
Clube Cético
Perguntas sem-vergonha sobre física...
Autor: Buckaroo Banzai | Categoria: Ciência, Tecnologia e Saúde | Exibições: 177386 Comentários: 1796
Mas Sirhu, conteúdo fútil sempre reinou. Não é uma novidade trazida pela net.
Desde os tempos do rádio que as pessoas preferem passatempos. Na Tv as maiores audiências sempre foram novelas, programas de auditório, Ratinho, BBB, aquelas gincanas do Gugu com alguém segurando um palito pra outro tentar acertar com uma rosquinha de plástico dentro... uns troços assim... a maior parte da audiência é a que está em um estado vegetativo assistindo a estes programas.
Mas essa comunicação "horizontal" de ignorante para ignorante é que parece ser uma coisa nova. Em um jornal, na coluna de economia pode estar escrevendo uma besta, ou até uma besta comprometida com um modelo específico, mas ainda é alguém especializado.
A galera que tá chegando aí forma opinião com gente que conhece tanto ou menos que eles. Por isso acham que estão aptos a falar com autoridade sobre qualquer coisa, não percebem a importância do aprofundamento por falta de referência.
Leandro Karnal conta que seus alunos leem três parágrafos de Nietzsche e decretam: "Não concordo!".
Ele simplesmente responde:" Se você estudar Nietzsche 30 anos no original em alemão talvez você entenda. E a chance de não concordar é pouca."
A respeito do vídeo, fico imaginando mostrar isso para alguém que não consegue nem enfiar na cabeça que vive em um planeta tridimensional...
Desde os tempos do rádio que as pessoas preferem passatempos. Na Tv as maiores audiências sempre foram novelas, programas de auditório, Ratinho, BBB, aquelas gincanas do Gugu com alguém segurando um palito pra outro tentar acertar com uma rosquinha de plástico dentro... uns troços assim... a maior parte da audiência é a que está em um estado vegetativo assistindo a estes programas.
Mas essa comunicação "horizontal" de ignorante para ignorante é que parece ser uma coisa nova. Em um jornal, na coluna de economia pode estar escrevendo uma besta, ou até uma besta comprometida com um modelo específico, mas ainda é alguém especializado.
A galera que tá chegando aí forma opinião com gente que conhece tanto ou menos que eles. Por isso acham que estão aptos a falar com autoridade sobre qualquer coisa, não percebem a importância do aprofundamento por falta de referência.
Leandro Karnal conta que seus alunos leem três parágrafos de Nietzsche e decretam: "Não concordo!".
Ele simplesmente responde:" Se você estudar Nietzsche 30 anos no original em alemão talvez você entenda. E a chance de não concordar é pouca."
A respeito do vídeo, fico imaginando mostrar isso para alguém que não consegue nem enfiar na cabeça que vive em um planeta tridimensional...
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Data da postagem: 22/12/2016, 04:47

Citação de: Pedro Reis em 22 de Dezembro de 2016, 07:47:03
Que ridículo isso. Variação de apelo a autoridade. Você pode "refutar" qualquer discordância dessa maneira. "Vai estudar Marx/Mises/Jesus/Feng-Shui por trinta anos primeiro e depois vem dar sua opiniãozinha, ok".
Leandro Karnal conta que seus alunos leem três parágrafos de Nietzsche e decretam: "Não concordo!".
Ele simplesmente responde:" Se você estudar Nietzsche 30 anos no original em alemão talvez você entenda. E a chance de não concordar é pouca."
Que ridículo isso. Variação de apelo a autoridade. Você pode "refutar" qualquer discordância dessa maneira. "Vai estudar Marx/Mises/Jesus/Feng-Shui por trinta anos primeiro e depois vem dar sua opiniãozinha, ok".
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Data da postagem: 23/12/2016, 13:22

Mas o extremo oposto também é ruim. Realmente tem pessoas que formam opinião sobre algo com base em praticamente nada.
Uma vez eu peguei uma matéria de filosofia na universidade, para ocupar um horário vago e também matar a curiosidade. Era sobre ceticismo pirrônico. Lembro que na primeira aula, enquanto o professor explicava conceitos básicos e fazia a primeira menção a alguns dos autores, vários alunos já manifestavam opinião formada sobre os pontos apresentados. Alguns ainda justificavam com: "eu sou marxista, portanto considero que o pensamento x está errado porque..." ou "eu sou hegeliano, então acho que na verdade o que ocorre é que...". Meros alunos de início de graduação que estavam ouvindo falar pela primeira vez naquele tema. Primeiro escolhiam o time para o qual torciam para depois julgar os demais apenas a partir dessa perspectiva.
Uma vez eu peguei uma matéria de filosofia na universidade, para ocupar um horário vago e também matar a curiosidade. Era sobre ceticismo pirrônico. Lembro que na primeira aula, enquanto o professor explicava conceitos básicos e fazia a primeira menção a alguns dos autores, vários alunos já manifestavam opinião formada sobre os pontos apresentados. Alguns ainda justificavam com: "eu sou marxista, portanto considero que o pensamento x está errado porque..." ou "eu sou hegeliano, então acho que na verdade o que ocorre é que...". Meros alunos de início de graduação que estavam ouvindo falar pela primeira vez naquele tema. Primeiro escolhiam o time para o qual torciam para depois julgar os demais apenas a partir dessa perspectiva.
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Data da postagem: 23/12/2016, 14:11

Em filosofia, com poucas exceções*, o que prevalece no final é a mera opinião de cada um, então não há nada errado ou inesperado nos casos citados.
*Lógica e epistemologia.
*Lógica e epistemologia.
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Data da postagem: 23/12/2016, 14:46

"Opinião" de quem nunca estudou os originais em grego dos grandes filósofos clássicos. Por um ano sequer, o que dizer trinta então.
Mas fundamental mesmo é ser no idioma original. Qualquer zé mané pode estudar traduçõzinhas, mas isso é coisa de pseudo-intelectual mequetrefe, há conhecimento que só existe nos idiomas originais em que foram primeiramente formulados, intraduzíveis.
Exemplo mais batido é a palavra "saudade", do português. Nenhum outro povo do mundo sente saudade, ou consegue expressa-la com precisão semelhante.
Mas fundamental mesmo é ser no idioma original. Qualquer zé mané pode estudar traduçõzinhas, mas isso é coisa de pseudo-intelectual mequetrefe, há conhecimento que só existe nos idiomas originais em que foram primeiramente formulados, intraduzíveis.
Exemplo mais batido é a palavra "saudade", do português. Nenhum outro povo do mundo sente saudade, ou consegue expressa-la com precisão semelhante.
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Data da postagem: 23/12/2016, 14:53

É sempre recompensador comentar algo e ser premiado com um exemplo do que foi dito logo em seguida.
Não que todo mundo tenha que ser especialista em tudo, mas ao menos deveria ser evitado o primeiro abismo do senso comum, com o mesmo cuidado que temos de abrir um livro de física antes de dizer que "é óbvio que a Terra não gira, senão as coisas jogadas para cima na vertical cairiam longe de onde foram arremessadas". Infelizmente, o contato que se têm com a vida cotidiana acaba sendo tido como uma fonte de conhecimento suficiente para "refutar" tudo que é dito por estudiosos de ciências humanas/sociais como mera bobagem ou invencionice.
Não que todo mundo tenha que ser especialista em tudo, mas ao menos deveria ser evitado o primeiro abismo do senso comum, com o mesmo cuidado que temos de abrir um livro de física antes de dizer que "é óbvio que a Terra não gira, senão as coisas jogadas para cima na vertical cairiam longe de onde foram arremessadas". Infelizmente, o contato que se têm com a vida cotidiana acaba sendo tido como uma fonte de conhecimento suficiente para "refutar" tudo que é dito por estudiosos de ciências humanas/sociais como mera bobagem ou invencionice.
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Data da postagem: 23/12/2016, 15:26

Deveria dizer """refutar""" (aspas para as aspas), e não apenas ""refutar"". Pois as próprias "ciências" sociais já demonstram que todo suposto "conhecimento" nada mais é do que um mero apanhado de aparências a que é dado um enquadramento tal que permita sustentar uma visão de mundo que vá de acordo com os interesses de alguns -- das elites, no caso do conhecimento euro-científico ortodoxo.
Não se tem conhecimento absoluto dos "fatos", da "verdade"; tudo que é defendido como tal é apenas um seleto apanhado de perspectivas que podem ser usadas por alguns para convencer a outros daquilo que lhes interessa ter e impor como verdade dominante.
Não se tem conhecimento absoluto dos "fatos", da "verdade"; tudo que é defendido como tal é apenas um seleto apanhado de perspectivas que podem ser usadas por alguns para convencer a outros daquilo que lhes interessa ter e impor como verdade dominante.
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Data da postagem: 23/12/2016, 15:34

Citação de: Buckaroo Banzai em 23 de Dezembro de 2016, 18:34:03
Não. Boa parte dos cientistas sociais não rejeitam o conceito de verdade objetiva e nem a possibilidade do conhecimento pela investigação científica. Essa é uma generalização sem muita base, mero estereótipo e se aplica apenas, grosso modo, aos pós-estruturalistas.
Deveria dizer """refutar""" (aspas para as aspas), e não apenas ""refutar"". Pois as próprias "ciências" sociais já demonstram que todo suposto "conhecimento" nada mais é do que um mero apanhado de aparências a que é dado um enquadramento tal que permita sustentar uma visão de mundo que vá de acordo com os interesses de alguns -- das elites, no caso do conhecimento euro-científico ortodoxo.
Não. Boa parte dos cientistas sociais não rejeitam o conceito de verdade objetiva e nem a possibilidade do conhecimento pela investigação científica. Essa é uma generalização sem muita base, mero estereótipo e se aplica apenas, grosso modo, aos pós-estruturalistas.
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Data da postagem: 23/12/2016, 15:43

Q. E. D.
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Data da postagem: 23/12/2016, 15:49

Mais ou menos como dizer que os climatologistas também estão meramente impondo opiniões pessoais sobre aquecimento global, porque há vários que discordam dele.
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Data da postagem: 23/12/2016, 15:51