Clube Cético
Geologia - Refutação, em bases geológicas, de textos criacionistas
Autor: Geotecton | Categoria: Origens e Evolução | Exibições: 103467 Comentários: 524
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Introdução

O presente ensaio é uma refutação ao tópico IV - Dilúvio, Deriva dos Continentes e Hidroplacas contido na terceira parte do ensaio Criacionismo: Fatos e Fé do senhor Rafael Augusto Pavani e que foi escrito como uma resposta em uma discussão travada com o senhor Marcos Valério, defensor da Teoria da Evolução.

Os argumentos e comentários estão restritos essencialmente ao texto tema. Excepcionalmente, em questões específicas, são feitos comentários de outros textos ou sites citados nos parágrafos em análise.

Textos, Comentários e Refutações

Parte 01/02

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

01) Antes de iniciar a discussão, a Teoria das Hidroplacas está no site www.creationscience.com, que alguém me mostrou por acaso (?) após eu já ter enviado a segunda parte do debate. Ela é completa, com uma explicação muito convincente e científica para o Dilúvio. Um link direto para uma parte dela está neste link.


Dada a sua inexperiência em geociências causa-me estranheza a sua afirmação de que a “Teoria das Hidroplacas é completa, com uma explicação muito convincente e científica” para o dilúvio bíblico. Como você pode avaliar isto com consistência?

A despeito de sua afirmação supra, a “Teoria das Hidroplacas” não apresenta nenhum dado de campo e nenhuma modelagem compatível com o que se conhece da crosta terrestre e de suas feições geológicas. Ela não apresenta qualquer respaldo da comunidade geológica mundial. Estou preparando uma refutação específica para esta “teoria” com base nos dados fornecidos no link supracitado.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

02) Primeiro, não sei se foi confusão ou não, mas a hipótese não é de uma “pangéia super acelerada”, mas sim da separação brusca da Pangéia. Não sei quanto à validade da Teoria das Hidroplacas e dessa divisão brusca, mas parece convincente pelo que eu tive a oportunidade de conhecer.


Os sites criacionistas afirmam que houve apenas um super continente, o Pangea, e apresentam-no como tendo uma idade de criação de 6.000 anos e uma idade de separação de massas com 4.000 anos. Isto não tem qualquer respaldo em dados de campo, de laboratório ou em simulações.

Existiram pelo menos outros 4 (quatro) super continentes anteriores ao Pangea. Uma explicação um pouco mais detalhada pode ser encontrada aqui.

Na citação 01 você afirma que a “Teoria das Hidroplacas é completa, com uma explicação muito convincente e científica”, mas na citação 02 você afirma que “não sabe quanto à validade da Teoria das Hidroplacas e dessa divisão brusca, mas que parece convincente”. Resumindo: Você não tem condições de avaliar a “teoria”, mas ainda assim valida-a por crença.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

03) Vale lembrar que a idéia de um movimento lento dos continentes por milhões de anos é colocada na nossa cabeça desde a 5ª série do ensino fundamental, além de ser confirmada por todos os grandes meios de comunicação. Assim, é realmente difícil discordar dela. Eu mesmo não acreditei no início, e depois de ter acreditado ainda duvidei por algum tempo, apenas entendendo após algum esforço na procura por informações a respeito dos continentes.


Pela sua frase eu deduzo que você crê que ocorre uma, de duas situações: a) Estamos diante de um complô que reúne a comunidade científica em geral, e em particular os geocientistas, o sistema de ensino mundial e os meios de comunicação ou; b) Todos da comunidade científica, e em particular os geocientistas, estão errados e apenas as pessoas “iluminadas divinamente”, que geralmente são cristãos engenheiros, militares, advogados e médicos, é que possuem o conhecimento geológico adequado para entender as feições da crosta terrestre.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

04) Não é uma teoria confusa, e sim difícil de compreender quando temos acentuado preconceito contra as idéias criacionistas, e pela dificuldade em se encontrar tal teoria de forma didática. Como você sabe, os cientistas de forma geral têm aversão ao Criacionismo, e por ser uma teoria criada por um criacionista e embasar as idéias criacionistas, dificilmente os meios científicos gerais vão aceitá-la ou até mesmo analisá-la. Infelizmente existe esse preconceito. Se tais cientistas querem mesmo desacreditar o criacionismo, por que não analisam a teoria de forma coerente?


Ela é confusa e inconsistente cientificamente e estes são os motivos pela qual a comunidade científica em geral, e os geocientistas em particular, desprezam-na e refutam-na. A propósito, a “Teoria das Hidroplacas” foi desenvolvida por Walt Brown, um engenheiro mecânico, no qual o texto dele reflete uma total ignorância em relação a conceitos geológicos básicos de estratigrafia, sedimentação, geologia estrutural, entre outras subdivisões da Geologia.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

05) Também há no site www.globalflood.org uma outra explicação para o Dilúvio, que não parece estar relacionada às hidroplacas, mas como dessa não conheço nada então não vou comentar. O livro “Em Busca das Origens – Evolução ou Criação?” possui uma boa parte explicando o Dilúvio, que não cheguei a ler ainda.


De fato, a explicação do site supra é uma versão catástrofo-cataclísmica da Tectônica de Placas, mas que também peca (não é trocadilho) por cometer muitos erros conceituais. Estou preparando uma refutação específica para esta versão com base nos dados fornecidos no link supracitado.

Um problema recorrente em seu texto é que você faz menção a diversas referências impressas e da Internet, mas sem tê-las consultado. Como é o caso daquelas do texto parte 05.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

06) Percebi ser um grande problema no criacionismo a dificuldade da difusão das idéias. Apenas em palestras e lendo no site a teoria pode ser melhor entendida, contudo já assisti a uma palestra criacionista que mais confundiu que esclareceu. Esse é mais um dos motivos para o descrédito, a não compreensão.


A não compreensão pode ser originária da pouca capacidade do público em entendê-la ou da mesma ser de fato confusa. Eu acho que esta “teoria” é confusa, inconsistente, enfim, um nonsense científico.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

07) Tentarei então apresentar um resumo do Dilúvio com as informações que possuo. Compreender a seqüência do Dilúvio não é difícil. O único problema é que não há um bom resumo do fenômeno segundo a Teoria das Hidroplacas, e pela pouca divulgação mesmo nos sites criacionistas parece ser uma idéia complicada.


A narrativa do “dilúvio” é simples, de fato, simplória. E, mesmo assim, sem qualquer informação bíblica relevante, foi proposta a “teoria das hidroplacas”, totalmente desprovida de sentido científico, e somente voltada para acomodar as passagens de um texto religioso.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

08) No período pré-diluviano havia um único continente e uma grande camada de água subterrânea (cerca de 12km de profundidade, entre as rochas de granito e de basalto). Em alguns poços na Bavária, Alemanha, encontrou-se rachaduras com água salgada a 9km de profundidade, enquanto na Península de Kola, Rússia, foi encontrado fluxo de água mineral muito quente a 12km. O limite de penetração da água é de 8km. O site www.creationscience.com tem as referências.


O que vocês criacionistas chamam de período “pré-diluviano”? Seria o intervalo de 2.000 anos entre a semana da “criação”, há 6.000 anos, e o “dilúvio”, há 4.000 anos? Se for isto vocês estão errados, pois não há nenhum dado de campo ou de laboratório que corrobore tais informações.

Quais são as evidências de que a crosta terrestre, há 4.000 anos (ou em qualquer outra época!), era composta de 3 (três) camadas, respectivamente de granito, água e basalto?

Qual era a espessura de cada camada?

Qual processo geológico faria estas camadas se diferenciarem e cobrirem uma área de 340 a 510 milhões de km2?

Qual processo geológico faria a água, um líquido de densidade 1,0 g/cm3, se concentrar em uma camada de 12 km de profundidade, sob uma camada de rocha com densidade média de 2,6 g/cm3, e sobre uma camada de rocha com densidade de 2,9 g/cm3?

Mesmo que tivesse existido esta disposição de camadas, haveria um grande problema para esta “teoria”. Para conter a água abaixo da camada de granito, que está sob pressão, esta teria de ser perfeitamente impermeável, pois qualquer fissura propiciaria uma saída rápida da água, vaporizando-a.

Qual foi o processo petrológico que fez com que esta camada de granito com 340 a 510 milhões de km2 se mantivesse sem fissuras? Não existe nenhum afloramento de rocha no mundo que não tenha alguma descontinuidade estrutural.

Outro problema é o papel do gradiente geotérmico. De modo geral, a cada 30m que se desce na crosta há um aumento de 1 grau Celsius na temperatura. Esta camada de água estaria sob pressão confinante elevada e a uma temperatura local de pelo menos 300 graus Celsius.

A água dos poços nos locais mencionados (Alemanha e Rússia) não é reliquiar de um “mar” interior, e sim aquela que circula em determinados tipos de rochas (p. explo., arenitos, pois que são porosos) e pelas fraturas em maciços rochosos. E a maior parte dela provém de um processo chamado percolação.

Mais uma pergunta. Já existia algum oceano ou eles se formaram com a água vinda da camada com 12 km?

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

09) Durante o Dilúvio a crosta se abriu em fendas que fizeram jorrar a água subterrânea. Por causa da pressão, a água jorrou a quilômetros de altura, por todo o planeta. Nas áreas polares, a água caiu em forma de gelo juntamente com gás carbônico nessa forma, capazes de congelar instantaneamente. A lama foi responsável pelo soterramento e fossilização da maioria das criaturas que hoje encontramos nos fósseis. Com a água subterrânea jorrando, ocorreu o deslocamento das massas de terra sobre essa água, separando os continentes (imagens em www.creationscience.com/onlinebook/HydroplateOverview7.html).


A sequência descrita no parágrafo supra não tem o menor sentido, mesmo para o seu modelo “teórico”.

Se o planeta apresentasse uma camada de água com 12 km de profundidade em toda a sua subsuperfície e esta água fosse lançada para a atmosfera você teria um colapso imediato de toda a crosta granítica sobre a basáltica.

Esta água entraria em ebulição, pois estaria sob uma temperatura de 300 graus Celsius e que teria repentinamente baixada a sua pressão confinante para uma atmosfera. Tudo que estivesse na superfície ou na atmosfera seria cozido.

Porque a água caiu sob a forma de gelo? E apenas nas áreas polares? Porque lá é... frio? Qual a evidência que a água teria congelado junto com gás carbônico?

Onde estava a lama? Estava sobre o supercontinente do Pangea criacionista ou estava no fundo dos oceanos? Como é que ela se deslocou tão rápido a ponto de encobrir todos os animais? Isto considerando a estapafúrdia idéia que para os criacionistas a fauna de Ediacara, os dinossauros e os humanos viveram todos na mesma época.

Fiquei atônito com a sua última frase. Você está sugerindo que os continentes “aquaplanaram”?

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

10)

Dia Fato
0 Início do Dilúvio
40 Fecham as fontes (fim da chuva)
150 Arca repousa
223 Aparecem os cumes dos montes
263 Noé abre a janela
270 Solta a 1ª pomba
277 Solta a 2ª pomba (traz ramo de oliveira)
284 Solta 3ª pomba (não volta)
313 Remove a cobertura
371 Noé sai da arca


Sem comentários sobre a tabela, pois não tem conexão com o presente ensaio.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

11) A deriva continental deve ter se iniciado no momento da abertura das fontes, e durou cerca de 150 dias.


Vamos compreender e por em perspectiva temporal a sua primeira frase usando como exemplo a separação entre a América do Sul e a África. A menor distância entre estes dois continentes é de cerca de 2.350 km, hoje. A razão de afastamento entre eles é de, em média, 4 cm/ano e estima-se que ela vem se mantendo constante há muito tempo, muito mais que o período em que teria ocorrido o seu “dilúvio”. Por fim, segundo VSa., a deriva “diluviana” durou 150 dias.

Vamos calcular a velocidade de deslocamento dos continentes. Se eles se deslocam a 4,0 cm por ano hoje, significa que em 3.999 anos e 215 dias, eles teriam se deslocado 159 metros e 68 centímetros. Isto implica que a deriva “diluviana”, em 150 dias, separou os continentes na distância de 2.349.840,32 (dois milhões, trezentos e quarenta e nove mil, oitocentos e quarenta metros e trinta e dois centímetros), ou 2.349,84 km. Isto representa uma velocidade de 652,70 metros por hora.

De uma taxa de 652,70 metros por hora no “dilúvio” para uma taxa de 4,0 centímetros por ano hoje. Ou seja, um afastamento 143.282.926 vezes (1,43 x 108, em notação científica) mais rápido no “dilúvio”, e provocado por água sob pressão!

Não há nenhum mecanismo conhecido e nunca houve um fluxo de calor mantélico suficiente para fazer esta proeza de velocidade. E mais importante que isto, não há evidência nenhuma de uma ação tectônica de tal magnitude.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

12) Como a chuva parou no dia 40, é fácil compreender que a água encobriu todos os montes, enquanto ainda ocorria a formação das maiores montanhas. Enquanto essas se formavam, sobrava mais espaço no fundo dos oceanos, já que a terra deveria “sair” do mar para formá-las. Também ocorreu uma acomodação do fundo dos oceanos, com seu rebaixamento e a formação dos abismos oceânicos, e evaporação da água.


Nova sequência de texto que não tem o menor sentido.

Não existia relevo montanhoso pré-"diluviano"? Qual era a altura dos montes então? Quais são as evidências geomorfológicas que suportam esta afirmação?

Como as montanhas se formaram? Pela retirada de “terra” do fundo oceânico? Qual foi o processo que fez isto? Uma enxurrada?

Segundo a sua explanação, houve a formação de montanhas pela retirada de “terra” do fundo, que por sua vez se rebaixou (acomodou) e com isto formaram-se os abismos oceânicos?

Não Rafael. As montanhas não se formam assim. Leia o texto destes “links”, acessíveis para um leigo, e você entenderá como é a orogênese.

Também eu recomendo a leitura dos seguintes livros textos básicos: Decifrando a Terra (2003). Teixeira, W.; Toledo, M. C. M.; Fairchild, T. R. e Taioli F. (Org.); Para Entender a Terra (2006). Pres, F.; Siever, R.; Grotzinger, J. e Jordan, T. H. e The Dynamic Earth (1992). Skinner, B. J. e Porter, S. C.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

13) Esses fenômenos contribuíram para que todos os montes pré-diluvianos fossem encobertos pelas águas, e depois foi que as novas montanhas, mais altas que as anteriores, se formaram, enquanto a água se evaporava e se acomodava no fundo do oceano. Hoje há uma grande quantidade de água em forma de vapor, que no Dilúvio deveria estar condensada pelas condições impróprias para evaporação.


Rafael observe as seguintes frases:

“Enquanto a água se evaporava ela se acomodava no fundo do oceano”. Como pode o vapor de água se acomodar no fundo do oceano?

Compare as partes em negrito das seguintes frases. “Também ocorreu uma acomodação do fundo dos oceanos, com seu rebaixamento e a formação dos abismos oceânicos, e evaporação da água” (última frase do parágrafo 12) e “Hoje há uma grande quantidade de água em forma de vapor, que no Dilúvio deveria estar condensada pelas condições impróprias para evaporação”. Elas são antagônicas.

Aqui o problema do texto não é somente científico. Também é de lógica.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

14) A acomodação dos continentes ocorre até hoje com os terremotos e vulcanismo.


Finalmente uma frase correta, sob a perspectiva geológica, e na qual concordamos inteiramente.
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Data da postagem: 11/04/2010, 20:38
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Parte 02/02

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

15) Logo após o Dilúvio deve ter ocorrido o que hoje chamamos de Era Glacial, durando cerca de 300 anos, por evaporação da água e conseqüente perda do calor ambiental, dentre outros motivos.


Quais evidências permitem você afirmar que houve uma era glacial há 4.000 anos e que durou por 300 anos?

A evaporação da água causou a perda do “calor ambiental” e que levou à era glacial? Como?

Quais são os outros motivos que induziram uma era glacial?

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

16) Dessa forma..., ninguém pôde observar a separação dos continentes e nenhum animal da Arca poderia ter “pego carona” na deriva, pois os novos continentes estavam se formando enquanto as pessoas e animais estavam na Arca. Apenas sementes, esporos, ovos de insetos e talvez de anfíbios poderiam ter se utilizado dessa “carona”, segundo algumas explicações do tópico V.


Sem comentários deste parágrafo, pois o texto não tem correlação com o presente ensaio, com exceção da parte que faz menção aos continentes, mas que já foi refutado anteriormente.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

17) Esse resumo do Dilúvio pode ser usado para compreender outras argumentações nos demais tópicos, e como sempre, alerto que posso estar equivocado em alguma parte, e peço para aqueles mais desejosos de conhecer a Teoria das Hidroplacas que acessem o site e leiam por si próprios.


Sem comentários deste parágrafo, pois o texto não tem correlação com o presente ensaio, com exceção da parte que faz menção à “teoria de hidroplacas”.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

18) Você disse que ...“todas as evidências geológicas, como a geografia acidentada, bem como a aparência das camadas, são muito mais harmônicas com um processo lento e aleatório do que com um processo rápido e ainda por cima dirigido por alguma inteligência.”


(Nota do Autor: A frase acima é do interlocutor original defendendo a opinião do mainstream geológico em oposição à visão do senhor Rafael).

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

19) Na verdade as evidências geológicas são interpretadas atualmente através de uma pré-concepção de uma terra antiga e não catastrófica, enquanto antigamente elas eram interpretadas através de uma idéia de terra jovem e catastrófica. A própria Teoria das Hidroplacas explica grande parte de tais evidências, que apóiam um processo rápido, não necessariamente dirigido diretamente por alguma inteligência.


As feições geológicas são interpretadas, como resultado de processos, sob uma perspectiva temporal mais longa, há mais de 150 anos. E não há demérito nenhum nisto, pois dada a complexidade da Geologia fica claro que os pesquisadores mais antigos não tinham meios de ter o conhecimento sequer do que hoje é considerado como de nível escolar secundário.

Quanto ao suposto antagonismo entre o Uniformitarismo e o Catastrofismo, eu lhe afirmo que isto já foi abandonado há mais de 80 anos, porque sob a ótica dos processos geológicos, ambos estão corretos. Eu estou preparando um tópico sintético sobre o histórico destes conceitos das Geociências.

A “teoria das hidroplacas” não explica nenhuma feição geológica e nem há evidências do “dilúvio”. Se assim fosse todo o conhecimento geológico e de suas matérias básicas e correlatas (matemática, física, química, astronomia, entre outras) estaria errado.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

20) A aparência das camadas pode ser explicada pelo processo de liquefação, na qual o movimento contínuo e turbulento das águas causa a deposição ordenada dos sedimentos em alguns dias. Esse processo está explicado e demonstrado no site www.creationscience.com, mas não lembro o local exato.


A liquefação, enquanto processo geológico, é diferente do que você explica. Ela não envolve a emersão total de todos os sedimentos de uma dada área, mas apenas de parte deles e é um processo ligado ao nível do lençol freático, portanto de escala espacial limitada. Eis aqui uma explicação sucinta.

As camadas de rochas sedimentares são formadas em diversos ambientes e sob diversas condições dinâmicas e cinemáticas, embora, em última instância todas dependam da direção e intensidade do fluxo, seja do vento, seja da água, seja de massa.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

21) Algumas evidências que apóiam um processo rápido são a formação oblíqua de certas camadas, a sobreposição (em que camadas mais “velhas” estão sobre as mais “jovens”) e a aparente ondulação em alguns extratos, impossíveis de se conseguir através de uma deposição lenta. Esses exemplos estão no livro “Em Busca das Origens”, alguns no “Livro Crítico” e deve ter algo no site citado. Também pode-se encontrá-las em livros gerais de Biologia, não criacionistas, que tentam explicá-las pelo evolucionismo.


Nem todas as camadas de rochas sedimentares foram formadas em ambiente aquático (marinho, fluvial ou lacustre), mas também em ambiente continental. Neste link, você encontrará fotos de camadas de arenito inclinadas, contendo estratificações cruzadas, formadas em um paleodeserto.

As camadas mais horizontais são depositadas sob fluxo laminar, mas nem sempre isto ocorre. Observe que nesta foto as camadas não estão horizontais, e uma delas apresenta dobras convolutas, de natureza atectônica, formadas em virtude de um fluxo denso (detrítico) e turbulento.

Também há camadas que se depositaram na horizontal, mas hoje estão quase na vertical por causa da Tectônica (de Placas). Veja este exemplo na Austrália.

Diga-se de passagem, as camadas não são exclusividade de rochas sedimentares. Eis duas fotos de camadas em rochas metamórficas.

Não há como existir camadas mais antigas de rochas sobre camadas de rochas mais jovens sem a atuação de tectonismo. E isto se dá, simplificadamente, por dobramento, como neste exemplo ou por falhamento, como neste exemplo e neste.

Em livros de Biologia não existe o suporte teórico para explicar estas feições e sim em livros de Geologia. O termo “evolucionismo” não tem qualquer significado geológico. E acho que nem biológico.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

22) Duas evidências paleontológicas são a presença de espículas de esponja marinha em sedimentos de 14 milhões de anos no interior dos EUA, e fósseis de árvores que atravessam várias camadas de milhões de anos. Como não tenho muitas referências para esses dados, vamos evitar debatê-los, ou ficaremos no “eu acredito, eu não acredito”.


Quais são as referências bibliográficas que afirmam tais coisas? Certamente não são textos produzidos pelo mainstrean geológico.

Quanto às florestas petrificadas não precisa ir aos EUA.

Eis aqui dois exemplos no Brasil. O primeiro no Rio Grande do Sul com idade estimada em 215 milhões de anos (fim do Triássico). Este eu conheço.

O segundo exemplo é na Chapada do Arararipe, no Ceará, no final do Jurássico .

Eis mais um na Argentina.

E em nenhum deles, repito, em nenhum, os fósseis de árvores "atravessam" camadas de milhões de anos.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

23) Se há alguma evidência que você queira discutir, então basta dizer. Não garanto resposta para todas, entretanto me empenharei ao máximo para explicar.

24) Seus comentários sobre a Antártida e os pingüins já foram discutidos no tópico III, e mais alguns argumentos pertinentes estarão logo em seguida neste tópico.


Sem comentários das citações 23 e 24, pois elas não tem correlação com o presente ensaio.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

25) Apesar de o manto terrestre não ser sólido, a crosta terrestre, com o fundo dos oceanos e as placas continentais, é sólida. Mesmo com a movimentação do magma, seria necessário que as placas se sobrepusessem, senão só poderiam deslizar umas contra as outras, com os continentes fixos sobre elas. Seria como aquecer uma sopa com lâminas de pedra justapostas. Elas podem tomar o lugar uma da outra, sem encontro de suas superfícies, algo necessário para o encontro dos continentes. Isso impede a existência da Pangéia.


As placas são sólidas, mesmo porque compõe a crosta, e “deslizam” sobre o manto. Quanto aos limites das placas ocorrem basicamente 3 situações (com desdobramentos): convergência (ou colisão) com subducção de placa oceânica e formação de montanhas (Cordilheira dos Andes); divergência (ou acreção) de placas, como no caso da placa do Atlântico que separa a América do Sul da África e o limite onde não há acreção e nem subducção.

Não só não impediu a formação do Pangéa, como não impediu a formação de outros 4 supercontinentes anteriores. Aliás, sem a Tectônica de Placas nunca teria existido sequer um continente, quanto mais os supercontinentes.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

26) Eu queria dizer que pelo modelo das placas tectônicas uma placa precisaria se sobrepor à outra, e exatamente nesse modelo a existência da Pangéia fica prejudicada por esse motivo. Eu não disse que não ocorreu a Pangéia, mas sim que o modelo de placas em movimento impede sua existência, contradizendo a evolução. Contudo, existe sim uma explicação para resolver esse problema na tectônica de placas, o derretimento e incorporação das placas ao manto terrestre. Infelizmente não conheço bem esse assunto, e me parece que até essa explicação seria insuficiente, pois assim as terras do início da Pangéia deveriam hoje estar liquefeitas sob outras placas, enquanto os fósseis indicam vida em terras quando os continentes ainda estavam bem unidos. Saliento a superficialidade dessa observação, uma vez que eu ainda não analisei bem esse ponto.


Não, as placas não precisam se sobrepor, embora isto ocorra, e isto não impediu a formação do Pangéa, pelo contrário. A explicação foi dada no tópico anterior.

Já que você não conhece a subducção eu lhe indico dois links com conhecimento básico. O primeiro é sobre os conceitos gerais da Tectônica de Placas e o segundo é sobre a subducção strictu sensu.

As “terras do Pangéa” não ficariam liquefeitas. A explicação está contida nos seguintes tópicos do FCC: Neste e neste.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

27) Sobre as montanhas, quase todas são sólidas por dentro e sem conteúdo vulcânico, até as vulcânicas são sólidas, e possuem vãos para o escape de magma. Como o modelo geológico atual deve ter uma explicação para o dobramento das montanhas lentamente, não vou adentrar esse assunto, mesmo não conhecendo uma explicação satisfatória para resolver o problema. O site de geologia http://domingos.home.sapo.pt/index.html é muito interessante e com vários assuntos relacionados ao que estamos discutindo. Não é criacionista.


Estas dúvidas eu já lhe respondi aqui.

Citação de: Rafael Augusto em 04 de Março de 2010, 12:35:21

28) Pelo último parágrafo de sua tréplica nesse tópico, adentramos um pouco o tópico VI, sobre a dispersão dos animais e sua similaridade em ambientes próximos. A deriva continental lenta é a única explicação que você conhece, e não a única que existe, fique bem claro. A migração dos animais é um fator muito mais importante, além de também ser considerado pela evolução, como na explicação da diversidade e dispersão do Homo sapiens.

29) Perceba que os povos mais próximos são mais parecidos, não por terem se transformado, mas por pura similaridade genética oriunda dos mesmos ancestrais (de milhares de anos e não milhões). Assim, ao se dispersarem pelo mundo, alguns animais foram para um ambiente e outros para ambientes diferentes, diversificando-se a partir de diferentes ancestrais, explicando a similaridade em ambientes próximos e distância genética em ambientes distantes. Ao conhecer um pouco mais de genética de populações e ecologia você descobrirá outras explicações. Baseie-se no tópico I, temas B e C, tópico II e VI. Os pingüins no tópico III são um bom exemplo, sem necessidade de deriva continental e nem transformação.

30) Por favor, ....., reflita nos assuntos e informações apresentados, para compreender que o principal motivo de você não encontrar uma explicação de Criacionismo de Terra Jovem convincente é seu desconhecimento de padrões biológicos bem definidos e capazes de elucidar muitas dúvidas suas sem a necessidade de milhões de anos.


Sem comentários destes parágrafos, pois os textos não tem correlação com o presente ensaio. Há uma exceção, porém.

O fato de você crer nos argumentos anti-científicos do Criacionismo Terra Jovem provem principalmente da sua falta de conhecimento científico, em particular de Geologia, e no fato de que você prioriza a sua fé religiosa em detrimento das evidências observadas no mundo natural, e que são estudadas pela Ciência.
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Data da postagem: 11/04/2010, 20:58
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Tópico interessante para guardar como referência.
Normalmente a discussão é Criacionismo x Biologia Evolutiva. O aspecto geológico é pouco debatido.

Mas é interessante o número de vezes em que o cara diz "não li" ou "não tenho muitas referências" sobre textos e assuntos que ele menciona como evidências.
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Citação de: Geotecton

Vamos compreender e por em perspectiva temporal a sua primeira frase usando como exemplo a separação entre a América do Sul e a África. A menor distância entre estes dois continentes é de cerca de 2.350 Km, hoje. A razão de afastamento entre eles é de, em média, 4 cm/ano e estimasse que ela vem se mantendo constante há muito tempo, muito mais que o período em que teria ocorrido o seu “dilúvio”. Por fim, segundo VSa., a deriva “diluviana” durou 150 dias.

Vamos calcular a velocidade de deslocamento dos continentes. Se eles se deslocam a 4,0 cm por ano hoje, significa que em 3.999 anos e 215 dias, eles teriam se deslocado 159 metros e 68 centímetros. Isto implica que a deriva “diluviana”, em 150 dias, separou os continentes na distância de 2.349.840,32 (dois milhões, trezentos e quarenta e nove mil, oitocentos e quarenta metros e trinta e dois centímetros), ou 2.349,84 Km. Isto representa uma velocidade de 652,70 metros por hora.

De uma taxa de 652,70 metros por hora no “dilúvio” para uma taxa de 4,0 centímetros por ano hoje. Ou seja, um afastamento 143.282.926 vezes mais rápido no “dilúvio”, e provocado por água sob pressão! Em notação científica 1,43 x 108.

Não há nenhum mecanismo conhecido e nunca houve um fluxo de calor mantélico suficiente para fazer esta proeza de velocidade. E mais importante que isto, não há evidência nenhuma de uma ação tectônica de tal magnitude.


Há uma parte nessa história de hidroplacas que eu tenho especial dificuldade em entender.

Já vi algumas animações ( bem toscas, aliás ) que "mostram" como teria ocorrido essa tal separação entre os continentes durante o
dilúvio. Do jeito que é mostrado tem-se a impressão que continentes são placas de isopor flutuando sobre os oceanos, ou então, sobre
a imaginária camada de água que misteriosamente inrrompeu das "fontes do abismo".

Porém, até onde eu imagino saber, as placas tectônicas mais se parecem com a casca de um ovo cozido, quando você a quebra gentilmente dando pequenas pancadas com uma colherinha. O seja, assim como a casca desse ovo, a crosta terrestre está estilhaçada em vários pedaços justapostos, não havendo espaço entre eles, pois se um grande espaço houvesse o manto estaria exposto em uma fenda abissal.

Pois bem, se esta imagem guarda alguma relação com a realidade então estas placas não podem se movimentar livremente, como é apresentado nestas animações do Adauto Lourenço, porque ao se movimentarem obrigatoriamente se empurram, deslizam e amassam umas às outras. Então não é fisicamente possível este deslocamento a 600 m/h, como se fossem navios, navegando soltas no mar.

Sendo assim os criacionistas precisam descrever o que é a crosta terrestre de alguma outra forma. Ou pelo menos o que teria sido a
crosta terrestre quando ocorreu o Dilúvio.

Mas como seria então? Não consigo imaginar.

Teria havido uma camada superficial granítica perfeitamente impermeável sobre este mar interior? E esta camada então fraturou-se permitindo que as águas jorrassem?

Se foi assim então temos o mesmo problema, porque todos os pedaços dessa crosta de granito estariam justapostos ao racharem e
não haveria espaço para se moverem a esta velocidade louca por milhares de quilômetros.

Como a teoria da hidroplacas descreve a composição e disposição das camadas mais superficiais do planeta na "era diluviana"?
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É uma pena o Geotecton ter gastado tanto tempo em um artigo em que o o forista citado não vai ler... Talvez em um mês, já que deve estar muito ocupado com a carga de plantões da sua residência
Mas vale como fonte de informação e consulta. Sugiro, porém duas coisas:
a) o tópico seja mudado para a área de origens e evolução. Apesar de não tratar sobre evolução e biologia, comumente é citada a geologia como argumento pelos criacionistas (com a confusão de praxe de biologia, física e geologia...);
b) o tópico seja fixado para melhor ser encontrado, já que, eu acho, é o único sobre o tema de geologia x criacionismo.
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Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Há uma parte nessa história de hidroplacas que eu tenho especial dificuldade em entender.


Pedro, voce tem dificuldades em entender a "teoria de hidroplacas" por dois motivos:

01) Não há uma interpretação convergente sobre o evento do "dilúvio", no que tange à deriva continental, pois já vi pelo menos um site criacionista afirmar que a deriva teria ocorrido em 1 (um) dia.

02) Não há uma conexão coerente dos diversos ramos do conhecimento geológico, que foram arduamente elaborados ao longo dos últimos 230 anos, quando o termo Geologia foi usado pela primeira vez por Buffon e Saussure.

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Já vi algumas animações ( bem toscas, aliás ) que "mostram" como teria ocorrido essa tal separação entre os continentes durante o dilúvio. Do jeito que é mostrado tem-se a impressão que continentes são placas de isopor flutuando sobre os oceanos, ou então, sobre a imaginária camada de água que misteriosamente inrrompeu das "fontes do abismo".


Nunca vi uma animação sobre o tema. Mas pelas descrições dos sites criacionistas, elas devem ser tão toscas quanto um filme de ficção científica classe Z.

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Porém, até onde eu imagino saber, as placas tectônicas mais se parecem com a casca de um ovo cozido, quando você a quebra gentilmente dando pequenas pancadas com uma colherinha. O seja, assim como a casca desse ovo, a crosta terrestre está estilhaçada em vários pedaços justapostos, não havendo espaço entre eles, pois se um grande espaço houvesse o manto estaria exposto em uma fenda abissal.


Usando a sua analogia, a casca do ovo seria a crosta, tanto oceânica como a continental, e a gema seria a astenosfera, ou seja, menos rígida que a crosta, mas consistente o bastante para impedir a ascensão de material mantélico em fusão.

Somente em locais específicos o material do manto ascende e chega na superfície. Os mais importantes são as Cordilheiras Meso-Oceânicas. Os de menor importância são aqueles onde há plumas mantélicas, que são regiões de concentração anômala de calor do manto com reflexos na crosta. O caso mais famoso é o do Havaí.

Como é que se sabe que um dado magma é proveniente do manto? Pela sua composição química, como é o caso dos MORBs (Middle Ocean Ridge Basalts), que como o nome indica é o basalto incorporado ao assoalho oceânico nas Cordilheiras.

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Pois bem, se esta imagem guarda alguma relação com a realidade então estas placas não podem se movimentar livremente, como é apresentado nestas animações do Adauto Lourenço, porque ao se movimentarem obrigatoriamente se empurram, deslizam e amassam umas às outras. Então não é fisicamente possível este deslocamento a 600 m/h, como se fossem navios, navegando soltas no mar.


A taxa de deslocamento de 600m/hora é impossível fisicamente, porque nunca houve - e não há - um mecanismo mantélico capaz de fazer isto.

As placas já se "empurram" e se "amassam" nas zonas de subducção e obducção. Elas se afastam nas zonas de acreção e mantem os seus limites (razoavelmente) intactos nas zonas de falhas transformantes.

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Sendo assim os criacionistas precisam descrever o que é a crosta terrestre de alguma outra forma. Ou pelo menos o que teria sido a crosta terrestre quando ocorreu o Dilúvio.


Desejo, de coração, que os Adautos e Nahores da vida publiquem os dados geofísicos, geoquímicos, estruturais e tectônicos da "criação" e do "dilúvio" em qualquer journal de qualidade.

Acho que seria a consagração deles.

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Mas como seria então? Não consigo imaginar.


Nem George Lucas com a ILM conseguiriam!

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Teria havido uma camada superficial granítica perfeitamente impermeável sobre este mar interior? E esta camada então fraturou-se permitindo que as águas jorrassem?


Como eu escrevi no primeiro parágrafo, não há nenhum criacionista que apresente um desenho esquemático detalhado e em escala das 3 (três) camadas e defenda-o em um debate.

Vamos deixar a nossa imaginação "correr solta". Suponha uma camada granítica que recobre todo o planeta, perfeitamente impermeável, sem descontinuidades físicas, tais como fraturas. Debaixo dela uma camada com 12 km de espessura de água. De repente, ou um meteoro, ou um terremoto, ou um espirro de Zeus fissura esta camada e a água jorra. E tem início o "dilúvio". Que lindo não?

Só faltou explicar o seguinte.

01) Qual foi o processo petrológico que formou a camada de granito perfeitamente isotrópica?

02) Como se formou a camada de água com 12 km de espessura?

03) Qual foi o comportamento reológico da camada de granito após o fissuramento?

(Uma dica. A água, quando confinada, funciona como um sólido por ser um fluído incompressível. No entanto, a partir do momento que se cria uma "rota de fuga", ela extravasa e deixa de ocupar aquele espaço confinado. Conclusão: Toda a camada de granito solaparia sobre a camada de basalto. Onde estão as evidências disto?)

04) Explicar porque Zeus espirrou!

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Se foi assim então temos o mesmo problema, porque todos os pedaços dessa crosta de granito estariam justapostos ao racharem e não haveria espaço para se moverem a esta velocidade louca por milhares de quilômetros.


Sem dúvida, pois a maioria dos criacionistas acha que não havia subducção no tempo do "dilúvio".

Citação de: Pedro Reis em 12 de Abril de 2010, 13:39:29

Como a teoria da hidroplacas descreve a composição e disposição das camadas mais superficiais do planeta na "era diluviana"?


Sinceramente eu não sei lhe responder isto ainda Pedro, pois eu ainda não li todo o material sobre as "hidroplacas" no site criacionista indicado pelo senhor Rafael.

Se tiver algo que esclareça a sua dúvida eu aviso.

P.S. Eu duvido que exista. E se existir acho que será o mesmo tipo do resto, ou seja, uma sucessão de explicações absurdas!
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Citação de: Derfel em 12 de Abril de 2010, 22:42:32

É uma pena o Geotecton ter gastado tanto tempo em um artigo em que o o forista citado não vai ler... Talvez em um mês, já que deve estar muito ocupado com a carga de plantões da sua residência


Derfel, não culpe o menino por seus afazeres universitários e proto-profissionais.

Citação de: Derfel em 12 de Abril de 2010, 22:42:32

Mas vale como fonte de informação e consulta. Sugiro, porém duas coisas:


Olha aí o que voce vai falar...

Citação de: Derfel em 12 de Abril de 2010, 22:42:32

a) o tópico seja mudado para a área de origens e evolução. Apesar de não tratar sobre evolução e biologia, comumente é citada a geologia como argumento pelos criacionistas (com a confusão de praxe de biologia, física e geologia...);


Se os demais foristas concordarem, por mim tudo bem!

Citação de: Derfel em 12 de Abril de 2010, 22:42:32

b) o tópico seja fixado para melhor ser encontrado, já que, eu acho, é o único sobre o tema de geologia x criacionismo.


Ei, nada mal para um necromancer senil, não é mesmo?
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Citação de: Derfel em 12 de Abril de 2010, 22:42:32

É uma pena o Geotecton ter gastado tanto tempo em um artigo em que o o forista citado não vai ler... Talvez em um mês, já que deve estar muito ocupado com a carga de plantões da sua residência
Mas vale como fonte de informação e consulta. Sugiro, porém duas coisas:
a) o tópico seja mudado para a área de origens e evolução. Apesar de não tratar sobre evolução e biologia, comumente é citada a geologia como argumento pelos criacionistas (com a confusão de praxe de biologia, física e geologia...);
b) o tópico seja fixado para melhor ser encontrado, já que, eu acho, é o único sobre o tema de geologia x criacionismo.


O conteúdo do tópico tem mais a ver com a área de origens e evolução mesmo, além do que, não sei se o forista Rafael lê outras áreas além dessa.

E foi fixado para facilitar futuras referências em discussões.
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Geotecton, não sei se isto seria uma ciência diretamente ligada a geologia ou se trata-se de outra área, mas as datações do gelo nos polos, com diferentes gazes da composição atmosférica, não seriam também uma prova irrefutável que desmente o dilúvio?
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Citação de: Spitfire em 13 de Abril de 2010, 13:11:50

Geotecton, não sei se isto seria uma ciência diretamente ligada a geologia ou se trata-se de outra área, mas as datações do gelo nos polos, com diferentes gazes da composição atmosférica, não seriam também uma prova irrefutável que desmente o dilúvio?


Sim, a Glaciologia é uma disciplina que faz divisa com a Geologia e a Meteorologia.

Concordo com você. As datações das bolhas dariam evidências contra o suposto tempo que teria ocorrido o "dilúvio". Basta mencionar que já foram realizadas análises em bolhas com idade estimada em 400.000 anos. Além disto, a análise do conteúdo gasoso das bolhas contidas em amostras de gelo com 4.000 anos AP poderia nos fornecer outras evidências contra o "dilúvio", pois este cataclisma fatalmente deixaria rastros na atmosfera, que eu duvido que estejam presentes (porque não existiu tal cataclisma) nas amostras.

No entanto, Spitfire, eu acho que os criacionistas simplesmente iriam ignorar os resultados, ou, em situação extrema, afirmariam que aquilo é apenas mais uma "artimanha evolucionista" contra os desígnios da dividande cristã.
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Este tópico deveria se chamar: "Pergunte ao Geotecton" ou "Geotecton responde"

Os cilindros de gelo são mencionados por criacionistas como não sendo confiáveis, pois haveria uma contaminação das amostras de ar colhidas das bolhas (por difusão?). Isso procede?
Sei que o local e tempo estão errados, mas, antes que surja algo como "estão vendo? uma prova do dilúvio!", o Jovem Dryas foi causado mesmo por uma grande inundação pelo liberação das águas de um grande lago no final da Idade do Gelo? Correlacionando, mas não tendo muito a ver com criacionismo, existe a possibilidade do evento se repetir nos dias de hoje por um degelo da groelândia pelo aquecimento global, que mudasse a salinidade e as correntes da região?
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