
Clube Cético
pergunte a um místico
Autor: Eliphas Levi | Categoria: Religiões, Crenças e Mitos | Exibições: 1386 Comentários: 90

Como sempre, agradeço à contribuição de todos e prossigamos com a discussão.
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
Você não conhece a realidade, mas uma ínfima fração dela. Essa ínfima fração, você não conhece ainda, mas apenas o que, dentro disso, pode ser captado no seu sensório. Esse sensório mesmo, você também não pode conhecer, mas apenas o que sua mente dele interpreta e te apresenta de maneira cognoscível. Você não conhece a verdade, mas a refração da refração da refração da mesma - a imitação da imitação.
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Como o conhecimento progride? Destruindo suas fronteiras. Temos um modelo, encontramos falhas e brechas, e logo desmorona todo o edifício antes assentado em falsos alicerces. Somos onipotentes? Não. Sabemos quase nada. Disso decorre que não podemos servir de fundamento para nós mesmos. Não é que seu veredito (ou melhor, o você que interpreta do que pensa que enxerga) da realidade como "terrível" esteja possivelmente enganado - é que ele necessariamente está.
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
'O universo é terrível'/'O universo gera[...]' - e depois eu é que sou o religioso! Se não estivéssemos tão fora do contexto, daria para fazer uma bela duma psicanálise de algumas expressões que vemos foristas usando por aqui...
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
Interessante ver como concepções metafísicas aqui apresentadas desembocam em toda uma hierarquia de valores. Mais interessante ainda se o ir.Pedro Reis fizesse um exercício, uma engenharia reversa para tentar localizar qual o fundamento, chão ou "ground"¹ desses valores mesmos. Olhos veem luzes, ouvidos escutam. E o que é que, em nós, percebe essas coisas a que chamamos boas e cruéis? Que será essa misteriosa jóia do discernimento?
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
Se você quer apreender a essência de um livro, você o abre e lê, não apenas com olhos da matéria, mas com teu princípio inteligível. Você não encontra o sentido de um livro rasgando sua capa para encontrar o material de que é feito, sua capa, suas páginas. Se você der zoom em um livro, ad infinitum, em suas linhas, palavras, letras, moléculas de tinta, átomos, quarks, você não encontra ali a essência do livro. Esse é o sumo erro da Ciência. Que não é da ciência em si, mas do que fazem dela mau uso. Procurar a moralidade na existência biológica é como procurar uma fórmula matemática em odores, tentando cheirá-la, ou desejar revelar um axioma filosófico a partir de sensações. É como tentar olhar uma música e, frustrado pela natimorta empreitada, declarar que é a música quem não deve existir. Você tenta ouvir um grande e belo quadro cuidadosamente pintado, e, porque não escuta nada, o declara terrível e fadado ao nada, quando o nada que você encontra se deve a nada mais que o embotamento de uma faculdade equivocada, utilizada para investigar um campo que não é de sua mesma natureza.
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:46:36
Por que será?
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:46:36
Desculpe, não sabia que se tratavam de duas coisas diferentes.

Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
A realidade é terrível porque coisas terríveis podem acontecer. E acontecem.
Você não conhece a realidade, mas uma ínfima fração dela. Essa ínfima fração, você não conhece ainda, mas apenas o que, dentro disso, pode ser captado no seu sensório. Esse sensório mesmo, você também não pode conhecer, mas apenas o que sua mente dele interpreta e te apresenta de maneira cognoscível. Você não conhece a verdade, mas a refração da refração da refração da mesma - a imitação da imitação.
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Como o conhecimento progride? Destruindo suas fronteiras. Temos um modelo, encontramos falhas e brechas, e logo desmorona todo o edifício antes assentado em falsos alicerces. Somos onipotentes? Não. Sabemos quase nada. Disso decorre que não podemos servir de fundamento para nós mesmos. Não é que seu veredito (ou melhor, o você que interpreta do que pensa que enxerga) da realidade como "terrível" esteja possivelmente enganado - é que ele necessariamente está.
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
O universo é terrível porque ele pode gerar vida. E vida significa a possibilidade de martírios maiores do qualquer ser vivo seria capaz de suportar.
'O universo é terrível'/'O universo gera[...]' - e depois eu é que sou o religioso! Se não estivéssemos tão fora do contexto, daria para fazer uma bela duma psicanálise de algumas expressões que vemos foristas usando por aqui...
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
Sabendo ou não ler "o livro da Natureza", desenvolvendo ou não seu "organismo moral", você não estará a salvo da crueldade do universo. E quanto mais compaixão, mais você sofrerá o sofrimento do outro.
Interessante ver como concepções metafísicas aqui apresentadas desembocam em toda uma hierarquia de valores. Mais interessante ainda se o ir.Pedro Reis fizesse um exercício, uma engenharia reversa para tentar localizar qual o fundamento, chão ou "ground"¹ desses valores mesmos. Olhos veem luzes, ouvidos escutam. E o que é que, em nós, percebe essas coisas a que chamamos boas e cruéis? Que será essa misteriosa jóia do discernimento?
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:39:59
Neste sentido a realidade é terrível. Porque um animal pode ser devorado ainda vivo, porque uma criança pode ficar cega apenas para satisfazer o apetite de um verme, porque toda alegria pelo nascimento de um filho é acompanhada da preocupação pela vida deste filho, e porque muitas vezes existirá a dor de perdê-lo. É terrível porque apesar de tudo, somos feitos para querer viver mas vivemos com a consciência que tudo se acaba: a juventude, a saúde, a própria vida enfim. Para nós e para todos aqueles que amamos. Por fim o próprio universo, a própria realidade deixará de existir, e tudo se revela despropositado quando, perplexos, entendemos que o tudo que o nada criou colapsa inexoravelmente para o retorno definitivo ao próprio nada.
Se você quer apreender a essência de um livro, você o abre e lê, não apenas com olhos da matéria, mas com teu princípio inteligível. Você não encontra o sentido de um livro rasgando sua capa para encontrar o material de que é feito, sua capa, suas páginas. Se você der zoom em um livro, ad infinitum, em suas linhas, palavras, letras, moléculas de tinta, átomos, quarks, você não encontra ali a essência do livro. Esse é o sumo erro da Ciência. Que não é da ciência em si, mas do que fazem dela mau uso. Procurar a moralidade na existência biológica é como procurar uma fórmula matemática em odores, tentando cheirá-la, ou desejar revelar um axioma filosófico a partir de sensações. É como tentar olhar uma música e, frustrado pela natimorta empreitada, declarar que é a música quem não deve existir. Você tenta ouvir um grande e belo quadro cuidadosamente pintado, e, porque não escuta nada, o declara terrível e fadado ao nada, quando o nada que você encontra se deve a nada mais que o embotamento de uma faculdade equivocada, utilizada para investigar um campo que não é de sua mesma natureza.
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:46:36
E quanto ao resto que o mano Levi escreveu... Eu posso desenvolver em mim potencialidades específicas do ser humano como a moralidade, o amor, a compaixão, a ética, etc... E estas qualidades possivelmente tornarão minha vida mais rica e significante.
Por que será?
Citação de: Pedro Reis em 07 de Dezembro de 2019, 18:46:36
Porém, contudo, todavia... são atributos ou potencialidades subjacentes à minha natureza humana. E não do mundo a volta com o qual me relaciono.
Desculpe, não sabia que se tratavam de duas coisas diferentes.

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Data da postagem: 09/12/2019, 09:27

Citação de: Eliphas Levi em 09 de Dezembro de 2019, 13:27:57
Muito malabarismo.
Você não conhece a realidade, mas uma ínfima fração dela. Essa ínfima fração, você não conhece ainda, mas apenas o que, dentro disso, pode ser captado no seu sensório. Esse sensório mesmo, você também não pode conhecer, mas apenas o que sua mente dele interpreta e te apresenta de maneira cognoscível. Você não conhece a verdade, mas a refração da refração da refração da mesma - a imitação da imitação.
Muito malabarismo.
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Data da postagem: 09/12/2019, 09:42

Citação de: Nostromo em 09 de Dezembro de 2019, 13:42:22
Se nós, os céticos, não conhecemos a realidade, imagine o que conhecem os místicos que viajam na maionese.
Citação de: Eliphas Levi em 09 de Dezembro de 2019, 13:27:57
Você não conhece a realidade, mas uma ínfima fração dela. Essa ínfima fração, você não conhece ainda, mas apenas o que, dentro disso, pode ser captado no seu sensório. Esse sensório mesmo, você também não pode conhecer, mas apenas o que sua mente dele interpreta e te apresenta de maneira cognoscível. Você não conhece a verdade, mas a refração da refração da refração da mesma - a imitação da imitação.
Muito malabarismo.
Se nós, os céticos, não conhecemos a realidade, imagine o que conhecem os místicos que viajam na maionese.
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Data da postagem: 09/12/2019, 17:21

Ele deve estar enxergando com o terceiro olho. 

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Data da postagem: 09/12/2019, 19:19

Citação de: Nostromo em 09 de Dezembro de 2019, 13:42:22
Sabe como você vê o real e não estas imitações, refrações e etc?
Torne-se um adepto, um iniciado.
Ajuda cultivar uma barba respeitável como do coronel Olcott ou do Levi. E dê aquelas encaradas intimidadoras da blá-blá-vatsky e do Crowley.
Faça isso e poderá vislumbrar o Liber Mundi, fuçar nos registros akhasicos.
Assim, subindo de nível na artes místicas, até o Voldemort vai te respeitar, mesmo não sendo um puro-sangue.
Trate de símbolos, quanto mais detalhados, complexos, barrocos, melhor (dá só uma espiada naquela cruz carnavalesca da Golden Dawn e no "The Temple of the Rosy Cross" de Teophilus). Dê uma interpretação metafórica, pomposa, requintada, intelectualóide de mitos e dogmas, que os mais simplórios levam ao pé-da-letra. Fale de mistérios, do oculto e da conexão sutil das coisas, do macrocosmo com o microcosmo e voilá, terá se formado nas artes místicas.
Já se for um cético materialista, estará condenado a ser um trouxa com essa percepção embotada do mundo. Pense bem no que quer.
Mas não se esqueça de nós, aqui na escuridão densa e tenebrosa da caverna cética. Ajude-nos a sair daqui, frater Nostromo!
Citação de: Eliphas Levi em 09 de Dezembro de 2019, 13:27:57
Você não conhece a realidade, mas uma ínfima fração dela. Essa ínfima fração, você não conhece ainda, mas apenas o que, dentro disso, pode ser captado no seu sensório. Esse sensório mesmo, você também não pode conhecer, mas apenas o que sua mente dele interpreta e te apresenta de maneira cognoscível. Você não conhece a verdade, mas a refração da refração da refração da mesma - a imitação da imitação.
Muito malabarismo.
Sabe como você vê o real e não estas imitações, refrações e etc?
Torne-se um adepto, um iniciado.
Ajuda cultivar uma barba respeitável como do coronel Olcott ou do Levi. E dê aquelas encaradas intimidadoras da blá-blá-vatsky e do Crowley.
Faça isso e poderá vislumbrar o Liber Mundi, fuçar nos registros akhasicos.
Assim, subindo de nível na artes místicas, até o Voldemort vai te respeitar, mesmo não sendo um puro-sangue.
Trate de símbolos, quanto mais detalhados, complexos, barrocos, melhor (dá só uma espiada naquela cruz carnavalesca da Golden Dawn e no "The Temple of the Rosy Cross" de Teophilus). Dê uma interpretação metafórica, pomposa, requintada, intelectualóide de mitos e dogmas, que os mais simplórios levam ao pé-da-letra. Fale de mistérios, do oculto e da conexão sutil das coisas, do macrocosmo com o microcosmo e voilá, terá se formado nas artes místicas.
Já se for um cético materialista, estará condenado a ser um trouxa com essa percepção embotada do mundo. Pense bem no que quer.
Mas não se esqueça de nós, aqui na escuridão densa e tenebrosa da caverna cética. Ajude-nos a sair daqui, frater Nostromo!
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Data da postagem: 10/12/2019, 17:54

Fenrir sou Xistoquentista atuante, lamento.
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Data da postagem: 11/12/2019, 01:36
Quem pode ser considerado o Newton do misticismo? Helena Blavatsky? 
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Data da postagem: 11/12/2019, 18:57

Citação de: Sdelareza em 11 de Dezembro de 2019, 22:57:12
Misticismo é amplo demais.
No ocultismo foi Éliphas Lévi, sem dúvida.
Blavatsky não teve muita expressão, se projetou por causa do movimento teosófico e da aproximação com o oriente (Índia e Tibet), um pouco mais importante que Gurdjieff que desenvolveu "O Quarto Caminho" e se concentrou mais no misticismo dos orientes próximo e médio.
A comparação com Newton é ambígua porque ele também foi um místico. Morreu sem concluir qual é o diâmetro do inferno....
Quem pode ser considerado o Newton do misticismo? Helena Blavatsky?
Misticismo é amplo demais.
No ocultismo foi Éliphas Lévi, sem dúvida.
Blavatsky não teve muita expressão, se projetou por causa do movimento teosófico e da aproximação com o oriente (Índia e Tibet), um pouco mais importante que Gurdjieff que desenvolveu "O Quarto Caminho" e se concentrou mais no misticismo dos orientes próximo e médio.
A comparação com Newton é ambígua porque ele também foi um místico. Morreu sem concluir qual é o diâmetro do inferno....

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Data da postagem: 11/12/2019, 19:53

Citação de: Sdelareza em 11 de Dezembro de 2019, 22:57:12
Bem-vindo ao tópico, ir. Sdelareza. Cada corrente religiosa tem sua vertente mística. No catolicismo, São João da Cruz é considerado o padroeiro dos místicos. No luteranismo, eu diria que é Jacob Boehme. Na maçonaria, é Louis-Claude de Saint-Martin. No budismo, Bodhidharma. No hinduísmo, Shankara. No taoísmo, não sei dizer, talvez o Gigaview possa explicar melhor - apesar de nós aqui termos contato com essa parte mais mística e filosófica da religião chinesa, em seu próprio país o taoísmo é uma religião tão vulgar e cheia de ídolos e superstições quanto qualquer outra.
Quem pode ser considerado o Newton do misticismo? Helena Blavatsky?
Bem-vindo ao tópico, ir. Sdelareza. Cada corrente religiosa tem sua vertente mística. No catolicismo, São João da Cruz é considerado o padroeiro dos místicos. No luteranismo, eu diria que é Jacob Boehme. Na maçonaria, é Louis-Claude de Saint-Martin. No budismo, Bodhidharma. No hinduísmo, Shankara. No taoísmo, não sei dizer, talvez o Gigaview possa explicar melhor - apesar de nós aqui termos contato com essa parte mais mística e filosófica da religião chinesa, em seu próprio país o taoísmo é uma religião tão vulgar e cheia de ídolos e superstições quanto qualquer outra.
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Data da postagem: 12/12/2019, 10:49
Esquecerem-se de Chico Xavier é imperdoável. Um picareta místico de projeção equiparável a qualquer destes citados.
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Data da postagem: 12/12/2019, 12:36