
Clube Cético
Os arquivos da ditadura devem ser disponibilizados?
Autor: DDV | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 66200 Comentários: 980

Citação de: Luiz Souto em 27 de Fevereiro de 2011, 22:37:19
Voce está fazendo confusão Adriano.
A obra do Gaspari apresenta a posição dos militares mas ele não é porta-voz ou defensor deles. Voce realmente não conseguiu distinguir uma da outra?
Correto Geo. Por sinal as fontes que o Gaspári usou estão hoje disponíveis para outros pesquisadores.
Inclusive ele considera como uma das características de boa parte do regime militar o que chama de "anarquia militar" , termo que nenhum dos participantes do regime endossaria...
É claro que esta é também a defesa do DDV, de que a obra é totalmente isenta e imparcial. Eu apenas me reservo o direito de ser cético quanto a esta assertiva. Sendo eu um bocó ideológo, me mantenho concordando com o outro doutor bocó que citei.
Que possamos concordar em discordar
Quando vocẽ tiver embasamento para concordar ou discordar , então concordarei em discordar. Até lá... do svidánia!
OK, é o DDV fazendo escola
Eu sou realmente um "retardado mental" sobre estas questões políticas
Pelo menos agora podemos concordar, vossa excelentíssima sapiência em assuntos políticos
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45Citação de: Luiz Souto em 27 de Fevereiro de 2011, 22:27:13
Citação de: Geotecton em 27 de Fevereiro de 2011, 22:09:21
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 21:59:19
Pelo contrário. Estamos falando de uma obra de cunho ideológico de direita e isto para o Luiz é insignificante devido ao seu sólido embasamento político. Veja pela citação dele a composição da obra em pauta:
Citação de: Luiz Souto em 27 de Fevereiro de 2011, 20:47:21
O grande diferencial do livro do Gaspari é a visão do lado dos governos militares , já que ele teve acesso a documentos particulares (além de entrevistas) de Geisel , Golbery e , fundamentalmente , dos diários do Cap Heitor Ferreira , secretário de ambos ( os arquivos de Golbery estão atualmente no CPDOC da FGV).
Voce está fazendo confusão Adriano.
A obra do Gaspari apresenta a posição dos militares mas ele não é porta-voz ou defensor deles. Voce realmente não conseguiu distinguir uma da outra?
Correto Geo. Por sinal as fontes que o Gaspári usou estão hoje disponíveis para outros pesquisadores.
Inclusive ele considera como uma das características de boa parte do regime militar o que chama de "anarquia militar" , termo que nenhum dos participantes do regime endossaria...
É claro que esta é também a defesa do DDV, de que a obra é totalmente isenta e imparcial. Eu apenas me reservo o direito de ser cético quanto a esta assertiva. Sendo eu um bocó ideológo, me mantenho concordando com o outro doutor bocó que citei.
Que possamos concordar em discordar
Quando vocẽ tiver embasamento para concordar ou discordar , então concordarei em discordar. Até lá... do svidánia!
OK, é o DDV fazendo escola
Eu sou realmente um "retardado mental" sobre estas questões políticas

Pelo menos agora podemos concordar, vossa excelentíssima sapiência em assuntos políticos

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Data da postagem: 27/02/2011, 18:41

Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
Ela não é totalmente isenta, como nenhuma obra é. Mas nem de muito longe ela se parece com um libelo anti-esquerdista.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
E tem todo o direito.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
Nenhum dos dois é bocó.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
Concordo.
É claro que esta é também a defesa do DDV, de que a obra é totalmente isenta e imparcial.
Ela não é totalmente isenta, como nenhuma obra é. Mas nem de muito longe ela se parece com um libelo anti-esquerdista.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
Eu apenas me reservo o direito de ser cético quanto a esta assertiva.
E tem todo o direito.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
Sendo eu um bocó ideológo, me mantenho concordando com o outro doutor bocó que citei.
Nenhum dos dois é bocó.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45
Que possamos concordar em discordar
Concordo.
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Data da postagem: 27/02/2011, 18:55

Citação de: Geotecton em 27 de Fevereiro de 2011, 22:55:50
Sim, mas tem dois aspectos com relação a obra. O primeiro é como ela foi apresenta, de maneira a representar a obra como ovacionando este post. Sei que exagerei no tom das minhas postagens mas estava me referindo a esta interpretação. O segundo é sobre a obra em si. Acredito que com a posterior leitura deste livros terei uma melhor elucidação da questão. E ao contrário do que possam pensar, estou muito interessado
Citação de: Geotecton em 27 de Fevereiro de 2011, 22:55:50
Grato pela generosa compreensão
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45É claro que esta é também a defesa do DDV, de que a obra é totalmente isenta e imparcial.
Ela não é totalmente isenta, como nenhuma obra é. Mas nem de muito longe ela se parece com um libelo anti-esquerdista.
Sim, mas tem dois aspectos com relação a obra. O primeiro é como ela foi apresenta, de maneira a representar a obra como ovacionando este post. Sei que exagerei no tom das minhas postagens mas estava me referindo a esta interpretação. O segundo é sobre a obra em si. Acredito que com a posterior leitura deste livros terei uma melhor elucidação da questão. E ao contrário do que possam pensar, estou muito interessado
Citação de: Geotecton em 27 de Fevereiro de 2011, 22:55:50
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45Eu apenas me reservo o direito de ser cético quanto a esta assertiva.
E tem todo o direito.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45Sendo eu um bocó ideológo, me mantenho concordando com o outro doutor bocó que citei.
Nenhum dos dois é bocó.
Citação de: Adriano em 27 de Fevereiro de 2011, 22:33:45Que possamos concordar em discordar
Concordo.
Grato pela generosa compreensão

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Data da postagem: 27/02/2011, 19:30

Achei a postagem grande que eu tinha feito sobre essa questão no ano passado.
Citação de: DDV em 30 de Agosto de 2010, 03:05:10
Até há poucos meses atrás, a minha opinião era sem tirar e nem pôr a mesma expressada acima: os militares tinham intenções ditatoriais de longa data, e ficaram tentando até conseguirem, usando a ameaça comunista como mera desculpa esfarrapada para tal. Quem ler meus posts relacionados a esse assunto de meses atrás poderá conferir.
Após dar uma lida nas crônicas de Hélio Gaspari (li mais o primeiro livro: "A Ditadura Envergonhadda"), conclui que as coisas na realidade foram muito mais complexas do que isso. Vou tentar resumir mais ou menos o que houve na época:
De fato, SEMPRE houve no Brasil grupos aversos à democracia, sejam do lado da direita, seja do lado da esquerda. Estes grupos sempre atuaram nos bastidores para implementar seus projetos ditatoriais. Várias tentativas nesse sentido foram feitas por ambos os lados desde a década de 30.
Antes de 1964, o Brasil vivia um regime constitucional, amparado na Carta de 1946. Os presidentes que governaram sob esse regime (Dutra, Vargas, Kubitschek, Jânio e Jango) sempre estiveram sob pressão dos 2 lados anti-democráticos da sociedade brasileira. Embora fossem minoria, ambos os grupos tinham pessoas de alta influência infiltrados nos diversos ramos da política e do aparelho estatal brasileiro. Ambos os grupos pressionavam os presidentes em direção a seus objetivos próprios, e ambos ameaçavam e chantageavam o governo e o próprio regime continuamente. A maioria dos presidentes (com destaque para Kubitschek, cujas grandes realizações lhe deram bastante capital político) conseguiu manter o equilíbrio entre essas 2 forças antagônicas com razoável habilidade. Vargas não aguentou a pressão. Jânio tentou se aproveitar desse antagonismo para conseguir mais poderes (renunciando para ter sua volta implorada pelos congressistas e militares que não queriam Jango no poder).
A partir de Jânio e Jango, as coisas começaram a desandar. Embora houvesse muitos grupos defensores de projetos anti-democráticos entre os militares (tanto na esquerda quanto na direita, chamados depois de "nazi-comunistas" pelos militares "liberais"), a maioria dos militares "pensantes" tinha formação política liberal e anti-comunista. A maioria deles defendia projetos para o Brasil nos moldes ocidentais/americanos (república constitucional democrática federativa com liberdade individual e de propriedade).
Pois então: com a posse de Jango, esse equilíbrio entre as 2 forças anti-democráticas começou a ser rompido. O papel do presidente, obviamente, era respeitar e defender a ordem constitucional democrática e a integridade das instituições estatais contra tudo e todos, até mesmo para não deixar brechas para os grupos anti-democráticos (ou "nazi-comunistas", na expressão dos militares que viriam a dar o golpe) atuarem. Jango foi o primeiro dos presidentes a quebrar essa regra.
O que Jango fez? Ele começou a apoiar abertamente um dos 2 lados anti-democráticos já citados (no caso, o lado da esquerda). Começou a "dar moral" a estes grupos em todos os projetos, incluindo até mesmo projetos que violavam a ordem constitucional existente. Começou a fazer discursos inflamados onde colocava abertamente entre suas "opções" a violação da ordem constitucional vigente. Até aí nada demais, pois ele apenas conseguiu assustar e mobilizar o outro grupo anti-democrático (o da direita). Enquanto ele não mexesse na ordem constitucional e na estrutura hierárquica das Forças Armadas, a ordem vigente poderia ser mantida com razoável certeza.
Foi aí que veio a famosa Revolta dos Marinheiros, liderada pelo famoso Cabo Anselmo (que alguns dizem ser agente da CIA que tinha o objetivo de insuflar os militares contra o governo ). Se foi ou não uma isca, o importante é que o Jango mordeu-a com gosto: ele APOIOU os marinheiros que se insubordinavam contra seus superiores hierárquicos e as normas da instituição, ou seja, apoiou a quebra da hierarquia militar.
Com isso, os militares que não pertenciam a nenhum dos 2 lados anti-democráticos começaram a sair de sua posição de "tranquilidade" e inércia: começaram a ver aí o prenúncio da ruptura da ordem constitucional vigente, com um dos grupos anti-democráticos (no caso, o da esquerda, mas também com a possibilidade de ser o da direita) dominando o estado e implantando uma ditadura.
Os militares não-democráticos do lado da direita já pediam um golpe há mais de 10 anos, mas agora tinham conseguido finalmente um "motivo" convicente para angariar o apoio da maioria de seus companheiros pró-democracia. Mas os militares ainda esperaram um pouco o desenrolar dos acontecimentos para ver no que ia dar. Até o dia 31 de Março, a maioria dos militares ainda apoiava o regime constitucional vigente (daí a expressão de Gaspari: "o exército dormiu janguista...e acordou revolucionário).
Jango só fez piorar as coisas: demonstrando completa falta de noção, habilidade política e até mesmo de senso do perigo (sic), ao invés de tentar reequilibrar a situação (como Vargas fazia com maestria), começou a dar cada vez mais apoio declarado ao grupo anti-democrático da esquerda. Ainda hoje persistem dúvidas se o próprio Jango tinha intenções ditatoriais, ou se ele intencionava preservar o regime constitucional (embora com algumas violações pontuais). O que se sabe com certeza é que na segunda opção, o Jango certamente seria usado como um trampolim para o poder ditatorial pelos grupos comunistas que ele apoiava. Ambos os grupos citados já tinham seus golpes em curso planejado...
Após os discursos de Jango onde ele reiterou sua posição de apoio às violações da ordem constitucional e aos grupos anti-democráticos da esquerda, os militares começaram a se mexer. O primeiro a sair do quartel foi o Olímpio Mourão. Ele começou a telefonar para todos os demais generais pedindo apoio, mas a esmagadora maioria se recusava, ou pediam para esperar mais. Olímpio Mourão juntamente com outro general que não lembro o nome começaram a mover suas tropas de MG para o Rio de Janeiro.
Foi aí que o jogo começou a virar: pouco a pouco, de forma tímida, alguns generais começaram a aderir à "revolução". Castelo Branco e Costa e Silva fizeram uma espécie de QG migratório no Rio de Janeiro, onde "disparavam" com o telefone (Gaspari usa esse termo de forma jocosa, aludindo ao fato da "Revolução de 1964" ter tido apenas "disparos" de telefones) para outros generais. Pouco a pouco, mais generais foram aderindo. E a coisa começou a crescer como uma bola de neve: quanto mais generais aderiam, mais "coragem" davam para que outros aderissem... O General Kruel era um dos mais importantes estrategicamente, cujo apoio era considerado crucial. Ele foi o mais indeciso, relutou, relutou após muita insistência. Resolveu então conversar com o Jango. Ele contou a Jango toda a situação, e chegou a implorar ao mesmo para que rompesse publicamente com os comunistas (o que tiraria os motivos para o golpe e lhe daria motivo para continuar defendendo a ordem constitucional com o Jango). Jango recusou, dizendo que "não poderia romper com os seus aliados". Então, Kruel finalmente aderiu à "revolução" (um dos últimos a aderir).
Os militares se moveram no Brasil todo. Paulatinamente, todos os ocupantes de cargos estatais do regime vigente foram sendo depostos (governadores, prefeitos, diretores de estatais, etc), embora sem violência. Jango aparentemente se deu conta da grave situação a partir daí, e fugiu para o RS (de onde depois foi para o Uruguai). O congresso então declarou vaga a presidência, o presidente da Câmara assumiu o poder.
É importante salientar que os líderes da "revolução", com destaque para Castelo, além dos congressistas, governadores, imprensa e demais grupos que os apoiavam, não tinham em mente implantar uma ditadura. A idéia era "pôr ordem na casa", acabando com as subversões da ordem constitucional iniciadas por Jango e pelos comunistas, e entregar o poder ao próximo presidente a ser eleito em 1966. Entretanto, o grupo anti-democrático da direita atuou com muita maestria para colocar o aparato "revolucionário" no caminho da ditadura.
Inicialmente, os militares apenas "sugeriram" ao congresso que efetuasse as reformas necessárias (daí o título do livro: "a ditadura envergonhada", os militares ainda pensavam como se fossem paladinos da ordem e defensores da democracia contra os nazi-comunistas...).
Com o congresso se negando implicitamente a fazer as reformas, o grupo anti-democrático dos militares (conhecidos agora como "linha-dura) convenceu os demais a iniciarem os Atos Institucionais. E assim as coisas caminharam progressivamente para o pior. Pouco a pouco, os AIs foram se sucedendo, menos democrático-constitucional o país ficava. Finalmente, a partir de 1968, ocorreu o "golpe dentro de outro golpe": os militares linha-dura assumiram de vez (com Costa e Silva), e resolveram implementar o projeto ditatorial* que tinham em mente há tempos. O AI-5 veio no ano seguinte. O resto da história todos conhecem.
Conclusão: o regime democrático constituional na época era BASTANTE frágil e desacreditado por uma ampla e importante parcela dos grupos mais influentes (tantro da esquerda quanto da direita). Era mais ou menos como a Venezuela e Honduras hoje. As instituições não tinham a força necessária para debelar as ameaças às mesmas (Ex: afastando legalmente o Jango) mantendo-se intactas. E grande parte dos grupos influentes na política brasileira acreditava na superioridade de algum regime ditatorial (seja da esquerda, seja da direita) sobre a democracia. Bastou aparecer um presidente com um mínimo de debilidade, o equilíbrio se rompeu e o sistema ruiu. A sorte nossa é que ruiu para o lado menos ruim, o que evitou danos certamente bem maiores em termos de vidas e atraso econômico.
*Embora a maioria dos militares pró-ditadura a achassem necessária apenas para combater os "nazi-comunistas", havia vários deles que acreditavam na excelência de uma ditadura perene! Sílvio Frota (se não me engano), era um desses malucos, que foi demitido por Geisel em 1977, sendo o último obstáculo à abertura política que Geisel iniciou.
Citação de: DDV em 30 de Agosto de 2010, 03:05:10
Citação de: Unknown em 28 de Agosto de 2010, 22:32:41Citação de: Arcanjo Lúcifer em 28 de Agosto de 2010, 18:06:39
Se não tivessem agido, o que teria acontecido? Para ter uma idéia basta ver o problema que os "movimentos sociais" dos esquerdinhas estão se tornando hoje para saber o teriam feito na época.
Eu não estou nem aí para o que poderia ter acontecido, só quero saber do que realmente aconteceu. Aliás, nessa história todo mundo só lembra que a esquerda poderia se tornar uma ameaça, mas ninguém lembra do fato que os militares já queriam o poder desde o segundo governo do Getúlio. Essa história de que a esquerda era uma ameaça é só a desculpa mais conveniente que arranjaram.
Se eles realmente estavam preocupados com a manutenção da ordem constitucional, no máximo teriam feito como o Marechal Lott fez. Mas não foi o caso.
Até há poucos meses atrás, a minha opinião era sem tirar e nem pôr a mesma expressada acima: os militares tinham intenções ditatoriais de longa data, e ficaram tentando até conseguirem, usando a ameaça comunista como mera desculpa esfarrapada para tal. Quem ler meus posts relacionados a esse assunto de meses atrás poderá conferir.
Após dar uma lida nas crônicas de Hélio Gaspari (li mais o primeiro livro: "A Ditadura Envergonhadda"), conclui que as coisas na realidade foram muito mais complexas do que isso. Vou tentar resumir mais ou menos o que houve na época:
De fato, SEMPRE houve no Brasil grupos aversos à democracia, sejam do lado da direita, seja do lado da esquerda. Estes grupos sempre atuaram nos bastidores para implementar seus projetos ditatoriais. Várias tentativas nesse sentido foram feitas por ambos os lados desde a década de 30.
Antes de 1964, o Brasil vivia um regime constitucional, amparado na Carta de 1946. Os presidentes que governaram sob esse regime (Dutra, Vargas, Kubitschek, Jânio e Jango) sempre estiveram sob pressão dos 2 lados anti-democráticos da sociedade brasileira. Embora fossem minoria, ambos os grupos tinham pessoas de alta influência infiltrados nos diversos ramos da política e do aparelho estatal brasileiro. Ambos os grupos pressionavam os presidentes em direção a seus objetivos próprios, e ambos ameaçavam e chantageavam o governo e o próprio regime continuamente. A maioria dos presidentes (com destaque para Kubitschek, cujas grandes realizações lhe deram bastante capital político) conseguiu manter o equilíbrio entre essas 2 forças antagônicas com razoável habilidade. Vargas não aguentou a pressão. Jânio tentou se aproveitar desse antagonismo para conseguir mais poderes (renunciando para ter sua volta implorada pelos congressistas e militares que não queriam Jango no poder).
A partir de Jânio e Jango, as coisas começaram a desandar. Embora houvesse muitos grupos defensores de projetos anti-democráticos entre os militares (tanto na esquerda quanto na direita, chamados depois de "nazi-comunistas" pelos militares "liberais"), a maioria dos militares "pensantes" tinha formação política liberal e anti-comunista. A maioria deles defendia projetos para o Brasil nos moldes ocidentais/americanos (república constitucional democrática federativa com liberdade individual e de propriedade).
Pois então: com a posse de Jango, esse equilíbrio entre as 2 forças anti-democráticas começou a ser rompido. O papel do presidente, obviamente, era respeitar e defender a ordem constitucional democrática e a integridade das instituições estatais contra tudo e todos, até mesmo para não deixar brechas para os grupos anti-democráticos (ou "nazi-comunistas", na expressão dos militares que viriam a dar o golpe) atuarem. Jango foi o primeiro dos presidentes a quebrar essa regra.
O que Jango fez? Ele começou a apoiar abertamente um dos 2 lados anti-democráticos já citados (no caso, o lado da esquerda). Começou a "dar moral" a estes grupos em todos os projetos, incluindo até mesmo projetos que violavam a ordem constitucional existente. Começou a fazer discursos inflamados onde colocava abertamente entre suas "opções" a violação da ordem constitucional vigente. Até aí nada demais, pois ele apenas conseguiu assustar e mobilizar o outro grupo anti-democrático (o da direita). Enquanto ele não mexesse na ordem constitucional e na estrutura hierárquica das Forças Armadas, a ordem vigente poderia ser mantida com razoável certeza.
Foi aí que veio a famosa Revolta dos Marinheiros, liderada pelo famoso Cabo Anselmo (que alguns dizem ser agente da CIA que tinha o objetivo de insuflar os militares contra o governo ). Se foi ou não uma isca, o importante é que o Jango mordeu-a com gosto: ele APOIOU os marinheiros que se insubordinavam contra seus superiores hierárquicos e as normas da instituição, ou seja, apoiou a quebra da hierarquia militar.
Com isso, os militares que não pertenciam a nenhum dos 2 lados anti-democráticos começaram a sair de sua posição de "tranquilidade" e inércia: começaram a ver aí o prenúncio da ruptura da ordem constitucional vigente, com um dos grupos anti-democráticos (no caso, o da esquerda, mas também com a possibilidade de ser o da direita) dominando o estado e implantando uma ditadura.
Os militares não-democráticos do lado da direita já pediam um golpe há mais de 10 anos, mas agora tinham conseguido finalmente um "motivo" convicente para angariar o apoio da maioria de seus companheiros pró-democracia. Mas os militares ainda esperaram um pouco o desenrolar dos acontecimentos para ver no que ia dar. Até o dia 31 de Março, a maioria dos militares ainda apoiava o regime constitucional vigente (daí a expressão de Gaspari: "o exército dormiu janguista...e acordou revolucionário).
Jango só fez piorar as coisas: demonstrando completa falta de noção, habilidade política e até mesmo de senso do perigo (sic), ao invés de tentar reequilibrar a situação (como Vargas fazia com maestria), começou a dar cada vez mais apoio declarado ao grupo anti-democrático da esquerda. Ainda hoje persistem dúvidas se o próprio Jango tinha intenções ditatoriais, ou se ele intencionava preservar o regime constitucional (embora com algumas violações pontuais). O que se sabe com certeza é que na segunda opção, o Jango certamente seria usado como um trampolim para o poder ditatorial pelos grupos comunistas que ele apoiava. Ambos os grupos citados já tinham seus golpes em curso planejado...
Após os discursos de Jango onde ele reiterou sua posição de apoio às violações da ordem constitucional e aos grupos anti-democráticos da esquerda, os militares começaram a se mexer. O primeiro a sair do quartel foi o Olímpio Mourão. Ele começou a telefonar para todos os demais generais pedindo apoio, mas a esmagadora maioria se recusava, ou pediam para esperar mais. Olímpio Mourão juntamente com outro general que não lembro o nome começaram a mover suas tropas de MG para o Rio de Janeiro.
Foi aí que o jogo começou a virar: pouco a pouco, de forma tímida, alguns generais começaram a aderir à "revolução". Castelo Branco e Costa e Silva fizeram uma espécie de QG migratório no Rio de Janeiro, onde "disparavam" com o telefone (Gaspari usa esse termo de forma jocosa, aludindo ao fato da "Revolução de 1964" ter tido apenas "disparos" de telefones) para outros generais. Pouco a pouco, mais generais foram aderindo. E a coisa começou a crescer como uma bola de neve: quanto mais generais aderiam, mais "coragem" davam para que outros aderissem... O General Kruel era um dos mais importantes estrategicamente, cujo apoio era considerado crucial. Ele foi o mais indeciso, relutou, relutou após muita insistência. Resolveu então conversar com o Jango. Ele contou a Jango toda a situação, e chegou a implorar ao mesmo para que rompesse publicamente com os comunistas (o que tiraria os motivos para o golpe e lhe daria motivo para continuar defendendo a ordem constitucional com o Jango). Jango recusou, dizendo que "não poderia romper com os seus aliados". Então, Kruel finalmente aderiu à "revolução" (um dos últimos a aderir).
Os militares se moveram no Brasil todo. Paulatinamente, todos os ocupantes de cargos estatais do regime vigente foram sendo depostos (governadores, prefeitos, diretores de estatais, etc), embora sem violência. Jango aparentemente se deu conta da grave situação a partir daí, e fugiu para o RS (de onde depois foi para o Uruguai). O congresso então declarou vaga a presidência, o presidente da Câmara assumiu o poder.
É importante salientar que os líderes da "revolução", com destaque para Castelo, além dos congressistas, governadores, imprensa e demais grupos que os apoiavam, não tinham em mente implantar uma ditadura. A idéia era "pôr ordem na casa", acabando com as subversões da ordem constitucional iniciadas por Jango e pelos comunistas, e entregar o poder ao próximo presidente a ser eleito em 1966. Entretanto, o grupo anti-democrático da direita atuou com muita maestria para colocar o aparato "revolucionário" no caminho da ditadura.
Inicialmente, os militares apenas "sugeriram" ao congresso que efetuasse as reformas necessárias (daí o título do livro: "a ditadura envergonhada", os militares ainda pensavam como se fossem paladinos da ordem e defensores da democracia contra os nazi-comunistas...).
Com o congresso se negando implicitamente a fazer as reformas, o grupo anti-democrático dos militares (conhecidos agora como "linha-dura) convenceu os demais a iniciarem os Atos Institucionais. E assim as coisas caminharam progressivamente para o pior. Pouco a pouco, os AIs foram se sucedendo, menos democrático-constitucional o país ficava. Finalmente, a partir de 1968, ocorreu o "golpe dentro de outro golpe": os militares linha-dura assumiram de vez (com Costa e Silva), e resolveram implementar o projeto ditatorial* que tinham em mente há tempos. O AI-5 veio no ano seguinte. O resto da história todos conhecem.
Conclusão: o regime democrático constituional na época era BASTANTE frágil e desacreditado por uma ampla e importante parcela dos grupos mais influentes (tantro da esquerda quanto da direita). Era mais ou menos como a Venezuela e Honduras hoje. As instituições não tinham a força necessária para debelar as ameaças às mesmas (Ex: afastando legalmente o Jango) mantendo-se intactas. E grande parte dos grupos influentes na política brasileira acreditava na superioridade de algum regime ditatorial (seja da esquerda, seja da direita) sobre a democracia. Bastou aparecer um presidente com um mínimo de debilidade, o equilíbrio se rompeu e o sistema ruiu. A sorte nossa é que ruiu para o lado menos ruim, o que evitou danos certamente bem maiores em termos de vidas e atraso econômico.

*Embora a maioria dos militares pró-ditadura a achassem necessária apenas para combater os "nazi-comunistas", havia vários deles que acreditavam na excelência de uma ditadura perene! Sílvio Frota (se não me engano), era um desses malucos, que foi demitido por Geisel em 1977, sendo o último obstáculo à abertura política que Geisel iniciou.
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Data da postagem: 27/02/2011, 20:08

Uma coisa que é importante frisar: não se deve confundir o objetivo ditatorial com o método de alcançá-lo.
TODOS os grupos e partidos de esquerda radicais, tanto os mais antigos (PCB, PCdoB, MRT, AP, etc) quanto os surgidos depois do golpe (novos ou ramificações dos anteriores) tinham a ditadura como objetivo. Eles próprios assumiam isso abertamente (obviamente, com os eufemismos que a maioria já conhece).
As diferenças entre os grupos, que levavam a divergências tão fortes que os desuniam, estavam apenas no método ou modo de se chegar à ditadura.
Alguns grupos defendiam uma infiltração gradual e pacífica nas brechas do sistema legal, eleitoral e sindical do país. O defensor clássico desse método era o PCB.
A maioria dos demais grupos defendia alguma forma de ação armada. E aí outras divergências surgiam quanto ao modo como se daria essa ação: alguns defendiam a implantação de focos de guerrilha. Outros defendiam uma "inssurreição continental", e por aí vai...
TODOS os grupos e partidos de esquerda radicais, tanto os mais antigos (PCB, PCdoB, MRT, AP, etc) quanto os surgidos depois do golpe (novos ou ramificações dos anteriores) tinham a ditadura como objetivo. Eles próprios assumiam isso abertamente (obviamente, com os eufemismos que a maioria já conhece).
As diferenças entre os grupos, que levavam a divergências tão fortes que os desuniam, estavam apenas no método ou modo de se chegar à ditadura.
Alguns grupos defendiam uma infiltração gradual e pacífica nas brechas do sistema legal, eleitoral e sindical do país. O defensor clássico desse método era o PCB.
A maioria dos demais grupos defendia alguma forma de ação armada. E aí outras divergências surgiam quanto ao modo como se daria essa ação: alguns defendiam a implantação de focos de guerrilha. Outros defendiam uma "inssurreição continental", e por aí vai...
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Data da postagem: 27/02/2011, 20:19

Citação de: Luiz Souto em 27 de Fevereiro de 2011, 20:47:21
Na verdade , alguém que faz a crítica a uma obra (histórica , literária ou o que for) sem tẽ-la lido , apenas porque leu resenhas ou análises de outros , já se desqualifica sozinho. Igual àqueles criacionistas que nunca leram a Evolução das Espécies mas escrevem páginas e páginas refutando a TE ...
Mas vamos em frente que , de minha parte , o que já falei encerra o que tinha a dizer.
Citação de: _Juca_ em 27 de Fevereiro de 2011, 19:27:24
Juca , a "esquerda hoje no poder" é composta tanto de elementos que participaram da luta armada ( com a visão que estariam gerando uma revolução socialista nos moldes cubanos/maoístas) quanto de elementos que não participaram ( por serem contrários à estratégia da luta armada , elementos oriundos do PCB e das correntes trotskistas).
As organizações de esquerda que aderiram á estratégia da luta armada não o fizeram para retornar o Brasil a um Estado democrático. Eles , tanto quanto os generais no poder , consideravam a democracia parlamentar indesejável: para os primeiros por ser uma "fraude burguesa" os segundos por ser "incapaz de conter a ameaça populista/comunista".
A visão da esquerda armada era a impĺantação de um regime revolucionário nos moldes cubanos (ou chinẽs , no caso do PC do B) , considerando que o PCB falira (por sua estratégia de conquista do poder pelas via eleitoral e da infiltração nas estruturas do Estado) e que o governo militar acirrava as contradições dentro da sociedade brasileira permitindo as condições objetivas da criação de um foco revolucionário. Dentro da visão estratégica chamada de foquista ( teorizada por Guevara) não é necessário que as condições subjetivas para o levante revolucionário estejam presentes , o foco revolucionário poderia criá-las , estimulando e despertando nos atores sociais a adesão á revolução.
A série do Gaspari não traz fatos substancialmente novos que mudem a interpretação sobre a atuação dos grupos de esquerda ( embora traga muitas informações liberadas recentemente dos arquivos). O livro de Jacob Gorender Combate nas Trevas - a esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada já em 1987 expunha em detalhes o processo que expus muito resumidamente acima e continua uma das obras fundamentais para entender o universo ideológico da esquerda brasileira pouco antes e logo após 64 ( em especial o capítulo Idéias que fizeram a cabeça da esquerda). O grande diferencial do livro do Gaspari é a visão do lado dos governos militares , já que ele teve acesso a documentos particulares (além de entrevistas) de Geisel , Golbery e , fundamentalmente , dos diários do Cap Heitor Ferreira , secretário de ambos ( os arquivos de Golbery estão atualmente no CPDOC da FGV).
Citação de: Barata Tenno em 27 de Fevereiro de 2011, 20:16:46
Procẽ vê as vortas que o mundo dá...
Exatamente isso, mas o Luiz é ave rara, é um esquerdista que não se adeixa afetar pela ideologia. Um dia eu vou entender com ele como alguém pode ser comunista e racional para a discussão política, atributos que só vi nele.
Luiz, vou marcar uma entrevista com você...
Citação de: Geotecton em 27 de Fevereiro de 2011, 19:45:44Citação de: _Juca_ em 27 de Fevereiro de 2011, 19:27:24
Não é pra tanto Geo. A crítica do livro, é tão válida quanto o próprio livro. O Luiz tentou desqualificar a crítica, mas...
[...]
Discordo _Juca_.
O Luiz Souto não desqualificou a crítica de per si e sim o fato de que o Adriano fez um juízo de valor do trabalho ("bíblia ideológica") e indiretamente do próprio Gaspari ("este livro em pauta, é de extrema direita") sem sequer ter lido as obras, em uma variação de esquerda do tradicional "Não li e não gostei por que não é de esquerda.".
Na verdade , alguém que faz a crítica a uma obra (histórica , literária ou o que for) sem tẽ-la lido , apenas porque leu resenhas ou análises de outros , já se desqualifica sozinho. Igual àqueles criacionistas que nunca leram a Evolução das Espécies mas escrevem páginas e páginas refutando a TE ...
Mas vamos em frente que , de minha parte , o que já falei encerra o que tinha a dizer.
Citação de: _Juca_ em 27 de Fevereiro de 2011, 19:27:24
Não é pra tanto Geo. A crítica do livro, é tão válida quanto o próprio livro. O Luiz tentou desqualificar a crítica, mas...
O fato não é esse, e até agora a questão que eu levantei aqui não foi devidamente esclarecida. Não acho que como o Adriano diz o livro seja uma bíblia direitista. Falo isso conhecendo um pouco dos artigos do Gaspari, mas acho que ele pode ser uma pauta da direita aqui no fórum, ou fora dele.
Ainda espero com ansiedade que alguém me mostre as evidências, datas, locais, valores e tudo mais que justifique comparar e equiparar a esquerda hoje no poder, ao generais que colocaram o exército brasileiro a serviço dos crimes estatais.
Estou esperando...
Juca , a "esquerda hoje no poder" é composta tanto de elementos que participaram da luta armada ( com a visão que estariam gerando uma revolução socialista nos moldes cubanos/maoístas) quanto de elementos que não participaram ( por serem contrários à estratégia da luta armada , elementos oriundos do PCB e das correntes trotskistas).
As organizações de esquerda que aderiram á estratégia da luta armada não o fizeram para retornar o Brasil a um Estado democrático. Eles , tanto quanto os generais no poder , consideravam a democracia parlamentar indesejável: para os primeiros por ser uma "fraude burguesa" os segundos por ser "incapaz de conter a ameaça populista/comunista".
A visão da esquerda armada era a impĺantação de um regime revolucionário nos moldes cubanos (ou chinẽs , no caso do PC do B) , considerando que o PCB falira (por sua estratégia de conquista do poder pelas via eleitoral e da infiltração nas estruturas do Estado) e que o governo militar acirrava as contradições dentro da sociedade brasileira permitindo as condições objetivas da criação de um foco revolucionário. Dentro da visão estratégica chamada de foquista ( teorizada por Guevara) não é necessário que as condições subjetivas para o levante revolucionário estejam presentes , o foco revolucionário poderia criá-las , estimulando e despertando nos atores sociais a adesão á revolução.
A série do Gaspari não traz fatos substancialmente novos que mudem a interpretação sobre a atuação dos grupos de esquerda ( embora traga muitas informações liberadas recentemente dos arquivos). O livro de Jacob Gorender Combate nas Trevas - a esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada já em 1987 expunha em detalhes o processo que expus muito resumidamente acima e continua uma das obras fundamentais para entender o universo ideológico da esquerda brasileira pouco antes e logo após 64 ( em especial o capítulo Idéias que fizeram a cabeça da esquerda). O grande diferencial do livro do Gaspari é a visão do lado dos governos militares , já que ele teve acesso a documentos particulares (além de entrevistas) de Geisel , Golbery e , fundamentalmente , dos diários do Cap Heitor Ferreira , secretário de ambos ( os arquivos de Golbery estão atualmente no CPDOC da FGV).
Citação de: Barata Tenno em 27 de Fevereiro de 2011, 20:16:46
O interessante é ate o Luiz Souto, um esquerdista notorio do CC, esta sendo chamado de direitista reacionario...
Procẽ vê as vortas que o mundo dá...

Exatamente isso, mas o Luiz é ave rara, é um esquerdista que não se adeixa afetar pela ideologia. Um dia eu vou entender com ele como alguém pode ser comunista e racional para a discussão política, atributos que só vi nele.
Luiz, vou marcar uma entrevista com você...
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Data da postagem: 28/02/2011, 10:29

Citação de: DDV em 28 de Fevereiro de 2011, 00:19:16
era o que eu havia dito, você não é o que você faz mas o que faria se tivesse as condições para conseguir seus intentos. Era ÖBVIO que o que movia as denominações esquerdistas era colocar uma ditadura no poder, e uma ditadura com viés assassino e dogmática.
O Juca, para proteger seus heróis como tal, insiste em negar (mais uma vez) a realidade. É um caso perdido.
Uma coisa que é importante frisar: não se deve confundir o objetivo ditatorial com o método de alcançá-lo.
TODOS os grupos e partidos de esquerda radicais, tanto os mais antigos (PCB, PCdoB, MRT, AP, etc) quanto os surgidos depois do golpe (novos ou ramificações dos anteriores) tinham a ditadura como objetivo. Eles próprios assumiam isso abertamente (obviamente, com os eufemismos que a maioria já conhece).
As diferenças entre os grupos, que levavam a divergências tão fortes que os desuniam, estavam apenas no método ou modo de se chegar à ditadura.
Alguns grupos defendiam uma infiltração gradual e pacífica nas brechas do sistema legal, eleitoral e sindical do país. O defensor clássico desse método era o PCB.
A maioria dos demais grupos defendia alguma forma de ação armada. E aí outras divergências surgiam quanto ao modo como se daria essa ação: alguns defendiam a implantação de focos de guerrilha. Outros defendiam uma "inssurreição continental", e por aí vai...
era o que eu havia dito, você não é o que você faz mas o que faria se tivesse as condições para conseguir seus intentos. Era ÖBVIO que o que movia as denominações esquerdistas era colocar uma ditadura no poder, e uma ditadura com viés assassino e dogmática.
O Juca, para proteger seus heróis como tal, insiste em negar (mais uma vez) a realidade. É um caso perdido.
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Data da postagem: 28/02/2011, 10:31

Citação de: Agnóstico
O Luiz não é comunista, Agnóstico, é apenas esquerdista.
Por incrível que pareça, em termos práticos, eu tenho muito mais concordâncias do que discordâncias com o Luiz Souto. Ambos defendemos programas sociais (como o Bolsa Família, por exemplo), damos MUITO valor às leis trabalhistas e aos sindicatos, e defendemos formas mais diretas de democracia.
A principal discordância que eu tenho com o Luiz Souto é mais teórica: ao contrário dele, eu não consigo enxergar quase nenhum mérito no marxismo e, ao contrário, o considero ter sido muito mais danoso do que benéfico à vida e à causa dos trabalhadores e pobres do mundo*.
*Motivo ultra-resumido: desperdiçou energias, boas intenções, tempo, recursos e vidas em uma ideologia falsa, inútil e infrutífera, podendo essas coisas terem sido canalizadas para empreendimentos muito mais realistas, práticos e factíveis em benefício dos pobres e trabalhadores.
Exatamente isso, mas o Luiz é ave rara, é um esquerdista que não se adeixa afetar pela ideologia. Um dia eu vou entender com ele como alguém pode ser comunista e racional para a discussão política, atributos que só vi nele
O Luiz não é comunista, Agnóstico, é apenas esquerdista.
Por incrível que pareça, em termos práticos, eu tenho muito mais concordâncias do que discordâncias com o Luiz Souto. Ambos defendemos programas sociais (como o Bolsa Família, por exemplo), damos MUITO valor às leis trabalhistas e aos sindicatos, e defendemos formas mais diretas de democracia.
A principal discordância que eu tenho com o Luiz Souto é mais teórica: ao contrário dele, eu não consigo enxergar quase nenhum mérito no marxismo e, ao contrário, o considero ter sido muito mais danoso do que benéfico à vida e à causa dos trabalhadores e pobres do mundo*.
*Motivo ultra-resumido: desperdiçou energias, boas intenções, tempo, recursos e vidas em uma ideologia falsa, inútil e infrutífera, podendo essas coisas terem sido canalizadas para empreendimentos muito mais realistas, práticos e factíveis em benefício dos pobres e trabalhadores.
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Data da postagem: 28/02/2011, 10:54

Citação de: Luiz Souto em 27 de Fevereiro de 2011, 20:47:21
Assim mesmo não em parece o caso, é uma crítica pertinente a que o Adriano postou, não me parece o caso de um leigo criticando algo que não conhece, pelo contrário, mas não é isso que interessa...
Citar
Luiz, ainda estou brigando com os fatos, vamos lá.
O que se considera aqui pelo DDV e alguns outros é que a esquerda daria um golpe se a direita não o desse. É algo factível para com grupos revolucionários, quanto a isso não discuto. O que eu quero entender é como se pode aplicar a lei a algo que não aconteceu, e que tampouco estava em vias de acontecimento? Como equiparar um golpe de estado que aconteceu, como uma revolução que não estava nem perto de acontecer? Porque esse grupos mais radicais, não se organizaram em armas antes, mas só depois? Ainda considerando que, não havia nem apoio popular, nem institucional ao socialismo.
Na verdade , alguém que faz a crítica a uma obra (histórica , literária ou o que for) sem tẽ-la lido , apenas porque leu resenhas ou análises de outros , já se desqualifica sozinho. Igual àqueles criacionistas que nunca leram a Evolução das Espécies mas escrevem páginas e páginas refutando a TE ...
Mas vamos em frente que , de minha parte , o que já falei encerra o que tinha a dizer.
Assim mesmo não em parece o caso, é uma crítica pertinente a que o Adriano postou, não me parece o caso de um leigo criticando algo que não conhece, pelo contrário, mas não é isso que interessa...
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Juca , a "esquerda hoje no poder" é composta tanto de elementos que participaram da luta armada ( com a visão que estariam gerando uma revolução socialista nos moldes cubanos/maoístas) quanto de elementos que não participaram ( por serem contrários à estratégia da luta armada , elementos oriundos do PCB e das correntes trotskistas).
As organizações de esquerda que aderiram á estratégia da luta armada não o fizeram para retornar o Brasil a um Estado democrático. Eles , tanto quanto os generais no poder , consideravam a democracia parlamentar indesejável: para os primeiros por ser uma "fraude burguesa" os segundos por ser "incapaz de conter a ameaça populista/comunista".
A visão da esquerda armada era a impĺantação de um regime revolucionário nos moldes cubanos (ou chinẽs , no caso do PC do B) , considerando que o PCB falira (por sua estratégia de conquista do poder pelas via eleitoral e da infiltração nas estruturas do Estado) e que o governo militar acirrava as contradições dentro da sociedade brasileira permitindo as condições objetivas da criação de um foco revolucionário. Dentro da visão estratégica chamada de foquista ( teorizada por Guevara) não é necessário que as condições subjetivas para o levante revolucionário estejam presentes , o foco revolucionário poderia criá-las , estimulando e despertando nos atores sociais a adesão á revolução.
A série do Gaspari não traz fatos substancialmente novos que mudem a interpretação sobre a atuação dos grupos de esquerda ( embora traga muitas informações liberadas recentemente dos arquivos). O livro de Jacob Gorender Combate nas Trevas - a esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada já em 1987 expunha em detalhes o processo que expus muito resumidamente acima e continua uma das obras fundamentais para entender o universo ideológico da esquerda brasileira pouco antes e logo após 64 ( em especial o capítulo Idéias que fizeram a cabeça da esquerda). O grande diferencial do livro do Gaspari é a visão do lado dos governos militares , já que ele teve acesso a documentos particulares (além de entrevistas) de Geisel , Golbery e , fundamentalmente , dos diários do Cap Heitor Ferreira , secretário de ambos ( os arquivos de Golbery estão atualmente no CPDOC da FGV).
Luiz, ainda estou brigando com os fatos, vamos lá.
O que se considera aqui pelo DDV e alguns outros é que a esquerda daria um golpe se a direita não o desse. É algo factível para com grupos revolucionários, quanto a isso não discuto. O que eu quero entender é como se pode aplicar a lei a algo que não aconteceu, e que tampouco estava em vias de acontecimento? Como equiparar um golpe de estado que aconteceu, como uma revolução que não estava nem perto de acontecer? Porque esse grupos mais radicais, não se organizaram em armas antes, mas só depois? Ainda considerando que, não havia nem apoio popular, nem institucional ao socialismo.
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Data da postagem: 28/02/2011, 11:39

Esse lenga-lenga e trolóló sobre o livro ser anti-esquerdista ou anti-direitista só tem uma solução: LER o livro e conferir por si mesmo.
Se 3 foristas de diferentes posições políticas que leram estão aqui dizendo e repetindo incessantente que o livro NÃO é anti-esquerdista, e não acreditam, a única e óbvia solução é conferir por si mesmo se estamos mentindo ou enganados, ou não. Não há outro jeito.
Se 3 foristas de diferentes posições políticas que leram estão aqui dizendo e repetindo incessantente que o livro NÃO é anti-esquerdista, e não acreditam, a única e óbvia solução é conferir por si mesmo se estamos mentindo ou enganados, ou não. Não há outro jeito.
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Data da postagem: 28/02/2011, 12:26
