
Clube Cético
Para você quais foram as ideias e pensadores que mais causaram mal a humanidade?
Autor: TMAG | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 14370 Comentários: 125

Não gosta de rortianos, DDV?
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:28

Citação de: TMAG em 24 de Novembro de 2011, 22:21:31
O Rorty já recebeu tantas refutações (que na verdade foram demonstrações de suas auto-contradições) que ele próprio "arregou" várias vezes, dizendo que a sua filosofia não tinha intenção construtiva, mas apenas "minar a confiança do leitor".
O legal dos pós-modernistas é que eles próprios se auto-refutam, o que dá pouco trabalho para seus opositores (que basicamente precisam apenas mostrar essas auto-contradições).
Um exemplo: Rorty diz que a "verdade" nada mais é do que algo sobre a qual a maioria chegou a um acordo. Utilizando o próprio critério dele, podemos concluir que o objetivismo científico é verdadeiro e portanto o seu relativismo é falso, dado que a maioria dos cientistas e filósofos é objetivista.
Citação de: Martuchelli em 24 de Novembro de 2011, 22:13:15Sim.
Embora seja um astro acadêmico no Brasil, nos EUA Rorty era tão desprezado que acabou tendo que dar aulas em departamentos de literatura e humanidades, tamanha a ojeriza de outros filósofos norte-americanos por ele. Nunca o li diretamente, o que sei sobre seu pensamento li em alguns ensaios sobre filósofos norte-americanos contemporâneos, mas ao que me parece ele é apenas mais um daqueles relativistas radicais que afirma entre outras coisas que a ciência não difere substancialmente da poesia.
Isso procede?
O Rorty já recebeu tantas refutações (que na verdade foram demonstrações de suas auto-contradições) que ele próprio "arregou" várias vezes, dizendo que a sua filosofia não tinha intenção construtiva, mas apenas "minar a confiança do leitor".
O legal dos pós-modernistas é que eles próprios se auto-refutam, o que dá pouco trabalho para seus opositores (que basicamente precisam apenas mostrar essas auto-contradições).
Um exemplo: Rorty diz que a "verdade" nada mais é do que algo sobre a qual a maioria chegou a um acordo. Utilizando o próprio critério dele, podemos concluir que o objetivismo científico é verdadeiro e portanto o seu relativismo é falso, dado que a maioria dos cientistas e filósofos é objetivista.
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:33

Citação de: Martuchelli em 24 de Novembro de 2011, 22:28:10
Não é "não gostar", eu apenas os desprezo.
Não gosta de rortianos, DDV?
Não é "não gostar", eu apenas os desprezo.
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:34

Já que você nos despreza, não adianta eu falar nada. 

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Data da postagem: 24/11/2011, 19:38

Citação de: uiliníli em 24 de Novembro de 2011, 22:19:42
De fato, mas no caso de Einstein ele mesmo pediu para se construir a bomba, não foi uma ideia paralela. Parece que ele não a imaginava sendo usada contra civis, na carta ele fala em destruir um porto, até porque ele duvidava que ela pudesse ser transportada pelo ar, mas a bomba não deriva em parte de descobertas dele, como também ele recomendou a sua construção ao presidente dos Estados Unidos. Nenhum dos outros pensadores citados gerou um monstro que quase destruiu e ainda pode destruir o mundo.
Isso é uma forma de encarar, outra é como algo que salvou o mundo, que deu uma guinada dramática na ascenção de violência global, possivelmente reduzindo os conflitos posteriores a escalas consideravelmente menores do que se teve anteriormente.
Acho que a bomba atômica talvez seja argumentavelmente tão ou mais importante quanto a ONU nesse sentido.
http://en.wikipedia.org/wiki/Deterrence_theory
Citação de: Buckaroo Banzai em 24 de Novembro de 2011, 22:02:29Citação de: uiliníli em 24 de Novembro de 2011, 21:53:09
Inclusive não intencionalmete? Porque se contarmos quem o fez involuntariamente, nossa lista incluiria desde Jesus Cristo até Albert Einstein.
De modo geral as pessoas não intencionam o mal, então sim.
Mas em alguns casos o mal causado por influência das certas idéias se deve mais à distorção delas (como talvez seja argumentável no caso de Jesus) ou idéias paralelas (definindo um uso potencialmente trágico de avanços tecnológicos ou conhecimentos físicos).
De fato, mas no caso de Einstein ele mesmo pediu para se construir a bomba, não foi uma ideia paralela. Parece que ele não a imaginava sendo usada contra civis, na carta ele fala em destruir um porto, até porque ele duvidava que ela pudesse ser transportada pelo ar, mas a bomba não deriva em parte de descobertas dele, como também ele recomendou a sua construção ao presidente dos Estados Unidos. Nenhum dos outros pensadores citados gerou um monstro que quase destruiu e ainda pode destruir o mundo.
Isso é uma forma de encarar, outra é como algo que salvou o mundo, que deu uma guinada dramática na ascenção de violência global, possivelmente reduzindo os conflitos posteriores a escalas consideravelmente menores do que se teve anteriormente.
Acho que a bomba atômica talvez seja argumentavelmente tão ou mais importante quanto a ONU nesse sentido.
http://en.wikipedia.org/wiki/Deterrence_theory
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:38

Citação de: uiliníli em 24 de Novembro de 2011, 22:25:47
Especificamente não, Marx não diz que se deve matar todo e qualquer burguês a todo custo, até porque ele mesmo era egresso dessa classe, mas isso já está implícito na teoria marxista. Segundo a lógica da dialética hegeliana todas as mudanças históricas só surgem através de conflitos (aquela historinha de tese, antítese e síntese), para Hegel o motor da história era o Geist, palavra alemã que significa mente ou espírito. Marx inverte a dialética e no lugar do Geist coloca as classes sociais e as ''condições histórico-sociais'', ou seja decorre daí a essência da história, a luta de classes. Na teoria marxista a história só chegará ao fim quando o proletariado se tornar consciente de seu papel histórico-social, derrubando o regime da burguesia (a mesma burguesia foi uma classe com potencial revolucionário, derrubando definitivamente o regime feudal-aristocrático) e estabelecendo a ditadura do proletariado. Como sabemos revoluções não são aceitas passivamente pela ''classe dominante'', portanto o único modo dos proletários poderem exercer o papel a que estão destinados pela história é eliminando o elemento burguês.
Citação de: TMAG em 24 de Novembro de 2011, 22:14:35Na verdade eu creio que o próprio Marx e mesmo Hitler não faziam mal intencionalmente. Na cabeça desses grandes utopistas eles e suas ideias são o ''bem'' e portanto qualquer um que se oponha ao seus objetivos de criar a sociedade perfeita (como a burguesia para Marx e os Untermenschen para Hitler) devem ser exterminados sem dó por barrar o avanço dialético da história ou impedir os arianos de conquistarem seu espaço vital.
Eu nunca o li, então é uma dúvida inocente: Marx pregava exterminar fisicamente a burguesia, matar quem se opusesse ao comunismo? Ou isso é uma contribuição apócrifa de Lenin e outros ao marxismo?
Especificamente não, Marx não diz que se deve matar todo e qualquer burguês a todo custo, até porque ele mesmo era egresso dessa classe, mas isso já está implícito na teoria marxista. Segundo a lógica da dialética hegeliana todas as mudanças históricas só surgem através de conflitos (aquela historinha de tese, antítese e síntese), para Hegel o motor da história era o Geist, palavra alemã que significa mente ou espírito. Marx inverte a dialética e no lugar do Geist coloca as classes sociais e as ''condições histórico-sociais'', ou seja decorre daí a essência da história, a luta de classes. Na teoria marxista a história só chegará ao fim quando o proletariado se tornar consciente de seu papel histórico-social, derrubando o regime da burguesia (a mesma burguesia foi uma classe com potencial revolucionário, derrubando definitivamente o regime feudal-aristocrático) e estabelecendo a ditadura do proletariado. Como sabemos revoluções não são aceitas passivamente pela ''classe dominante'', portanto o único modo dos proletários poderem exercer o papel a que estão destinados pela história é eliminando o elemento burguês.
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:42

Citação de: Martuchelli em 24 de Novembro de 2011, 22:38:09
Você pode expôr as suas "razões" (uso razão aqui no sentido racionalista do termo mesmo) no tópico para os demais leitores.
Isso se você achar que é necessário ter razão ao se argumentar contra a razão, claro.
Já que você nos despreza, não adianta eu falar nada.
Você pode expôr as suas "razões" (uso razão aqui no sentido racionalista do termo mesmo) no tópico para os demais leitores.
Isso se você achar que é necessário ter razão ao se argumentar contra a razão, claro.

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Data da postagem: 24/11/2011, 19:42

Citação de: TMAG em 24 de Novembro de 2011, 22:42:12
Especificamente não, Marx não diz que se deve matar todo e qualquer burguês a todo custo, até porque ele mesmo era egresso dessa classe, mas isso já está implícito na teoria marxista. Segundo a lógica da dialética hegeliana todas as mudanças históricas só surgem através de conflitos (aquela historinha de tese, antítese e síntese), para Hegel o motor da história era o Geist, palavra alemã que significa mente ou espírito. Marx inverte a dialética e no lugar do Geist coloca as classes sociais e as ''condições histórico-sociais'', ou seja decorre daí a essência da história, a luta de classes. Na teoria marxista a história só chegará ao fim quando o proletariado se tornar consciente de seu papel histórico-social, derrubando o regime da burguesia (a mesma burguesia foi uma classe com potencial revolucionário, derrubando definitivamente o regime feudal-aristocrático) e estabelecendo a ditadura do proletariado. Como sabemos revoluções não são aceitas passivamente pela ''classe dominante'', portanto o único modo dos proletários poderem exercer o papel a que estão destinados pela história é eliminando o elemento burguês.
O Volume II de "A sociedade aberta e seus inimigos" é dedicado inteiramente a Hegel e Marx. Toda a cadeia argumentativa e causal usada por Marx na elaboração de sua teoria foi mostrada e analisada uma a uma.
Citação de: uiliníli em 24 de Novembro de 2011, 22:25:47Citação de: TMAG em 24 de Novembro de 2011, 22:14:35
Na verdade eu creio que o próprio Marx e mesmo Hitler não faziam mal intencionalmente. Na cabeça desses grandes utopistas eles e suas ideias são o ''bem'' e portanto qualquer um que se oponha ao seus objetivos de criar a sociedade perfeita (como a burguesia para Marx e os Untermenschen para Hitler) devem ser exterminados sem dó por barrar o avanço dialético da história ou impedir os arianos de conquistarem seu espaço vital.
Eu nunca o li, então é uma dúvida inocente: Marx pregava exterminar fisicamente a burguesia, matar quem se opusesse ao comunismo? Ou isso é uma contribuição apócrifa de Lenin e outros ao marxismo?
Especificamente não, Marx não diz que se deve matar todo e qualquer burguês a todo custo, até porque ele mesmo era egresso dessa classe, mas isso já está implícito na teoria marxista. Segundo a lógica da dialética hegeliana todas as mudanças históricas só surgem através de conflitos (aquela historinha de tese, antítese e síntese), para Hegel o motor da história era o Geist, palavra alemã que significa mente ou espírito. Marx inverte a dialética e no lugar do Geist coloca as classes sociais e as ''condições histórico-sociais'', ou seja decorre daí a essência da história, a luta de classes. Na teoria marxista a história só chegará ao fim quando o proletariado se tornar consciente de seu papel histórico-social, derrubando o regime da burguesia (a mesma burguesia foi uma classe com potencial revolucionário, derrubando definitivamente o regime feudal-aristocrático) e estabelecendo a ditadura do proletariado. Como sabemos revoluções não são aceitas passivamente pela ''classe dominante'', portanto o único modo dos proletários poderem exercer o papel a que estão destinados pela história é eliminando o elemento burguês.
O Volume II de "A sociedade aberta e seus inimigos" é dedicado inteiramente a Hegel e Marx. Toda a cadeia argumentativa e causal usada por Marx na elaboração de sua teoria foi mostrada e analisada uma a uma.
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:44


Abrirei outro dia um tópico e exporei minha opinião. Vai demorar um pouquinho, e agora eu vou sair do PC porque ainda quero ver A Enguia hoje... Nada mais propício para alguém como eu, "uiuiui sou um ateuzinho intelectualizinho uiuiui", do que um filme do Imamura.
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:48

Citação de: DDV em 24 de Novembro de 2011, 22:44:58
Esse é um livro que eu já pretendia ler a algum tempo, seus comentários despertaram mais ainda minha curiosidade. Vou ver se dou uma lida por agora. Aliás DDV, você já leu Isaiah Berlin? Tem algumas coisas em comum com Popper como a crítica as ideologias utopistas, mas tem também discordancias como nas críticas de Popper ao historicismo. Aliás isso é algo que sempre quis discutir com um popperiano, qual o significado exato que Popper dá ao termo historicismo? Pelo que sei existem diferentes movimentos intelectuais designados por esse nome, alguns inclusive bastante criticados pelo marxismo, que Popper clama ser uma doutrina historicista.
O Volume II de "A sociedade aberta e seus inimigos" é dedicado inteiramente a Hegel e Marx. Toda a cadeia argumentativa e causal usada por Marx na elaboração de sua teoria foi mostrada e analisada uma a uma.
Esse é um livro que eu já pretendia ler a algum tempo, seus comentários despertaram mais ainda minha curiosidade. Vou ver se dou uma lida por agora. Aliás DDV, você já leu Isaiah Berlin? Tem algumas coisas em comum com Popper como a crítica as ideologias utopistas, mas tem também discordancias como nas críticas de Popper ao historicismo. Aliás isso é algo que sempre quis discutir com um popperiano, qual o significado exato que Popper dá ao termo historicismo? Pelo que sei existem diferentes movimentos intelectuais designados por esse nome, alguns inclusive bastante criticados pelo marxismo, que Popper clama ser uma doutrina historicista.
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Data da postagem: 24/11/2011, 19:56
