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Uma visão cética (sem bullshits filosóficos) da consciência
Autor: Gigaview | Categoria: Ceticismo | Exibições: 133348 Comentários: 1340
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Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Citação de: Adriano em 09 de Fevereiro de 2011, 17:21:25

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 16:16:04

A outra categoria é o que se chama de "problema difícil" da consciência. Que já deve ter sido descrito algumas vezes ao longo do tópico, mas enfim. É algo que não se sabe bem o que é. Não é algo que evidentemente emerge dos processos neuronais que ocorrem no nosso cérebro, para um observador externo, e ainda assim, isso ocorre. Só sabemos da existência (aqueles de nós que não pensam que seja uma ilusão) por experienciarmos isso pessoalmente, subjetivamente.


Essa questão da existência dos qualias através do acesso fenomênico subjetivo é criticado por Denett por ser contra a metodologia científica. Esta é a equiparação também com o ceticismo científico, que o classifica como evidência anedótica. Ninguém faz ciência sozinho.


Eu não engulo essa.

Se não podemos falar de experiência subjetiva por ser "evidência anedótica", então tudo é evidência anedotica, pois não apreendemos a realidade diretamente, mas apenas através de nossa experiência subjetiva.

Está tremendamente enganado e precisando voltar a algumas leituras de Popper. O conhecimento que adquirimos é o acessado pelo conteúdo informacional origado das instituições acadêmicas, via de regra.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Quando você lê um resultado num instrumento, você não pega um atalho que pula o problema da experiência subjetiva e passa direto a uma espécie de conhecimento puro e pleno. Porque a sua leitura do instrumento é uma experiência subjetiva, a sua preparação do instrumento também se deu com base nela, bem como de todas as variáveis. Talvez até dê para se fazer analogia com aquela metáfora das pessoas na caverna que só enxergam sombras do que se passa do lado de fora.


Neste caso o hardware cerebral já foi programado pelos softwares de conteúdo científico disseminado pela estrutura educacional de nossa sociedade. É um grande empreendimento coletivo e que busca a resolução de problemas pontuais e específicos para os casos aplicados ou mais gerais e abrangentes para os casos de teoria pura.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Na realidade, aceitamos nossa experiência subjetiva, e mesmo a "evidência anedótica" nesses casos é levada em consideração, com eventuais confirmações e repetições a partir de outros casos parecidos.


Evidência anedótica é uma história subjetiva que vai contra o conhecimento científico corrente. É como eu considero Chalmers, como um troll na academia. Mas mesmo os crentes conseguem a incrível repercussão de fazer os principais especialistas da áreas buscarem responder adequadamente aos questionamentos sem noção realizados. É o que vejo acontecer com o Dennett, ele apenas reforçou o seu ponto de vista numa forte reação contra o argumento nonsense zumbi.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Se não se pudesse levar em consideração a experiência subjetiva como evidência, praticamente todos esses livros do Sacks seriam lixo. E mesmo exames no oftalmologista teriam que ser feitos talvez com toda uma instrumentação que analisa apenas o olho do paciente, sem nunca perguntar o que ele está vendo. E claro, mesmo assim, sempre sem questionar a experiência subjetiva daquele que opera os instrumentos. É irreal.


Sacks é um especialista, um cientista. Assim como os especialistas produzem informação com base em seus conhecimentos e prática acadêmicos, os seus procedimentos procedimentos são normatizados, prioritariamente, pelo atual estágio do conhecimento científico.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

E, conforme li e postei, mesmo esses que se colocam como eliminacionistas de qualia, não são necessariamente o que se poderia imaginar, não teorizam que somos zumbis filosóficos "experimentando subjetivamente a ilusão de experienciar subjetivamente" os sentidos e etc. São eliminacionistas quanto a definições mais estritas de qualia, ou questionam algumas dessas intuições ou conclusões a partir de experimentos de pensamento (por exemplo, no caso de "Mary" e o seu mundo cinza; eu não acho que o fisicalismo seja falsificado se ela eventualmente experiencia cores "mesmo", algo que nunca tinha experienciado, apesar de saber tudo sobre cores e visão -- provavelmente outros pensam o mesmo, até porque há defensores de qualia como um fenômeno físico).


O caso de Mary é refutado passo a passo nas supostas experimentações mentais. Pois são apenas experiências imaginativas e por isso falham numa comparação com a dura realidade. Depois vou postar as refutações com relação a elaboração do experimento, que é toda falha, assim como a maioria das descrições de experimentos mentais.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

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Experimentos mentais são sempre expostos de forma objetiva pela linguagem, onde passam a ser objeto de críticas de terceiros. É o que fazemos constantemente aqui, é o racionalismo crítico.

A proposta é a heterofenomenologia, a análise da consciência além da perspectiva fenomenológica, a inteligência intrapessoal, como é conhecida na psicologia. A crítica é que a perspectiva de primeira pessoa desconsidera os possíveis erros e causações que ela não tem acesso. Na psicologia popular isso é conhecido como inconsciente, mas podemos definir como falta de auto-consciência sobre o funcionamento da própria estrutura coginitiva.


Heterofenomenologia é mais ou menos o que Sacks "faz" ou "assume". E me parece quase uma espécie de termo criado para definir uma alternativa a espantalho inexistente. Não é porque o cara diz que não é cego, jura sobre o túmulo da mãe que não é, e no entanto, outras evidências indicam que seja, que se assume que ele pode ver por alguma forma de percepção extra sensorial e em algum momento seu comportamento não condiz com a sua visão por um motivo qualquer, ou qualquer outra elucubração possível que tome esses depoimentos como 100% verídicos e não tendem entendê-los em algum contexto maior. É natural o ceticismo quanto ao relatado por percepção subjetiva, mas não quer dizer que ela seja algo com o qual não se possa contar, pois no fim das contas o estudo desses relatos e do que há além dos relatos também depende de percepção subjetiva de uma segunda pessoa ou terceiros.


Percepção subjetiva de uma segunda pessoa ou terceiros é algo que já se torna objetivo para o indivíduo. Pelo menos no sentido de um relato ou qualquer outra maneira que ele possa fornecer informações dos seus estados internos, como as pesquisas neurológicas atuais que possibilitam escanear o cérebro em atividade. Este é o exemplo mais evidente de análise mas existem muitas outras técnicas de anamnese no caso de avaliação da saúde ou de análise de competências e conhecimentos em outros contextos.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

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O fato de você insistir, no deus da lacunas, na linguagem cética, é evidenciado pela sua linguagem, a sua estrutura cognitiva a respeito do tema é exposta quando você utiliza a força do pronome do plural ou indeterminado para definir o tipo de suposto conhecimento que você defende.


Não tem nada de análogo a "deus das lacunas".

Seria se, para explicar a consciência, propusesse, para preencher a lacuna, "deus" ou alguma hipótese cheia de coisas que não derivam do problema nem são necessárias para resolver o problema. A diferença crucial, se você não percebeu, é que eu não estou propondo virtualmente "nenhuma" hipótese, no máximo sugerindo a noção de que seria alguma propriedade física pouco conhecida. É mais uma "definição" do elemento a ser explicado do que uma proposta de explicação propriamente dita.


Por mais que se defina algum deus, este é considerado por mim uma ficção. Claro que em tese é falseável, porém na prática jamais existirá algum deus, dado as amplas informações da doutrina ateísta de que disponho.

A sua definição supõe um elemento a ser explicado. Para mim não existe problema difícil algum a ser resolvido. Claro que não vou conseguir explicar o minha estrutura cognitiva para que você pense exatamente como eu, mas também não preciso utilizar a mesma linguagem sua, como a de eliminativista, como se existisse algo para ser eliminado.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Se bem que penso ser mais uma diferença de rótulo do que de categoria. Pessoalmente acho que não faz sentido em dizer que qualquer coisa que exista possa ser "não física", praticamente por definição. Apenas com ressalvas mais pragmáticas do que referentes a algo sobre a natureza da realidade.


Penso também ser mais uma diferença semântica. Por isso cito novamente que a análise do comportamento de um organismo é dado pelo modelo de funcionalismo computacional. O que não afasta a analogia de algo supostamente não-físico, como é intuitivamente entendido o software, embora não seja bem isso a sua real estruta.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

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Claro que a nossa dissonância cognitiva sobre a temática é forte, ao ponto de eu ser comparado com uma ignorância artificial


Não é tanto sobre a temática, mas os desvios do tema, quando não parece passar por cima sem perceber o que realmente é. Memes, capital, e até evolução biológica não são temas que tem qualquer conexão muito direta com o problema.


A evolução é um conhecimento necessário para a compreensão da programação de nosso comportamento atual. Caso contrário ficaremos presos a experimentos mentais, que nada mais são que comportamentos linguísticos sobre a maneira como algumas mentes idealizam os supostos experimentos.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Aliás, a comparação talvez pudesse ser feita de forma mais defensável do outro lado. Negar o fenômeno é como negar a evolução, e defender um conhecimento do que ocorre "na verdade", apesar da impossibilidade de se por na mesa e provar qualquer coisa, é como defender a "explicação" criacionista. "Isso de evolução/qualia não existe, é só uma bobagem acreditada pelos ateus comunistas comedores de criancinha/místicos, sendo que tudo o que é levantado sobre o assunto pode facilmente explicado como obra do diabo, o rei da mentira/ilusão provocada pela linguagem".


Eu já defendi muito a superioridade biológica humana, pois nossa espécie superou as demais na elaboração da linguagem e consequentemente da ciência. Tanto que os produtos de nosso fenótipo estendido se tornam a referência para a nossa metáfora existencial, a linguagem digital.

E não precisa de um nome de qualia para qualificar a nossa consciência, a inteligência já cobre bem o papel desta qualidade indistinguível da espécie. Ainda mais com a extenção GARDNER, Howard Gardner sobre as altas habilidades cognitivas em diversas áreas possíveis de descrição comportamental e caracterizadas como inteligências multiplas.

Citação de: Buckaroo Banzai em 09 de Fevereiro de 2011, 18:54:47

Ninguém está defendendo deuses nem que se precise de qualquer alternativa a uma metodologia científica. O problema é apenas que esse é um problema que ainda não parece fácil de ser abordado de qualquer maneira acessível. Só isso.


Considero deuses para você no sentido de ser um fantástico problema que ainda não foi solucionado. É uma consideração imensa e grandiosa para com o problema. A maneira fácil de resolver esse problema é através da utilização da intencionalidade humana como um produto da intencionalidade evolutiva. E invertendo a sua fala, fica muito menos confuso assim.
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To falando....... Pra que milhares de cientistas e filosofos estudando as coisas? o Agnóstico manja de tudo, tem certeza de tudo e sempre tem razão........... Qualquer duvida que a humanidade tiver, chama o Agnóstico pra dar palpite.
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humm.. vai argumentar?
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Citação de: Barata Tenno em 10 de Fevereiro de 2011, 00:40:11

To falando....... Pra que milhares de cientistas e filosofos estudando as coisas? o Agnóstico manja de tudo, tem certeza de tudo e sempre tem razão........... Qualquer duvida que a humanidade tiver, chama o Agnóstico pra dar palpite.


Sem contar que ele usa a opinião do Dennett e inverte tudo, pois ele é um crítico do problema difícil da consciência e se esquiva dele, por considerar não agregar em nada, devido ao seu modelo mais consistente.

Está entendendo muito destes filósofos

Citação de: Agnóstico em 10 de Fevereiro de 2011, 00:14:49

não vejo nada de diferente no problema difícil da consciência. O difícil é simples também. Tão inventando moda. Não tenho culpa que filósofos gostam de ficar fazendo conjecturas sem sentido. Que se dane o Dennett, é famoso mas fala muita merda hahaha


Quem elabora o problema difícil da consciência é David Chalmers.
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Resposta ao post do Agnóstico.

Tentando colocar de forma mais resumida o problema. Não sei se entendeu ainda o que é qualia/experiência subjetiva. Você parece estar entendendo como "experiência acumulada", conhecimento. Não é. É aquilo que acompanha, por exemplo, todos os processos físicos e neuronais relacionados a visão (não só com visão). Não se trata meramente esses processos e o seu resultado tal como pode ser observado externamente, "a luz refletida, é detectada pelos olhos, transformada em sinais transmitidos ao cérebro, e a partir desses sinais, correlatos com o posicionamento de objetos ao redor, o indivíduo se orienta". Isso não é problemático, são coisas "ordinárias" acontecendo, e facilmente examinadas. O problema é que "aparentemente", não é só isso que ocorre, não só esses processos físicos que um observador externo pode ver e entender. Quando isso ocorre, você vê uma imagem projetada.

O problema seria meio como responder, "onde" é que está essa imagem projetada, e "o que" ela é? Não é como se os sinais dos nervos óticos fizessem em algum canto do cérebro uma imagenzinha em miniatura numa pequena "telinha" que é então vista por um "homúnculo" lá dentro. Não sei se ficou claro, mas não é exatamente óbvio que, a partir da captação e do processamento de uma imagem por um sistema, tal sistema vá ter a experiência de "ver uma imagem projetada".

E no entanto é o que "parece" ocorrer conosco, 99,99% das pessoas dirão que é o que acontece com elas. Acontece de forma tão natural que até esquecemos disso*, e como isso é estranho, e inesperado, se formos comparar com algum sistema análogo -- como uma câmera. A descrição em linhas gerais dos processos que ocorrem na captura e processamento de imagem por nosso cérebro e por uma câmera (ou robozinho simples dotado de uma câmera e algo mais, mas mesmo não muito mais) é virtualmente a mesma. E no entanto não tendemos a pensar que, como nós, o robô ou a câmera "vê" uma imagem projetada, apenas que "dispõe de uma série de dados a partir de informações codificadas de uma imagem".

Mas é exatamente isso que acontece também em nosso cérebro. A diferença mais gritante é de substratos. E de complexidade, principalmente se levarmos em conta o que tudo que há além do sentido da visão, mas essa complexidade adicional não nos explica prontamente (e nem após muita análise) como é que a partir desse "jogo de bilhar" com bolas químicas e elétricas, de moléculas se agrupando e se separando, se desfazendo e se modificando, "emerge" a imagem que você vê. Observando externamente, compreendendo tudo que compreendemos sobre os processos, não nos é mais claro o porque isso ocorre "em nossas cabeças", porque vemos essa imagem, enquanto que "sabidamente" algo assim não ocorre com uma câmera ou um robô relativamente simples.

Ressalto que, por tudo que sabemos por enquanto, o problema persiste, por mais que o cérebro humano seja mais sofisiticado do que esse robozinho ou uma câmera. São coisas que certamente fazem muita diferença, como qualquer tipo de reflexão sobre a imagem presenciada, coisas que comumente associamos com "consciência" (e que também são "qualia"); daí a analogia com alguém com severos danos cerebrais, que tivesse perdido muito daquilo que temos por consciência, e no entanto, ainda pudesse enxergar, simplificando seu cérebro, o trazendo mais próximo de um eventual mínimo necessário para que seu "eu interior" veja a projeção de uma imagem, ainda que isso não desperte mais nada em sua cosnciência, seja um "vegetal que vê". Independentemente disso, a questão ainda é bastante complexa, e até o momento, parece distante de ser resolvida.


* a maior parte das pessoas talvez nem bem pensam ser uma imagem projetada o que vêem, mas simplesmente "o mundo real". Não deve ser comum que as pessoas se toquem que aquilo que vemos ou percebemos não são "as coisas mesmo", mas representações mentais delas montadas a partir de estímulos sensoriais, apenas suficientemente análogas à realidade ao redor.

Se, por exemplo, aquele um monte de caracteres aparentemente aleatórios como dessa tela de Matrix postada pelo dr. Manhattan tivesse todos os dados suficientes para a representação de uma imagem, aquilo não é uma representação menos realista da realidade do que uma foto. Uma foto é apenas mais próxima de como nós experienciamos a realidade. Se uma pessoa enxergasse o mundo todo em "negativo", com as cores invertidas, (deixando de lado a questão sobre o como poderíamos saber disso), a visão dessa pessoa não é uma representação inferior da realidade em relação a "nossa" (deixando de lado a questão sobre como poderíamos saber que não vemos o mundo de forma diferente, eu vendo o negativo daquilo que você vê).
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Esse problema não é aparentemente solucionado nem se fosse decifrado o código neural. Talvez fosse um tremendo passo nessa direção, mas mesmo que o dominássemos a ponto de, sei lá, enfiar um plug no cérebro e "projetar" imagens/sensações na cabeça de um cara a partir disso que se conhece, ainda fica em aberto a questão da experiência em si. Apenas seus correlatos ficam bem melhor delineados.
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Mas o que é isso! Nem posso ler, agora, tudo que já foi postado depois de mim (na verdade, vou tentar ler o máximo até o sono me vencer). De qualquer forma, vou dizer alguma coisa para o Buckaroo, com relação às últimas postagens dele.

Aqui você já está exagerando e se afundando mais na sua própria ilusão. Está levando a questão para um lado religioso que chega a beirar o proselitismo. Francamente, e isto pode ser considerado um elogio para você (espero que seja), acho que você não pensa dessa forma. Deve estar exercitando suas habilidades retóricas defendendo um ponto de vista que você não abraça realmente (acho que lembro de você fazendo ou propondo isso aqui alguma vez). Sinceramente, sou avesso a esse tipo de atitude, devido até ao meu pragmatismo extremo. Acho muita perda de tempo exercitar retórica. Quando defendemos algo que está correto, já estamos em vantagem e adquirir competência para defender algo incorreto, para que? Para provar que é possível vencer a qualquer custo mesmo quando nossas teses defendidas sejam totalmente absurdas e irreais? Eu não quero vencer a qualquer custo. Quero descobrir e aplicar as coisas que são reais.

Então, eu peço que você seja franco comigo e diga o que, de fato, está fazendo. Se você, realmente, fica "grilado" com essas coisas subjetivas, não vejo nada de errado em eu tentar te mostrar que não faz sentido. Mas, se estiver só exercitando retórica, por favor, não participo disso.
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Nossa! Não posso acompanhar esse debate no mesmo passo. Só para ler tudo que já foi postado depois de mim, levei um bom tempo (e pulei algumas coisas).

Acho muito bom, mas também acho que se está desperdiçando muita força intelectual inutilmente. O debate está muito direcionado a discussões filosóficas, contraposições e, até, contra-ataques. Até mesmo o Gilberto, por exemplo, penso que entendeu mal a posição do Agnóstico. O Agnóstico está certo sim ao afirmar que as atuais máquinas computacionais, com suas atuais configurações, programações e, talvez, poder de processamento, não manifestam consciência do tipo humana (entendida como o problema difícil da mente). Essas máquinas não estão no nível cognitivo da ilusão para experienciar algo como a ilusão de qualia, por exemplo. Elas não 'linguistiquificam' suas interações internas e externas para isso.

Por outro lado, pode-se apontar que ele está errado ao pensar que essas máquinas, basicamente como são, com programações seguindo um devido modelo e, possivelmente, com algumas modificações não fundamentais não possam vir a ter um "eu" como o humano (não estou desconsiderando o fato do Agnóstico ter afirmado não descartar a hipótese de computadores poderem vir a ter a consciência "difícil", mas acho que talvez ele pense que não os computadores como são os que temos). Até pouco tempo atrás, antes do contato que tive com o Gilberto, eu também me questionava se arquiteturas computacionais convencionais poderiam emular a mente humana a tal ponto. Eu não conhecia bem (ainda não conheço bem, mas conheço um pouco mais) as "bases circuitais" do funcionamento do cérebro humano e me questionava se não seria necessário uma arquitetura especial (diferente das convencionais) para simular/replicar o funcionamento de um cérebro. Agora, vejo de modo mais claro (considerando que eu esteja "no caminho certo"). O modelo proposto pelo Gilberto trabalharia, basicamente, com registros de memória e um algoritmo adequado poderia replicar consciência humana em qualquer arquitetura convencional de máquinas coputacionais, usando a tecnologia binária com os mesmos semicondutores convencionais... basicamente, tudo que já se tem. O Agnóstico, muito provavelmente, se conhecer e analizar (e entender) o 'modelo gilbertiano', pensará diferente e poderá, quem sabe, contribuir (visto que conhece programação) em vez de contrapor-se. Penso que há alguma possibilidade de fazermos algo grandioso aqui. É neste ponto que se deve decidir entre filosofar e fazer ciência.

Há tempos que tenho tido a vontade de reabrir o debate com o Gilberto mas sei da dedicação que isso exigiria de mim e de que não posso dispor. Vou participar mais aqui (não tanto quanto vocês). Tenho muito para expor mas só posso fazê-lo, agora, limitadamente.

Tenho respostas para o Buckaroo e algumas mais, mas tenho que escrevê-las (e isso, agora, não dá).

Uma coisa que acho importante esclarecer, por último, neste momento, é sobre o que o Gigaview interpretou do meu post.

Fui analisar do que se trata essa tal filosofia epifenomenalista e, pelo que entendi, de maneira alguma, a minha "visão" se enquadra nisso, o que me leva a concluir que o Gigaview não captou o que expus. E, se ele não captou corretamente os conceitos que apresentei, imagine a maioria dos outros. Devo tentar melhorar minha exposição. Você, Adriano (quem diria?...), parece ter chegado mais próximo do ponto (próximo, não ao ponto).

Na verdade, o que apresentei é significativamente oposto ao epifenomenalismo que, pode-se afirmar, trata estados mentais como coisas transcendentes, ou seja, mais outro bullshit filosófico, na verdade. O meu ponto de vista inclui a concepção de que estados mentais são eventos físicos intermediários entre outros. São causados por eventos anteriores e *causam* eventos posteriores numa cadeia normal de processos físicos. Não, Gigaview, não é de epifenomenalismo que estou falando.
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Uma Teoria Fisicalista do Conteúdo e da Consciência - D. Dennett e os debates da filosofia da mente. Tese de doutorado em filosofia - Portugual.

Um tesouro encontrado, muito melhor que somente aquela dissertação

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O novo livro de João Teixeira, A mente segundo Dennett, apresenta as concepções sobre a mente e a consciência propostas por Daniel Dennett, destacando a importância do filósofo no cenário em que se encontra, principalmente pelo fato de sua filosofia da mente estabelecer o diálogo com a ciência, e abrir possibilidades para repensar o estatuto científico da psicologia e suas relações com outras disciplinas, tais como ciência da computação, robótica e neurociência. Para apresentar Dennett, Teixeira traça o cenário de surgimento e consolidação da ciência cognitiva, da inteligência artificial e da filosofia da mente no século XX, situando Dennett na tradição naturalista, compreendendo o pensamento como um dos aspectos da natureza.

http://www.filosofia.com.br/vi_res.php?id=18





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João Teixeira, de forma clara e vívida, expressa seu profundo entendimento de minha filosofia, e também de como ela se relaciona com os trabalhos de outros pesquisadores. Ele abriu meus olhos para várias dessas relações, e para alguns dos problemas residuais com os quais estou lidando. Sua abordagem é independente, porém construtiva e justa, e por mais que eu não esteja ainda completamente convencido de suas idéias (há muitas delas para se escolher!) todas merecem uma cuidadosa consideração.

Daniel Dennett
Centro de Estudos Cognitivos,
Tufts University, Boston,
Estados Unidos.

Teixeira, João de Fernandes bacharelou-se em filosofia pela USP e obteve o grau de mestre em lógica e filosofia da ciência na Unicamp. É PHD pela University of Essex, Inglaterra. Fez pós-doutorado no centro de estudos cognitivos da Tufts University, em Boston, tendo como orientador o prof. Daniel Dennett. É pesquisador do Cnpq. Integra o programa de pós-graduação em filosofia da Universidade Federal de São Carlos onde é professor titular. Publicou vários livros na área de filosofia da mente e ciência cognitiva, dentre os quais se destacam Filosofia da Mente e Inteligência Artificial (CLE-Unicamp); Mente, Cérebro e Cognição (Vozes); Filosofia e Ciência Cognitiva (Vozes) e Filosofia da Mente: Neurociência, Cognição e Comportamento (Claraluz).

http://www.livrariaresposta.com.br/v2/produto.php?id=5594
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Aviso: não vi o vídeo e só li as páginas 1 e 7. Mas vou dar meus pitacos.
Como sempre... lembrem-se, posso estar falando coisas sensatíssimas ou muita merda. Estejam avisados.

Qualia: a questão é informação e seus meios, não a experiência em si. O meio que chamamos de "linguagem humana" não é completo e não permite a passagem de toda e qualquer informação - ele pode ser apto a passar "comi uma maçã verde ontem", mas é incapaz de passar o conceito de verde em si.

Notem que falo em termos de "linguagem humana", isto é, algo indiferente às línguas. É questão de peça/hardware (como o SNC lida com a linguagem) e não de programa/software (a linguagem em si). Se o cérebro lidasse com a informação e a linguagem de outro jeito, talvez seria possível passar informações por linguagem que a gente só tem acesso pelos sentidos.

Consciência: o que exatamente a gente chama de consciência? É só uma abstração, gente. Existe um cérebro funcionando, isso é real. A gente chama de "mente" como a gente entende que esse cérebro funciona, e uma das partes que a gente resolveu separar dessa "mente" se chama "consciência".

Se vocês quiserem adotar uma postura mais científica e menos filosófica, a gente pode começar pelo comportamento - algo que a gente vê - pra depois tentar inferir o que a gente não vê - o funcionamento do cérebro. Tateando um pouco, sabemos através do comportamento que:

1. Humanos têm emoções (Ex: Aline enche Bernardo de beijos por ter dado a ela uma flor.)
2. Humanos reconhecem emoções alheias (Ex: Clara franze as sobrancelhas quando vê Bernardo dar a flor e sai correndo.)
3. Humanos estabelecem relações de causa e efeito (Ex: Diogo leva uma bexiga d'água na testa. Diogo procura o fi'adaputa que a jogou.)
4. Humanos planejam comportamentos futuros. (Ex: Eduardo fala "vou comer uma maçã", e depois de cinco minutos, está comendo uma maçã.)
5. Humanos têm comportamento moral. (Ex: Clara bate em Bernardo e xinga-o de galinha vagabundo por causa do comportamento dele no ponto 1, e abraça Fernanda pela ausência do comportamento de fofoca.)
Isso tudo é óbvio? Não por essa abordagem.
Adicionem mais pontos, se quiserem... não tenho respostas, sou só um sonâmbulo divagando.

Podemos agora começaaaaaaaar a definir "consciência": consciência é o conjunto de emoções, formas de interagir com outros seres humanos, regras morais e prospectivas de um dado indivíduo.

Continuo depois. Ah, Buck e Adriano, uma dica: se vocês discutem com os tróis, eles vencem.
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Data da postagem: 10/02/2011, 04:39