
Clube Cético
A crise do capitalismo e a importância atual de Marx
Autor: Luiz Souto | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 18797 Comentários: 208
Citação de: Dono da Verdade em 27 de Outubro de 2008, 10:30:40
Dono da Verdade,
Não é num sentido forte de previsão detalhada ou de leis gerais a que me refiro quando falo em capacidade de previsão utlizando a história .
Vou dar alguns exemplos :
A gente espera que algum país com 100 milhões de habitantes cresça 50% ao ano durante dois , três , quatro ou cinco anos ?
Não !
Porque não ? Eu não espero porque não conheço nenhum caso histórico de algum país que tenha feito tal coisa.
Se alguém dissesse que Ruanda (sem uma brutal ajuda externa, apenas com os seus próprios recursos internos) terá uma renda per capita de 28.000 doláres , um IDH 0,95 e uma grande produção científica daqui a 2 anos alguém acreditaria ??
Eu não acreditaria ! Porque eu não acreditaria ? Simplesmente porque não conheço nenhum caso na história de um país que tenha saído de uma fraquíssima posição econômica , social e científica em dois anos .
E a gente pode ir além e dizer que mantidas aproximadamente as atuais políticas econômicas e sociais e educacionais aplicadas nos 10 últimos anos por Ruanda isso não ocorrerá nem daqui a 20 anos.
Por outro lado, temos a Suécia que saiu da pobreza no séc XIX para a riqueza e alto IDH nos anos 80 do séc XX . Acredito que o estudo detalhado da história da Suécia durante este período nos informe quais políticas econômicas/industriais/sociais/educacionais/científicas foram usadas, e que uma aplicação semelhante dessas políticas econômicas/industriais /sociais/educacionais/ científicas possa trazer resultados semelhantes em outro país que esteja com problemas semelhantes, de pobreza/baixo nível de qualidade de vida , baixo nível educacional, aos que a Suécia tinha no Séc. XIX .
É neste sentido que eu acredito que conhecendo a história é possível ter uma idéia razoável sobre o futuro de um país.
Não é num sentido de padrões ou "leis" gerais na história. E sim no sentido de historicamente aplicou-se tais e tais políticas econômicas/industriais/sociais/educacionais/científicas , e colheu-se após tal período tais e tais resultados, então caso se aplique tais e tais políticas econômicas/industriais/sociais/educacionais/científicas, eu espero que os resultados futuros sejam semelhantes !
.
Hélder, se puder, dê uma olhada no livro "A Miséria do Historicismo", de Karl Popper.
Esse livro argumenta contra o historicismo, que é a idéia de que existem padrões ou "leis" gerais na história, os quais podemos descobrir e utilizar para fazer previsões (no caso, "profecias") sobre o futuro curso dos acontecimentos.
Dono da Verdade,
Não é num sentido forte de previsão detalhada ou de leis gerais a que me refiro quando falo em capacidade de previsão utlizando a história .
Vou dar alguns exemplos :
A gente espera que algum país com 100 milhões de habitantes cresça 50% ao ano durante dois , três , quatro ou cinco anos ?
Não !
Porque não ? Eu não espero porque não conheço nenhum caso histórico de algum país que tenha feito tal coisa.
Se alguém dissesse que Ruanda (sem uma brutal ajuda externa, apenas com os seus próprios recursos internos) terá uma renda per capita de 28.000 doláres , um IDH 0,95 e uma grande produção científica daqui a 2 anos alguém acreditaria ??
Eu não acreditaria ! Porque eu não acreditaria ? Simplesmente porque não conheço nenhum caso na história de um país que tenha saído de uma fraquíssima posição econômica , social e científica em dois anos .
E a gente pode ir além e dizer que mantidas aproximadamente as atuais políticas econômicas e sociais e educacionais aplicadas nos 10 últimos anos por Ruanda isso não ocorrerá nem daqui a 20 anos.
Por outro lado, temos a Suécia que saiu da pobreza no séc XIX para a riqueza e alto IDH nos anos 80 do séc XX . Acredito que o estudo detalhado da história da Suécia durante este período nos informe quais políticas econômicas/industriais/sociais/educacionais/científicas foram usadas, e que uma aplicação semelhante dessas políticas econômicas/industriais /sociais/educacionais/ científicas possa trazer resultados semelhantes em outro país que esteja com problemas semelhantes, de pobreza/baixo nível de qualidade de vida , baixo nível educacional, aos que a Suécia tinha no Séc. XIX .
É neste sentido que eu acredito que conhecendo a história é possível ter uma idéia razoável sobre o futuro de um país.
Não é num sentido de padrões ou "leis" gerais na história. E sim no sentido de historicamente aplicou-se tais e tais políticas econômicas/industriais/sociais/educacionais/científicas , e colheu-se após tal período tais e tais resultados, então caso se aplique tais e tais políticas econômicas/industriais/sociais/educacionais/científicas, eu espero que os resultados futuros sejam semelhantes !
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Data da postagem: 27/10/2008, 18:52

Desde que você não vá fazer o estudo com um framework interpretativo ideológico pré-estabelecido, isso não é algo que alguém discorde.
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Data da postagem: 27/10/2008, 19:07

Agnóstico , em relação ao Hobsbawn é bom lembrar que ele coloca na introdução da Era dos Extremos que relutou em escrever sobre o período histórico em que viveu por considerar que o risco de ser parcial aumenta muito. E , apesar disso , acho o livro dele um dos mais interessantes sobre o século XX.
A mesma crítica que você faz a ele faço àqueles que relatam o período da ditadura militar brasileira dizendo que o golpe militar foi feito para salvar a democracia ou que os que assumiram a luta armada o faziam para derrotar o autoritarismo e pela liberdade.
Agora , parcialidade ( ou imparcialidade) não é prerrogativa de nenhum método , seja em História ou em qualquer Ciência Social , já que em todas há uma interferência do subjetivismo do pesquisador.
Citar
Qualquer método em Ciências Sociais é embasado em um pressuposto ideológico , Agnóstico.
A questão é que ideologia não tem o sentido de deturpação subjetiva do real ( que é como entendo que você a conceitua) mas é o conjunto de crenças / afetos / sentimentos que necessariamente modulam a compreensão individual do real ; aproximadamente o que é expresso pelo termo alemão Weltanschaung ( visão de mundo). Todos temos uma ideologia derivada da nossa formação ( familiar , educacional , etc...) dentro de uma sociedade , isto não quer dizer que por isso sejamos levados a errar consistentemente na nossa avaliação da realidade mas este substrato psicológico socialmente condicionado delimita nosso horizonte cognitivo. Qualquer método de interpretação da realidade histórica pode levar a deformações e deturpações se fechado em si mesmo e tratado como absoluto, não realizando o intercâmbio com outras formas de análise. A deturpação que o método marxista sofreu na URSS ( que eu chamei de Vulgata Soviética) é o exemplo mais evidente disto , mas o uso da historiografia conservadora durante a ditadura militar para forçar os eventos históricos a fim de justificar o autoritarismo ( chamado nos livros escolares de " democracia forte") também o é.
E por último a observação de Marx sobre a história ser movida pela luta de classes deve ser questionada através do própio método marxista. Esta é uma proposição de Marx que não dá conta de um imenso período das sociedades humanas ( antes do surgimento de classes) nem de transformações sociais como a passagem da Antiguidade para o Feudalismo no Ocidente. Como lembrei em post anterior a luta de classes não é um componente essencial do método materialista histórico , embora Marx assim o considerasse.
P.S.: após escrever o acima li a entrevista de Hobsbawn sobre Chavez. Ele é tão moderado no apoio quanto eu.
A mesma crítica que você faz a ele faço àqueles que relatam o período da ditadura militar brasileira dizendo que o golpe militar foi feito para salvar a democracia ou que os que assumiram a luta armada o faziam para derrotar o autoritarismo e pela liberdade.
Agora , parcialidade ( ou imparcialidade) não é prerrogativa de nenhum método , seja em História ou em qualquer Ciência Social , já que em todas há uma interferência do subjetivismo do pesquisador.
Citar
Mas voltando ao método de uma maneira específica. Qualquer método historicista é embasado em uma ideologia Luis. Quando falamos que a história se move pela luta de classes, ou qualquer outra coisa, estamos criando um framework interpretativo que foi criado segundo uma concepção ideológica, e isso ao invés de deixar a mente livre para relatar e interpretar, distorce os fatos e diminui nossa capacidade.
Qualquer método em Ciências Sociais é embasado em um pressuposto ideológico , Agnóstico.
A questão é que ideologia não tem o sentido de deturpação subjetiva do real ( que é como entendo que você a conceitua) mas é o conjunto de crenças / afetos / sentimentos que necessariamente modulam a compreensão individual do real ; aproximadamente o que é expresso pelo termo alemão Weltanschaung ( visão de mundo). Todos temos uma ideologia derivada da nossa formação ( familiar , educacional , etc...) dentro de uma sociedade , isto não quer dizer que por isso sejamos levados a errar consistentemente na nossa avaliação da realidade mas este substrato psicológico socialmente condicionado delimita nosso horizonte cognitivo. Qualquer método de interpretação da realidade histórica pode levar a deformações e deturpações se fechado em si mesmo e tratado como absoluto, não realizando o intercâmbio com outras formas de análise. A deturpação que o método marxista sofreu na URSS ( que eu chamei de Vulgata Soviética) é o exemplo mais evidente disto , mas o uso da historiografia conservadora durante a ditadura militar para forçar os eventos históricos a fim de justificar o autoritarismo ( chamado nos livros escolares de " democracia forte") também o é.
E por último a observação de Marx sobre a história ser movida pela luta de classes deve ser questionada através do própio método marxista. Esta é uma proposição de Marx que não dá conta de um imenso período das sociedades humanas ( antes do surgimento de classes) nem de transformações sociais como a passagem da Antiguidade para o Feudalismo no Ocidente. Como lembrei em post anterior a luta de classes não é um componente essencial do método materialista histórico , embora Marx assim o considerasse.
P.S.: após escrever o acima li a entrevista de Hobsbawn sobre Chavez. Ele é tão moderado no apoio quanto eu.
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Data da postagem: 27/10/2008, 19:24

Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Também gosto muito dele, o livro mais interessante que conheço sobre a história do sec XX.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Ué, eu faço exatamente a mesma crítica.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Luis, se você começa escrevendo um livro tendo como premissa um determinado fluxo dialético, você vai focar sua mente para interpretar as coisas daquela maneira. Algo como um crente quando vê sinais de deus em todo o lugar.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Sim, por isso que a chamo de discurso ideológico travestido de ciência.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Gostei, mas não concordo. Eu certamente tenho uma ideologia, mas estou esperando detectá-la para abandoná-la o mais rápido possível. Então, se você levar em consideração que existe um sistema de adesão consciente a uma determinada ideologia, eu não concordo e acho contraproducente.
Ideologia para mim serve exatamente para nos tirar capacidade crítica.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Sim, Luis, eu não sei se a analogia será a mais adequada. Mas sempre, sempre, qualquer adepto de uma ideologia procura desvios em uma determinada pureza perdida, e dá a entender que a correção do problema está implicito no próprio dogma. Algo como "Kardec disse que entre o espiritismo e a ciência, fique com a ciência" ou qualquer outra materialização do verdadeiro escocês.
Então, sem essa interpretação do fluxo histórico como sendo produto da luta de classes, o que sobre ao método? E o que sobra não será tão questionado quanto esse?
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Não achei Hobsbawn moderado nesta entrevista Luis.
Agnóstico , em relação ao Hobsbawn é bom lembrar que ele coloca na introdução da Era dos Extremos que relutou em escrever sobre o período histórico em que viveu por considerar que o risco de ser parcial aumenta muito. E , apesar disso , acho o livro dele um dos mais interessantes sobre o século XX.
Também gosto muito dele, o livro mais interessante que conheço sobre a história do sec XX.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
A mesma crítica que você faz a ele faço àqueles que relatam o período da ditadura militar brasileira dizendo que o golpe militar foi feito para salvar a democracia ou que os que assumiram a luta armada o faziam para derrotar o autoritarismo e pela liberdade.
Ué, eu faço exatamente a mesma crítica.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Agora , parcialidade ( ou imparcialidade) não é prerrogativa de nenhum método , seja em História ou em qualquer Ciência Social , já que em todas há uma interferência do subjetivismo do pesquisador.
Luis, se você começa escrevendo um livro tendo como premissa um determinado fluxo dialético, você vai focar sua mente para interpretar as coisas daquela maneira. Algo como um crente quando vê sinais de deus em todo o lugar.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Qualquer método em Ciências Sociais é embasado em um pressuposto ideológico , Agnóstico.
A questão é que ideologia não tem o sentido de deturpação subjetiva do real ( que é como entendo que você a conceitua) mas é o conjunto de crenças / afetos / sentimentos que necessariamente modulam a compreensão individual do real ; aproximadamente o que é expresso pelo termo alemão Weltanschaung ( visão de mundo).
Sim, por isso que a chamo de discurso ideológico travestido de ciência.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
Todos temos uma ideologia derivada da nossa formação ( familiar , educacional , etc...) dentro de uma sociedade , isto não quer dizer que por isso sejamos levados a errar consistentemente na nossa avaliação da realidade mas este substrato psicológico socialmente condicionado delimita nosso horizonte cognitivo. Qualquer método de interpretação da realidade histórica pode levar a deformações e deturpações se fechado em si mesmo e tratado como absoluto, não realizando o intercâmbio com outras formas de análise.
Gostei, mas não concordo. Eu certamente tenho uma ideologia, mas estou esperando detectá-la para abandoná-la o mais rápido possível. Então, se você levar em consideração que existe um sistema de adesão consciente a uma determinada ideologia, eu não concordo e acho contraproducente.
Ideologia para mim serve exatamente para nos tirar capacidade crítica.
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
A deturpação que o método marxista sofreu na URSS ( que eu chamei de Vulgata Soviética) é o exemplo mais evidente disto , mas o uso da historiografia conservadora durante a ditadura militar para forçar os eventos históricos a fim de justificar o autoritarismo ( chamado nos livros escolares de " democracia forte") também o é.
E por último a observação de Marx sobre a história ser movida pela luta de classes deve ser questionada através do própio método marxista. Esta é uma proposição de Marx que não dá conta de um imenso período das sociedades humanas ( antes do surgimento de classes) nem de transformações sociais como a passagem da Antiguidade para o Feudalismo no Ocidente. Como lembrei em post anterior a luta de classes não é um componente essencial do método materialista histórico , embora Marx assim o considerasse.
Sim, Luis, eu não sei se a analogia será a mais adequada. Mas sempre, sempre, qualquer adepto de uma ideologia procura desvios em uma determinada pureza perdida, e dá a entender que a correção do problema está implicito no próprio dogma. Algo como "Kardec disse que entre o espiritismo e a ciência, fique com a ciência" ou qualquer outra materialização do verdadeiro escocês.
Então, sem essa interpretação do fluxo histórico como sendo produto da luta de classes, o que sobre ao método? E o que sobra não será tão questionado quanto esse?
Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45
P.S.: após escrever o acima li a entrevista de Hobsbawn sobre Chavez. Ele é tão moderado no apoio quanto eu.
Não achei Hobsbawn moderado nesta entrevista Luis.
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Data da postagem: 27/10/2008, 20:21
Citação de: Agnóstico em 27 de Outubro de 2008, 22:07:15
Agnóstico,
Qualquer teoria é uma estrutura interpretativa .
Até mesmo a física que é a + eficaz, + objetiva, + exata, a de maior capacidade de previsões,previsões estas com maior acurácia entre quaisquer previsões cientifícas, utiliza, precinde de estruturas interpretativas / teorias .
Até para explicar um simples fenômeno físico como a queda livre, é necessário uma estrutura interpretativa / teoria . Podemos utilizar ( e já foram utilizadas) três estruturas interpretativas / teorias , quais sejam a Aristotélica, a Gravitação Universal e a Relatividade Geral. Das três a menos positivista é justamente a mais moderna, a TRG. E sendo a menos positivista é a que justamente mais se escora numa estrutura interpretativa / teoria de difícil verificação.
Quanto as outras ciências então nem se fala, são enormemente escoradas em cima de estruturas interpretativas / teorias , seja a psicologia , a economia , a sociologia, a antropologia, etc.
Sem uma estrutura interpretativa / teoria o máximo que se pode fazer é descrever um fenômeno ( não poderemos indicar causas , não poderemos ligá-lo a outros fenômenos, enfim não poderemos explicá-lo , não poderemos fazer algo novo e útil e nem poderemos fazer as mais simples e fracas previsões).
No exemplo da queda livre o máximo que poderemos fazer é dizer que o corpo X deslocou-se do ponto A para o ponto B . Dizer que a Terra atraiu o corpo X já caracteriza a utilização de uma estrutura interpretativa / teoria .
.
Desde que você não vá fazer o estudo com um framework interpretativo ideológico pré-estabelecido, isso não é algo que alguém discorde.
Agnóstico,
Qualquer teoria é uma estrutura interpretativa .
Até mesmo a física que é a + eficaz, + objetiva, + exata, a de maior capacidade de previsões,previsões estas com maior acurácia entre quaisquer previsões cientifícas, utiliza, precinde de estruturas interpretativas / teorias .
Até para explicar um simples fenômeno físico como a queda livre, é necessário uma estrutura interpretativa / teoria . Podemos utilizar ( e já foram utilizadas) três estruturas interpretativas / teorias , quais sejam a Aristotélica, a Gravitação Universal e a Relatividade Geral. Das três a menos positivista é justamente a mais moderna, a TRG. E sendo a menos positivista é a que justamente mais se escora numa estrutura interpretativa / teoria de difícil verificação.
Quanto as outras ciências então nem se fala, são enormemente escoradas em cima de estruturas interpretativas / teorias , seja a psicologia , a economia , a sociologia, a antropologia, etc.
Sem uma estrutura interpretativa / teoria o máximo que se pode fazer é descrever um fenômeno ( não poderemos indicar causas , não poderemos ligá-lo a outros fenômenos, enfim não poderemos explicá-lo , não poderemos fazer algo novo e útil e nem poderemos fazer as mais simples e fracas previsões).
No exemplo da queda livre o máximo que poderemos fazer é dizer que o corpo X deslocou-se do ponto A para o ponto B . Dizer que a Terra atraiu o corpo X já caracteriza a utilização de uma estrutura interpretativa / teoria .
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Data da postagem: 28/10/2008, 05:28
Citação de: Agnóstico em 27 de Outubro de 2008, 23:21:49
Agnóstico ,
De modo semelhante um crente pode falar que um evolucionista vê sinais de evolução em toda biologia. E que o evolucionista erra pois está utilizando um framework interpretativo darwinista.

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Citação de: Luiz Souto em 27 de Outubro de 2008, 22:24:45Agora , parcialidade ( ou imparcialidade) não é prerrogativa de nenhum método , seja em História ou em qualquer Ciência Social , já que em todas há uma interferência do subjetivismo do pesquisador.
Luis, se você começa escrevendo um livro tendo como premissa um determinado fluxo dialético, você vai focar sua mente para interpretar as coisas daquela maneira. Algo como um crente quando vê sinais de deus em todo o lugar.
Agnóstico ,
De modo semelhante um crente pode falar que um evolucionista vê sinais de evolução em toda biologia. E que o evolucionista erra pois está utilizando um framework interpretativo darwinista.
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Data da postagem: 28/10/2008, 05:47

Não Helder
O que falo da ideologia seria análogo ao seguinte exemplo:
Você acredita que todo o movimento é gerado por deus
Você encontra um movimento e interpreta ele como sendo resultado da força aglutinadora da entidade
É completamente distinto de um processo onde você vê o fenômeno e interpreta sem nenhum viés
O que falo da ideologia seria análogo ao seguinte exemplo:
Você acredita que todo o movimento é gerado por deus
Você encontra um movimento e interpreta ele como sendo resultado da força aglutinadora da entidade
É completamente distinto de um processo onde você vê o fenômeno e interpreta sem nenhum viés
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Data da postagem: 28/10/2008, 05:49
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 08:49:19
Agnóstico,
É aí que entram critérios lógicos, filosóficos e cientifícos para se decidir se tal crença pode ser aceita como certamente verdadeira ou certamente falsa, ou provavelmente verdadeira ou provavelmente falsa ou mesmo indecidível e neste caso infértil e inútil.
Este é um problema epistemológico. No final das contas, estamos a debater sobre epistemologia.
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 08:49:19
Só que ai nos deparamos com o problema de que muitos processos (ou fenômenos) não são possíveis de serem vistos. Até a física faz várias afirmações sobre coisas que não podem ser vistas.
Mas mesmo para fenômenos diretamente observáveis há a necessidade de idéias prévias anteriores para que se possa interpretar o fenômeno.
----------
Mas de qualquer forma não sei se é isso mesmo que você quis dizer com interpretar com viés .
O que você quer dizer exatamente com interpreta sem nenhum viés ??
Pesquisei o significado de viés, mas ainda não entendi o significado de sua frase.
viés
vi.és
sm (fr biais) 1 Obliqüidade, direção oblíqua. 2 Meio indireto. 3 Tira estreita de fazenda que se corta obliquamente da peça e que, dobrada e cosida longitudinalmente, serve para enfeite de vestidos e outras peças do vestuário feminino; enviés. Pl: vieses. Ao viés ou de viés: obliquamente, em diagonal, de esguelha.
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Não Helder
O que falo da ideologia seria análogo ao seguinte exemplo:
Você acredita que todo o movimento é gerado por deus
Você encontra um movimento e interpreta ele como sendo resultado da força aglutinadora da entidade
Agnóstico,
É aí que entram critérios lógicos, filosóficos e cientifícos para se decidir se tal crença pode ser aceita como certamente verdadeira ou certamente falsa, ou provavelmente verdadeira ou provavelmente falsa ou mesmo indecidível e neste caso infértil e inútil.
Este é um problema epistemológico. No final das contas, estamos a debater sobre epistemologia.
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 08:49:19
É completamente distinto de um processo onde você vê o fenômeno e interpreta sem nenhum viés
Só que ai nos deparamos com o problema de que muitos processos (ou fenômenos) não são possíveis de serem vistos. Até a física faz várias afirmações sobre coisas que não podem ser vistas.
Mas mesmo para fenômenos diretamente observáveis há a necessidade de idéias prévias anteriores para que se possa interpretar o fenômeno.
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Mas de qualquer forma não sei se é isso mesmo que você quis dizer com interpretar com viés .
O que você quer dizer exatamente com interpreta sem nenhum viés ??
Pesquisei o significado de viés, mas ainda não entendi o significado de sua frase.
viés
vi.és
sm (fr biais) 1 Obliqüidade, direção oblíqua. 2 Meio indireto. 3 Tira estreita de fazenda que se corta obliquamente da peça e que, dobrada e cosida longitudinalmente, serve para enfeite de vestidos e outras peças do vestuário feminino; enviés. Pl: vieses. Ao viés ou de viés: obliquamente, em diagonal, de esguelha.
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Data da postagem: 28/10/2008, 07:05

exemplos
Se você tem um viés de esquerda, você vai potencializar atos que denomina imperialistas de americanos e relativizar atos do Chavez.
Se você é um espírita, você vai potencializar um insight que teve em determinada questão e ignorar as faltas de evidências em espírito e outros argumentos
Se você é um católico, você vai agradecer a deus pelo 1% das pessoas que estavam com cancer e se salvaram e reputar as 99% de mortes como coisa do destino
Isso é que faz o viés ideológico Helder. Não presta para nada, não é ferramental para nada... E sempre parte de uma premissa funcional que não será válida para a maioria dos casos
Se você tem um viés de esquerda, você vai potencializar atos que denomina imperialistas de americanos e relativizar atos do Chavez.
Se você é um espírita, você vai potencializar um insight que teve em determinada questão e ignorar as faltas de evidências em espírito e outros argumentos
Se você é um católico, você vai agradecer a deus pelo 1% das pessoas que estavam com cancer e se salvaram e reputar as 99% de mortes como coisa do destino
Isso é que faz o viés ideológico Helder. Não presta para nada, não é ferramental para nada... E sempre parte de uma premissa funcional que não será válida para a maioria dos casos
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Data da postagem: 28/10/2008, 18:39
ideologia
i.deo.lo.gi.a
sf (ídeo1+logo2+ia1) 1 Filos Ciência que trata da formação das idéias. 2 Tratado das idéias em abstrato. 3 Filos Sistema que considera a sensação como fonte única dos nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades. 4 Maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas: Ideologia socialista. Var: ideologismo.
Usando o sentido 4 (que é o que você esta usando) , podemos escrever:
Ideologia é a maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas
Todas as pessoas tem uma maneira de pensar que as caracterizam
Logo, todas as pessoas tem ideologia.
Deste modo condenar ideologia é o mesmo que condenar a maneira de pensar de todas as pessoas .
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/lingua=portugues-portugues&palavra=ideologia
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Argumento semelhante:
Se você tem um viés de direita, você vai potencializar atos que denomina antidemocráticos de Chavez e relativizar atos dos americanos.
PS. Este é apenas um exemplo não estou apontando sua posição política!
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
No exemplo acima você já demonstra uma ideologia/maneira de pensar ou viés cientificista e materialista (não estou condenando ! Estou apenas apontando ), a qual se caracteriza pela valorização do modo científico de pensar (necessidade de observações, evidências materiais , etc) .
Argumento semelhante:
Se você for cientificista e materialista você vai potencializar um insight que teve em determinada questão e ignorar experiências pessoais classificando-as de evidência anedótica.
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Argumento semelhante:
Se você é um ateu, você vai olhar as 99% de mortes como coisa biológica e prova (ou indício) de que não existe um deus, e os 1% das pessoas que estavam com câncer e se salvaram, como remissão natural da doença.
Novamente isso mostra a sua maneira de pensar/ideologia, a qual inclui valorização da ciência estatística e de outros valores ditos científicos.
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Com mostrado, de acordo com a definição (4) ideologia é maneira de pensar, então não tem com se livrar dela!
O que se pode discutir é qual a maneira de pensar/ideologia/viés que produz conhecimento confiável !
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i.deo.lo.gi.a
sf (ídeo1+logo2+ia1) 1 Filos Ciência que trata da formação das idéias. 2 Tratado das idéias em abstrato. 3 Filos Sistema que considera a sensação como fonte única dos nossos conhecimentos e único princípio das nossas faculdades. 4 Maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas: Ideologia socialista. Var: ideologismo.
Usando o sentido 4 (que é o que você esta usando) , podemos escrever:
Ideologia é a maneira de pensar que caracteriza um indivíduo ou um grupo de pessoas
Todas as pessoas tem uma maneira de pensar que as caracterizam
Logo, todas as pessoas tem ideologia.
Deste modo condenar ideologia é o mesmo que condenar a maneira de pensar de todas as pessoas .
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/lingua=portugues-portugues&palavra=ideologia
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Se você tem um viés de esquerda, você vai potencializar atos que denomina imperialistas de americanos e relativizar atos do Chavez.
Argumento semelhante:
Se você tem um viés de direita, você vai potencializar atos que denomina antidemocráticos de Chavez e relativizar atos dos americanos.
PS. Este é apenas um exemplo não estou apontando sua posição política!
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Se você é um espírita, você vai potencializar um insight que teve em determinada questão e ignorar as faltas de evidências em espírito e outros argumentos
No exemplo acima você já demonstra uma ideologia/maneira de pensar ou viés cientificista e materialista (não estou condenando ! Estou apenas apontando ), a qual se caracteriza pela valorização do modo científico de pensar (necessidade de observações, evidências materiais , etc) .
Argumento semelhante:
Se você for cientificista e materialista você vai potencializar um insight que teve em determinada questão e ignorar experiências pessoais classificando-as de evidência anedótica.
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Se você é um católico, você vai agradecer a deus pelo 1% das pessoas que estavam com cancer e se salvaram e reputar as 99% de mortes como coisa do destino
Argumento semelhante:
Se você é um ateu, você vai olhar as 99% de mortes como coisa biológica e prova (ou indício) de que não existe um deus, e os 1% das pessoas que estavam com câncer e se salvaram, como remissão natural da doença.
Novamente isso mostra a sua maneira de pensar/ideologia, a qual inclui valorização da ciência estatística e de outros valores ditos científicos.
Citação de: Agnóstico em 28 de Outubro de 2008, 21:39:17
Isso é que faz o viés ideológico Helder. Não presta para nada, não é ferramental para nada... E sempre parte de uma premissa funcional que não será válida para a maioria dos casos
Com mostrado, de acordo com a definição (4) ideologia é maneira de pensar, então não tem com se livrar dela!
O que se pode discutir é qual a maneira de pensar/ideologia/viés que produz conhecimento confiável !
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Data da postagem: 29/10/2008, 06:06