós-modernista . Existem vários outros fatores que influenciaram no pós-modernismo,como o avanço tecnológico da civilização,a crescente influência do consumismo,que está destruindo gradativamente nosso planeta,a crescente concentração de renda(ricos sendo mais ricos e pobres sendo mais pobres),etc . No seu ponto de vista,o que pode ser melhorado na "filosofia pós-modernista"?
Nietzsche pode não ter criado ele mesmo uma ideologia e/ou corrente política totalitária, mas suas ideias inspiraram diretamente fundadores desse tipo de ideologia, como Hitler e Mussolini. Hitler chegou ao ponto de distribuir cópias de Also sprach Zarathustra para os soldados alemães na segunda guerra mundial. Outra desgraça que podemos atribuir as ideias de Nietzsche é o surgimento do pós-modernismo.
Pelo pouco que conheço de Nietzsche,vejo que a ideia do Ubermensh acabou gerando acidentalmente o conceito de "Superioridade Ariana"(acidentalmente,porque Nietzsche nunca disse que existia uma raça superior à outra) . Lembro de ter lido em algum lugar na internet,que Nietzsche tinha prevido que seu nome seria usado para justificar as catastrofes que viriam após a vida dele . Eu entendo a influência de Nietzsche no surgimento do pós-modernismo,mas vejo que é um erro considerar-lo como o único fundador da filosofia pós-modernista . Existem vários outros fatores que influenciaram no pós-modernismo,como o avanço tecnológico da civilização,a crescente influência do consumismo,que está destruindo gradativamente nosso planeta,a crescente concentração de renda(ricos sendo mais ricos e pobres sendo mais pobres),etc . No seu ponto de vista,o que pode ser melhorado na "filosofia pós-modernista"?
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Data da postagem: 11/12/2011, 16:47

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Fazendo uma de Advogado do Bigodón, ele é tão responsável pelo uso de suas idéias por Nazistas quanto Darwin é pela Darwinismo-Social (ou seja, quase nada). Por mais freaks que fossem as idéias nietzscheanas, ele nunca foi coletivista e sua simpatia á movimentos de massa era praticamente nula (ainda mais quanto ao pangermanismo, embora ele tivesse sua queda pelos "nobre teutões") - sem contar que o Superhomem não era um herói popular, idealização de todo um povo e seguido por grande número de pessoas, mas alguém isolado, incompreendido e certo de si. Isso não o torna um filósofo muito melhor, mas se ele tem culpa pelo Nacionalistas Sociais, é porque não o leram direito (se bem que afirmar que alguém leu direito ou não um autor tão contraditório quanto ele soa até uma piada de mal gosto).
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Eu tenho dúvidas honestas se isso é algo menos ruim ou não do que ser atribuído como inspiração do Nazismo.
Nietzsche pode não ter criado ele mesmo uma ideologia e/ou corrente política totalitária, mas suas ideias inspiraram diretamente fundadores desse tipo de ideologia, como Hitler e Mussolini.
Fazendo uma de Advogado do Bigodón, ele é tão responsável pelo uso de suas idéias por Nazistas quanto Darwin é pela Darwinismo-Social (ou seja, quase nada). Por mais freaks que fossem as idéias nietzscheanas, ele nunca foi coletivista e sua simpatia á movimentos de massa era praticamente nula (ainda mais quanto ao pangermanismo, embora ele tivesse sua queda pelos "nobre teutões") - sem contar que o Superhomem não era um herói popular, idealização de todo um povo e seguido por grande número de pessoas, mas alguém isolado, incompreendido e certo de si. Isso não o torna um filósofo muito melhor, mas se ele tem culpa pelo Nacionalistas Sociais, é porque não o leram direito (se bem que afirmar que alguém leu direito ou não um autor tão contraditório quanto ele soa até uma piada de mal gosto).
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Outra desgraça que podemos atribuir as ideias de Nietzsche é o surgimento do pós-modernismo.
Eu tenho dúvidas honestas se isso é algo menos ruim ou não do que ser atribuído como inspiração do Nazismo.
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Data da postagem: 11/12/2011, 18:03

Citação de: genjikhan em 08 de Dezembro de 2011, 21:23:16
Está aí algo que eu também gostaria de saber. Reconhecer o processo seletivo da evolução é ser despótico, é incentivar a tirania e a opressão? Claro que os adeptos politicamente corretos do culturismo fogem dessa realidade como o diabo, se existisse, fugiria da cruz. Não querem reconhecer que há mais bem adaptados dentro da espécie humana. Mas demonstram desconhecer tanto os meandros insondabilíssimos da evolução que não percebem que os mais bem adaptados podem ser justamente aqueles que eles temem não ser. Essa me parece ser a mesma base falaciosa da argumentação de crentes contra Darwin de que ele, com sua teoria, teria dado aval ou mesmo incentivado atos de dominação como se ele pudesse ter criado alguma realidade. Os mais bem adaptados sobrevivem mais e melhor e há muitas formas de ser mais bem adaptado, como ser mais forte fisicamente, mais forte psicologicamente ou... mais forte altruisticamente. Mas, no processo altruístico, quem é o mais forte *evolutivamente*? Não é o "mais fraco" aparentemente? Como o processo evolutivo é complexíssimo, normalmente esquece-se de quem é o "mais forte", o mais bem adaptado no altruísmo. Nada muda, são só as ideias (realmente) preconcebidas e desviadas da realidade com tendências associativas de força e de fraqueza com paralelos que não correspondem ao que é real. A tendência para dominar pode ser um fator de fraqueza evolutiva, de seleção eliminatória. Pode desencadear sensos de culpa, arrependimento, piedade, defesa, nos próprios ou em outros, e quem se beneficia com isso? Como exemplo (e isto é um exemplo de finalidade estritamente científica; não tenho nenhum partido a tomar nisso; notando que só de eu perceber a necessidade de frisar já reforça o exemplo que estou apontando), quem se deu melhor, evolutivamente, os nazistas ou os judeus? Quem foi selecionado e quem foi eliminado? Isto é evolução em sociedade humana, qualquer que seja a ilusão a que se atribua o fato.
Mas como tudo o que li de Nietzsche foi só o que eu já disse, além de diversas citações esparsas, espero que alguém me aponte onde estaria a conclamação *direta e objetiva* à dominação e à barbárie contra fracos e oprimidos proclamada por ele. Do que eu li, só posso depreender que ele denunciava um tipo específico de dominação. Do que li, só posso entrever um discurso libertário, não opressor. Também não achei nem um pouco impressionante nem interessante o discurso dele. Qualquer realista pensa exatamente ou quase da mesma forma.
Citação de: genjikhan em 08 de Dezembro de 2011, 21:23:16
E o que seria "estruturação última da realidade", "guia (perfeito? definitivo?) para homens e suas existências" senão pricípios mágicos, sobrenaturais, antropocêntricos de que há uma essencialidade, um absoluto na razão humana de existir? Ora, se ainda se dissesse que, para eles, metafísica significasse "a física como meta" (essa foi boa...). Os significados acima são tão mágicos, transcendentes ou sobrenaturais quanto qualquer um "outro" que os... como é mesmo?? céticos/ateuzinhos/positivistas lógicos (nossa, que palavrões feios! parece um xingamento e tanto...) do século XX e da atualidade tenham em mente quando do termo.
Se o racionalismo (e não falo aqui do filosófico, mas do estritamente científico mesmo) for interpretado como essa teoria última de tudo, estilo pleno de viver e de pensar, evoluído para uma singularidade absoluta no viver e no pensar, então, que se descarte no lixo esse tal racionalismo porque é metafisicamente sobrenatural, mágico, transcendente ou como se quiser chamar desde que se entenda claramente, sem polissemismos desvairados ou tergiversações tendenciosas, que é irreal, expressão irreal da realidade (tentativa de) e que não tem qualquer utilidade ou função para nada objetivo.
Citação de: TMAG em 08 de Dezembro de 2011, 03:41:47Creio que não entendeu o cerne da crítica feita por Russell, ele não parte do pressuposto de que Nietzsche seria o tal Super-homem, e sim de que a forma que o mesmo adquiriu na obra de Nietzsche era uma mera projeção do pensamento pensamento do filósofo teutônico, ''impiedoso, ardiloso e cruel''. Outro ponto em que sua discordância a crítica de Russell falha é sobre o ''amor cristão''. Nietzsche não despreza o amor cristão por ser ''baseado no medo'', ele o condena porque Nietzsche é basicamente contra toda e qualquer forma de altruísmo, que na filosofia nietzscheana não passa de um sinal da decadência do ''homem superior''. Não por acaso Nietzsche atribuía a introdução do cristianismo e sua moral igualitarista e altruísta como principal fator a desencadear a queda do império romano. Lembre-se que Nietzsche foi uma das principais inspirações do fascismo, com suas ideias de domínio do forte sobre o fraco e de uma sociedade fortemente estratificada baseada em castas (quem leu O Anticristo sabe muito bem do que estou falando). Sobre o argumento ad hominem usado por Russell, devemos nos lembrar que esse vídeo é apenas um comentário geral e não uma análise acadêmica, que diga-se de passagem também foi feita pelo célebre filósofo galês em outras oportunidades. Nietzsche foi um grande escritor, um dos mestres da prosa em alemão, mas quando analisadas filosoficamente muitas de suas ideias (não todas, levando ainda em consideração fato de que em muitas passagens sua linguagem poética propicia diversas interpretações) se mostram incoerentes ou potencialmente danosas, fornecendo inspiração para movimentos totalitários.
Gostaria de saber em que trecho de que livro,Nietzsche diz que o altruismo é um sinal de decadência do homem superior? Tambem gostaria de saber em que trecho ele diz que os fortes devem usar da força bruta para oprimir os fracos,que deve ser a razão pela qual você o considera como um dos pensadores que mais causou mal à humanidade?
Está aí algo que eu também gostaria de saber. Reconhecer o processo seletivo da evolução é ser despótico, é incentivar a tirania e a opressão? Claro que os adeptos politicamente corretos do culturismo fogem dessa realidade como o diabo, se existisse, fugiria da cruz. Não querem reconhecer que há mais bem adaptados dentro da espécie humana. Mas demonstram desconhecer tanto os meandros insondabilíssimos da evolução que não percebem que os mais bem adaptados podem ser justamente aqueles que eles temem não ser. Essa me parece ser a mesma base falaciosa da argumentação de crentes contra Darwin de que ele, com sua teoria, teria dado aval ou mesmo incentivado atos de dominação como se ele pudesse ter criado alguma realidade. Os mais bem adaptados sobrevivem mais e melhor e há muitas formas de ser mais bem adaptado, como ser mais forte fisicamente, mais forte psicologicamente ou... mais forte altruisticamente. Mas, no processo altruístico, quem é o mais forte *evolutivamente*? Não é o "mais fraco" aparentemente? Como o processo evolutivo é complexíssimo, normalmente esquece-se de quem é o "mais forte", o mais bem adaptado no altruísmo. Nada muda, são só as ideias (realmente) preconcebidas e desviadas da realidade com tendências associativas de força e de fraqueza com paralelos que não correspondem ao que é real. A tendência para dominar pode ser um fator de fraqueza evolutiva, de seleção eliminatória. Pode desencadear sensos de culpa, arrependimento, piedade, defesa, nos próprios ou em outros, e quem se beneficia com isso? Como exemplo (e isto é um exemplo de finalidade estritamente científica; não tenho nenhum partido a tomar nisso; notando que só de eu perceber a necessidade de frisar já reforça o exemplo que estou apontando), quem se deu melhor, evolutivamente, os nazistas ou os judeus? Quem foi selecionado e quem foi eliminado? Isto é evolução em sociedade humana, qualquer que seja a ilusão a que se atribua o fato.
Mas como tudo o que li de Nietzsche foi só o que eu já disse, além de diversas citações esparsas, espero que alguém me aponte onde estaria a conclamação *direta e objetiva* à dominação e à barbárie contra fracos e oprimidos proclamada por ele. Do que eu li, só posso depreender que ele denunciava um tipo específico de dominação. Do que li, só posso entrever um discurso libertário, não opressor. Também não achei nem um pouco impressionante nem interessante o discurso dele. Qualquer realista pensa exatamente ou quase da mesma forma.
Citação de: genjikhan em 08 de Dezembro de 2011, 21:23:16
Citação de: TMAG em 08 de Dezembro de 2011, 03:41:47O ''fim da metafísica'' citado por Heidegger e interpretado por você como sendo uma eliminação de explicações sobrenaturais para o universo não procede, metafísica nesse contexto não se refere simplesmente a fenômenos sobrenaturais, na tradição continental de filosofia essa palavra não tem o mesmo sentido que é comumente usado em meios céticos/ateuzinhos da atualidade. A forma como esse termo é usado popularmente hoje em dia é com o sentido que os positivistas lógicos do início do século XX atribuíam ao termo, sendo sinônimo de asserções não-empíricas, não tratáveis cientificamente. Para Nietzsche e Heidegger, metafísica significa sobretudo uma estruturação última da realidade, o estabelecimento de ideias gerais que seriam um guia para os homens em sua existência (ou seja, nesse sentido o próprio racionalismo é um conceito metafísico para eles). Essa interpretação de Heidegger sobre a obra de Nietzsche é interessante, mas desemboca no niilismo e no relativismo.
Metafisica seria algo como o conjunto de ideias que a mente usa para determinar o que pertence a realidade e o que não pertencem,como a ideia de "penso,logo existo",por exemplo? Ademais,gostaria de saber qual o problema que teria da análise de Heidegger desembocar no niilismo e no relativismo e mais importante,qual seria o problema desses conceitos filosóficos?
E o que seria "estruturação última da realidade", "guia (perfeito? definitivo?) para homens e suas existências" senão pricípios mágicos, sobrenaturais, antropocêntricos de que há uma essencialidade, um absoluto na razão humana de existir? Ora, se ainda se dissesse que, para eles, metafísica significasse "a física como meta" (essa foi boa...). Os significados acima são tão mágicos, transcendentes ou sobrenaturais quanto qualquer um "outro" que os... como é mesmo?? céticos/ateuzinhos/positivistas lógicos (nossa, que palavrões feios! parece um xingamento e tanto...) do século XX e da atualidade tenham em mente quando do termo.
Se o racionalismo (e não falo aqui do filosófico, mas do estritamente científico mesmo) for interpretado como essa teoria última de tudo, estilo pleno de viver e de pensar, evoluído para uma singularidade absoluta no viver e no pensar, então, que se descarte no lixo esse tal racionalismo porque é metafisicamente sobrenatural, mágico, transcendente ou como se quiser chamar desde que se entenda claramente, sem polissemismos desvairados ou tergiversações tendenciosas, que é irreal, expressão irreal da realidade (tentativa de) e que não tem qualquer utilidade ou função para nada objetivo.
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Data da postagem: 11/12/2011, 22:50