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Geologia - Refutação, em bases geológicas, de textos criacionistas
Autor: Geotecton | Categoria: Origens e Evolução | Exibições: 103467 Comentários: 524
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Pelo que pude ver, esse Portal Educação é um site de serviços de cursos on-line. Interessante é esse aqui: http://www.portaleducacao.com.br/biologia/cursos/83/curso-de-genetica-e-evolucao . Espero que não seja o Sodré a dar o curso!

Mas sério agora. As páginas estão dentro do fórum do site, então não expressam a opinião do portal.
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Data da postagem: 14/05/2010, 08:39
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Em duas postagens anteriores (nesta e nesta) foi feita a análise de um trecho dos textos contidos no link indicado pelo forista Sodré .

Agora segue a análise de mais um excerto do mesmo link, no qual há a menção dos resultados de uma tese de doutorado intitulado "Inundações Catastróficas e sua relação com os Depósitos de Carvão da Bacia do Paraná", que versa sobre sedimentação e gênese de depósitos de carvão no Rio Grande do Sul, de autoria da geóloga Romana Begossi, do ano de 2005.

No início do link é apresentado o “Resumo” da tese supracitada, onde a autora faz uma reavaliação dos processos sedimentares que formam o carvão do sul do Brasil e, supostamente, sugere que o uniformitarismo deve ser abandonado em prol de um neo-catastrofismo, devido a novos conceitos filosóficos.

Na parte final do link indicado pelo forista Sodré, é apresentado um artigo em inglês sobre os resultados da mesma tese intitulado "Catastrophic floods as a possible cause of organic matter accumulation giving rise to coal, Paraná Basin, Brazil", no qual se afirma no texto do Abstract que parte do carvão brasileiro foi depositado sob inundações rápidas e intensas. Curiosamente não se observa nenhuma menção às palavras uniformitarismo e neo-catastrofismo, bem como não é feita nenhuma referência a uma megainundação.

A seguir são apresentados o "Resumo" da tese, o Abstract do artigo em inglês e o Abstract traduzido do artigo em inglês.

Resumo da tese de doutorado da geóloga Romana Begossi intitulado "Inundações Catastróficas e sua relação com os Depósitos de Carvão da Bacia do Paraná", na versão do forista Sodré

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O carvão no sul do Brasil tem um alto teor de cinzas, podendo ser melhor denominado siltito carbonoso. Surpreendentemente, a estratificação cruzada hummocky (HCS) foi encontrada em diversas camadas de carvão da Formação Rio Bonito. Apesar da ocorrência de HCS em ambientes marinho-rasos indicar uma gênese atribuída à ação de tempestades, outras causas, como inundações catastróficas, têm sido sugeridas recentemente.

No caso dos depósitos brasileiros de carvão, a presença de sedimentação deltaica foi reconhecida por diversos autores. A freqüência e íntima relação de fácies encontrada nas ocorrências de carvão na Bacia do Paraná, envolvendo rochas geradas por fluxos gravitacionais subaquosos e, por outro lado, o característico carvão encontrado, requerem a proposição de um novo modelo deposicional e um rearranjo estratigráfico nas unidades atualmente definidas.

Mudanças atuais na percepção dos eventos geológicos, a partir de novos conceitos filosóficos, conduzem à interpretação da sedimentação como resultado de eventos rápidos e de grande energia refletindo um pensamento neo-catastrofista que substitui o tradicional gradualismo. Essa visão, aplicada aos depósitos brasileiros de carvão, leva à proposição de um modelo deposicional não uniformitarista, que aceita a teoria da formação de depósitos de carvão a partir de matéria vegetal alóctone, transportada por eventos de alta energia, nesse caso, inundações catastróficas.


Abstract do artigo da geóloga Romana Begossi intitulado "Catastrophic floods as a possible cause of organic matter accumulation giving rise to coal, Paraná Basin, Brazil", sem modificações do forista Sodré

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Gondwana coals of the Rio Bonito Formation (Parana´ Basin) in Southern Brazil have generally large ash yields, so they could be better called coaly siltstones than coal. In addition, hummocky cross stratification (HCS) was found in several coal beds of the Rio Bonito Formation throughout the basin.

In this formation, the frequent and close relationship between facies involving rocks generated by subaqueous gravity flows (diamictites) and coal itself provides an excellent depositional model based on resedimentary processes acting during deposition, as well as a stratigraphic rearrangement of the present units.

In the State of Rio Grande do Sul (southern part of Paraná Basin), coals are actually prodelta deposits related to delta-front diamictite and conglomeratic sandstone with sigmoidal bedding. Coal-forming organic sediments would come from trees plucked by the floods, as indicated by the wood logs floating in the diamictite, and reworking of previous peat accumulations.

Every coal layer is covered generally by paleosoil siltstones, which represent colonization at the top of the catastrophic flood deposit, ending a sedimentary cycle. In case of Brazilian coal settings, several authors recognized deltas (fan deltas or braid deltas). Here is particularly considered the general environment as a salted interior sea (lago mare, Hsu¨ et al. sense).

The present study will refer to three important lithostratigraphic units in the Carboniferous-Early Triassic cycle: the Itarare´ Group, the Rio Bonito Formation, and the Palermo Formation. Although the preferential mode of occurrence of HCS in shallow marine environments indicates a genesis attributed to storm action, other causes, such as catastrophic flooding, have been advanced. Mutti et al. [Mem. Sci. Geol. 48 (1996) 233] described flood-dominated deltaic systems with thick conglomerate, sandstone, and pelitic deposits, derived from small- to medium-scale fluvial systems and mountain-bordered drainage basins adjacent to the sea.

In such settings, seaward sediment flow can increase dramatically when weather conditions can supply water in such amounts to produce catastrophic floods. Thick and laterally extensive sandstone lobes with HCS are the fundamental depositional elements of fan deltas and other river-dominated delta systems.

Diamictites and coal together could be a result from Jo¨kullhlaups-an Icelandic term for glacial outburst flood-in case of catastrophic floods coming from a melting mountain glacier, similar to the Columbia River Valley Scablands (15,000 BP) and in modern Iceland examples.


Abstract do artigo da geóloga Romana Begossi intitulado "Catastrophic floods as a possible cause of organic matter accumulation giving rise to coal, Paraná Basin, Brazil" e transcrito para o português pelo autor deste ensaio

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Os carvões gondwanicos da Formação Rio Bonito (Bacia do Paraná) no sul do Brasil tem geralmente amplas porções de cinzas, e deste modo seria melhor denominá-los de rochas siltosas carbonosas, ao invés de carvões. Além disto, estratificações cruzadas hummocky (HCS) foram encontradas em muitas camadas de carvão na Formação Rio Bonito por toda a bacia.

Nesta formação, a frequente e íntima relação entre fácies envolvendo rochas formadas por fluxos gravitacionais subaquáticos (diamictitos) e o próprio carvão preve um excelente modelo deposicional baseado em processos re-sedimentares durante a deposição, bem como um rearranjo estratigráfico das presentes unidades.

No estado do Rio Grande do Sul (parte meridional da Bacia do Paraná), os carvões são depósitos prodeltaicos relacionados à diamictitos de frente de delta e arenitos conglomeráticos em camadas sigmoidais. Os sedimentos orgânicos formadores de carvão viriam de arvores arrancadas por inundações, como sugerido pelos galhos e troncos encontrados no diamictito, e pelo retrabalhamento de turfas previamente acumuladas.

Cada camada de carvão está geralmente recoberta por paleosolo de rochas sílticas, que representa uma ocupação do topo de depósitos de inundações catastróficas e encerram um ciclo sedimentar. No caso do carvões brasileiros, muitos autores reconheceram deltas (leques deltaicos ou anastomosados). Aqui é particularmente considerado que o ambiente geral era um mar interior muito salgado (lago maré, no sentido de Hsu et. al.)

O presente estudo refere-se a três importantes unidades litoestratigráficas de um ciclo deposicional entre o Carbonífero e o início do Triássico: o Grupo Itataré, a Formação Rio Bonito e a Formação Palermo. Ainda que a interpretação usual de HCS esteja relacionada à ação de tempestades em ambientes marinhos rasos, tem sido consideradas outras causas, tais como inundações catastróficas. Mutti et. al. descreveram sistemas deltaicos dominados por inundação com espessos depósitos de conglomerados, arenitos e pelitos; derivados de sistemas fluviais de porte pequeno e médio, bem como de bacias de drenagem vizinhas à montanhas próximas ao mar.

Nestas condições, o fluxo de sedimento em direção ao mar aumenta dramaticamente quando as condições metereológicas podem suprir água em volume suficiente para produzi inundações catastróficas. Lobos arenosos espessos e de grande extensão lateral com HCS são os elementos deposicionais fundamentais de deltas em leque, bem como de outros sistemas deltaicos dominados por rios.

Diamictitos e carvão juntos podem ser o resultado do Jo¨kullhlaups-an, termo islandês para designar uma inundação repentina causada por derretimento rápido de uma geleira, similar ao caso do Scablands no vale do rio Colúmbia (15.000 AP) e nos exemplos modernos da Islândia.


Conclusões

Resumidamente, o que a autora da tese concluiu é que uma parte dos depósitos de carvão do sul do Brasil se formou pela atuação de episódios intensos e rápidos de sedimentação em sistemas deltaicos em um mar muito salgado, que rapidamente recobriu o material orgânico vegetal trazido por inundações sazonais e também pelo retrabalhamento de depósitos pretéritos de turfas.

A diferença entre o conteúdo do texto do “Resumo” da tese e o do Abstract do artigo, sugere que o forista Sodré modificou substancialmente o texto do “Resumo”, adaptando-o para ressaltar o uso, pela autora da tese, da palavra catastrofista. A hipótese de rearranjo do texto é corroborado pelo Abstract do artigo, pois nele não há nenhuma menção a neo-catastrofismo ou a uniformitarismo.

Uma frase é particularmente reveladora do quanto o forista Sodré modificou o texto do "Resumo", exposto em seu link:

"Mudanças atuais na percepção dos eventos geológicos, a partir de novos conceitos filosóficos (sic), conduzem à interpretação da sedimentação como resultado de eventos rápidos e de grande energia refletindo um pensamento neo-catastrofista que substitui o tradicional gradualismo".

A parte destacada em negrito por mim revela que o forista faz confusão entre o que é conhecimento científico (proposição de mais um modelo sedimentar para formação de carvão no sul do Brasil) e epistemologia da ciência ("novos conceitos filosóficos").

Ao priorizar a palavra catastrofista, o forista Sodré não reparou ou não entendeu, que o texto contém muitas informações que não corroboram a interpretação (ou desejo) dele, ou seja, de que todos os pacotes sedimentares mundiais foram depositados em um único, intenso e curto evento de sedimentação deposicional relacionado ao “dilúvio bíblico”.

Ao contrário, no caso em tela, o paleosolo sobre cada camada de rocha siltosa carbonosa indica múltiplos ciclos deposicionais em um ambiente deltaico formado em um mar interior muito salgado, ciclos estes decorrentes de intensas inundações sazonais ao longo de dezenas a centenas de milhares de anos.
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Data da postagem: 16/05/2010, 21:21
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Do link indicado pelo forista Sodré , foram feitas as análises e as devidas refutações de dois excertos com feições geológicas atribuídas ao "dilúvio bíblico". No primeiro ele comenta sobre supostos padrões de deposição no Fanerozóico (aqui e aqui), enquanto que no segundo ele discorre sobre os depósitos de carvões no sul do Brasil (aqui).

Agora um novo excerto, o terceiro, é analisado. Ele traz uma interpretação criacionista sobre a origem dos seixos em uma estrada no município de Floriano, no estado do Piauí, cuja autoria é de Moisés Cavalcanti Bezerril.

O texto original está abaixo transcrito, acompanhado de 3 fotos. O texto sofreu pequenas correções de forma e as fotos ganharam legendas (por Geotecton):

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Todo mundo sabe o que é seixo, mas quase ninguém sabe que seixos são rochas erodidas pelas águas do Dilúvio de Gênesis. No Piuaí é possível ver como os tsunamis diluvianos colocaram esses seixos em camadas acima do nível do mar.

O que diz a lenda: Seixos são pedrinhas de rio que ao longo de milhões de anos foram sendo boleados pelas correntes de água.

O que diz o catastrofismo criacionista: Seixos são pedaços de rochas que foram violentamente erodidos por gigantesca força hidráulica jamais encontrada nos moldes conhecidos na geologia moderna. A energia desprendida para erodir rochas de todos os tipos, boleá-las em larga escala, e depositá-las em camadas gigantes, no topo de outras camadas de sedimentos não é encontrada hoje em nenhum rio conhecido pela humanidade. Muitos batólitos (montanhas de granito) e outras rochas (metamórficas, sedimentares, ígneas) foram erodidas pelas águas do meio para o final do dilúvio; ondas gigantes que erodiram rapidamente os cumes das montanhas se tornaram verdadeiras lixas gigantes e ambulantes que comiam tudo o que encontravam pela frente. A imensa carga de pedras erodidas arrastada pela água simulava os grãos de um esmeril ou lixa que deixavam o material erodido em forma circular, e erodia tudo em seu caminho. Após a calmaria esse material era depositado em camadas da mesma forma como são formados os turbiditos: camada sobre camada.



Foto 01. Afloramento tendo na base sedimentos síltico-arenosos e no topo sedimentos conglomeráticos.



Foto 02. Detalhe do contato entre os sedimentos mencionados na foto 01.



Foto 03. Detalhe de uma superfície coberta de seixos.


Citações e comentários trecho-a-trecho:

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Todo mundo sabe o que é seixo, mas quase ninguém sabe que seixos são rochas erodidas pelas águas do Dilúvio de Gênesis. No Piuaí é possível ver como os tsunamis diluvianos colocaram esses seixos em camadas acima do nível do mar.


Seixos não são rochas erodidas, e sim fragmentos de rochas que foram arredondados por fricção durante o deslocamento fluvial ou por retrabalhamento em situ em praias em que predominam sedimentos na fração granulométrica de "seixos".

Na primeira frase já é apresentada a conclusão do trabalho: erosão por “águas do Dilúvio de Gênesis”.

Segundo o autor, os seixos das fotos foram aí sedimentados pelos "tsunamis diluvianos".

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz a lenda: Seixos são pedrinhas de rio que ao longo de milhões de anos foram sendo boleados pelas correntes de água.


O termo “lenda” aqui significa o conhecimento geológico. Neste caso não são necessários “milhões de anos” de desgaste se houver suficiente energia hidrodinâmica, comum em rios pedregosos escarpados e em praias pedregosas com rebentação contínua.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: Seixos são pedaços de rochas que foram violentamente erodidos por gigantesca força hidráulica jamais encontrada nos moldes conhecidos na geologia moderna. A energia desprendida para erodir rochas de todos os tipos, boleá-las em larga escala, e depositá-las em camadas gigantes, no topo de outras camadas de sedimentos não é encontrada hoje em nenhum rio conhecido pela humanidade.


De fato os seixos são fragmentos de rocha que foram arredondados conforme explicação supra. Mas a “força hidráulica” para isto existe até hoje nos rios em áreas escarpadas ou montanhosas e nas praias pedregosas submetidas à rebentação contínua.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: Muitos batólitos (montanhas de granito) e outras rochas (metamórficas, sedimentares, ígneas) foram erodidas pelas águas do meio para o final do dilúvio...


No “modelo criacionista” as rochas “pré-diluvianas” estão dispostas em duas camadas, sendo a de topo constituída de granito e a de base constituída de basalto, e entre elas a água diluviana, conforme preconiza a “teoria das hidroplacas”. Segundo os criacionistas não existiam montanhas no período entre a “criação” e o “dilúvio”, mas largas superfícies planas ou com suaves ondulações.

Deste modo não podiam existir: nem batólitos, porque este termo indica a ocorrência de grandes intrusões de rochas graníticas adentrando outros tipos de rochas; nem montanhas, pois o relevo era suave e; nem rochas dos tipos sedimentares e metamórficas.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: ...ondas gigantes que erodiram rapidamente os cumes das montanhas se tornaram verdadeiras lixas gigantes e ambulantes que comiam tudo o que encontravam pela frente.


Como é que ondas gigantes poderiam ter erodido os cumes das montanhas, se estes estavam submersos?

Gostaria de ver o “modelo hidrodinâmico criacionista”, com ondas transportando fragmentos rochosos de poucas gramas a várias toneladas, por quilômetros a fio.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: A imensa carga de pedras erodidas arrastada pela água simulava os grãos de um esmeril ou lixa que deixavam o material erodido em forma circular, e erodia tudo em seu caminho.


O processo de intemperismo físico por abrasão intensa de grandes blocos de rochas é característico de fluxos de alta viscosidade, como geleiras e deslizamentos de massa e não por ondas oceânicas se chocando contra um continente.

O autor também faz confusão entre o grau de esfericidade com o grau de arredondamento, dois conceitos basilares para a classificação de sedimentos clásticos nas frações areia e conglomerática.

O grau de esfericidade usa como forma-padrão a esfera, pois entre todos os sólidos é a forma que possui menor superfície por volume, sendo pois, a sua velocidade de decantação maior que qualquer outro sólido. Este parâmetro expressa o “grau de aproximação” das superfícies de uma partícula qualquer e de uma esfera com mesmo volume e densidade.

O grau de arredondamento expressa o “grau de curvatura dos cantos (pontas e arestas)” dos fragmentos e tem certa independência da sua forma. É fortemente influenciado pelo tamanho dos fragmentos.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: Após a calmaria esse material era depositado em camadas da mesma forma como são formados os turbiditos: camada sobre camada.


Todos os sedimentos são depositados camada sobre camada, não somente os turbiditos. O interessante nisto é que o autor mencionou um tipo de depósito de águas profundas, geralmente em taludes continentais e que nem sempre ocorre depois da “calmaria”, pois alguns depósitos estão relacionados a deslizamentos provocados por terremotos, em regiões com formação de deltas.

Conclusões

Tendo como base apenas as fotos, eu considerei que o mais provável cenário era o de aluviões retrabalhados e agora se apresentando sob a forma de colúvios, pois já vi afloramentos semelhantes em outros locais do Brasil. Dada a ausência das coordenadas geográficas dos afloramentos, poucas informações seguras podem ser obtidas, dentre as quais é que a coluna estratigráfica local tem os seixos no topo e sedimentos psefíticos a psamíticos na base (fotos 01 e 02).

Os seixos apresentam baixo grau de esfericidade e médio grau de arredondamento. Também apresentam baixo grau de seleção (as dimensões dos fragmentos variam em mais de duas classes granulométricas) e de classificação (há uma mistura de matriz pelítica a psefítica com seixos), características comuns em ambientes alúvio-coluvionares (foto 03).

Para melhorar a compreensão do material postado e baseado na única informação de localização dada pelo autor, “estrada de Floriano, Piauí”, identifiquei as coordenadas da cidade de Floriano (Piauí) pelo Google Earth (longitude 43° 01' 24" W e latitude 6° 45' 51" S). Em seguida busquei um mapa geológico do Piauí, e determinei a posição da cidade supra.

Considerei, arbitrariamente, um raio de 20 km a partir da intersecção do meridiano de longitude 43° 01' 24" W com o rio Paraíba, que faz o limite norte do município de Floriano, e verifiquei quais formações sedimentares ocorriam neste raio, baseado no mapa geológico da CPRM. Elas estão abaixo descritas, partindo da mais nova para a mais antiga.

Depósitos colúvio-eluviais - NQc: Fanerozóico, Cenozóico, Quaternário, Pleistoceno inferior. Sedimentos arenosos, areno-argilosos e conglomeráticos em depósitos colúvio-eluviais.

Formação Sardinha - K1S: Fanerozóico, Mesozóico, Cretáceo superior. Basaltos e diabásios com idade estimada em 134 Ma. AP pelo método Ar-Ar.

Formação Corda - J2c: Fanerozóico, Mesozóico, Jurássico. Arenitos, argilitos e folhelhos, em ambientes desértico, fluvial e lacustre.

Formação Pedra de Fogo - P12pf: Fanerozóico, Paleozóico, Permiano. Arenitos, folhelhos, calcáreos e silexitos de ambiente marinho raso e litorâneo.

Formação Poti - C1po: Fanerozóico, Paleozóico, Carbonífero inferior. Arenitos, siltitos e folhelhos de ambientes deltaico e litorâneo.

Do mapa geológico na região de Floriano, prontamente destacam-se os sedimentos NQc, constituídos de sedimentos arenosos, areno-argilosos e conglomeráticos em depósitos colúvio-eluviais, com idade estimada, pela CPRM, em 1,75 milhões de anos AP. Avalio que as fotos são de afloramentos desta unidade estratigráfica.

Com o conjunto de dados obtidos, fiz uma interpretação do ambiente deposicional.

Os seixos foram retrabalhados em um fluxo hidrodinâmico tipicamente fluvial de intensidade média (rio Parnaíba), indicado pelos graus de esfericidade e de arredondamento dos seixos, e que foram depositados nas planícies de inundação deste rio (alúvios). Com o decorrer do tempo o rio Parnaíba gerou várias micro bacias hidrográficas, inclusive a da região de Floriano, ao mesmo tempo que escavou o seu leito e rebaixou o nível de base local.

Nesta micro bacia restaram vários morros sustentados por seixos. Estes morros, expostos sazonalmente a chuvas, sofreram deslizamentos de massa com pouco transporte, e que ao chegarem nos sopés ou vales, resultaram em uma mistura de solos e seixos mal classificados e mal selecionados (colúvios).

Por fim, sobre o autor do texto, senhor Moisés Cavalcanti Bezerril.

Ele é professor no Seminário Presbiteriano do Norte em Recife, com mestrado em Teologia Sistemática pelo Centro de Pós Graduação A. Jumper (SP) e Ministro Presbiteriano.

Ele não tem nenhuma familiaridade com aquisição e divulgação de conhecimento científico e nem de práticas de campo, pois não apresentou nem o mapa de localização geográfica; nem o do de pontos visitados e nem o geológico da área “pesquisada”; bem como não indicou nem a orientação e nem a escala nas fotos dos afloramentos.

O seu conhecimento de Geologia é quase nulo. De fato a única afirmação correta é que existem seixos na área. As suas considerações sobre ambientes deposicionais; mecanismos de transporte; mecanismos de retrabalhamento de fragmentos e rochas sedimentares são pouco consistentes com o atual conhecimento de geociências.
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Data da postagem: 23/05/2010, 16:02
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Citação de: Geotecton em 23 de Maio de 2010, 20:02:43

De fato a única afirmação correta é que existem seixos na área.


[honestidade intelectual criacionista mode on]

GEÓLOGO ADMITE EM DEBATE QUE OS CRIACIONISTAS ESTÃO CORRETOS!!!

[honestidade intelectual criacionista mode off]
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Data da postagem: 23/05/2010, 16:29
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Dando continuidade às refutações de excertos do link indicado pelo forista Sodré, o presente ensaio analisa a interpretação criacionista sobre a origem da camadas sedimentares em um afloramento à beira da estrada no município de Floriano, no estado do Piauí, cuja autoria é de Moisés Cavalcanti Bezerril.

O texto original está abaixo transcrito, acompanhado de 6 fotos. O texto sofreu pequenas correções de forma e as fotos ganharam legendas (por Geotecton):

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O MISTÉRIO DAS CAMADAS SEDIMENTARES: A ESTRATIGRAFIA EM PEQUENA ESCALA NUMA PRAIA DO PIAUÍ
Parnaíba, Piauí - 330 km de Teresina

Você já deve ter visto uma amostra das camadas de rochas sedimentares que existem por toda parte, em todos os continentes. Essa formação geológica é muito comum nos sertões de Pernambuco, Paraíba, Bahia, e aqui no Piauí. Veja um exemplo do que estou ensinando:

Nesses paredões a 40 km da cidade de Floriano - Pi, você pode observar camadas de vários tipos de sedimentos. Há material aí que foi consolidado em rocha sedimentar, bem como a argila solta (barro vermelho, roxo, branco). Também há seixos de todo tipo de rocha. Como foi formada essa montanha de sedimentos estratigraficamente depositados?

(Fotos 1 e 2; que foram colocadas no item "Citações e comentários trecho-a-trecho")

O que diz a lenda: Cada camada dessa foi colocada uma sobre a outra com intervalos de milhões de anos, até que os sedimentos se tornassem rochas. Esse material foi trazido por águas e por ventos durante um processo que durou milhões de anos.

O que diz o catastrofismo criacionista: Essas camadas foram depositadas rapidamente por grande força hidráulica em poucos dias; as camadas que foram trazidas por águas saturadas de sílica se transformaram em rocha sedimentar. Aquelas que não tiveram contato com água silicada permaneceram como foram apanhadas, como argila, e outras areias. Tudo isto durante o ano do Dilúvio de Noé.

Esse material não pode ter 300 milhões de anos pelas seguintes razões: 1) Essas camadas sobrepostas ainda acontecem hoje na natureza em pequena escala, e a forma estratigráfica só acontece de maneira uniforme porque são depositadas uma depois da outra num único processo, sem intervalos. Vejamos uma pequena escala na praia de Parnaíba:

(Fotos 3, 4, 5 e 6; que foram colocadas no item "Citações e comentários trecho-a-trecho")

Essa mini estratigrafia corresponde exatamente ao que aconteceu em grande escala no ano do Dilúvio de Noé, sendo que nessa foi ação do vento, enquanto que a de Noé foi a ação da água. Camada após camada são superpostas intermitentemente por água. Se a lenda evolucionista estivesse certa, no intervalo de cada camada haveria muita erosão provocada pelo vento, chuva, elementos químicos, intemperismo. O resultado seria que não haveria nunca uma série de camadas superpostas de forma homogênea porque antes que fosse depositada a de cima, a de baixo já teria sido erodida. Portanto é necessário que a deposição seja rápida para que a estratigrafia seja uniforme, como mostra esse pequeno exemplo na areia;

2) O método de medição radiométrico não se aplica a rochas sedimentares, e sim a rochas ígneas. Isso significa que datar estratigrafia sedimentar é apenas uma tradição científica, e não resultado científico.


Citações e comentários trecho-a-trecho:

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Você já deve ter visto uma amostra das camadas de rochas sedimentares que existem por toda parte, em todos os continentes. Essa formação geológica é muito comum nos sertões de Pernambuco, Paraíba, Bahia, e aqui no Piauí. Veja um exemplo do que estou ensinando:


De fato existem rochas sedimentares por todos os continentes.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Nesses paredões a 40 km da cidade de Floriano - Pi, você pode observar camadas de vários tipos de sedimentos.




Foto 1. Afloramento de rochas areníticas, provavelmente da Formação Poti.



Foto 2. Detalhe da foto anterior. As camadas areníticas possuem espessura da ordem de 10 cm.

Questões em aberto.

Quais são as coordenadas geográficas do afloramento?

Onde está a orientação das fotos?

Quais são os tipos de sedimentos e estruturas observáveis no afloramento?

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Há material aí que foi consolidado em rocha sedimentar, bem como a argila solta (barro vermelho, roxo, branco). Também há seixos de todo tipo de rocha.


Pode-se observar camadas de rochas, tanto na foto 1 como na 2. Provavelmente são arenitos com matriz argilosa.

Os seixos, se existirem, não estão discerníveis na foto 2.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Como foi formada essa montanha de sedimentos estratigraficamente depositados?


Onde está a “montanha”?

Qual o significado geológico para a expressão “estratigraficamente depositados”?

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz a lenda: Cada camada dessa foi colocada uma sobre a outra com intervalos de milhões de anos, até que os sedimentos se tornassem rochas.


Para se afirmar algo sobre o tempo de deposição de cada camada, se deve conhecer os ambientes tectônico e deposicional. O intervalo de “milhões de anos” geralmente é aplicado para a deposição e litificação de formações inteiras e não para camadas individuais.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista Essas camadas foram depositadas rapidamente por grande força hidráulica em poucos dias;


Quais são as evidências de que a deposição foi rápida?

Quais são as evidências de que isto tenha ocorrido sob “grande força hidráulica”?

A propósito. O que é “grande força hidráulica”?

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: as camadas que foram trazidas por águas saturadas de sílica se transformaram em rocha sedimentar.


As camadas já vieram formadas e foram apenas transportadas pelas águas? Como?

E elas se transformaram em rochas por causa da sílica dissolvida na água?

Aqui há um erro de estruturação na frase, pois do contrário, a afirmação sugere que “águas saturadas em sílica” é que promoveram a transformação dos sedimentos em “rochas sedimentares”. E isto é absurdo. As rochas em tela são predominantemente arenitos, e que se formaram pela deposição física de fragmentos clásticos trabalhados de areia quartzosa e não como sedimentação química de sílica coloidal.

A composição química do mar se mantém inalterada ou com pequeníssimas variações pelo menos desde o início do Proterozóico superior, de tal modo que a sílica é apenas o décimo terceiro elemento em volume, muito distante do necessário para “silicificar as rochas sedimentares da Terra”.

É claro que há casos de silicificação de sedimentos por meio de sílica dissolvida em água. No entanto as pesquisas indicam que estes casos ocorrem apenas pontualmente na superfície terrestre, estando geralmente associadas às águas de percolação.

Um caso bem conhecido de aporte de sílica por percolação é o do Parque da Floresta Petrificada, no estado do Arizona (EUA).

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: Aquelas que não tiveram contato com água silicada permaneceram como foram apanhadas, como argila, e outras areias.


Então o material desagregado (solto) é remanescente do “dilúvio bíblico” que não teve contato com a “água silicada” (sic)?

Mas como pode ter ocorrido isto, visto que na especulação “criacionista diluviana” toda a superfície do planeta foi coberta por água? Onde estaria este material para não ter entrado em contato com a água? Dentro da arca de Noé? Flutuando no ar, sustentado por 'anjos'?

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O que diz o catastrofismo criacionista: Tudo isto durante o ano do Dilúvio de Noé.


Agora está tudo explicado satisfatoriamente.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Esse material não pode ter 300 milhões de anos pelas seguintes razões:


A menção da idade sugere uma possível consulta bibliográfica sobre as rochas discutidas pelo autor do ensaio, senhor Moisés Cavalcanti Bezerril. O que já é uma “evolução”.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

1) Essas camadas sobrepostas ainda acontecem hoje na natureza em pequena escala,


Conclusão duplamente errada.

Primeiro. O fato de hoje ainda ocorrer sedimentação não é indicativa, de maneira nenhuma, de que as rochas em tela não tenham a idade de 300 milhões de anos.

Segundo. A sedimentação que hoje ocorre não é de pequena escala. É da ordem de bilhões de toneladas por ano.

Para se ter idéia, basta pegar o caso do rio Amazonas, conforme o texto abaixo descrito:

Citar

Uma camada de 20 quilômetros de espessura de sedimentos, carregados pelo Rio e depositados no Leque Submarino do Amazonas resulta em um processo que, a partir de 200 metros de profundidade, dá a impressão que houve a elevação do nível do mar. Na verdade, é o peso do sedimento na parte submarina. Fato que provoca o afundamento da crosta terrestre e também do continente, na região costeira do Amapá. Nós vemos esta grande erosão como se fosse a subida do nível do mar, e não é isso" (Alberto Figueiredo, geólogo marinho e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Fonte.


Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

e a forma estratigráfica só acontece de maneira uniforme porque são depositadas uma depois da outra num único processo, sem intervalos.


Conclusão errada. A maneira aparentemente uniforme não tem, necessariamente, relação direta com uma deposição realizada em um só ciclo. Esta conclusão seria válida, parcialmente, para ambientes lacustrinos, onde há pouco fluxo subaquoso turbulento. E este não é o caso das rochas em tela.

Para se afirmar que toda a sedimentação ocorreu de uma só vez, tem de se verificar se não há nenhuma evidência de diastema (interrupção temporária da sedimentação) ou de erosão.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Vejamos uma pequena escala na praia de Parnaíba. Essa mini estratigrafia corresponde exatamente ao que aconteceu em grande escala no ano do Dilúvio de Noé, sendo que nessa foi ação do vento, enquanto que a de Noé foi a ação da água.




Foto 3. Estratificação plano-paralela.



Foto 4. Detalhe de estratificação plano-paralela com camadas milimétricas alternando areia e minerais máficos, provavelmente ilmenita.



Foto 5. Deslizamento de sedimento arenoso em duna litorânea em decorrência do vento.



Foto 6. Detalhe de estratificação plano-paralela com camadas milimétricas de areia.

O processo de transporte e deposição de sedimentos efetuados pelo vento tem em comum com o processo efetuado pela água somente o fato de que ambos (vento e água) são meios fluídos. As demais condições são completamente distintas.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Camada após camada são superpostas intermitentemente por água.


Esta frase contradiz tudo o que foi escrito anteriormente, pois intermitência significa 'descontinuidade' e 'existência de intervalos'.

Seria um momento de “iluminação geológica” por parte do autor?

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Se a lenda evolucionista estivesse certa, no intervalo de cada camada haveria muita erosão provocada pelo vento, chuva, elementos químicos, intemperismo.


Não precisa haver, necessariamente, algum tipo de erosão entre um ciclo deposicional e outro. Pode haver uma simples interrupção da deposição sem remoção do material depositado (diastema).

A erosão pode ser predominantemente física ou química, geralmente associada a um (ou mais) tipo de intemperismo.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

O resultado seria que não haveria nunca uma série de camadas superpostas de forma homogênea porque antes que fosse depositada a de cima, a de baixo já teria sido erodida.


Conclusão errada, pelos motivos já expostos anteriormente.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Portanto é necessário que a deposição seja rápida para que a estratigrafia seja uniforme, como mostra esse pequeno exemplo na areia.


Não, não é necessário que a deposição seja rápida, embora ela possa assim acontecer. E o uso da palavra “rápida” na Geologia é bem diferente do significado adotado no “modelo criacionista”.

Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

2) O método de medição radiométrico não se aplica a rochas sedimentares, e sim a rochas ígneas. Isso significa que datar estratigrafia sedimentar é apenas uma tradição científica, e não resultado científico.


Texto em que não há correlação alguma com o tema original, pois não está se discutindo datações radiométricas. E ainda assim, o autor novamente apresenta uma conclusão errada. Pois confunde 'dificuldade' com 'impossibilidade' de datações radiométricas em rochas sedimentares.

Realmente não se pode datar uma “estratigrafia sedimentar”, pois isto não é um ente material, e sim conceitual.

Já a datação de rochas sedimentares não somente é possível, como é feita com freqüência, embora em menor número do que seria o desejado, devido às dificuldades de encontrar bons marcadores.

Conclusões

Tal como no ensaio anterior, o autor incorre em uma série de erros metodológicos, a saber:

a) Ausência de um texto com o resumo dos trabalhos realizados na área.

b) Ausência de mapas (cartográfico e geológico) onde constem os pontos visitados e as coordenadas geográficas destes pontos.

c) Ausência de legenda, orientação e escala nas fotos.

d) Ausência de referências bibliográficas.

Baseado nas escassas informações dadas pelo autor (rochas arenosas e localizadas a 40 Km da cidade de Floriano, estado do Piauí), eu tentei contextualizar geologicamente os afloramentos registrados nas fotos, assim como no ensaio anterior.

Primeiro identifiquei as coordenadas da cidade de Floriano (Piauí) pelo Google Earth (longitude 43° 01' 24" W e latitude 6° 45' 51" S). Aí estabeleci um raio de 40 km da cidade a partir do limite que este município faz com o rio Parnaíba (meridiano de longitude 43° 01' 24" W). Em seguida busquei um mapa geológico do Piauí e determinei a posição da cidade supra.

Então projetei uma linha de 40 km com centro no ponto acima mencionado. Depois verifiquei quais eram as formações que estavam neste raio e que simultaneamente tivessem uma ou mais estradas pavimentadas que passassem por elas. Imediatamente se destacou a Formação Poti. Eu estimo que o afloramento fotografado pertence a esta formação e que fica em algum ponto do vale do rio Uica.

A Formação Poti (com símbolo C1po no mapa geológico supracitado) pertence ao Grupo Canindé e tem idade estimada do Viseano* médio a superior (c. 330 milhões de anos AP) (Melo & Loboziak, 2000).

Ela é composta, segundo Della Fávera (1990), por arenitos finos claros com estratificações cruzadas tabulares e sigmoidais, siltitos e por escassos conglomerados e diamictitos, além de delgadas camadas de carvão, de ocorrência restrita. Possui uma espessura máxima de 300 m, como observado em seu mapa de isópacas (Caputo, 1984; Cunha, 1986; Góes, 1995). O ambiente deposicional foi interpretado como deltaico e litorâneo **.

Pode-se constatar que as interpretações sobre os paleoambientes e os processos de sedimentação feitas pela CPRM e pela Petrobrás divergem totalmente da interpretação criacionista.

* Eon Fanerozóico, era Paleozóico, período Carbonífero, época Mississipiano, idade Viseano.

** Fonte.
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Como houve o problema da perda das mensagens dos últimos 4 dias, estou re-postando o resumo em português da dissertação da Romana Begossi, do site do programa de pós-graduação da UERJ:

Citar

RESUMO

Autor: Romana Begossi

Inundações catastróficas como uma possível causa para a formação de carvão na Bacia do Paraná.

O carvão no sul do Brasil tem um alto teor de cinzas, podendo ser melhor denominado siltito carbonoso. Surpreendentemente, HCS foi encontrado em diversas camadas de carvão da Formação Rio Bonito. A freqüente e íntima relação de fácies encontrada nas ocorrências de carvão na Bacia do Paraná, envolvendo rochas geradas por fluxos gravitacionais subaquosos e, por outro lado, o característico carvão encontrado, requerem a proposição de um novo modelo deposicional e um re-arranjo estratigráfico nas unidades atualmente definidas.
Apesar da ocorrência de HCS em ambientes marinho-rasos indicar uma gênese atribuída à ação de tempestades, outras causas, como inundações catastróficas, têm sido sugeridas recentemente. Mutti et al. (1996) descreveram sistemas deltaicos dominados por inundações com espessos conglomerados, arenitos e depósitos pelíticos, derivados de sistemas fluviais de pequeno a médio porte e bacias de drenagem de bordas de montanha adjacentes ao mar. Nesses depósitos, o fluxo de sedimentos em direção ao mar pode aumentar dramaticamente quando as condições de tempo fornecem quantidades suficientes de água que possam produzir inundações catastróficas. Essas inundações ocasionam uma mistura de água e sedimentos, com velocidade e concentração de sedimentos capaz de gerar fluxos hiperpicnais e correntes de turbidez auto-sustentadas. Seções espessas e lateralmente extensas de lobos de arenito com HCS são os elementos deposicionais fundamentais de fan-deltas e de sistemas deltaicos dominados por rio.
O presente estudo se refere a três importantes unidades litoestratigráficas, no ciclo Carbonífero-Eotriássico: o Grupo Itararé, a Formação Rio Bonito e a Formação Palermo. No caso dos depósitos brasileiros de carvão, deltas (fan-deltas, braid-deltas) foram reconhecidos por diversos autores. Neste caso, é particularmente considerado um ambiente de mar salgado interior (lago mare, sensu Hsü), devido à ausência de ondas normais grandes.
No Rio Grande do Sul os carvões são verdadeiros depósitos de prodeltas progradantes, relacionados a diamictitos e arenitos conglomeráticos de frente deltaica, com acamadamento sigmoidal. O carvão seria formado por árvores arrancadas pela inundação, o que é indicado pelos troncos encontrados em meio ao diamictito, ou por retrabalhamento de turfa previamente acumulada. Cada camada de carvão é geralmente coberta por paleossolo, que representa a colonização vegetal no topo do depósito de inundação catastrófica, e encerra um ciclo sedimentar. Em outras situações, é desenvolvido hardground (carbanquerita) em vez de paleossolo.
A fácies proximal desses depósitos é relacionada a degelo de geleiras de montanha e é atribuída como a parte superior do Grupo Itararé. Em situações muito distais, observase que as camadas de carvão com HCS passam lateralmente a siltitos com HCS da Formação Palermo. Os depósitos de carvão compreenderiam as três unidades litoestratigráficas dispostas numa transição lateral.
A associação de carvão e diamictitos pode ser resultado de J6kullhlaups, considerando-se que a origem da inundação catastrófica é devida ao degelo de geleiras de montanha, similares aos exemplos das Scablands, no vale do Rio Columbia (15.000 a.c.) e da Islândia (presente). Deve ser sempre lembrado que as reconstruções do Gondwana através do tempo indicam que o sul do Brasil, no Eopermiano, situava-se a 50° - 60° S. Portanto, essa região pode ter sido submetida a avanços e retrocessos de montanhas glaciais residuais, e seus ambientes associados podem ter sido responsáveis por eventuais inundações catastróficas.



http://www.fgel.uerj.br/Pos_Grad/res_rbegossi.htm

Como disse antes, é só fazer uma menção a catátrofe que os criacionistas começam a fantasiar. Mas acho pertinente (e preocupante) o fato do resumo do trabalho dela ter sido modificado sem, como imagino, o conhecimento da Dra. Begossi. Me pergunto se ela sabe que seu nome está sendo utilizado nesses círculos para tais justificativas.
Quanto ao resumo, pelo que pude entender do geologuês, trata apenas de inundações no final do último período glacial pelo degelo de glaciares, o que modificou a paisagem geológica de uma área restrita do Brasil. Nada de inundação global e muito parecido com a inundação do período do pequeno Dryas.
O Sodré, lembro-me, postou uma parte do trabalho da Begossi que faz menção ao criacionismo, contudo gostaria que fornecesse o link original do paper, do site da BIREME, do balcão da UERJ ou da CAPES, para termos certeza que o trabalho não foi alterado.
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Devido a problemas técnicos as mensagens entre os dias 02 e 09 de junho foram perdidas. Neste intervalo o forista Sodré postou uma mensagem negando a alteração do texto do 'Resumo' da Tese de Doutorado da geóloga Romana Begossi e ainda fez uma crítica a mim, Geotecton, porque eu afirmei que ele havia alterado o resumo supracitado.

Em postagens subsequentes os foristas Contini e Derfel fizeram críticas ao forista Sodré, de tal modo que o forista Derfel postou o texto completo do 'Resumo' da tese de Romana Begossi, indicou o link de onde ele foi extraído e ainda fez um comentário adequado sobre a situação, conforme o que segue:

Citação de: Derfel em 10 de Junho de 2010, 21:06:36

RESUMO

Autor: Romana Begossi

Inundações catastróficas como uma possível causa para a formação de carvão na Bacia do Paraná.

O carvão no sul do Brasil tem um alto teor de cinzas, podendo ser melhor denominado siltito carbonoso. Surpreendentemente, HCS foi encontrado em diversas camadas de carvão da Formação Rio Bonito. A freqüente e íntima relação de fácies encontrada nas ocorrências de carvão na Bacia do Paraná, envolvendo rochas geradas por fluxos gravitacionais subaquosos e, por outro lado, o característico carvão encontrado, requerem a proposição de um novo modelo deposicional e um re-arranjo estratigráfico nas unidades atualmente definidas.
Apesar da ocorrência de HCS em ambientes marinho-rasos indicar uma gênese atribuída à ação de tempestades, outras causas, como inundações catastróficas, têm sido sugeridas recentemente. Mutti et al. (1996) descreveram sistemas deltaicos dominados por inundações com espessos conglomerados, arenitos e depósitos pelíticos, derivados de sistemas fluviais de pequeno a médio porte e bacias de drenagem de bordas de montanha adjacentes ao mar. Nesses depósitos, o fluxo de sedimentos em direção ao mar pode aumentar dramaticamente quando as condições de tempo fornecem quantidades suficientes de água que possam produzir inundações catastróficas. Essas inundações ocasionam uma mistura de água e sedimentos, com velocidade e concentração de sedimentos capaz de gerar fluxos hiperpicnais e correntes de turbidez auto-sustentadas. Seções espessas e lateralmente extensas de lobos de arenito com HCS são os elementos deposicionais fundamentais de fan-deltas e de sistemas deltaicos dominados por rio.
O presente estudo se refere a três importantes unidades litoestratigráficas, no ciclo Carbonífero-Eotriássico: o Grupo Itararé, a Formação Rio Bonito e a Formação Palermo. No caso dos depósitos brasileiros de carvão, deltas (fan-deltas, braid-deltas) foram reconhecidos por diversos autores. Neste caso, é particularmente considerado um ambiente de mar salgado interior (lago mare, sensu Hsü), devido à ausência de ondas normais grandes.
No Rio Grande do Sul os carvões são verdadeiros depósitos de prodeltas progradantes, relacionados a diamictitos e arenitos conglomeráticos de frente deltaica, com acamadamento sigmoidal. O carvão seria formado por árvores arrancadas pela inundação, o que é indicado pelos troncos encontrados em meio ao diamictito, ou por retrabalhamento de turfa previamente acumulada. Cada camada de carvão é geralmente coberta por paleossolo, que representa a colonização vegetal no topo do depósito de inundação catastrófica, e encerra um ciclo sedimentar. Em outras situações, é desenvolvido hardground (carbanquerita) em vez de paleossolo.
A fácies proximal desses depósitos é relacionada a degelo de geleiras de montanha e é atribuída como a parte superior do Grupo Itararé. Em situações muito distais, observase que as camadas de carvão com HCS passam lateralmente a siltitos com HCS da Formação Palermo. Os depósitos de carvão compreenderiam as três unidades litoestratigráficas dispostas numa transição lateral.
A associação de carvão e diamictitos pode ser resultado de J6kullhlaups, considerando-se que a origem da inundação catastrófica é devida ao degelo de geleiras de montanha, similares aos exemplos das Scablands, no vale do Rio Columbia (15.000 a.c.) e da Islândia (presente). Deve ser sempre lembrado que as reconstruções do Gondwana através do tempo indicam que o sul do Brasil, no Eopermiano, situava-se a 50° - 60° S. Portanto, essa região pode ter sido submetida a avanços e retrocessos de montanhas glaciais residuais, e seus ambientes associados podem ter sido responsáveis por eventuais inundações catastróficas.


http://www.fgel.uerj.br/Pos_Grad/res_rbegossi.htm

Como disse antes, é só fazer uma menção a catátrofe que os criacionistas começam a fantasiar. Mas acho pertinente (e preocupante) o fato do resumo do trabalho dela ter sido modificado sem, como imagino, o conhecimento da Dra. Begossi. Me pergunto se ela sabe que seu nome está sendo utilizado nesses círculos para tais justificativas.
Quanto ao resumo, pelo que pude entender do geologuês, trata apenas de inundações no final do último período glacial pelo degelo de glaciares, o que modificou a paisagem geológica de uma área restrita do Brasil. Nada de inundação global e muito parecido com a inundação do período do pequeno Dryas.
O Sodré, lembro-me, postou uma parte do trabalho da Begossi que faz menção ao criacionismo, contudo gostaria que fornecesse o link original do paper, do site da BIREME, do balcão da UERJ ou da CAPES, para termos certeza que o trabalho não foi alterado.


Assim sendo, eu quero fazer algumas considerações sobre o caso em tela, e que estão na próxima postagem.
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Citação de: Sodré em 29 de Abril de 2010, 09:48:54

Esse Geotecton...rsrs


Caro Sodré

A meticulosidade do Derfel, ao buscar na internet o resumo da doutoranda na UERJ, ensejou esta minha postagem.

Compare a sua citação (versão) do 'Resumo' da tese, com o 'Resumo' postado pelo Derfel e com o Abstract (o original e o traduzido por mim) do artigo publicado em 2002, na International Journal of Coal Geology.

Citação de: Texto 1 - Resumo da tese de Romana Begossi modificado pelo forista Sodré

O carvão no sul do Brasil tem um alto teor de cinzas, podendo ser melhor denominado siltito carbonoso. Surpreendentemente, a estratificação cruzada hummocky (HCS) foi encontrada em diversas camadas de carvão da Formação Rio Bonito. Apesar da ocorrência de HCS em ambientes marinho-rasos indicar uma gênese atribuída à ação de tempestades, outras causas, como inundações catastróficas, têm sido sugeridas recentemente.

No caso dos depósitos brasileiros de carvão, a presença de sedimentação deltaica foi reconhecida por diversos autores. A freqüência e íntima relação de fácies encontrada nas ocorrências de carvão na Bacia do Paraná, envolvendo rochas geradas por fluxos gravitacionais subaquosos e, por outro lado, o característico carvão encontrado, requerem a proposição de um novo modelo deposicional e um rearranjo estratigráfico nas unidades atualmente definidas.

Mudanças atuais na percepção dos eventos geológicos, a partir de novos conceitos filosóficos, conduzem à interpretação da sedimentação como resultado de eventos rápidos e de grande energia refletindo um pensamento neo-catastrofista que substitui o tradicional gradualismo. Essa visão, aplicada aos depósitos brasileiros de carvão, leva à proposição de um modelo deposicional não uniformitarista, que aceita a teoria da formação de depósitos de carvão a partir de matéria vegetal alóctone, transportada por eventos de alta energia, nesse caso, inundações catastróficas.


Citação de: Texto 2 - Resumo da tese de Romana Begossi apresentado pelo forista Derfel

RESUMO

Autora: Romana Begossi

Inundações catastróficas como uma possível causa para a formação de carvão na Bacia do Paraná.

O carvão no sul do Brasil tem um alto teor de cinzas, podendo ser melhor denominado siltito carbonoso. Surpreendentemente, HCS foi encontrado em diversas camadas de carvão da Formação Rio Bonito. A freqüente e íntima relação de fácies encontrada nas ocorrências de carvão na Bacia do Paraná, envolvendo rochas geradas por fluxos gravitacionais subaquosos e, por outro lado, o característico carvão encontrado, requerem a proposição de um novo modelo deposicional e um re-arranjo estratigráfico nas unidades atualmente definidas.

Apesar da ocorrência de HCS em ambientes marinho-rasos indicar uma gênese atribuída à ação de tempestades, outras causas, como inundações catastróficas, têm sido sugeridas recentemente. Mutti et al. (1996) descreveram sistemas deltaicos dominados por inundações com espessos conglomerados, arenitos e depósitos pelíticos, derivados de sistemas fluviais de pequeno a médio porte e bacias de drenagem de bordas de montanha adjacentes ao mar. Nesses depósitos, o fluxo de sedimentos em direção ao mar pode aumentar dramaticamente quando as condições de tempo fornecem quantidades suficientes de água que possam produzir inundações catastróficas. Essas inundações ocasionam uma mistura de água e sedimentos, com velocidade e concentração de sedimentos capaz de gerar fluxos hiperpicnais e correntes de turbidez auto-sustentadas. Seções espessas e lateralmente extensas de lobos de arenito com HCS são os elementos deposicionais fundamentais de fan-deltas e de sistemas deltaicos dominados por rio.

O presente estudo se refere a três importantes unidades litoestratigráficas, no ciclo Carbonífero-Eotriássico: o Grupo Itararé, a Formação Rio Bonito e a Formação Palermo. No caso dos depósitos brasileiros de carvão, deltas (fan-deltas, braid-deltas) foram reconhecidos por diversos autores. Neste caso, é particularmente considerado um ambiente de mar salgado interior (lago mare, sensu Hsü), devido à ausência de ondas normais grandes.

No Rio Grande do Sul os carvões são verdadeiros depósitos de prodeltas progradantes, relacionados a diamictitos e arenitos conglomeráticos de frente deltaica, com acamadamento sigmoidal. O carvão seria formado por árvores arrancadas pela inundação, o que é indicado pelos troncos encontrados em meio ao diamictito, ou por retrabalhamento de turfa previamente acumulada. Cada camada de carvão é geralmente coberta por paleossolo, que representa a colonização vegetal no topo do depósito de inundação catastrófica, e encerra um ciclo sedimentar. Em outras situações, é desenvolvido hardground (carbanquerita) em vez de paleossolo.

A fácies proximal desses depósitos é relacionada a degelo de geleiras de montanha e é atribuída como a parte superior do Grupo Itararé. Em situações muito distais, observase que as camadas de carvão com HCS passam lateralmente a siltitos com HCS da Formação Palermo. Os depósitos de carvão compreenderiam as três unidades litoestratigráficas dispostas numa transição lateral.

A associação de carvão e diamictitos pode ser resultado de J6kullhlaups, considerando-se que a origem da inundação catastrófica é devida ao degelo de geleiras de montanha, similares aos exemplos das Scablands, no vale do Rio Columbia (15.000 a.c.) e da Islândia (presente). Deve ser sempre lembrado que as reconstruções do Gondwana através do tempo indicam que o sul do Brasil, no Eopermiano, situava-se a 50° - 60° S. Portanto, essa região pode ter sido submetida a avanços e retrocessos de montanhas glaciais residuais, e seus ambientes associados podem ter sido responsáveis por eventuais inundações catastróficas.


Citação de: Texto 3 - "Abstract" do artigo de Romana Begossi

Gondwana coals of the Rio Bonito Formation (Parana´ Basin) in Southern Brazil have generally large ash yields, so they could be better called coaly siltstones than coal. In addition, hummocky cross stratification (HCS) was found in several coal beds of the Rio Bonito Formation throughout the basin.

In this formation, the frequent and close relationship between facies involving rocks generated by subaqueous gravity flows (diamictites) and coal itself provides an excellent depositional model based on resedimentary processes acting during deposition, as well as a stratigraphic rearrangement of the present units.

In the State of Rio Grande do Sul (southern part of Paraná Basin), coals are actually prodelta deposits related to delta-front diamictite and conglomeratic sandstone with sigmoidal bedding. Coal-forming organic sediments would come from trees plucked by the floods, as indicated by the wood logs floating in the diamictite, and reworking of previous peat accumulations.

Every coal layer is covered generally by paleosoil siltstones, which represent colonization at the top of the catastrophic flood deposit, ending a sedimentary cycle. In case of Brazilian coal settings, several authors recognized deltas (fan deltas or braid deltas). Here is particularly considered the general environment as a salted interior sea (lago mare, Hsu¨ et al. sense).

The present study will refer to three important lithostratigraphic units in the Carboniferous-Early Triassic cycle: the Itarare´ Group, the Rio Bonito Formation, and the Palermo Formation. Although the preferential mode of occurrence of HCS in shallow marine environments indicates a genesis attributed to storm action, other causes, such as catastrophic flooding, have been advanced. Mutti et al. [Mem. Sci. Geol. 48 (1996) 233] described flood-dominated deltaic systems with thick conglomerate, sandstone, and pelitic deposits, derived from small- to medium-scale fluvial systems and mountain-bordered drainage basins adjacent to the sea.

In such settings, seaward sediment flow can increase dramatically when weather conditions can supply water in such amounts to produce catastrophic floods. Thick and laterally extensive sandstone lobes with HCS are the fundamental depositional elements of fan deltas and other river-dominated delta systems.

Diamictites and coal together could be a result from Jo¨kullhlaups-an Icelandic term for glacial outburst flood-in case of catastrophic floods coming from a melting mountain glacier, similar to the Columbia River Valley Scablands (15,000 BP) and in modern Iceland examples.


Citação de: Texto 4 - Tradução do "Abstract" do artigo de Romana Begossi feita pelo forista Geotecton

Os carvões gondwanicos da Formação Rio Bonito (Bacia do Paraná) no sul do Brasil tem geralmente amplas porções de cinzas, e deste modo seria melhor denominá-los de rochas siltosas carbonosas, ao invés de carvões. Além disto, estratificações cruzadas hummocky (HCS) foram encontradas em muitas camadas de carvão na Formação Rio Bonito por toda a bacia.

Nesta formação, a frequente e íntima relação entre fácies envolvendo rochas formadas por fluxos gravitacionais subaquáticos (diamictitos) e o próprio carvão preve um excelente modelo deposicional baseado em processos re-sedimentares durante a deposição, bem como um rearranjo estratigráfico das presentes unidades.

No estado do Rio Grande do Sul (parte meridional da Bacia do Paraná), os carvões são depósitos prodeltaicos relacionados à diamictitos de frente de delta e arenitos conglomeráticos em camadas sigmoidais. Os sedimentos orgânicos formadores de carvão viriam de arvores arrancadas por inundações, como sugerido pelos galhos e troncos encontrados no diamictito, e pelo retrabalhamento de turfas previamente acumuladas.

Cada camada de carvão está geralmente recoberta por paleosolo de rochas sílticas, que representa uma ocupação do topo de depósitos de inundações catastróficas e encerram um ciclo sedimentar. No caso do carvões brasileiros, muitos autores reconheceram deltas (leques deltaicos ou anastomosados). Aqui é particularmente considerado que o ambiente geral era um mar interior muito salgado (lago maré, no sentido de Hsu et. al.)

O presente estudo refere-se a três importantes unidades litoestratigráficas de um ciclo deposicional entre o Carbonífero e o início do Triássico: o Grupo Itataré, a Formação Rio Bonito e a Formação Palermo. Ainda que a interpretação usual de HCS esteja relacionada à ação de tempestades em ambientes marinhos rasos, tem sido consideradas outras causas, tais como inundações catastróficas. Mutti et. al. descreveram sistemas deltaicos dominados por inundação com espessos depósitos de conglomerados, arenitos e pelitos; derivados de sistemas fluviais de porte pequeno e médio, bem como de bacias de drenagem vizinhas à montanhas próximas ao mar.

Nestas condições, o fluxo de sedimento em direção ao mar aumenta dramaticamente quando as condições metereológicas podem suprir água em volume suficiente para produzi inundações catastróficas. Lobos arenosos espessos e de grande extensão lateral com HCS são os elementos deposicionais fundamentais de deltas em leque, bem como de outros sistemas deltaicos dominados por rios.

Diamictitos e carvão juntos podem ser o resultado do Jo¨kullhlaups-an, termo islandês para designar uma inundação repentina causada por derretimento rápido de uma geleira, similar ao caso do Scablands no vale do rio Colúmbia (15.000 AP) e nos exemplos modernos da Islândia.


Comentários

O 'Resumo' da tese de Begossi postado no link foi editado, pois nele constam apenas 3 (três) parágrafos, conforme mostra o Texto 1, sendo que no original são 6 (seis) parágrafos, conforme mostra o Texto 2.

Além disto, o terceiro parágrafo não consta nem no 'Resumo' (Texto 2) e nem no Abstract do artigo (Texto 3), o que demonstra claramente que o texto foi também modificado.

Fazer modificações de textos de outros autores sem explicitá-las, ainda mais quando alteram profundamente o sentido original, é indesculpável sob a perspectiva científica e intelectual.

A leitura do Abstract do artigo mostra o quão similar ao 'Resumo' ele é, o que não surpreende, pois o artigo provem dos dados da própria tese de Begossi. E nele se constata que não existe nenhum trecho que lembre remotamente o terceiro parágrafo do Texto 1, conforme destaco a seguir:

Citação de: Texto 1 - Resumo da tese de Romana Begossi modificado por Sodré

[...]
Mudanças atuais na percepção dos eventos geológicos, a partir de novos conceitos filosóficos, conduzem à interpretação da sedimentação como resultado de eventos rápidos e de grande energia refletindo um pensamento neo-catastrofista que substitui o tradicional gradualismo. Essa visão, aplicada aos depósitos brasileiros de carvão, leva à proposição de um modelo deposicional não uniformitarista, que aceita a teoria da formação de depósitos de carvão a partir de matéria vegetal alóctone, transportada por eventos de alta energia, nesse caso, inundações catastróficas.


Para finalizar não posso deixar de ressaltar o fato de que nenhuma das conclusões de Begossi dá suporte à "especulação criacionista".

A) Ocorreram muitos ciclos e eventos deposicionais na formação do carvão em contraposição ao suposto evento único "diluviano".

B) A deposição ocorreu em ambiente marinho salgado raso interiorano dominado por sistemas deltaicos fluviais em contraposição a não-existência de ambientes deposicionais do suposto "dilúvio", pois este "ocorreu" em menos de trezentos dias!!!

C) O aporte de água em excesso (inundações) veio do derretimento de geleiras e de chuvas torrenciais sazonais e não de uma suposta "chuva única e torrencial com duração de 40 dias do dilúvio".

D) A explicação do processo usual de formação de carvão não foi invalidada. Pelo contrário, apenas se reconhece que há mais de um processo formador. Não há nenhuma menção sobre o "erro" do Uniformitarismo.

E) A idade estimada para os depósitos de carvão situa-se entre o Carbonífero e a parte inicial do Triássico, ou seja de 345 milhões de anos a 245 milhões de anos Antes do Presente (AP). Não fica sequer remotamente próximo da suposta idade de 4.500 anos do suposto "dilúvio".

F) Ao mencionar que no EoPermiano o Sul do Brasil estava entre as latitudes a 50° e 60° S, a autora endossa a Tectônica de Placas, a única que tem consistência científica, ao contrário das especulações absurdas das "hidroplacas" ou da "tectônica de placas catastrofista".
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Citação de: Derfel em 10 de Junho de 2010, 21:06:36

[...]
Quanto ao resumo, pelo que pude entender do geologuês, trata apenas de inundações no final do último período glacial pelo degelo de glaciares, o que modificou a paisagem geológica de uma área restrita do Brasil. Nada de inundação global e muito parecido com a inundação do período do pequeno Dryas.
[...]


Derfel

Tenho apenas uma correção: No trecho que voce entendeu que as inundações ocorreram "no final do último período glacial pelo degelo de glaciares".

A autora interpretou que as inundações ocorreram pelo aporte de água proveniente de tempestades sazonais que se precipitaram nos contra-fortes das serras ou montanhas próximas ao mar salgado e pelo degelo de glaciares do tipo alpino no período entre o Carbonífero e o Eotriássico. O estudo foi feito em três unidades estratigráficas: o Grupo Itararé, a Formação Rio Bonito e a Formação Palermo.
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Pois é! Se alguem quer tanto defender uma idéia que comete desonestidade intelectual para tentar corrobora-la, isso não faz cair a ficha nesta pessoa que há algo de errado no que ela acredita? Isso sem considerar que a crença não coincide com os fatos...
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Data da postagem: 10/06/2010, 18:49