Clube Cético
Perguntas sem-vergonha sobre física...
Autor: Buckaroo Banzai | Categoria: Ciência, Tecnologia e Saúde | Exibições: 177386 Comentários: 1796
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Me dá oportunidade de postar um link para tópico relacionado que ainda não li, e fazendo aumenta as chances de vir a ler:

Citação de: DDV, "Keynesianismo - O Tópico" em 17 de Julho de 2008, 23:35:30

Há vários tópicos aqui em que o keynesianismo é tratado. Há inclusive um que eu criei há muito tempo. Porém em todos esses tópicos nunca foi feita uma discussão sobre a polêmica keynesianismo vs economia clássica de forma mais consistente, focando apenas o aspecto econômico ou técnico da coisa. Ao contrário, nesses tópicos o assunto acabou desandando para disputas político-ideológicas de caráter mais panfletário do que lógico.

[...]



Pelo meu "conhecimento" superficial da coisa, as pessoas não precisam ser keynesianistas ou não-liberais para defender keynesianismo (ou aspectos dele), fazê-lo em alguns aspectos deve ser simplesmente pré-condição de não ser bitolado dogmático em alguma escola econômica mais heterodoxa. Inclusive tem um canal do youtube que é bastante libertário (o nome já deve ser liberty qualquer coisa) em que, numas aulinhas introdutórias de economia, expunha (dentra outras) a teoria dos ciclos do negócios de Keynes. Nos comentários só dava libertário se descabelando. Mas o autor do vídeo mesmo é do marginal revolution.
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Citação de: Buckaroo Banzai em 25 de Dezembro de 2016, 20:15:42

Pelo meu "conhecimento" superficial da coisa, as pessoas não precisam ser keynesianistas ou não-liberais para defender keynesianismo (ou aspectos dele), fazê-lo em alguns aspectos deve ser simplesmente pré-condição de não ser bitolado dogmático em alguma escola econômica mais heterodoxa. Inclusive tem um canal do youtube que é bastante libertário (o nome já deve ser liberty qualquer coisa) em que, numas aulinhas introdutórias de economia, expunha (dentra outras) a teoria dos ciclos do negócios de Keynes. Nos comentários só dava libertário se descabelando. Mas o autor do vídeo mesmo é do marginal revolution.


Há quem diga que o mais bonito e perfeito sistema econômico na teoria é o Keynesianismo. Mas quando posto em prática...
Citação de: Milton Friedman

Reler a Teoria Geral... me fez lembrar o grande economista que Keynes era e como eu simpatizo com seus métodos e com seus objetivos de maneira muito mais intensa do que muitos de seus seguidores.... Creio que a teoria de Keynes é o tipo certo de teoria: é simples, se concentra em algumas poucas magnitudes essenciais e possui enorme potencial. No entanto, fui levado a rejeitá-la, não por causa dessas características, mas sim porque creio que ela foi desmentida pelas evidências: suas previsões não foram confirmadas pela experiência.


O Keynesianismo é sim considerado uma escola econômica anti-liberalismo econômico, devido a participação crucial do estado na economia. Mas isso não impede que alguns liberais (liberais sociais) utilizem as ideias de Keynes. E também não devemos pensar que a simples existência do estado e sua participação em setores básicos da economia, como na saúde ou na educação, ou até mesmo na previdência é sinal de keynesianismo.
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Não sei se "é" anti-liberal -- ainda que certamente muitos considerarão assim, já que até os chicaganos podem ser comunistas dependendo de quem se perguntar.

Deve haver graus de "liberalismo", desde anarquia, até estado mínimo com proteção estatal a propriedade, mas mesmo liberais "clássicos" e talvez até libertários poderão ver acréscimos como legislação que favoreça competividade no mercado como algo favorável (preferível a monopólios, cartéis, trapaças), e, dando um passo a mais, coisas como algum controle da moeda e juros (não controle "absoluto", arbitrário, como se tudo se resolvesse na canetada), e ainda ser "liberal", se as legislações relacionadas a atividade econômica (mas aqui acho que já fugindo de "keynesianismo", tanto quanto sei, acho que não lida com esses aspectos) não sejam obstáculo, mas favoreçam a indústria e ao comércio. Leis trabalhistas sensatas, moderadas, regulamentações ambientais idem, facilidade em abrir e fechar empresas, etc.

Em vez de coisas como, o cara quer abrir uma padaria, e não pode alugar um forno, tem que comprar o próprio, ter que contratar padeiros com licença em pastologia aplicada e pós em franco-panificação, etc.

Citar

http://www.pbs.org/wgbh/commandingheights/shared/minitextlo/ess_chicagoschool.html

[...] For the Chicago economists, the conclusions for government policy were clear: Wherever possible, private activity should take over from public activity. The less government did, the better. Intervention in the money supply distorted the markets; better instead to have a steady, predictable growth in the money supply. This was the very opposite of the Keynesian idea that government could smooth out economic fluctuations. This aspect of the Chicago approach, and its later variants, became known as monetarism. [...]


(Achava que ao menos esse tópico estaria mais a salvo de esquerda vs direita em política e economia, até por já haver um "perguntas sobre política, economia, e história que não merecem tópico próprio, e tantos outros tópicos onde já se aborda o tema, havendo então maior chance de concentrá-lo)
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Não quero estender o assunto neste tópico, mas a Escola de Chicago não tem nada a ver com keynesianismo, na verdade Chicaguistas(Monetaristas) e Keynesianos estão literalmente em lados opostos. E a existência do estado em legislações básicas não é sinônimo de Keynesianismo, como já disse anteriormente. E claro que para austríacos mais rothbardianos ambos não passam de socialistazinhos.
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Citação de: Gauss em 25 de Dezembro de 2016, 18:48:24

*Me surpreende você defender o keynesianismo, você não era liberal?


A teoria keynesiana trouxe 'novidades' importantes para a economia, que estão incorporadas atualmente no mainstream (Síntese Neoclássica) seguido por 10 em cada 10 ministérios da economia (ou fazenda).

Um exemplo é o princípio da demanda efetiva, negligenciado pela escola clássica, e a constatação de que a extrapolação de fenômenos microeconômicos para a economia como um todo leva a resultados diferentes do esperado*.

* Um exemplo, se um indivíduo poupa, aumenta seu poder de investimento e consequentemente seu potencial de lucrar. Mas se todo mundo poupa, a atividade econômica cai e a renda de todos decresce.
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E aqui também encerro este assunto. Se quiserem continuar, façam em outro tópico e avisem.
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Citação de: Buckaroo Banzai em 23 de Dezembro de 2016, 16:22:14

Citação de: Pedro Reis em 22 de Dezembro de 2016, 07:47:03

Leandro Karnal conta que seus alunos leem três parágrafos de Nietzsche e decretam: "Não concordo!".

Ele simplesmente responde:" Se você estudar Nietzsche 30 anos no original em alemão talvez você entenda. E a chance de não concordar é pouca."


Que ridículo isso. Variação de apelo a autoridade. Você pode "refutar" qualquer discordância dessa maneira. "Vai estudar Marx/Mises/Jesus/Feng-Shui por trinta anos primeiro e depois vem dar sua opiniãozinha, ok".


Serve também para a religião: "Vai estudar o livro famoso X (estudado por vários mestres e doutores) por trinta anos primeiro e depois vem dar sua opiniãozinha, ok".
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Citação de: Gauss em 25 de Dezembro de 2016, 21:11:54

Não quero estender o assunto neste tópico, mas a Escola de Chicago não tem nada a ver com keynesianismo, na verdade Chicaguistas(Monetaristas) e Keynesianos estão literalmente em lados opostos. E a existência do estado em legislações básicas não é sinônimo de Keynesianismo, como já disse anteriormente. E claro que para austríacos mais rothbardianos ambos não passam de socialistazinhos.


Isso está escrito na citação que eu fiz....
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Citação de: DDV em 23 de Dezembro de 2016, 17:46:30

Em filosofia, com poucas exceções*, o que prevalece no final é a mera opinião de cada um, então não há nada errado ou inesperado nos casos citados.

*Lógica e epistemologia.


Você não acha que existem opiniões melhores, ou mais plausíveis que outras? Óbvio que no final, cada um escolhe o que lhe convém, porém acho que podem haver opiniões que chegam mais próximo de uma verdade. Relativizar é simplesmente dizer que toda e qualquer filosofia possui idêntico valor, o que não é verdade.
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Citação de: JJ em 26 de Dezembro de 2016, 08:25:18

Citação de: Buckaroo Banzai em 23 de Dezembro de 2016, 16:22:14

Citação de: Pedro Reis em 22 de Dezembro de 2016, 07:47:03

Leandro Karnal conta que seus alunos leem três parágrafos de Nietzsche e decretam: "Não concordo!".

Ele simplesmente responde:" Se você estudar Nietzsche 30 anos no original em alemão talvez você entenda. E a chance de não concordar é pouca."


Que ridículo isso. Variação de apelo a autoridade. Você pode "refutar" qualquer discordância dessa maneira. "Vai estudar Marx/Mises/Jesus/Feng-Shui por trinta anos primeiro e depois vem dar sua opiniãozinha, ok".


Serve também para a religião: "Vai estudar o livro famoso X (estudado por vários mestres e doutores) por trinta anos primeiro e depois vem dar sua opiniãozinha, ok".

Sim, o espantalho serve e se encaixa perfeitamente. Nós podemos até sintetizar e generalizar o espantalho ( tomando cuidado para não fazer um espantalho do espantalho ) para ficar ainda mais claro a falácia de apelo à autoridade: "Não questione nada até ser considerado um perito no assunto."

E então seria com essa postura que Leandro Karnal, historiador gaúcho formado pela Universidade Vale dos Sinos e Universidade de São Paulo, professor da prestigiosa UNICAMP, ministraria seus cursos.

Toda vez que um aluno levanta a mão ele simplesmente o faz calar dizendo: "Mas quem você pensa que é para estar questionando isso?"

Mesmo assim é considerado um grande professor, idolatrado pelos alunos. O cara "modinha" que é. Ah, não se fazem mais alunos como nos tempos da ditadura. Nem professores!

Ou isso, ou você pode suspeitar levemente que não há hipótese de se extrair esta conotação da citação que foi feita.

O comentário em questão exige mínima perspicácia para se perceber que provavelmente é puramente retórico, não sendo o relato exato de nenhuma situação que já tenha ocorrido realmente em sala de aula, mas apenas utilizado para ilustrar descontraidamente de um tipo de mentalidade ingênua e até certo ponto pretensiosa, que ele observa nos seus alunos.

As possíveis razões para esse tipo de comportamento ( dos alunos ) assim como o contexto da palestra em que o Karnal fez a piadinha citada já expliquei e esmiucei 4 ou 5 "posts" 'pra' trás, portanto não há necessidade de me repetir.

Mas observe isso:

Citação de: Buckaroo Banzai

No que foi dito, não está implícito que o cara tenha "desprezado Nietzsche depois de ler três parágrafos", mas mais provavelmente ele discordou de um ponto em particular. Por mais que se possa dar alguma razão a todo culto que ele recebe, seus textos não são verdades incontestáveis, irretocáveis em qualquer ponto. Nem sabemos qual foi a discordância do sujeito. Pode ser que ela possa ser bem sustentada, e até fazer parte da crítica filosófica a Nietzsche, nunca vamos saber.


O "cara"? "Ele"? O "sujeito"?!

E nem sabemos qual foi a discordância do sujeito. Nunca vamos saber.

É verdade, porque ainda por cima existe a dificuldade adicional de que NÃO EXISTE NENHUM SUJEITO.

O cara, ele, o sujeito que depois de ler 3 parágrafos discordou de algum ponto do pensamento de Nietzsche, mas teve sua crítica prontamente desqualificada com uma reles falácia de apelo à autoridade (postura muito incomum para um professor) NEM SEQUER EXISTE! Este sujeito que apareceu aí não se sabe como é só mais um espantalho.

Porque isto é que foi citado:

Citar

Leandro Karnal conta que seus alunos leem três parágrafos de Nietzsche e decretam: "Não concordo!".


Se se quer fazer leitura literal, sem "interpretações generosas", o que estaria não só implícito, mas explícito, é que TODOS OS ALUNOS do Leandro Karnal, após lerem 3 parágrafos de Nietzsche ( não 2 ou 4 parágrafos, mas exatamente 3 ) DISCORDAM!

Se todos concordam com a mesma discordância e se esta pode ser bem sustentada e até fazer parte da crítica filosófica a Nietzsche, a citação não deixa pistas.

Só mandando um e-mail para o Leandro Karnal para saber.
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Data da postagem: 26/12/2016, 17:05