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Uma visão cética (sem bullshits filosóficos) da consciência
Autor: Gigaview | Categoria: Ceticismo | Exibições: 133348 Comentários: 1340
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Continuação - ciência e filosofia:

A Filosofia como “irmã” da Ciência

Deplorando a forma como o idealismo hegeliano pretendeu, em
nome do referido “sistema da ciência”, ignorar o desenvolvimento
científico que constituía já um dos factos mais relevantes da cultura
europeia da segunda metade do século XIX, o nosso poeta-filósofo
Antero de Quental afirmava, num texto de 1890, que “a ciência é
irmã da filosofia, não sua serva”.

Significa, esta “irmandade”, que competem à Filosofia e à Ciência
funções diferentes, se bem que complementares. Assim, à
Filosofia caberá a especulação sobre “os primeiros princípios das
coisas” e “as ideias fundamentais” e, à Ciência, a observação, a
experiência e a indução incidindo no “grande e variado mundo dos
factos”.

A hipótese, que é “filha legítima da especulação”, precisa,
no entanto, de ser confirmada pela observação para que se torne
verdade científica. A “intersecção” e o “contacto” entre Filosofia
e Ciência dá-se, assim, na hipótese: é por meio da hipótese que
“as ideias metafísicas de uma época, as suas noções fundamentais,
penetram nas ciências, afeiçoam as suas teorias e lhes fornecem
pontos de vista para o seu ulterior desenvolvimento”.

O que significa também, segundo Antero, que, se à Ciência cabe a missão
de “desenhar, com os traços firmes das leis positivas, o quadro do
universo na sua variedade e complexidade fenomenal”, à Filosofia
cabe a missão de “interpretar superiormente a significação desse
quadro e de descobrir ou de tentar descobrir a chave do grande
enigma.”

A Filosofia aparece assim, na tematização anteriana,
antes e depois da Ciência: antes, como campo gerador e mesmo
orientador das hipóteses científicas; depois, como interpretação dos
resultados das ciências.

8 Antero de Quental, Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do
Século XIX, Lisboa, Gulbenkian, 1991, p. 69.
9 Ibidem, p. 69.
10 Ibidem, p. 69-70.

Filosofia e Ciência

Que tal seja assim – que entre a Filosofia e as Ciências haja uma
tal “irmandade” – seria comprovado pelos dois factos seguintes:

i) O nascimento simultâneo – e não sucessivo – da Filosofia e
da Ciência11, como parece ilustrar, precisamente, o facto de Tales
de Mileto, que é considerado o primeiro “filósofo”, ser também
considerado como o primeiro matemático, sendo ainda astrónomo.

ii) A interferência constante entre a Filosofia e a Ciência modernas,
que leva a que as alterações numa se repercutam na outra, e
vice-versa: por um lado, cada nova doutrina filosófica provoca uma
“remodelação” no campo das “teorias gerais da ciência”; por outro
lado, a fundação de uma nova ciência ou a alteração parcial das existentes
conduz a novas doutrinas filosóficas ou ao aprofundamento
das doutrinas existentes.

A questão se coloca é, no entanto, a de sabermos se o enorme
desenvolvimento científico subsequente à data em que Antero formulava
a sua concepção – um desenvolvimento que tem a ver,
nomeadamente, com a especialização crescente, a reorganização
das universidades, as novas finalidades práticas da investigação –,
não teve, como um dos seus efeitos principais, o rompimento da
tal relação de “irmandade” entre Filosofia e Ciência; ou seja, se
essa relação de “irmandade” não existiu apenas num período de
tempo muito limitado, e que já não é, seguramente, o nosso.

Que, como já fazia notar Husserl no texto que temos vindo a citar, de 1911, “a necessária autonomização que separa ciências da natureza e filosofia (...) está em vias de se impor e torna-se cada vez mais que, diz Antero, nasceram “no mesmo dia, logo ao alvorecer do pensamento reflectido, irmãs e iguais, cada uma com sua feição, seus predicados e sua missão bem definida” (Ibidem, p. 69).
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continuação - ciência e filosofia:

Como resume Antero, a Filosofia e a Ciência modernas “têm caminhado sempre de mãos dadas, apoiando-se, inspirando-se e corrigindo-se mutuamente”. (Ibidem, p. 61). Uma afirmação que deveríamos, hoje, aplicar também às ciências sociais e humanas.

J. M. Paulo Serra

De facto, e vista do lado da Filosofia, uma tal relação pressupõe que é possível, ao filósofo, ir acompanhando, de forma mais ou menos correcta e aprofundada, os desenvolvimentos que se vão efectuando nos vários campos científicos.

Ora, isto é absolutamente impensável num tempo em que mesmo os especialistas científicos o são, e cada vez mais, não de um campo mas de uma área, ou já de uma sub-área, ou mesmo de uma sub-sub-área.14 Qualquer intento nesse sentido não levará senão a reduzir a “Filosofia” – mas merecerá uma tal disciplina ainda esse nome? – a um mosaico de banalidades “científicas” mais ou menos superficiais e contraditórias, e os “filósofos” aos especialistas em “generalidades científicas” de Comte ou aos “especialistas do conhecimento total” de Piaget.

A nossa tese, a este respeito, é a de que o desenvolvimento quer da Ciência quer da Filosofia, sobretudo a partir de meados do século XIX, aponta para uma relação entre Filosofia e Ciência que não pode ser traduzida correctamente nem pela metáfora da “maternidade” nem pela da “irmandade” – mas talvez, antes, pela da “miscigenação”. Husserl, op. cit., p. 78.

Como o diz Augusto Abelaira de forma mais pitoresca: “Conheci certa vez o mais famoso especialista mundial de rãs, que sinceramente me confessou nada saber de rãs, mas de uma determinada espécie de rãs. Recusava-se, portanto, a falar da rã. Com mais razão ainda recusava-se a falar de gramática ou de futebol.

Ao que chegámos: quando aparentemente o Homo Sapiens conquistou após tantos anos de luta, a liberdade, ei-lo condenado ao silêncio. Na melhor das hipóteses, se for estudioso e supremamente inteligente, falará de uma determinada espécie de rãs.” (Augusto Abelaira, in O Jornal, 18/8/1983).

Filosofia e Ciência

Irmandade ou miscigenação?

No que se refere ao desenvolvimento da Ciência, a “crise dos fundamentos” ou “dos absolutos” que a Matemática e a Física enfrentaram nas primeiras décadas do século XX – que resultaram de descobertas como as geometrias não euclidianas, a teoria dos conjuntos ou o teorema de Gödel, no campo da Matemática, e a teoria da relatividade a e a teoria quântica, no campo da Física – e, já mais recentemente, a emergência das chamadas “biotecnologias” trouxeram para o campo da Ciência uma série de questões que, numa primeira análise, deveriam estar reservadas aos filósofos, mas que estes, e dado o carácter extremamente especializado e complexo dos campos científicos a que respeitam, não têm capacidade para tratar; pelo que se torna, então, necessário que sejam os próprios cientistas a tratarem dessas mesmas questões.

Uma ilustração claro desta nova situação é o belo livro Diálogos sobre Física Atómica, de Werner Heisenberg, em que este relata as conversas que manteve, entre 1919 e 1965, com cientistas como Einstein, Planck, Bohr e outros, incluindo filósofos, mortos e vivos. Afirma Heisenberg logo no Prefácio:

“Nas conversas, nem sempre é a física atómica que representa o ponto fulcral da discussão.

A par dela tratam-se problemas humanos, filosóficos ou políticos, e o autor espera deste modo manifestar quanto é irrisório separar a ciência destas questões mais gerais.”15 Uma afirmação que é plenamente confirmada pelo índice da obra, em que aparecem títulos de capítulos tão “estranhos” como os seguintes:

“O conceito “entender” em física moderna”, “Reflexões sobre política e história”, “Primeiros diálogos sobre as relações entre ciência e religião”, “Física atómica e pensamento pragmático”, “A mecânica quântica e a Filosofia de Kant”, “Discussões sobre linguagem”, Werner Heisenberg, Diálogos sobre Física Atómica, Lisboa, Verbo, 1975, p. VIII.

J. M. Paulo Serra
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Continuação - ciência e filosofia:

“A responsabilidade do investigador”, “Positivismo, metafísica e religião”, “Controvérsia sobre política e ciência”, “As partículas elementares e a filosofia de Platão”.

Um outro exemplo – e este, quiçá, ainda mais radical, na medida em que faz assentar, na “fé”, isto é, em algo que habitualmente se atribui à religião, a própria ciência – é a afirmação de Einstein de que “Sem a fé na possibilidade de apreender a realidade por meio das nossas construções teóricas, sem a fé na harmonia do nosso mundo, é impossível a ciência. Esta fé é, e permanecerá sempre, o motivo fundamental de todas as criações científicas.”

No que respeita ao desenvolvimento da Filosofia – a Filosofia dita pós-hegeliana –ela orienta-se em três direcções fundamentais:

i) A recusa de uma concepção sistemática, totalitária e totalizadora, da Filosofia – que, se assim o podemos dizer, tendeu a substituir um “espírito de síntese” por um “espírito de análise” que tende a dar importância ao particular em detrimento do geral, à parte em detrimento do todo.

ii) A tendência para a especialização, acompanhando, nesta matéria, a Ciência e a cultura em geral – a pouco e pouco, também o filósofo se foi transformando num especialista de um certo domínio filosófico (a ética, a estética, a própria ciência), de uma certa corrente filosófica (o estoicismo, o marxismo), de um certo autor (Séneca, Santo Agostinho) ou mesmo de uma ínfima parte de alguma dessa coisas.

É precisamente desta especialização que surge, na viragem do século XIX para o século XX, a Epistemologia, enquanto disciplina vocacionada para o estudo dos problemas específicos relacionados com o desenvolvimento das Ciências e que, a 16 Albert Einstein, Lepold Infeld, A Evolução da Física, Lisboa, Livros do Brasil, s/d, p. 260.

Poder-se-ia aqui de certo modo aplicar, ao filósofo, a qualificação de “ignorante especializado” que Boaventura Sousa Santos aplica ao cientista da “ciência moderna”. Cf. Boaventura de Sousa Santos, Um Discurso sobre as Ciências, Porto, Afrontamento, 19968, p. 55.

Filosofia e Ciência

Pouco e pouco, se foi desdobrando em epistemologias regionais e estas, por sua vez, em epistemologias disciplinares e mesmo intra-disciplinares.

iii) A recuperação de um ideal de Filosofia que se aproxima, em larga medida, da concepção kantiana da Filosofia, menos como um conjunto de conceitos e doutrinas e mais como uma actividade – o “filosofar” – de resultados sempre provisórios e efémeros.

Em resumo: se o desenvolvimento da Ciência levou a que, de certo modo, os cientistas se tornassem “filósofos” – pelo tipo de questões que colocam, pela forma de as colocar e de as tratar, pela abertura ao domínio do saber tradicional da própria Filosofia – o desenvolvimento da Filosofia levou a que, de certo modo, os filósofos se tornassem “cientistas” – no gosto pela análise, na necessidade de especialização, incluindo quando se referem à Ciência, pela problematização constante dos seus resultados.

Verifica-se, portanto – como, aliás, o têm acentuado epistemólogos como Popper, Kuhn, Lakatos ou Feyerabend, e entre nós, o já citado Boaventura de Sousa Santos – que há uma cada vez maior indistinção, para não lhe chamarmos mesmo confusão, entre Ciência e Filosofia. É esta situação que propomos traduzir, precisamente, com o termo “miscigenação”.

Conclusão

A “miscigenação” que aqui registamos entre Ciência e Filosofia – que se traduz no facto de, por um lado, a Filosofia ter assumido características “científicas” e de, por outro, a Ciência ter assumido laivos “filosóficos” – não obsta, no entanto, a que uma e outra não mantenham uma certa especificidade.

Mas, e como resulta do que dissemos até aqui, e tendo também

J. M. Paulo Serra

em conta os epistemólogos pós-positivistas a que fizemos referência, essa especificidade não se situa, ou não se situa sobretudo, nem a nível do objecto – que seria delimitado no caso das Ciências e total ou indefinível no caso da Filosofia –, nem a nível do método – que seria “experimental” no caso das Ciências e reflexivo no caso da Filosofia.

Essa especificidade situa-se, antes, no facto de que a Filosofia continua a caracterizar-se mais pelo sentido do problema do que pelo da solução, mais pela hipótese do que pela lei, mais pela especulação do que pela comprovação.

Por isso mesmo, se a Ciência vai, de etapa em etapa, acumulando conhecimentos mais ou menos objectivos e ensináveis, a Filosofia está sempre condenada a começar de novo, a não poder senão aprender.

Podemos assim dizer, e utilizando a bela comparação de Hannah Arendt, que “a ocupação de pensar é como a teia de Penélope: ela desfaz em cada manhã o que acabou de fazer na noite precedente.”18

Os mal-entendidos – periódicos – entre Ciência e Filosofia só podem surgir quando, da parte de filósofos ou de cientistas, se pretende: quer “a morte da Filosofia” – uma pretensão tão absurda como o foi a pretensão da “morte da Religião”, vista como o “ópio do povo”, ou como o seria hoje, a pretensão da “morte da arte” ou, mais genericamente, de uma qualquer das formas da cultura e do conhecimento humanos; quer, pelo contrário, a submissão da Ciência a caminhos pré-determinados por uma qualquer Filosofia, por muito “científica” que ela se pretenda.

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Lusa, o título do tópico está bem claro: sem bullshits filosóficos.
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Gigaview - escreveu:

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Lusa, o título do tópico está bem claro: sem bullshits filosóficos.


Demonstre "cientificamente" o que acaba de escrever. você também é uma máquina científica, em que o "gigaview" não existe...?

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Citação de: lusitano em 19 de Abril de 2012, 18:22:07

Gigaview - escreveu:

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Lusa, o título do tópico está bem claro: sem bullshits filosóficos.


Demonstre "cientificamente" o que acaba de escrever. você também é uma máquina científica, em que o "gigaview" não existe...?

artur


Lusa, flood é trolagem, principalmente quando é off topic. E quem faz trolagem é troll.

Entendeu?
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Gigaview - escreveu:

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Lusa, flood é trolagem, principalmente quando é off topic. E quem faz trolagem é troll.


Então você é tão troll quanto eu ou mais... Porque você faz, ou fez o mesmo, mais duma vez.

E não se esqueça de se queixar rapidamente à moderação, para eu ser banido imediatamente.

Mas enquanto formalmente - não o faz - demonstre científicamente, que o que eu postei, é de facto bullishit filosófico e não apenas um conjunto de afirmações falaciosas da sua parte completamente destituidas de base de sustentação autenticamente cientifica...

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Citação de: lusitano em 19 de Abril de 2012, 19:24:19

Gigaview - escreveu:

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Lusa, flood é trolagem, principalmente quando é off topic. E quem faz trolagem é troll.


Então você é tão troll quanto eu ou mais... Porque você faz, ou fez o mesmo, mais duma vez.

E não se esqueça de se queixar rapidamente à moderação, para eu ser banido imediatamente.

Mas enquanto formalmente - não o faz - demonstre científicamente, que o que eu postei, é de facto bullishit filosófico e não apenas um conjunto de afirmações falaciosas da sua parte completamente destituidas de base de sustentação autenticamente cientifica...

artur


Não vou estimular o seu comportamento sistemático de desestabilizar tópicos com nonsense solipsista.

O tópico ia bem até você desviar o assunto numa estratégia de flood, que é trolagem.
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Gigaview - escreveu:

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Não vou estimular o seu comportamento sistemático de desestabilizar tópicos com nonsense solipsista.

O tópico ia bem até você desviar o assunto numa estratégia de flood, que é trolagem.


O que você acaba de escrever, parece-me obviamente um conjunto de falácias, de estilo pseudocéptico e científico, pare se subtrair astutamente à pergunta que eu lhe fiz.

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Já que por aqui as coisas não andam e nada de proveitoso surge quando não me manifesto, vou tentar localizar um núcleo de contestação para simplificar as coisas filosóficas para alguns que nada mais têm a oferecer que filosofia.

Mais de uma dúzia de vezes devo ter levantado o fato de que todas as evidências objetivas de todos os estudos científicos já feitos em toda a história da ciência apontam para a inexistência de toda e qualquer subjetividade (entenda-se bem, não falo, aqui, apenas dos estudos específicos para a questão em pauta, falo de TODOS os resultados apresentados pela grande jornada científica que nenhuma outra coisa mais, fundamental, tem mostrado além de que tudo segue as chamadas 'regras naturais' e que tudo o que pode-se afirmar *com objetividade* sobre a realidade é que ela é determinística; nega-se isto apenas pelo famigerado falacioso viés filosofista do que "não se pode afirmar", o que é uma falácia a olhos vistos já que só pode-se afirmar alguma coisa sobre aquilo que se pode afirmar de acordo com fatos já conhecidos; negar fatos conhecidos pelo que se não conhece, ninguém me demonstra que sentido tem; do que entendo, só fatos podem negar fatos, não especulações; o que não se conhece, TEM-SE, PRIMEIRO, QUE DESCOBRIR para que possa fazer frente ao que se conhece).

Só uma coisa há a "contestar" tal verificação: a própria experienciação subjetiva que, "por acaso...", é exato o que contesta toda a verificação; é o "objeto" e o argumento simultaneamente (tautologia). Disso resulta inconciliação que tenta-se conciliar pela única via possível das alegações falaciosas, mas ou o solipsismo é toda a realidade ou a realidade não comporta nenhum solipsismo. Que esteja certo que se aceite como direito o doutrinar-se pelo solipsismo, mas que se seja com honestidade. Quando se apela para "não sei", tal apelação não cabe em outro "argumento" que não, precisamente, "não sei se o solipsismo é a realidade ou não". O "não sei" não significa nenhuma outra coisa, NADA ALÉM DISSO! Até que alguém apresente o que seria necessário para se "saber". Ninguém apresenta. Se alguém não consegue perceber que a alegação da existência de qualia é uma alegação solipsista, está preso à própria fuga de tudo isso. Agora, ser solipsista e dizer que não é, talvez, bem pior que simplesmente isso, acreditar mesmo que não é, o que seria uma crença-negação da própria outra crença, só vejo, no máximo, como um caso psiquiátrico. Foi *uma das* (SÓ UMA!) principais questões que pus para o Iabadabadu e... nada de resposta!

Então, Iabadabadu, como já perguntei mais de uma vez, o que você propõe para SABER-SE o que "falta saber"? Isto ajuda um pouco? Se decidir responder a tudo mais, esteja certo, não reclamarei nem um pouquinho.

Citação de: Adriano em 06 de Abril de 2012, 10:34:17

Citação de: Cientista em 06 de Abril de 2012, 01:41:12

Mesmo depois de sua declaração de recidiva (o que é que há com você?!), vou até tentar ler isso que indica para avaliar sua avaliação, Adriano. Aproveito para dizer que discordo de, provavelmente, tudo ou quase do que você diz, mas te apoio na sua tomada de posição, especialmente pela maneira como o faz. Meus sinceros parabéns pelo respeitável humano pensador mágico que consegue ser. Muito melhor que muitos pseudocientificistas por aí (e aqui!).


Obrigado pelo interesse a minha referência,


Foi como eu disse, Adriano: para avaliar a sua avaliação. Não há razão para ficar tão todo contentinho de agradecido* por eu me dispor a ler algum filosofismo por você sugerido.

*Eu sei, eu sei! Você não ficou todo contentinho de agradecido. Foi só para eu te chatear, para não perder a forma. Não precisa retrucar.

Citação de: Adriano em 06 de Abril de 2012, 10:34:17

mas a mesma foi direcionada ao Buckaroo, devido a este conhecer muitos dos principais nomes do debate acadêmico em filosofia da mente.


Por outro lado, aqui, não vejo sentido nesse duplo padrão aferidor. O objetivo não seria comparar minha "posição" com outras? Se essas outras são filosóficas é claro que não têm a mais mínima correlação com a minha. Enquanto não alcançarem/reconhecerem isto, não mover-se-ão um plânckion do lugar, em direção a captar o que mostro.

Não pode haver nenhum estudo filosófico paralelo ao que defendo.

Citação de: Adriano em 06 de Abril de 2012, 10:34:17

No seu caso, um nome para ser mais direto e compatível com a maneira que você se declara, é Paul Churchland:

Citação de: Wikipedia

Along with his wife, Churchland is a major proponent of eliminative materialism, which claims that everyday mental concepts such as beliefs, feelings, and desires are part of a "folk psychology" of theoretical constructs without coherent definition, destined to simply be obviated by a thoroughly scientific understanding of human nature.


Citar

... o projecto filosófico de Churchland, a saber, o conexionismo. Sucintamente, o conexionismo é caracterizável enquanto um paradigma explicativo do modo como a cognição se processa que nasceu do sucesso obtido pelas tentativas feitas a partir dos anos 40 de criar sistemas computacionais baseados nos cérebros biológicos enquanto redes de neurónios interconectados.

Trecho da introdução de Paul Churchland e a Problemática da Semântica dos Estados Mentais




Vou ver se ainda hoje consigo tecer alguma consideração sobre o Churchland; se consigo terminar de ler, ao menos.

Agora, quero dizer umas palavras sobre o assunto do link da WEAKpedia que postou -- "O cérebro numa cuba".

Parece-me que atribui-se a Einstein a observação "nada acontece até que algo se mova". Já vi muita 'gente boa' em física apresentar interpretação extraviada disto. Trata-se de declaração de estrito mecanicismo, não o filosófico, o físico, declaração que se sustenta em todos os fatos observados da natureza. Assim, temos que as clássicas convencionais divisões eruditas da física: termologia, óptica, eletricidade... todas se reduzem à mecânica.

Em que isso se aplica aqui? Ocorre que as tristes figuras precisariam de uma profunda conceituação fundamentada em uma teoria válida de sistemas para entenderem que propostas do tipo matrixiana, como esta do cérebro numa caixa, não ultrapassa o círculo aprisionador do filosofismo. O conceito de limite sistêmico é sempre o de um limite mecânico, e a fronteira é sempre produto de uma arbitrariedade de uma conceitualização humana. Não importa se você considera a córnea como limite sistêmico, ou o cristalino, ou a retina, ou o nervo ótico, ou a região cortical em que ele termina, ou a rede neuronal em que são transmitidos os impulsos, ou a sequência nessa rede que desemboca nas redes de resposta, ou a sequência nessa rede de respostas que segue até inervações que comandam músculos (como os que comandam movimentos oculares) ou que vão para outras regiões cerebrais que realimentam tal estímulo...

Nada disso importa, porque o que se tem é só um processo natural em que se arbitrou uma fronteira sistêmica. Se um olho capta imagem opticamente ou se um outro dispositivo insere os dados no nervo ótico, esse outro dispositivo simplesmente é um substituto *mecânico* do olho. Não se pode ver sem alguma forma de dispositivo ocular, de olho. Se o olho for um de um experimentador a fazer experiências com o dito "cérebro numa cuba", o sistema só é maior e mais complexo, uma sequência maior de processos antes de chegar ao nervo ótico. Trata-se, toda essa tentativa de fuga, de um típico caso de cão perseguindo a própria cauda. Fora da ficção hollywoodiana, pura infantilidade filosófica.

É o mesmo exato modelo das teorias alienigenistas, como os raelianos, que transferem o problema para adiante. "Somos criados por alienígenas" mas esses, como qualquer deus gênico típico, dispensam a necessidade explanatória de suas origens.

Agora é hora do almoço para mim.
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