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Preconceito contra os ateus no trabalho: como sair dessa?
Autor: vivihud | Categoria: Ateísmo e Agnosticismo | Exibições: 13817 Comentários: 130
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Particularmente eu não vejo problema em dizer que acredito em Deus para garantir um (bom) emprego. Agora se a pressão aumentar e os patrões começarem a tentar me converter para a igreja deles, ou mesmo começarem a abordar o tema "religião" demais comigo de modo a me incomodar, então acho que os chamaria e explicaria que estou satisfeito com minha "vida espiritual" mas que preferia não abordar esse tipo de assunto no trabalho. Especialmente se eles forem preconceituosos, não vejo motivo para criar um possível atrito (afirmando meu ateísmo) que poderia me prejudicar no futuro. Naturalmente nada é melhor do que conviver com pessoas esclarecidas sem precisar esconder nada desse tipo, mas infelizmente nem sempre a realidade é assim.
Ironicamente já enfrentei uma situação oposta: uma funcionária de meu pai que freqüentava a Assembléia de Deus passou a tentar me converter após descobrir que eu era ateu. Primeiro ela me entregou uma carta (pediu-me para "ler com o coração") que eu ignorei a partir da segunda linha, quando ficou claro sobre o que se tratava. Após algum tempo ela me entregou alguns panfletos e convidou-me para "conversarmos sobre Jesus". Escapei dizendo que tinha um compromisso qualquer. Após mais um tempo ela me entregou um exemplar do Novo Testamento. Foi a gota d'água. Conversamos um pouco e percebi que era inútil tentar fazê-la compreender que o fato de eu não acreditar em Deus não me transformava necessariamente em um fascínora. Ela insistia que gostava muito de mim e temia por minha alma. Cansado, disse-lhe que a empresa era um local exlcusivamente de trabalho e que a partir daquele momento estava absolutamente proibido proselitismo religioso lá. Reafirmei meu ateísmo e disse-lhe que ela teria que conviver com isso. Devolvi o Novo Testamento e a dispensei. Nunca mais ela conversou comigo a não ser o estritamente necessário. Parecia ter medo de mim. Preconceito é uma m*.
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Data da postagem: 30/01/2008, 16:53
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Citação de: Iconoclasta SP em 30 de Janeiro de 2008, 12:09:46

Citação de: Mussolim Bucetê em 30 de Janeiro de 2008, 11:42:46

Essa doeu até na minha consciência....

..........


Não entendi suas observações.


1° Concordei plenamente com vc.
2° Bom... não tem nada a ver com vc.... vamos dizer que "deus abençoe a hipocrisia"....

(A 2° não precisa entender. )
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Data da postagem: 30/01/2008, 17:03
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Vivihud, acho que você que conhece bem o ambiente de trabalho em que está vai ter noção de qual é a melhor forma de se relacionar com seus colegas e patrões dentro do ambiente de trabalho. Sabemos que trabalho hoje em dia não é algo a que possamos nos dar ao luxo de recusar sem ter um bom motivo e sendo assim você vai precisar ter jogo de cintura. Eu já sofri preconceitos por ser ateu, mas nunca estive de estudo ou trabalho tão hostil ao ateísmo. Se estivesse no seu lugar eu acredito que o melhor que eu poderia fazer seria evitar a confrontação e se fosse necessário em algum momento falar sobre religião adotar uma postura ambígua e desinteressada.
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Citação de: Luz em 30 de Janeiro de 2008, 16:43:40

Citação de: Ricardo B. em 30 de Janeiro de 2008, 11:57:01

Citação de: Luz em 30 de Janeiro de 2008, 11:49:52

Eu não tenho medo ou vergonha de dizer em que acredito - essa sou eu, afinal.

Se for para sofrer as consequências e elas costumam ser inevitáveis, que seja pelo que eu sou - mais cedo ou mais tarde vou acabar me condenando mesmo - não consego esconder por muito tempo a verdade. Acho sempre melhor esclarecer tudo o quanto antes.


Eu acho que em alguns casos, por pior que seja, é necessário ocultar a real posição. Pelo menos até ter uma alternativa. Não é uma questão de medo ou vergonha, mas sim de pragmatismo. As vezes é necessário fazer algum sacrifício até conseguir uma alternativa, por exemplo, de emprego.


Talvez seja, sim. Acho que nunca precisei passar por algo semelhante, mas seria um sacrifício muito grande ter que fingir - não sei se conseguiria.

Nos lugares todos que frequento a maioria das pessoas sabe que não sou religiosa e isso não parece fazer nenhuma diferença - mas costumo ser muito tolerante, não me incomodo de participar, quando as pessoas de reúnem, por algum evento.

E mesmo quando escolho ficar de fora, demosntro respeito pelo que elas acreditam, pelo respeito que tenho com as pessoas.

Sacrifício sempre é, Luz, mas suponha que no momento só existe aquele emprego disponível e você precisa dele, pelo menos até conseguir algo melhor?

É algo horrível, mas temporariamente necessário (note bem : temporariamente) muitas vezes.
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Valeu pela força,Ricardo.De todas as respostas você me pareceu o mais coerente.Você conhece o site ateus.net?É muito legal.Aparece lá qualquer hora.Tchau
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Eu não me importaria. Sou da opinião de que acreditar no inexistente é o mesmo do que não acreditar. Tanto faz se o cara é umbandista, pai-de-santo, vuduísta, espírita, protestante, hinduísta, bramaanista, budísta, chamanísta, kardecista, carguista ou qualquer outro ista qualquer. Não me aporrinhando, tô nem aí. Pra ter raiva de uma religião só sendo religioso de uma religião oposta, o que definitivamente não sou. Pra mim tanto faz ouvir um pai nosso, como uma letra de música ou uma poesia qualquer. Não julgo por ser ou não ligado a uma religião. Pra mim não seria nenhum problema imitar uma oração já que isso pra mim também não representa nada. É o mesmo que gritar no vazio na tentativa de ouvir-lhe o eco. Basta de preconceito. Esse eu deixo pros religiosos.
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Basta de preconceito. Esse eu deixo pros religiosos.


Mas se "temos" que respeitar 'seu momento', de oração/reza, por que não respeitar a posição de um ateu que não queira participar? (Pelo que entendi, no seu modo de ver, essa atitude seria um "preconceito')
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Citação de: vivihud em 29 de Janeiro de 2008, 20:39:07

Comecei em um novo emprego recentemente.E, para meu desprazer, tive a "feliz" notícia de que os proprietários e 99% dos funcionários são evangélicos.(...)


Curiosidade, em que ramo vc trabalha ?

Eu sou analista de sistemas, todo mundo sabe que sou ateu, conheço e trabalho bem com os 'política, religião e futebol não se discute', também com os espíritas, quase-espíritas e gosto-de-espíritas, com os que vão na igreja porque a patroa-noiva vai, e assim por diante.

Em geral diria que a grande maioria, inclusive os católicos, têm suas convicções e ao mesmo tempo ojeriza a toda instituição religiosa.

O único que sei que é evangélico no trabalho é uma gracinha de pessoa, não fala em religião no trabalho (eu sei porque sou observador) e é super prestativo com todos, desde o boy até o diretor da empresa.

Então realmente esse problema eu não tenho.

Eu acho que se tiver saco e estiver disposta a perder o emprego, vc deveria dizer que é ateísta (atéia me lembra a aranha, desculpe), e não permitir esse tipo de constrangimento ilegal e preconceituoso. Obviamente é um caminho onde vc vai em direção ao desgaste da relação, então teria que pensar muito antes de tomar este caminho. Seria o caminho onde você falaria a verdade, mas vc bem sabe que o preço é caro.

Outro caminho é escrever para o Hélio Schartzmann ou ainda para Max Gehringer, que fala na CBN todas as manhãs sobre gerência, administração no mundo corporativo. Talvez vc inclusive consiga que leiam ou ouçam a resposta.

Concordo em que a opção de dar a opinião que eles querem a livra de constrangimentos, mas também me parece que não é uma solução a longo prazo. Pouco a pouco seu estômago vai secretar mais bile, e um dia vc pode explodir, e usualmente isso acontece no dia errado. Como vc já experimentou outra decepção falando o que pensa, é razoável que desta vez tente preservar o seu emprego, só me pergunto até quando você conseguiria essa façanha. No momento em que começar a se destacar, você já saberia que não conseguiria subir na empresa sem participar mais do dia-a-dia com a gerência, e com isso com os proprietários. É por isso que perguntei qual é o seu ramo, capaz que no seu caso isso nunca aconteça.

Emfim, quem vai decidir o que vai acontecer vai ser um cabo de guerra entre sua bile e sua capacidade de discrição (eu também desenvolvi uma para não 'subir' para cargos gerenciais, que detesto, e não ser um humilde programador até o fim da vida).
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Citação de: vivihud em 31 de Janeiro de 2008, 11:41:17

Valeu pela força,Ricardo.De todas as respostas você me pareceu o mais coerente.Você conhece o site ateus.net?É muito legal.Aparece lá qualquer hora.Tchau


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Ontem o rapaz que trabalha na mesma sala que eu veio com essa conversa:

Ele: E aí pia, curte deus?
Eu: Não.
Ele: Não! Ah, não curte mas acredita?
Eu: Não.
Ele: Não acretia em deus?
Eu: Não.
Ele: Tu acredita na ciencia e no dinheiro, então?
Eu: É, acredito na ciencia e no dinheiro.

Não entendi porque ele perguntou sobre ciencia e dinheiro. Vai ver ele conheceu algum ateu que "acreditava" na ciencia e no dinheiro e pensou que era algum padrão. Ele depois contou coisas da vida dele com deus...
Numa outra empresa também me pediram sobre religião e eu falei que era ateu. Conversamos sobre isso a tarde inteira. O mais gozado foi quando eu disse que tudo era feito de atomos e ele não acreditou. Não pode que estava falando sério...

Outro dia apareceu um dos funcionarios dizendo que era evangelico e que por isso precisava mudar de setor porque os outros funcionarios daquele setor usam muitos palavrões.
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Data da postagem: 05/02/2008, 08:21