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Uma visão cética (sem bullshits filosóficos) da consciência
Autor: Gigaview | Categoria: Ceticismo | Exibições: 133348 Comentários: 1340
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Mas sem você ter mesmo uma base para definir o que é consciência, então como você pode dizer como ocorre?
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Mas será que é mesmo necessária tanta teorização filosófica assim para conseguir uma definião de consciência que sirva de norte para os neurocientistas, biólogos e afins? Penso que algumas poucas linhas de filosofia já resolveria a questão
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Data da postagem: 01/08/2011, 14:17
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Você já admite "poucas linhas de filosofia" para resolver a questão. Embora não saiba exatamente o que você quis dizer com isso, já é possível afirmar de uma forma ou de outra que já houve uma evolução da sua visão da filosofia.

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Data da postagem: 01/08/2011, 14:38
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Em nenhum momento afirmei que ela não poderia constribuir em nada na questão.

Poucas linhas de filosofia, seria: a consciência, para fins do nosso estudo, é... blá blá blá. Pronto O resto fica por conta do método científico.

Veja que, entre definir o objeto de estudo e conseguir decifrar como ocorre o fenômeno, existe umda diferença gigante.
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Data da postagem: 01/08/2011, 14:42
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Citação de: Dr. Manhattan em 01 de Agosto de 2011, 05:47:19

Citação de: Cientista em 01 de Agosto de 2011, 02:24:34

Citação de: Dr. Manhattan em 31 de Julho de 2011, 08:56:22

Citação de: ByteCode em 31 de Julho de 2011, 08:32:15

A filosofia, por si só, faz muito tempo que não descobre nada de importante para a humanidade.


Bytecode, você está ciente de que, quando discutimos Ética, estamos discutindo filosofia?


Quanto ao ByteCode, não sei e tenho receio em saber do que ele é "ciente" (interessante palavra!). Eu não tenho ciência disso, absolutamente. Isso só se discute, dentro da realidade, pelos paradigmas científicos -- darwinismo, sociobiologia... Podemos fazer acordos sociais e quem acreditar que se pode fazer isso filosoficamente, fique à vontade, mas qualquer um de visão ampla sabe que nenhuma ilusão filosófica permitirá fuga de paradigmas científicos como os supracitados.

Tradução: você discorda.

Discordo????? De que?

Citação de: Dr. Manhattan em 01 de Agosto de 2011, 05:47:19

Citação de: Cientista em 01 de Agosto de 2011, 02:24:34

Citação de: Dr. Manhattan em 31 de Julho de 2011, 08:56:22

Quando discutimos ateísmo também?


Ateísmo é religião. Ninguém em sã consciência discute isso como mais que um mero delírio.


Sei. Tá, e eu sou craque em não-jogar-futebol.

É?! Eu também! Mas... se for para tentar alguma alusão ao que eu disse, não é por aí. Eu estou falando de "craques em *jogar-futebol*" mesmo; só que em times diferentes.

Citação de: Dr. Manhattan em 01 de Agosto de 2011, 05:47:19

Citação de: Cientista em 01 de Agosto de 2011, 02:24:34

Citação de: Dr. Manhattan em 31 de Julho de 2011, 08:56:22

E quando batemos papo sobre conceitos como justiça e pena de morte também estamos discutindo filosofia?


"Bater papo" é uma expressão que denota muita informalidade para insinuar uma ligação com filosofia. Talvez esteja se referinda à famigerada 'filosofia de boteco'. De qualquer forma, justiça e pena de morte não são questões discutíveis dentro da realidade


Na sua realidade, talvez. Na minha isso é discutido normalmente.

Está dizendo que haveria, no mínimo, duas realidades? Uma minha e outra sua? É uma proposição que fazes. Eu, na "minha realidade" (faço aqui uma concessão hipotética extraordinária à sua proposição pois entendo que só há uma realidade), só conheço que há presa e predador; ou se é um ou se é outro. A ilusão pode tentar negar essa realidade por meio da linguagem que a constitui, deturpando as impressões da realidade, mas o predador estará lá, de qualquer jeito, para cominar-lhe a pena devida por ser uma presa. Presas não discutem o que deve ser feito quanto ao predador. Suas vidas consistem em esperar pela vez e fugir para adiá-la.

Citação de: Dr. Manhattan em 01 de Agosto de 2011, 05:47:19

Citação de: Cientista em 01 de Agosto de 2011, 02:24:34

Citação de: Dr. Manhattan em 31 de Julho de 2011, 08:56:22

E problemas como o da consciência, de História, enfim, qualquer área do conhecimento, podem ser atacados pelo ângulo da filosofia?


Neurociência, nada mais. História demanda os recursos de muitas ciências para a maior acuração possível, mas prescinde totalmente de filosofia até mesmo em termos ilusórios. Nem entendi sua menção aqui.

Nada pode ser "atacado", para além da fantasia, pelo "àngulo da filosfia".


Muito interessante essa sua filosofia. Você poderia criar uma nova doutrina filosófica baseada na negação da filosofia!

Mais ou menos assim como ateístas criaram uma nova doutrina religiosa baseada na negação da religião? Não, não dá. Ainda assim, obrigado pela tentativa de sugestão. É que você não alcançou a transformação de referencial cognitivo. Ainda acredita que existe o "eu" como algo objetivo relacionando-se subjetivamente com a realidade. Você é um antropocentrista e precisa da filosofia para manter-se nessa crença de que a realidade possa ser alguma coisa que você articule com sua linguagem sem que sua linguagem seja articulada por ela. Eu não creio em nada disso, entende? Não, não entende. Você é crente, eu não. Você não consegue entender isso. Não consegue entender que há pessoas que não têm o costume de comer arroz com feijão. Está além das suas possibilidades apreensivas da realidade. Isso é filosofia. Quando se está livre disso, todos os pontos de vista tornam-se um só. Isto é ciência.

Ainda assim, para, se for o caso, você não ficar entristecido: muito interessante sua religião... ...mas eu dispenso.
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Citação de: Dr. Manhattan em 01 de Agosto de 2011, 05:47:19

Citação de: Cientista em 01 de Agosto de 2011, 02:24:34

Neurociência, nada mais. História demanda os recursos de muitas ciências para a maior acuração possível, mas prescinde totalmente de filosofia até mesmo em termos ilusórios. Nem entendi sua menção aqui.

Nada pode ser "atacado", para além da fantasia, pelo "àngulo da filosfia".


Muito interessante essa sua filosofia. Você poderia criar uma nova doutrina filosófica baseada na negação da filosofia!


A antifilosofia já é uma área filosófica bem explorada. Um filósofo que a desenvolveu é Richard Rorty, que tem expressão no Brasil através do Paulo Ghiraldelli Jr:
Citação de: Wikipédia

Richard Rorty foi um filósofo que esteve em pé de guerra com a filosofia toda a sua vida. Defendia-se contra a pretensão de absoluto do pensamento analítico e renunciou durante décadas, a modo de protesto contra as correntes tradicionais do seu âmbito, a dirigir uma cátedra de filosofia (apenas aceitou até 1982 um lugar na Universidade de Princeton). Disse numa entrevista: "Creio que as histórias tristes sobre padecimentos concretos muitas vezes são um melhor caminho para modificar o comportamento das pessoas que citar regras universais".


É o pragmatismo, muito bom
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Citação de: ByteCode em 01 de Agosto de 2011, 10:50:10

Citação de: Cientista em 01 de Agosto de 2011, 02:24:34

A propósito, não sei de onde o ByteCode tirou que filosofia já descobriu o que quer que seja de importante para a humanidade.


O átomo? Outros planetas?


Está perguntando ou respondendo? Tem dúvida? Sem querer me alongar agora considerando detalhes dos eventos históricos e dos pensamentos que conduziram a tais conceitos e proposições, eu gostaria de saber de você quais foram as supostas racionalizações filosóficas que teriam produzido tais ideias. Seria pelo fato dos propositores das mesmas terem sido registrados na história como filósofos? Isso determinaria que o tipo de pensamento que os teria conduzido a tais proposições seria filosófico?

Citação de: ByteCode em 01 de Agosto de 2011, 10:50:10

Haviam até filósofos que entenderam que haveriam habitantes em outros planetas. Hipótese esta, que esta sendo cada vez mais vista como possível pela ciência moderna.

Mesmo que na época de tais descobertas, não tenham surgido aplicações práticas destes conhecimentos para ajudar o ser humano, ainda assim elas eram e continuam sendo verdadeiras. E olha que fizeram isto muito antes de se inventar o microscópio e o telescópio. Os caras eram muito “foda” mesmo pra concluir coisas deste tipo, sem ferramentas e sem experimentação.


"Habitantes de outros planetas", de uma certa forma, já tinha sido proposto antes destes que você, possivelmente, quer mencionar, como seria, por exemplo, Giordano Bruno. O que seriam anjos e deuses, entre outras entidades imaginárias, senão "habitantes de outros planetas", de outras regiões, regiões celestes. Qual a diferença entre uma proposta e outra? Uma é filosófica; a outra é científica. Por que? Como? Vou mudar os termos, respectivamente, para tornar mais evidente: uma é mágica; a outra é indutiva. Isto mesmo. O pensamento filosófico sempre foi uma fuga da indução. Isso nunca foi algo novo em filosofia. Sempre foi a manifestação da repulsa do homem por aquilo que ele conhece. O filósofo sempre estabelece as coisas que não pode detectar, com as quais não pode ter contato, como essencialmente diferentes daquilo que ele conhece, que ele contacta. O tipo de pensamento que conduz aos conceitos que você menciona aqui como sendo de origem filosófica, na verdade é científico, é puramente indutivo, porque estende a realidade que se observa, que se experimenta, logo é experimental. O pensamento filosófico limita a realidade porque não mantém comunhão com a mesma. Um pensador científico não encontra (não inventa) razão alguma para imaginar um lugar essencialmente diferente deste que ele conhece.

Você está errado quanto a achar que os tais "caras" "foda"(sic) não tinham ferramentas e não experimentavam. Sempre há um mínimo de ferramentas e experiências. Eles conseguiram as proezas que conseguiram porque eram cientistas, pensadores científicos. Para um pensador científico, uma única pedra que cai é mais ferramenta, é mais experiência que todas as pedras que já cairam no universo são para um pensador filosófico.

Quanto à ideia do átomo, seria interessante abordar como foi estritamente científico o pensamento que o delineou em todas as suas diversas versões. Mas seria alongar-me demais agora, tenho que dar outras respostas e deixo para depois se houver ensejo.
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Mais ou menos assim como ateístas criaram uma nova doutrina religiosa baseada na negação da religião?


Erro primário de definição. Negação da religião (ou sistemas religiosos) é anti-religião, não ateísmo. Basta ver que é possível ser membro de uma religião sem acreditar na existência de divindades (Unitaristas, Positivistas Religiosos e sua exótica "Religião da Humanidade", Judeus seculares) e que é possível acreditar em algum tipo de divindade sem pertencer a um sistema formal de crença (A chamada "Religião self-service", a crença no "Deus Arquiteto" típica de Deístas).
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Como eu disse "mais ou menos assim" deixei frouxa a ideia de que haveria uma conceituação estabelecida aqui. E como você se mostra conhecedor deste imenso caldeirão transbordante que contém todas as "diferentes" formas mágicas de pensamento (que, confesso, tenho muita dificuldade em perceber as tais "nuances" que as diferenciam; tive até dificuldade em analisar o que você pretendia com esse post), dê a definição que quiser para ateísmo. Para mim, ateísmo é a doutrina da descrença em algum(ns) deus(es). Toda religião que "conheço", desde a matriz de todas elas, a filosofia, tem sempre alguma divindade a se adorar, ainda que seja a divindade interna "eu". Então, a ideia de uma religião, um religare, sem algum deus não me é acessível. Mas até a de uma com deuses não é. Deixo essas definições para vocês.
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dê a definição que quiser para ateísmo. Para mim, ateísmo é a doutrina da descrença em algum(ns) deus(es).


Você não está errado em definir ateísmo como descrença em deus(es) - mas como você colocou, há nuances em tal visão que você não pegou. Tradicionalmente, o termo ateu pode ser usado para dois tipos de posição:

1. A de que "Deus não existe", que é chamada de Ateísmo forte ou positivo. Essa é a visão onde se afirma categoricamente a inexistência de divindades, e de fato não é diferente em posição de crença (ou seja, no que se acredita ou não) da opção Teísta tradicional.

2. A de "Eu não creio em Deus", que é chamada de Ateísmo fraco ou negativo. Ao contrário do ateísmo forte, não se afirma que Deus inexiste, mas sim que dado aquilo que conhecemos, provavelmente Deus não existe - o que não quer dizer que ele não possa existir ou ser evidenciado em um tempo futuro.

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Então, a ideia de uma religião, um religare, sem algum deus não me é acessível.


É que provavelmente, você está vendo religiões como equivalentes apenas à crença ou não em divindades e todo um pacote de outras crenças que costumam acompanhar isso.

Contudo, religião não se limita apenas à esfera do "acreditar em alguma coisa", mas também em outras atividades como os "ritos" (que são atividades religiosas que levam à prática de uma ou mais idéias que fazem parte do "pacote da crença"), a formação de "grupos sociais" (a religião é uma porta aberta para convívio entre pessoas com ao menos um interesse em comum) e também faz parte da "identidade pessoal" (ou seja, se ver como Cristão, herdeiro de um tradição de 2 milênios que influenciou e moldou a cultura ocidental).

Dessa forma, alguém pode se identificar com a crença de uma religião mas não com todo o resto que a acompanha - esse será o "Teísta não-religioso". Ou pode negar a crença de uma religião, mas gosta do ritual religioso, do convívio com pessoas desse meio e se vê cultural ou historicamente como membro de tal religião - esse será o "Ateu religioso".
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