Clube Cético
Compro por 15% a mais que o vizinho e vendo por 800% a mais que ele. Lucro bem?
Autor: Donatello | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 13872 Comentários: 146
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Citação de: 1985 em 18 de Novembro de 2010, 09:33:48

Que vocês acham de uma microempresa (uma lojinha, por exemplo), que tem um funcionário, o sujeito trabalha dois anos na empresa e para demití-lo é necessário pagar uma multa de 40% sobre o saldo do FGTS e mais 10% sobre saldo a título de contibuição para o governo. Se esses empresários fizessem as contas veriam que seu ramo de atividade é inviável no Brasil. E sim, um funcionário vagabundo não é demitível por justa causa, por que ele reverte isso na justiça do trabalho que amplamente protege o empregado. A legisação já é hiper protetiva e o judiciário trabalhista consegue ampliar isso.

Para demitir alguém por justa causa o sujeito tem que ter feito algo muito grave mesmo e, mesmo assim, há inúmeros mecanismos processuais que podem tornar inválida a demissão, mesmo com a prova inequívoca da falta grave.



Realmente manter empregados dentro da lei custa muito caro no Brasil! É impossível manter um negócio sendo obrigado a pagar o que se paga de salário e impostos sobre salário no país (Ops, não, está é uma puta mentira deslavada)

Este chororô todo em torno do "altíssimo" salário que se paga aos empregados no Brasil e sobre os "altíssimos" custos extras (13º, FGTS, etc) se deve a um problema básico de construçao de qualquer orçamento (desde o doméstico) que é colocar as prioridades por último. Uma família com renda típica de classe média que contrata o pacote mais caro de TV por assinatura, compra um carro do ano e se inscreve no Med Club pode vir a ter dificuldade para comprar arroz, feijão e salsicha... Mas isto nnão significa exatamente que os itens básicos da cesta alimentar estejam pelos olhos da cara. Empresários (grandes ou pequenos) que investem os tubos em publicidade, que fazem contratos de patrocínios milhonários com clubes, que mesmo sendo pequenos empresários fazem questão de manter ostentação pessoal de grandes empresários realmente podem vir a constatar que não sobrou dinheiro para pagar os menos de 1000 reais mensais (incluídos tributos) do balconista.

Agora se não é o caso: entenda uma coisa: se você não tem dinheiro para pagar 1000 reais por mês (contando as tais taxas extras) pelo serviço de um balconista você não deve pensar por enquanto em montar uma empresa assim como se você não tem como comprar arroz, feijão e salsicha em lata para o mês todo não deve estar na hora de montar uma família.
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Nada disso. Apernas ressalto que certas atividades são inviáveis por conta da tributação e encargos. Não se trata de má gestão de dinheiro, mas sim de que o lucro é tão pífio que não vale a pena. O nosso sistema voraz implica em jogar certos empreendimentos para a informalidade por ser a única forma deles existirem.

Aí você vai dizer, "bom, então não sejam empreendedores e trabalhem de empregado ou mudem de ramo". Pode ser, mas nada mais é do que a defesa daqueles que tem mais capital, mais poder aquisitivo, em detrimento do pequeno e do empreendedorismo.
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Citação de: 1985 em 18 de Novembro de 2010, 10:26:20

Nada disso. Apernas ressalto que certas atividades são inviáveis por conta da tributação e encargos. Não se trata de má gestão de dinheiro, mas sim de que o lucro é tão pífio que não vale a pena. O nosso sistema voraz implica em jogar certos empreendimentos para a informalidade por ser a única forma deles existirem.

Aí você vai dizer, "bom, então não sejam empreendedores e trabalhem de empregado ou mudem de ramo". Pode ser, mas nada mais é do que a defesa daqueles que tem mais capital, mais poder aquisitivo, em detrimento do pequeno e do empreendedorismo.


Sim, os custos para se manter um empregado no Brasil são imensamente e absurdamente altos. Nossos salários são mesmo imensamente altos, nossos impostos são exorbitantes e nossos preços são baixos em vista do custo com que nossos empresários são obrigados a arcar para manter balconistas que recebem absurdamente altos menos que 1000 reais. A culpa é mesmo dos impostos, do salário mínimo e do FGTS. A tradição de lucrar 100% sobre o produto, o acúmulo de negociações em que se tirou em cada uma 100% de lucro sobre o produto, a inversão de prioridades na composição do orçamento entre outros itens não tem nada a ver.

O fato de nossos salários estarem entre os mais baixos do mundo industrializado, de nossos impostos estarem na média do mundo industrializado de nossos preços serem imensamente maiores do que quase todo o resto do mundo e de sabermos que em alguns países como as já citadas Dinamarca e Noruega se paga impostos mais altos, se paga salários muito mais altos, se cobra preços menores e ainda sim o empresariado vive feliz e satisfeito não vai mesmo fazer qualquer diferença.
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Citação de: Andre em 07 de Novembro de 2010, 20:55:51


Corrijam-me se eu estiver errado, mas o Playstation começou a ser fabricado na zona franca de Manaus. Nos mercados aqui de Blumenau, o aparelho está sendo pelo preço sugerido pela Sony, de 2000 reais. Um amigo calculou quanto custaria “importar” do Paraguai com a taxa do muambeiro, e ficaria menos de 800 reais. Sei que a comparação é “injusta”, mas.

Lembrando que, apesar de nos Estados Unidos existirem preços tabelados, dificilmente alguém vende um produto pelo preço sugerido pelo fabricante. Qualquer passada rápida em sites de instrumentos musicais gringos e se verá que existem vários instrumentos da faixa de 1200 e 1300 dólares sendo vendidos a 800 e 900 dólares.


Não. O Playstation 3 é empacotado na Zona Franca. Ele vem prondo do exterior e aqui eles só empacotam o manual em português e a tomada padrão ABNT.
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Citação de: Donatello van Dijck em 18 de Novembro de 2010, 11:01:09

Citação de: 1985 em 18 de Novembro de 2010, 10:26:20

Nada disso. Apernas ressalto que certas atividades são inviáveis por conta da tributação e encargos. Não se trata de má gestão de dinheiro, mas sim de que o lucro é tão pífio que não vale a pena. O nosso sistema voraz implica em jogar certos empreendimentos para a informalidade por ser a única forma deles existirem.

Aí você vai dizer, "bom, então não sejam empreendedores e trabalhem de empregado ou mudem de ramo". Pode ser, mas nada mais é do que a defesa daqueles que tem mais capital, mais poder aquisitivo, em detrimento do pequeno e do empreendedorismo.


Sim, os custos para se manter um empregado no Brasil são imensamente e absurdamente altos. Nossos salários são mesmo imensamente altos, nossos impostos são exorbitantes e nossos preços são baixos em vista do custo com que nossos empresários são obrigados a arcar para manter balconistas que recebem absurdamente altos menos que 1000 reais. A culpa é mesmo dos impostos, do salário mínimo e do FGTS. A tradição de lucrar 100% sobre o produto, o acúmulo de negociações em que se tirou em cada uma 100% de lucro sobre o produto, a inversão de prioridades na composição do orçamento entre outros itens não tem nada a ver.

O fato de nossos salários estarem entre os mais baixos do mundo industrializado, de nossos impostos estarem na média do mundo industrializado de nossos preços serem imensamente maiores do que quase todo o resto do mundo e de sabermos que em alguns países como as já citadas Dinamarca e Noruega se paga impostos mais altos, se paga salários muito mais altos, se cobra preços menores e ainda sim o empresariado vive feliz e satisfeito não vai mesmo fazer qualquer diferença.


Você já teve empresa? Eu tenho duas e desde adolescente trabalhei num escritório de contabilidade. Você definitivamente não sabe do que está falando ou tem como exemplos empresas diferentes da maioria encontrada por aí.

No momento em que você percebe que sua lucratividade é menor de que a de um epregado seu, um pouco só maior, a atividade deixa de fazer sentido, afinal, todo passivo e risco é do empregador.

A culpa não é somente dos tributos e da legislação trabalhista. O chamado custo-Brasil é composto de muitas outras variantes, como as dezenas de declarações exigidas pela Receita Federal com multa pesada em caso de atraso.

Acho realmente que o lucro dos bancos e de grandes empresas é exorbitante, mas mesmo eles pagam muitos tributos. Agora a lucratividade das pequenas empresas é realmente pequena, mesmo que se atribua 100% no produto para venda no varejo.

Essa cifra aí de 10 a 15% de ganho no produto é ridícula para o varejo. No mercado nacional é impraticável esse tipo de cifra, salvo, se a empresa vender um volume muito grande. Cifras 10 a 15% são plenamente viáveis para atacadistas, pois ganham na quantidade. O pior é que atacadista é mais tributado ainda, pois não pode ingressar no SIMPLES.
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Citação de: SnowRaptor em 18 de Novembro de 2010, 13:13:33

Citação de: Andre em 07 de Novembro de 2010, 20:55:51


Corrijam-me se eu estiver errado, mas o Playstation começou a ser fabricado na zona franca de Manaus. Nos mercados aqui de Blumenau, o aparelho está sendo pelo preço sugerido pela Sony, de 2000 reais. Um amigo calculou quanto custaria “importar” do Paraguai com a taxa do muambeiro, e ficaria menos de 800 reais. Sei que a comparação é “injusta”, mas.

Lembrando que, apesar de nos Estados Unidos existirem preços tabelados, dificilmente alguém vende um produto pelo preço sugerido pelo fabricante. Qualquer passada rápida em sites de instrumentos musicais gringos e se verá que existem vários instrumentos da faixa de 1200 e 1300 dólares sendo vendidos a 800 e 900 dólares.


Não. O Playstation 3 é empacotado na Zona Franca. Ele vem prondo do exterior e aqui eles só empacotam o manual em português e a tomada padrão ABNT.


Acho que ele vai parcialmente desmontado.Pelo menos as cameras e filmadoras (que foi onde eu trabalhei quando era peão), eram 70% feitas aqui, embalavam junto as partes que faltavam e enviavam para o Brasil.
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Li em algum lugar que o console em si vem fechado e eles só empacotam. Não achei a matéria para citar aqui, ams encontrei essa, que levanta questões interessantes:

http://www.gizmodo.com.br/conteudo/caso-ps3-nao-aguentamos-mais-desculpa-simples-dos-impostos-altos
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Citação de: Cult of Mac

Brazillian Billionaire Wants Apple To Ditch Foxconn

If you had twenty seven billion dollars, what would your dream be? I’d probably get myself some of those ab implants I’ve had my eye on, and perhaps pay for an oiled massage or two from Amanda Seyfriend and Anne Hathaway that they would be contractually obliged to apply without using their hands.

Billionaire Eike Batista has a radically dream, though: he wants to steal Apple manufacturing from China and bring it to his home country of Brazil.

Batista made his millions in the mining industry, and he’s using that money to construct a $1.6 billion manufacturing plant that spreads over 90 square miles. What he wants is for Apple to bring its manufacturing to Brazil, which would help radically stimulate the local economy. If Apple’s not interested, Batista’s second choice partner would be BMW.

Maybe this is something that Apple should consider. Cupertino’s manufacturing relationship with Foxconn has been rife with bad press stemming from reported abuse of employees on the hands of Foxconn management. Even if those reports aren’t entirely accurate, Foxconn has been a PR headache for Apple: if Brazil can come close to Foxconn’s margins, maybe it’s time to consider a change.

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Você já teve empresa? Eu tenho duas e desde adolescente trabalhei num escritório de contabilidade.


Difícil entender a necessidade de ter sido empresário para que se possa compreender a fragilidade disto "Que vocês acham de uma microempresa (uma lojinha, por exemplo), que tem um funcionário, o sujeito trabalha dois anos na empresa e para demití-lo é necessário pagar uma multa de 40% sobre o saldo do FGTS e mais 10% sobre saldo a título de contibuição para o governo. Se esses empresários fizessem as contas veriam que seu ramo de atividade é inviável no Brasil. " e disto "Nada disso. Apernas ressalto que certas atividades são inviáveis por conta da tributação e encargos. " ante isto e isto.

E não me acuse de ficar batendo na mesma tecla: enquanto alguém insistir na tecla de que nossos tributos sobre o empresariado são muito altos e que nossos salários e apêndices são inviáveis eu vou bater na tecla mil vezes se for de que há inúmeros países (a Europa inteira, a saber) cujos empresários convivem com tributos muito mais altos que os nossos (que são cobrados de modo diferente, mas isto tem pouca importância sobretudo pelo fato de que eles pagam, sempre e sem desculpas), pagam aos seus funcionários salários e taxas sobre salários muito mais altos que os nossos, cobram preços sobre seus produtos mais baixos que os nossos (exceto por serviços, é o que dizem) e ainda conseguem viver felizes e sorridentes em suas condições de empresários bem sucedidos. Então salários altos e impostos altos não pode ser o ponto de defesa. Mil perdões por ser repetitivo demais.

É claro que você não precisava dizer que era empresário assim como eu não precisava dizer que não era. Os nossos discursos dizem um monte de coisas sobre nós além do que explicitamente mencionamos.

Mas já que você resolveu citar a sua atividade e a usar como argumento de auto-autoridade... Responda-me algumas perguntas, apenas se não lhe for muito doloroso.

Na sua empresa os funcionários estão todos registrados e regularizados conforme a nossa legislação? Recebem apenas o piso funcional/salário mínimo, mais do que isso ou nem isso? A folha salarial (com todos os tributos a ela relacionados) respondem por qual percentual da receita bruta de suas empresas (em média ou considernado o último mês/ano/whatever)? E por qual percentual dos lucros?

(Se for responder não minta, se achar necessário mentir em algum quesito não responda, não precisa responder se considerar de qualquer modo invasivo, desrespeitoso... )
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Citação de: Donatello van Dijck em 18 de Novembro de 2010, 19:25:54

[...]
(Se for responder não minta, se achar necessário mentir em algum quesito não responda, não precisa responder se considerar de qualquer modo invasivo, desrespeitoso... )


Caro Donatello

Acho que voce foi um tanto quanto descortês, pois o 1985 não usou de argumento de autoridade e sim expressou o que ele vive diariamente.

Ao que parece voce é ou funcionário público ou vive ainda com os seus pais, pois não parece conhecer nada sobre custos operacionais, custos e encargos sobre folha de pagamento e sobre tributação.

Agora estou de saída mas assim que eu retornar eu postarei os números da minha empresa e contra-argumentarei cada um dos apontamentos feitos por voce contra os "malvados e chorões" empresários brasileiros.
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Data da postagem: 18/11/2010, 18:00